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Tyrone Power em sua estadia no Brasil

Tyrone Power era o sonho de todo amante do cinema: lindo de cair o queixo, talentoso e com um charme que já vem de uma geração inteira de atores - seu pai era o renomado ator de teatro Tyrone Power Sr. - é incrível acreditar que quando ele fez seu primeiro teste de tela, para o estúdio Universal Pictures, ele foi renegado a trabalhar como extra em filmes como Cadete de Honra (1932) e Miss Generala (1935), sem sequer ser creditado como ator. 

Alguns anos mais tarde, quando ele fez um teste para a 20th Century Fox, a sorte estava ao seu lado. A esposa de Darryl F. Zanuck, a Virginia, reconheceu que eles tinham um galã em formação e sugeriu que ele se livrasse da monocelha. A tática deu certo! Logo Tyrone Power estrelava como estrela principal em filmes como Lloyds de Londres (1936) e Quem Ama Castiga! (1937), com Loretta Young, com quem ele estrelou em mais quatro filmes! 

Divulgação/Gif
Por isso, sua vinda ao Rio de Janeiro, no Brasil em 1938, para divulgar o filme Suez, no qual ele conheceu sua esposa, a atriz francesa Annabella, causou um furor que poucas estrelas ocasionaram no Brasil. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 28 de novembro de 1938, não antes de fazer uma parada em Porto Alegre e perder um chapéu leiloado milhares de cruzeiros, e inúmeros de fãs o esperavam no aeroporto para conseguirem autógrafos e ver o belo astro de perto. 

Tyrone e sua namorada Annabella foram recebidos no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, pelo presidente da época Getúlio Vargas e sua filha Alzira. Segundo o jornal Correio Paulistano, Tyrone e Annabella ficaram maravilhados com o Brasil, com Tyrone Power afirmando ter amado o Morro do Corcovado e que queria voltar para lá mais uma vez. Já Annabella queria mesmo era ir para a Bahia, para ver as baianas, como ela mesma disse.

Tyrone, Annabella, Getúlio e Alzira Vargas no Brasil                      Cinearte/Correio da Manhã
Mas foi a visita de Tyrone Power no programa de rádio A Hora do Brasil no dia 2 de dezembro, um noticiário cultural para os cidadãos do Brasil, que fez todo mundo ficar maravilhado. Tyrone participou do jornal atendendo ao pedido de Lourival Fontes, diretor do departamento de Propaganda do governo Vargas. Animado, Tyrone deu um recado aos seus fãs em inglês, a não ser o boa noite, que foi em português mesmo: 
"Boa noite. Agradeço ao gentil convite do sr. Lourival Fontes para me dirigir aos brasileiros durante A Hora do Brasil. Lamento não saber falar português para exprimir a sinceridade dos meus sentimentos. Sou muito grato ao povo brasileiro pela recepção esplêndida e de como me acolheram. Desejava apertar a mão de cada um, mas como isso não é possível, estendo, a todos através deste microfone, os meus votos de felicidade. Eu sabia que Rio de Janeiro era uma cidade linda, mas agora que a vejo, ela é ainda mais bonita do que eu imaginava e penso que todos os americanos deveriam conhecê-la. Eu mesmo aconselharei a todos os meus amigos fazerem essa viagem. Felicidade a todos!" 
Vale a pena relembrar que foi durante o Governo de Vargas que a política da boa vizinhança, de Roosevelt, foi implementada. Ela nada mais é do que uma tentativa de assegurar uma boa relação entre os países da América Latina com os Estados Unidos e a visita de Tyrone ao maior programa de rádio do Brasil, é a confirmação disso: os americanos nos amam e nós os amamos também. Somos todos amigos. Uma grande jogada de propaganda política, afinal quem melhor do que um astro de cinema para falar bem do nosso país? 

Tyrone Power durante A Hora do Brasil e ao lado de Carmen Miranda        Correio da Manhã/Fotos
Foi durante A Hora do Brasil, que Tyrone Power conheceu, aliás, Carmen Miranda, a maior porta-voz do Brasil nos Estados Unidos, nos anos 1940. Ela cantaria durante o programa e ele acabou encontrando  Carmen, de quem gostou muito. Em entrevista a revista de cinema Cinearte, em janeiro de 1939, ele estava tão animado em falar de Carmen que parecia até seu publicista nos EUA: "Não é preciso entender o que ela canta. Não é preciso saber português para entender o samba, cantado por ela. Há tanta expressão, rebuliço e encanto em suas canções, que não há quem não fique cativado. Ela virá para os Estados Unidos para a feira de Nova York e será uma sensação." 

Annabella foi embora do Rio de Janeiro no dia marcado, em 6 de dezembro de 1938, em rumo à Bueno Aires, mas Tyrone resolveu adiar sua partida e ficou em solo brasileiro por mais alguns dias, curtindo um pouco do Rio de Janeiro sozinho e sem a companhia de sua futura esposa. Em entrevista ao jornal Correio da Manhã, Annabella disse no aeroporto: "Deixo o Rio com pesar. Ficaria muito mais tempo se fosse possível porque a cidade e sua gente é simplesmente encantadora." Já Tyrone Power, que iria embora no dia 6, depois adiou para o dia 14 e se parecia ter se decidido no dia 10 para ir embora, afirmou sobre sua decisão: "Ora, eu gosto muito do Rio. Tendo ainda alguns dias de férias, decidi ficar no Rio de Janeiro." 

Tyrone Power à bordo do navio Southern Prince. Acima, seu autógrafo         Correio da Manhã
Tyrone Power, no entanto, chocou à todos quando ao invés de ir embora pelo avião da empresa Panair, como combinado, ele decidiu partir do Brasil pelo navio Southern Prince, um dia antes do dia 10, na sexta feira de manhã, dia 9. As fãs ficaram loucas e esperavam do lado de fora do navio para tentarem ver o grande astro. Indagado por que resolveu partir mais cedo do que esperava, Tyrone revelou: "Precisei partir mais cedo do que esperava." De acordo com ele, resolveu ir embora de navio para chegar mais descansado à Nova York, já que logo teria que voltar ao trabalho. Curiosamente, ele pediu para que os fotográfos do jornal não tirassem fotos dos copos de whiskey em sua cabine, dizendo não serem seus. Claro que isso não era verdade. O ator demorou mais de 14 dias para chegar à Nova York, no dia 23 de dezembro de 1938. 

Ainda no começo do relacionamento com Annabella, o ator quando entrevistado da coincidência dos dois estarem no Rio de Janeiro juntos, apenas comentou: " Não passamos de bons amigos." Isso, é claro, se provaria mentira, já que no ano seguinte os dois se casaram e ficaram juntos até 1948. 

Tyrone e Annabella durante sua estadia no Rio de Janeiro                      Correio da Manhã
* Mas se antes escrevemos que Tyrone Power nunca retornou ao Brasil, nossa leitora Adriana Mesquita nos corrigiu e ainda bem! Tyrone deu uma passada rápida no Brasil em 1946, bem na época em que resolveu fazer um tour pela América do Sul á bordo de seu avião, ao lado de seu amigo (ou amante, dependendo das fontes), o ator César Romero. 

Ambos chegaram inesperadamente, depois de uma parada no Paraguai, no dia 5 de outubro de 1946. O jornal Diário de Notícias, relata a antipatia de Tyrone para com os fãs enquanto falavam muito bem de César Romero, destacando sua boa-vontade! Os dois desembarcaram pelo aeroporto de Santos Dummont e foram recebidos por uma horda de fãs. 
Tyrone Power e César Romero na chegada e com Niomar Malheiros, uma fã sortuda na coletiva de imprensa         Divulgação
Os dois ficaram hospedados no hotel Copacabana Palace, no sexto andar, ainda de acordo com o jornal Diário de Notícias e elogiaram muito o país, dizendo que é tão extenso que seria preciso dois anos para conhecê-lo de verdade. Antes de chegarem ao Rio de Janeiro, ambos passarem em Manaus, onde ficaram pouco tempo. Segundo o jornal A Noite de 1946, os dois partiram do Rio em 15 de outubro de 1946, pretendendo fazer uma parada breve em Belém, além de Bahia e Natal, partindo depois, de vez, para os Estados Unidos. Os dois fariam uma visita planejada, também, à São Paulo, porém não foi possível ser realizada já que eles tiveram que retornar aos EUA para filmar O Capitão da Castela (Captain from Castile, 1947). 

Tyrone também fez um tributo para o Brasil em Melodia Imortal de 1956, ele tocou no piano a canção Aquarela do Brasil, composta por Ary Barroso, que como já contamos aqui na Caixa de Sucessos, foi o primeiro brasileiro a ser indicado à um Oscar.

Uma estadia estrelada, com certeza! 

* Correção: 28/09/2017 - noticiamos erroneamente que a visita de Tyrone nos anos 30 foi a única vez que esteve no país, mas como nossa leitora Adriana Mesquita nos apontou o erro, noticiamos sua estadia no país em 1946. 


4 comentários:

  1. Na verdade ele voltou sim ! Em 1947, ou 48, fez uma viagem pela América Latina de avião e passou pelo Brasil.

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    1. Olá, Adriana, tudo bom?
      Muito obrigada pela informação! Vou incluir na matéria com os devidos créditos! :) E valeu mesmo por participar por aqui! Qualquer outra informação é muito bem vinda!

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  2. Oi! Vi agora os créditos e a correção...muito obrigada.Eu mesma pretendo procurar essa gravação da Hora do Brasil aqui no Rio. Obrigada novamente.

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    1. Olá, Adriana! Obrigada por passar aqui de novo! E se você encontrar a gravação e quiser passar para que nós vejamos, eu adoraria ver!
      Muito obrigada você e volte sempre aqui!
      Abraços,
      Gabriella Baliego

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