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5 cenas homossexuais pioneiras das telonas

O mês de junho foi o escolhido para comemorar o mês da Parada do Orgulho Gay - posteriormente LGBT, mas não por uma coincidência. Foi em junho, lá em 1969, nos Estados Unidos que aconteceram as chamadas "revoltas de Stonewall' - Stonewall Inn era um bar em Nova York, quase como um lar para as pessoas LGBTs, que sofreu uma blitz da polícia no dia 28 de junho de 1969. Isso sempre acontecia, mas daquela vez os frequentadores não ficaram calados e deram início à luta pelos seus direitos de amar quem queriam amar - vale lembrar que naquela época, namorar com uma pessoa do mesmo sexo levava à pena de prisão perpétua! 

No ano seguinte, aconteceram comemorações na data do evento, com pessoas marginalizadas pelo público geral se unindo e lutando pelos seus direitos, mas a mudança foi gradual: existem, até hoje, estados no EUA que ainda prendem homens por fazerem sexo com alguém do mesmo gênero!


Cena de Asas (Wings), 1927, retratando um casal homoafetivo no armário 
Aqui no Brasil, a Parada LGBT começou em 1997, na Avenida Paulista e continua firme e forte, como um dos eventos mais famosos do mundo - sejam atores, cantores e militantes -todos se reúnem para lutarem pelos direitos da comunidade LGBT. O cinema, aliás, também acompanha essa revolução e nós da Caixa de Sucessos listamos as cinco cenas homossexuais, e LGBTs, pioneiras do cinema. 


1º BEIJO HOMOSSEXUAL DO CINEMA
Cena do filme Manslaughter, de 1922                                                 Divulgação
Apesar de muitos acharem que o filme Asas, de 1927, foi o primeiro filme a mostrar um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo, a resposta está incorreta. Isso porque o beijo é claramente na bochecha e, além disso, esse feito aconteceu alguns anos antes no filme Manslaughter (idem, 1922), dirigido por Cecil B. Demile. A película conta a história de uma socialite Lydia, vivida por Leatrice Joy, que acaba sendo presa por matar, acidentalmente, um policial. Durante o julgamento, seu noivo Daniel, interpretado por Thomas Meigan, acaba descrevendo, em detalhes, a queda do Império Romano para assustar sua amada. E é, nessa sequência, que os telespectadores veem o primeiro beijo homossexual - entre duas mulheres - no cinema.  

Muitos podem argumentar que o primeiro beijo foi, na verdade, entre dois homens no filme Intolerância (1916), mas o fato é que a interação entre os dois era de respeito - uma despedida entre seu general e um soldado - e não uma relação íntima como é o beijo do filme Manslaughter (1922), que você vê acima, no canto direito. As duas mulheres estão totalmente abraçadas, no clima do beijo e de um modo completamente afetuoso. 

De acordo com o livro Girls Will Be Boys de Laura Horak, o filme Manslaughter não foi o único do diretor Cecil a mostrar um relacionamento homoafetivo. Em O Sinal da Cruz (The Sign of Cross, 1932), ele retratou a história do Imperador Nero, que tinha um relacionamento homossexual, assim como sua esposa, a Imperatriz, ambos retratados na película. 

2º O PRIMEIRO FILME A RETRATAR UM RELACIONAMENTO HOMOAFETIVO
Cena do filme Diferente dos Outros (1919)                                                Divulgação
A obra do cinema Diferente dos Outros (Anders als die Andern, 1919) foi um dos primeiros, se não, o primeiro a mostrar um relacionamento entre duas pessoas do mesmo sexo. O filme alemão conta a história de Paul Korner, vivido por Conrad Veidt, e Kurt Sivers (Fritz Schultz), dois músicos que se apaixonam e tem que superar o escândalo e a trapaça para ficarem juntos. 

Apesar do filme ter mais de 100 anos, o assunto do preconceito e da aceitação da orientação sexual é completamente atual, sendo que em uma parte do filme acompanhamos Paul tentando entender mais sobre si mesmo e até tentando mudar como é, apenas para depois descobrir que a homossexualidade não é doença para ser curada e tentando se aceitar como é, mesmo que a sociedade não pense o mesmo. Infelizmente, o filme acaba em tragédia para o casal, mas Diferente dos Outros tem em uma nota esperançosa, urgindo à todos os homossexuais a lutarem para que o futuro não seja tão nebuloso. Uma analogia perfeita com os dias atuais. 

Diferente dos Outros (1919), ainda retratou uma relação homossexual saudável em um tempo em que ser gay era considerado crime! Isso foi possível porque o co-escritor do roteiro era um sexólogo famoso na Alemanha, o doutor Magnus Hirschfeld, que havia criado o Instituto de Ciência Sexual e estava no centro da Associação de Emancipação Homossexual da Alemanha, que lançou o filme para alavancar a campanha a favor dos homossexuais e clamando pela tolerância; ele inclusive fez uma ponta no filme como o sexólogo que trata a personagem Paul. 

Apenas um fragmento da cópia física sobrevive, já que todas as outras foram destruídas pelo censor Alemão em 1920 - que foi restaurado justamente pelo lançamento de filmes com temáticas parecidas ao Diferente Dos Outros no país. Nessa época os filmes começaram a ser revisados novamente pela companhia Film Assessment Headquarters, que proibiam exibição de obras pornográficas e/ou indecentes - como a película Diferente dos Outros era considerada. 


Fragmentos do filme, que foram juntados e complementados com letreiros e fotos, viraram um filme que foi lançado para celebrar a importância da obra, que pode ser encontrado pela internet, mas infelizmente o preconceito e a intolerância fizeram que o mundo perdesse, na íntegra, uma de suas primeiras obras com personagens assumidamente se identificando como homossexuais. 


3º PRIMEIRA VEZ QUE UM CASAL HOMOSSEXUAL DISSE 'EU TE AMO' 

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Em 1960, a lei em voga no Reino Unido - especificamente na Inglaterra - existia uma lei contra o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo e quem o quebrasse seria sentenciado à prisão perpétua, como já acontecia nos Estados Unidos e inúmeros outros países, onde a pena, inclusive, poderia ser de morte. Embora, nessa época, a Inglaterra tratasse com leniência - ou seja, com perdão - casos de homossexualidade, aplicando uma pena mais leve, as pessoas ainda não eram livres para amarem quem queriam.

E isso incluía o ator britânico Dick Bogarde, astro do filme Meu Passado me Condena ( The Victim, 1961), que era gay na vida real. Mesmo com uma carreira no auge do sucesso, ele se sentiu compelido a interpretar essa história - a de um homem casado com uma mulher que mantinha um amor com um outro homem, erroneamente acreditando que o casamento poderia mudar sua natureza. Meu Passado me Condena, é claro, foi um escândalo para a época e Dick nunca mais conseguiu recuperar seu status de galã dos filmes, permanecendo em papeis coadjuvantes no resto da carreira. 

Mesmo com esse empecilho, Dick permaneceu orgulhoso de seu trabalho no filme, que pode ser encontrado na íntegra, em inglês, na internet, e revelou em entrevista, de acordo com o livro The Celluloid Closet de Vito Russo, que "este foi o primeiro filme em que um homem disse 'eu te amo' para outro homem. Eu inclui essa cena e eu disse : 'não podemos fazer isso pela metade, ou nós fazemos um filme sobre gays ou não fazemos.'" Meu Passado Me Condena, foi, aliás, o primeiro filme a usar a palavra homossexual, já que antes disso tratavam da homossexualidade por eufemismos. 

4º PRIMEIRO BEIJO HOMOSSEXUAL INTERRACIAL NO CINEMA BRASILEIRO

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A década de 70 no cinema brasileiro foi tomado pelas chamadas pornochanchadas, ou seja, um gênero de filmes em que a nudez e as questões sexuais eram o ponto central e, às vezes, o único ponto da trama. Um dos filmes daquela época que saiam, ligeiramente, desse lugar comum foi o filme República de Assassinos (idem, 1979) do diretor Miguel Faria Jr e baseado no livro de Aguinaldo Silva. 7

Considerado o primeiro filme brasileiro a apresentar aos seus espectadores um beijo gay interracial, a película conta a história de Mateus Romeiro, vivido por Tarcísio Meira, que faz parte de um Esquadrão da Morte, um grupo de policiais que eliminam bandidos. Um dos outros policiais no esquadrão é Carlinhos, vivido por Tonico Pereira. Ele e a travesti Eloísa, interpretado por Anselmo Vasconcelos, são super apaixonados e dividem, pela primeira vez, um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo no cinema brasileiro. 

Sobre essa cena icônica do cinema brasileiro, Anselmo contou, em entrevista ao Programa do Jô, da TV Globo, que os telespectadores não reagiram nada bem à isso: "O cinema gritava. Não era algo pouco, não. Era 'O que é isso?!' Era uma coisa que...o Tonico saiu batido do cinema e eu também. Era 1979." 

Além dessa interação ser extremamente importante para o cinema e para a população LGBT, já que o beijo entre os dois foi tratado de forma natural, sem o tabu que geralmente envolve tais produções, a cena também é fonte de reflexão para os brasileiros, já que o país é o local onde mais se matam travestis e transsexuais no mundo todo! Apenas em 2016, aconteceram 347 mortes registradas. O estado de São Paulo lidera o número de mortes. 

Por essas razões é que a real estrela do filme República de Assassinos (1979) é a travesti Eloísa, que mesmo com a morte do seu amor, sobrevive na comunidade e, principalmente, sobrevive mesmo fazendo parte de uma população que é, mais de 30 anos depois, uma das mais marginalizadas do Brasil e do mundo. 

5º PRIMEIRA CENA DE AMOR HOMOSSEXUAL NO CINEMA INDIANO


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Já no cinema bollywoodiano, na Índia, na qual existe a maior indústria cinematográfica do mundo, a primeira cena de amor entre dois homens aconteceu apenas recentemente, em 2011, no filme I Am, em sua sequência intitulada Omar, com a cena de sexo sendo interpretada pelos atores Rahul Bose e Arjun Mathur. Nele, conhecemos a história de Omar, é claro, vivido por Rahul, um homem homossexual que tem um encontro com um importante executivo em Mombai, na Índia. 

A fatalidade acontece quando a polícia flagra Omar e Jay no carro tendo relações sexuais, já que no país a homossexualidade ainda é condenada diante da lei, por conta da seção 377 do Código Penal da Índia, que lê-se: "Quem quer que tenha relações sexuais contra a natureza com homens, animais ou mulheres será punido com prisão perpétua ou com aprisionamento que pode durar 10 anos e também poderá receber uma multa." Ou seja, no país, a relação homossexual entre homens e entre as mulheres é considerado, ainda, contra a natureza. O filme, I Am, lida, portanto, com as consequências da decisão de Omar e Jay, já que se fosse uma relação heterossexual, ambos não sofreriam com essas extremas penalidades. 

I Am, além de ser o primeiro filme de Bollywood a mostrar uma cena de amor homossexual, também deve ao pioneirismo da película Dunno Y- Na Jaane Kyun, lançado em 2010, no qual os atores Yuvraaj Parashar e Kapil Sharma, interpretam o primeiro beijo homossexual da história da Índia. O filme, aliás, seria o primeiro a mostrar uma cena de amor entre dois homens, porém os censores barraram a cena. O filme I Am, como foi apresentado em festivais antes de sua estreia na Índia, não passou pelo mesmo escrutínio. 

Apesar dos muitos filmes apresentados na nossa lista serem essenciais para a cinematografia que representa a população LGBT, a maioria das pessoas nem faz ideia que eles existam. E para você, que filme LGBT você considera essencial que seja visto? 


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Sobre Gabriella Baliego
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