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As 5 melhores aparições de Lena Horne nos filmes

Lena Horne foi uma das artistas da antiga Hollywood mais talentosas: além de dançar e cantar, sua atuação era sempre no ponto. Mas por ser negra todas as suas cenas em filmes famosos do estúdio MGM eram filmados de maneira que, se necessário, pudessem ser cortadas sem alterar a narrativa do filme. Em entrevista para a revista Ebony em julho de 1968, Horne conta: "Os únicos filmes que eu tive um papel foi Uma Cabana no Céu (1943) e Tempestade de Ritmo (1943). Em todo o resto, 15 filmes, eu apenas cantei uma canção." Isso aconteceu, de acordo com ela, porque Lena não se encaixava perfeitamente em Hollywood: "Eu não me encaixava em nenhum dos estereótipos que Hollywood tinha para pessoas negras. Eu pensei em ser atriz, mas desisti porque não queria perder meu tempo esperando." 

Lena Horne cantando Can't Help Loving Dat Man' parte do filme Quando as Nuvens Passam (1946)  Divulgação/Gif
A carreira musical de Lena florescia enquanto a sua carreira no cinema ia de mal a pior. Apesar de estrelar em Tempestade do Ritmo, um filme B com todo o elenco negro, e tornar a canção Stormy Weather um sucesso, os telespectadores e a indústria ainda não estavam preparados para terem uma grande estrela negra. Outra prova disso foi o filme O Barco das Ilusões, lançado em 1951, anos antes de Dorothy Dandrige ser a primeira atriz negra indicada ao Oscar de Melhor Atriz. O papel de Julie, uma cantora interracial tinha tudo para ser da Lena - ela, inclusive foi convidada para interpretar o papel na Broadway em 1946. O papel no filme, no entanto, foi para Ava Gardner. As duas, aliás, eram super amigas na vida real e a razão pela qual Lena nunca gostou de Frank Sinatra. 

Por isso, para mostrar a importância de Lena no cinema, mostramos na A Listinha suas cenas de dança mais memoráveis e que, nunca, deveriam ter sido cortadas dos filmes por conta de sua raça. 

1. Lourinha do Panamá (Panama Hattie) - 1942 

Divulgação/Gif
Depois de quatro anos após dua estreia no mundo do cinema com o filme The Duke's On Top (1938), uma jovem Lena de 24 anos de idade estava de contrato assinado com o estúdio MGM e seu primeiro 'papel' foi no filme Lourinha do Panamá (Panamá Hattie) em 1942 como uma cantora no clube Phil's Place, gerenciado por Hattie (Ann Sothern) que conhece um jovem charmoso chamado Red (Red Skelton) e entre canções os dois tentam resolver suas diferenças para ficarem juntos. 

Lena Horne tem duas performances no filme: Just One of Those Things e The Sping, retratado no gif acima. O filme foi um fracasso de bilheteria, mas os críticos adoraram a performance de Lena. O jornal The New York Times anunciou: "Lena Horne, a novata em clubes da noite, anima em ritmo de rumba 'The Sping' com muito brilho." O filme A Lourinha de Panamá, hoje em dia, é memorável apenas por ser o primeiro filme dirigido por Vincente Minnelli, mesmo que não tenha sido creditado na época. 

Incrivelmente, Lena Horne nessa época já era mãe de seu primeiro filho, Terry Jones com seu ex-marido, Louis. 

2. Minha Vida é uma Canção (Words and Music) -1948

Divulgação/Gif
O filme Minha Vida é uma Canção conta a história ficcionalizada, é claro, da parceria dos compositores de Richard Rodgers e Lorenz Hart. Mais uma vez, Lena Horne, participa de um filme com a maioria do elenco branco e é renegada ao papel de performance de duas músicas. Essas, no entanto, são o ponto alto de um filme bem medíocre. 

Em entrevista para o site NPR, a filha de Lena, Gail Lumet Buckley, revela que várias cenas de sua mãe eram cortadas para agradar ao povo no Sul dos Estados Unidos: "Em Minha Vida é Uma Canção, eles cortaram The Lady is a Tramp que ela cantou. Eles apenas tiravam. Tiravam as tesouras e cortavam quando o filme chegava na linha Mason-Dixon no Sul. Ela nunca poderia estar em algo que tivesse uma história mais profunda ou que fosse um momento crucial do filme." 

Curiosamente, entre as suas duas performances no filme Where or When e The Lady is a Tramp, a última é que ficou famosa, sendo gravada originalmente para o musical Babes in Arms em 1937. A versão mais conhecida mundialmente, no entanto, foi a de Frank Sinatra de quem Lena não gostava nada. Sobre isso, a biografia Stormy Weather: The Life of Lena Horne, conta que a cantora revelou: "Nós não gostamos um do outro. Isso começou com a Ava Gardner." Pelo jeito que o cantor não tratava Ava nada bem. 

3. Ziegfeld Follies (1946)

Divulgação/Gif
Em Ziegfeld Follies,(1946), o grande empresário Florenz Ziegfeld, produtor teatral, interpretado por William Powell, decide tentar reviver, no céu, a sua série Ziegfeld Follies - que nada mais é do que produções elaboradas de musicais na Broadway - só que imaginando atores e atrizes famosos naquela época. O filme só tem astros: Lucille Ball, Fred Astaire, Judy Garland e, inclusive Lena Horne. 

A sua sequência no filme se chama Love, no qual ela canta sobre as felicidades e tristezas do amor. No set de filmagens, no entanto, ela estava odiando o seu cenário. Segundo a autobiografia de Fred Astaire, Steps in Time, ele conta que Horne não ficou nada feliz com o cenário 'favelístico' da cena do seu número e ela, inclusive, rejeitou lançar a canção comercialmente. 

Apesar de sua infelicidade com o cenário, Lena Horne, mais uma vez, arrasou em sua interpretação e os críticos adoraram. 

4. Duas Garotas e um Marujo (Two Girls and a Sailor) -1944

Divulgação/Gif
Este é o primeiro de três filmes que Lena Horne participa que tem a June Allyson. Em Duas Garotas e um Marujo (1946), uma comédia bobinha dos anos 40, que tem duas irmãs competindo pelo amor do fofo marujo John, interpretado por Van Johnson. 

No filme, Lena Horne faz a performance da música Paper Doll, na qual John fica totalmente enamorado por ela, deixando Jean, interpretada por Gloria DeHaven, com bastante ciúmes. Com um longo vestido preto e seus cabelos presos, Lena Horne brilha até na tela preto e branco e com sua voz melódica arrebata a todos. 

Olha só o ciúmes da personagem de Gloria para o soldado Frank, vivido por Tom Drake:



5. Viva a Folia! (Broadway Rythm) - 1943

Divulgação/Gif
 Em Viva a Folia! (1944) conhecemos a vida do produtor Johnny Demming (George Murphy) que procura uma grande estrela para o seu mais novo musical. Ele acaba escolhendo a estrela Helen Hoyt (Ginny Sims), que não acredita ser a pessoa certa para ele e que tenta convencer que é a família dele que merece estrelar a peça:  seu pai Sam (Charles Winninger) e sua irmã Patsy (Gloria deHaven). 

Lena Horne interpretaria no filme a personagem Fernway de la Fer. No começo, de acordo com a biografia Stormy Weather: The Life of Lena Horne, a atriz tinha um pequeno papel como uma dama de sociedade que faria par romântico com Eddie 'Rochester' Anderson, o outro único negro no elenco do filme. Apesar de 12 anos mais velho do que Lena, o casal improvável tinha até muita química nas telonas. O dueto seria o 'Tête a Tête in Tea Time', com os dois parando para tomar um chá e se apaixonando no processo. 

Infelizmente a cena foi cortada de Viva Folia! O motivo não foi divulgado, mas não é necessário ir até a fonte para saber o por quê: os estúdios provavelmente temiam um casal negro com uma história tão proeminente no filme. Lena, mais uma vez, apareceria como uma performance no filme em canções como Brazilian Boogie e Somebody Loves Me. 


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Sobre Gabriella Baliego
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