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A comédia maluca de Confissão de Uma Mulher (1937)

Uma das atrizes cômicas mais engraçadas da golden age de Hollywood, Carole Lombard começou a sua carreira cedo, quando tinha apenas 12 anos de idade, no filme A Perfect Crime (1921), quando ainda era conhecida como Jane Peters. Sua grande chance de sucesso, no entanto, veio a partir dos anos 1930, quando adicionou um e no final de Carol e moldou sua imagem como a engraçada e doce Carole Lombard também nas telonas de cinema. 

O último e quarto filme que ela fez ao lado do ator Fred McMurray, o Confissão de Uma Mulher (True Confession) demonstra exatamente essa personalidade cômica da atriz. No filme ela interpreta Helen Bartett, uma mulher casada com seu querido e honesto marido Ken Bartett (Fred McMurray). O problema é que ele é um advogado que não aceita representar alguém que for culpado. Com dívidas se amontoando, ela resolve aceitar um emprego para ser secretária que parece bom demais para ser verdade. E era! O novo patrão de Helen tenta assediá-la e transtornada ela sai de lá, esquecendo sua bolsa. Quando ela volta com sua amiga Daisy (Una Merkel) descobre que Krayler foi assassinado e ela é a principal suspeita! 

Mas é claro que como o filme é uma screwball comedy, ou seja, uma comédia com situações inesperadas, não espere uma busca pela verdade absoluta ou um suspense de arrepiar os cabelos. Você vai é dar risada de cada bagunça e mal entendido que Helen faz com que seu marido e as pessoas à sua volta passem. 

Carole Lombard é repleta de caras e bocas                                Paramount Pictures/Gif
De acordo com a biografia da estrela Carole Lombard: a Twentieth Century Star de Michelle Morgan, a atriz continuava a pregar peças hilárias em seus colegas, hábito pelo qual ela ficou conhecida nos bastidores de seus filmes. Mas ela também era extremamente competente e segundo sua co-estrela Una, já na segunda semana de filmagem de Confissão de Uma Mulher, eles estavam cinco dias adiantados na escala e que durante toda a produção apenas ocorreu uma regravação de cena. 

A atriz estava muito animada de fazer o filme para trabalhar com o roteirista Claude Binyon porque ela sempre admirou seu trabalho na Paramount, como conta o livro Carole Lombard: a bio-bibliography de Robert Matzen. Aliás, esse foi seu último trabalho na produtora já que logo passou para a RKO, com muito sucesso. Mas Confissão de Uma Mulher também colocou em voga sua amizade com o grande ator John Barrymore que no filme interpretava o bêbado pilantra Charley Jasper. Ainda segundo o livro de Michelle Morgan, foi a partir daí que ela começou a lutar para que Barrymore, com quem ela já havia trabalhado no filme super bem-sucedido Suprema Conquista (Twentieth Century), conseguisse mais papeis no cinema, apesar de seu vício com a bebida. 

Una e Carole se tornaram boas amigas durante o filme              Paramount Pictures/Divulgação
Todo mundo que trabalhava com Carole afirmava inúmeras vezes como ela tinha uma natureza bondosa, como era uma ótima colega, livre de vaidades que as grandes estrelas possuíam na época. Quem não estava livre desse egocentrismo era o produtor David Selznick, que criou sua própria produtora de filmes, a Selznick International Picture, que já com contrato fechado com Carole não gostou de saber que ela interpretaria em Confissão de uma Mulher, uma personagem erroneamente acusada de um crime, assim como no longa que ele estava produzindo com ela, o Nada é Sagrado (Nothing Sacred), do mesmo ano. A tensão foi tanta que ele fez com que seu filme fosse lançado antes de Confissão de Uma Mulher para ter sucesso. E ele conseguiu! Se bem que quem não gostaria de ver Carole Lombard em cores? O seu único filme que não foi filmado em preto-e-branco foi um sucesso de crítica e público.

Mas isso não tira o mérito do filme Confissão de Uma Mulher. Com um elenco afinadíssimo e uma história cativante, o longa é o tipo de história que vai fazer com que o telespectador ria do começo ao fim. Fred McMurray, apesar de não ser o protagonista deste filme, faz uma participação coadjuvante muito boa, mesmo que todos os olham fiquem voltados à Carole, sem que se possa evitar. 

Menos quando ele tira a camisa, é claro!                               Paramount Pictures/Gif
E não foram apenas risadas que o filme arrancou, não! Para os atores provou, também, como a vida em Hollywood é uma coincidência sem fim. Isso porque a atriz que interpreta a empregada do casal no filme, a Hattie McDaniel, atuaria mais tarde ao lado de Clark Gable no que é considerado um dos maiores filmes de todos os tempos E o Vento Levou...(1939). Carole já estava namorando com o ator há mais de dois anos e acabaria se casando com ele durante as gravações desse premiado longa-metragem. 

A vida é repleta de coincidências, assim como no filme Confissão de Uma Mulher       Divulgação/Montagem


Um dos filmes mais adorados pelo público de Lombard, Confissão de Uma Mulher mostra a atriz em ótima forma em um filme subestimado e nos garante uma grande diversão, com direito a gargalhadas e tudo que há de bom! 


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Sobre Gabriella Baliego
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