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5 provas de que Bette Davis era uma mulher à frente de seu tempo

Bette Davis é uma das atrizes mais importantes do cinema mundial. Ela ficou conhecida para uma nova geração de fãs pela icônica Bette Davis' Eyes da cantora Kim Carnes nos anos 80, mas antes seus filmes como Jezebel (idem, 1938), A Malvada (All About Eve, 1950) e Estranha Passageira (Now, Voyager, 1939) e inúmeros outros falavam por si só: Bette era uma estrela! 

Desde pequena, Ruth Elizabeth Davis, era uma criança conhecida por dar escândalos quando acontecia algo que ela não queria e por não ser sempre o centro de todas as atenções. Conta-se que ela mudou seu nome artístico de Betty para Bette, com o e, no final, porque ao mandar uma carta para o seu pai com a nova grafia, este lhe escreveu confessando ter dado risada e achando que era apenas uma fase. Mas nada era apenas uma fase quando se tratava de uma atriz tão obstinada.

Os famosos olhos de Bette Davis                                                Divulgação/Gif
Ela começou como dançarina no mundo do showbusiness, mas logo percebeu que seu lugar era nos palcos e não demorou para conseguir papeis substanciosos no teatro. Apesar de sua aparência não necessariamente considerada bela na época, Bette superou estereótipos e demonstrou todo o seu talento em papeis desafiadores: mas ser uma mulher em um mundo de homens não é fácil, principalmente no cinema. 

Por isso, nós da Caixa de Sucessos, listamos cinco provas para comprovar que Bette Davis era uma mulher à frente de seu tempo, confira!

PROCESSOU SEU ESTÚDIO (WARNER BROS) EM BUSCA DE PAPEIS MELHORES

Bette Davis e Jack Warner, dono da Warner Bros: uma rixa além da sua com Joan Crawford        Reprodução
Eu fui uma pioneira em tentar romper o laço que os estúdios de cinema tinham sobre suas estrelas. Em 1936, eu me rebelei. Eu queria poder opinar sobre os roteiros que me enviavam. Eu recebia roteiros e estrelava em filmes como Dona De Casa (Housewife, 1934), Nas Garras da Lei (Special Agent, 1935) e A Flecha Dourada (The Golden Arrow, 1936). Ah, era terrível. Eu queria contracenar com os melhores atores e diretores. E eu queria poder aceitar trabalho de fora quando eu quisesse e fazer mais dinheiro. " - Bette Davis; The Girl Who Walked Home Alone: Bette Davis A Personal Biography Por Charlotte Chandler
Mas essa história de Bette Davis processando seu próprio estúdio, algo improcedente até então, teve seu início muito antes de 1936. Em 27 de dezembro de 1934, Bette Davis assinou seu contrato com o estúdio Warner Bros, com duração de sete anos, dobrando seu então salário, com a empresa que trabalhava desde 1932. 

Após o sucesso de Bette como Mildred Rodgers no filme Escravos do Desejo (Of Human Bondage, 1934) no qual ela foi emprestada RKO, Bette acreditava que merecia papeis ainda melhores. Naquela época, o sistema de estúdio das estrelas funcionava da seguinte forma: com um contrato, o ator estava preso ao estúdio de filmes, devendo seguir normas e deixando-se moldar pelos profissionais. Recursar-se a participar de um filme que os chefes queriam fazia com que se recebesse uma suspensão e com isso, prolonga-se cada vez mais seu contrato. 

Assim, Bette conseguiu ser emprestada para fazer o filme Escravos do Desejo (Of Human Bondage, 1934) ao lado de Leslie Howard e o filme foi um sucesso estrondoso de bilheteria e Davis, mais uma vez, elogiada por sua grande performance. Quem não ficou satisfeito foi Jack Warner, chefe da Warner Bros, que odiou ver sua estrela fazer sucesso sem ele e ficou ainda mais possesso ao descobrir que os votantes do Oscar queriam lhe indicar ao prêmio como Melhor Atriz. 

Começou então, um processo de difamação contra Davis, que diziam vir do próprio Jack Warner, para que ela não fosse indicada. Bette, no entanto, foi adicionada pelos votos dos membros da academia. Ela acabou não ganhando, afinal era o ano de Claudette Colbert em Aconteceu Naquela Noite (It Happened That Night, 1934), e retornou Warner Bros para fazer filmes de que não gostava, apesar de ter sido indicada e ganho o tão sonhado Oscar em 1936 por Perigosa (Dangerous, 1936) - dizem que ela apenas ganhou por este papel por ter perdido com Escravos do Desejo (Of Human Bondage, 1934). 

Farta, em 1936, por ter ganhado um Oscar e mesmo assim lhe oferecerem papeis que ela considerava ruins e sem nenhum aumento de salário por isso, Bette decidiu aceitar uma oferta para gravar dois filmes na Inglaterra e assim, quebrando seu contrato com a Warner Bros. Jack e Bette não conseguiriam acertar as coisas fora do tribunal e Davis processou o estúdio em busca de liberdade. Ela perdeu, mas conseguiu papeis mais substanciosos depois. Sobre isso, a atriz conta:
Eu não vou aborrecer vocês com a história de como eles me suspenderam do meu contrato por três meses e eu acabei em uma corte inglesa sendo processada pela Warner Bros. Eles ganharam, é claro, mas eu abri espaço para Olivia de Havilland ganhar o processo contra o estúdio. 
A Lei de Havilland foi aprovada em 1944 e permitiu que atores tivessem mais liberdade na hora de escolher papeis e obrigando o estúdio a não poder estender um contrato para além de sete anos contados da data da assinatura do contrato.

Em 1946 Bette criou a B.D Productions, assim ganhando 35% do arrecadamento de seus filmes na bilheteria. Seu contrato era para ser com quatro filmes, mas depois de Uma Vida Roubada (A Stolen Life, 1946), a atriz perdeu interesse em produção, contando: "Eu simplesmente me intrometi como sempre. Se isso era produzir, eu já era uma magnata faz anos." 

BETTE FOI A PRIMEIRA PRESIDENTE MULHER DA PREMIAÇÃO DO OSCAR

Bette na cerimônia do Oscar em 1941 antes de ser votada presidente                            Reprodução
Bette Davis era uma velha conhecida do prêmio da Academia de Artes e Ciências, ou seja, do Oscar, quando foi nomeada presidente da premiação em 1941. Uma das poucas atrizes a serem indicadas consecutivamente para o prêmio, Davis tinha o talento e a eloquência para fazer mudanças na Academia. 

De acordo com a biografia Bette Davis por Grace May Carter, as mudanças que Davis queria fazer, no entanto, eram um tanto demais da conta! Como na época, a Segunda Guerra Mundial implodia, Davis sugeriu que o jantar da cerimônia fosse substituído por uma premiação no teatro, cobrando 25 dólares para a entrada - ou seja qualquer um poderia entrar na cerimônia, do qual todo o dinheiro iria para os esforços dos combatentes. 

Ela foi indicada para o cargo em novembro de 1941 pelo produtor Darryl F, Zanuck, da 20th Century Fox, com a atriz Rosalind Russell e a escritora Jane Murfin também a apoiando, e suas sugestões de como o Oscar deveria ser não acabaram por aí. Segundo o livro Nobody's Girl Friday: The Women Who Ran Hollywood por J. E. Smyth, Davis sugeriu que o prêmio Oscar de ouro fosse substituído por um de madeira e que os chamados extras que participavam de filmes não pudessem mais votar nas categorias, já que segundo ela, eles apenas votavam nos estúdios que os empregavam e não era um voto justo. 

Mas, apesar de ter ficado apenas um mês e meio no cargo, renunciando em 24 de dezembro de 1941, Davis conseguiu que os documentários indicados ao Oscar fossem divididos entre curtas e longas durações para serem diferenciados no momento da premiação e que o Oscar prestasse mais atenção em categorias de edição, indicando Anne Bauchens, uma famosa editora de filmes na época, para que isso fosse feito. 

Citando "problemas de saúde e a pressão de fazer filmes", Bette deu às costas para a Academia que esperava que a atriz fosse apenas uma marionete em um mundo feito apenas para homens, já que não esperavam que Bette fosse fazer tantas mudanças na duração de seu cargo. Não conheciam Davis muito bem, certo?

E depois disso, Bette Davis junto com o ator John Garfield fundou a Hollywood Canteen em outubro de 1942, que tinha como objetivo levar um pouco de diversão para os soldados, para que eles pudessem dançar com as estrelas e receber comida de seus atores favoritos. Davis e Garfield fizeram questão que a Canteen fosse integrada, ou seja, que negros pudessem participar livremente de tudo. Ambos lutaram pela decisão e conseguiram sua aprovação. 


RESPONDEU AS ACUSAÇÕES DE SUA FILHA B.D HYMAN COM UM LIVRO 

Bette Davis e sua filha nos anos 60                                                          Reprodução
Assim como Joan Crawford tinha uma relação tóxica com seu filha adotada Christina, Davis não tinha um relacionamento muito melhor com sua filha biológica B.D (Barbara Davis) Hyman. Apesar de algumas licenças poéticas, a série FEUD: BETTE AND JOAN da FOX mostra muito bem como o relacionamento das atrizes com suas filhas eram extremamente complicados. 

Barbara Davis considerava sua mãe controladora e nervosa e para fugir de sua querida Bette, B.D se casou aos 16 anos de idade com Jeremy Hyman, que tinha então 29 anos de idade. Tudo isso aconteceu quando B.D fez uma pequena participação no infame filme O Que Aconteceu com Baby Jane? (Whatever Happened to Baby Jane, 1963), estrelando Davis e Crawford, como a jovem filha da vizinha. Mãe e filha, então, foram para o festival de Cannes para divulgar o filme e foi lá que B.D conheceu o herdeiro Hyman. 

Bette credita o casamento de B.D com Jeremy o motivo central pelo qual sua filha veio a destruir a relação delas de vez com o livro My Mother's Keeper de 1985. Segundo Davis em sua autobiografia The Lonely Life: An Autobiography, ela conta:

Eu acredito que foi essa união, anos depois, que produziu esse livro que B.D escreveu sobre mim. 
Fica claro que Davis considerava que sua filha tinha talento para ser atriz e não conseguia entender como ela preferia se tornar uma dona de casa, enquanto ela mesmo era independente e não recebia ordens de homem algum. A relação, já tênue, começava a ruir e as alegações de B.D em seu livro não ajudaram em nada seu caso.

B.D afirmava que sua mãe era uma alcoólatra egocêntrica e abusiva, apesar de nunca ter batido em seus filhos. O livro foi lançado justamente quando Davis estava se recuperando de um derrame, depois de ter feito uma mastectomia e uma cirurgia de quadril. Diferentemente de Crawford que nunca pode refutar as alegações de sua filha no livro Mommie Dearest, já que havia morrido, Bette teve a chance de refutá-la em seu livro This 'N That (1987) do qual lançou especialmente para tratar das alegações de sua filha. Nele, ela escreveu uma carta aberta para sua filha, afirmando:
Querida Hyman, você constantemente diz que escreveu esse livro para te ajudar e me ajudar a entendê-la melhor. Você não atingiu seu objetivo. Estou confusa sobre quem você é e sobre sua vida. Seu livro mostra falta de lealdade graças à vida privilegiada que lhe dei. Se a minha memória não falha, eu fui sua guardiã por todos esses anos.  E continuo a ser, já que meu nome fez seu livro sobre mim um sucesso.
Vale lembrar que Bette Davis era mãe de três filhos - os adotivos de seu casamento com o ator Gary Merill, Michael e Margo; esta com necessidades especiais - e B.D Hyman, sua única filha biológica. Michael, que tornou-se advogado assim como o pai de Davis, claramente, não concordava com a visão de sua irmã sobre Bette e parou de falar com BD depois que ela publicou o livro. Ele co-fundou a Bette Davis Foundation em 1999, dez anos após a morte da atriz, que dá bolsas de estudos para atores aspirantes em nome de sua mãe. 


BETTE NÃO TINHA MEDO DE MOSTRAR O MACHISMO NA INDÚSTRIA DE CINEMA
Bette era conhecida por não ter papas na língua                                     Divulgação
Bette Davis não tinha papas na língua quando se tratava de mostrar como as mulheres eram frequentemente denegridas em vários setores de trabalho, especialmente no cinema, setor do qual ela fazia parte. 

Em 1963, quando Bette estava voltando aos holofotes do cinema com o filme O Que Terá Acontecido com Baby Jane? (Whatever Happened to Baby Jane, 1963), ela deu uma entrevista para Shirley Eder em uma rádio nos Estados Unidos e ela falou sobre tudo, inclusive o sexismo na indústria. Isso em 1963, quando a feminilidade estava mais em alta do que nunca, mesmo que as atrizes continuassem a lutar para terem maior liberdade em seus papeis. 

Perguntada sobre se a aparente inteligência em mulheres atrapalhava atrizes em conseguirem se firmar em Hollywood, Davis foi rápida em afirmar que:
Eu acho que há um terrível impendimento para que as mulheres tenham inteligência na vida privada, mas nos negócios é ainda pior. Tem muito ressentimento, não há dúvidas, do ponto de vista dos homens. Nós todos trabalhamos para homens, eles estão no comando e eles acham que mulheres que não pensam por si mesmas muito mais fáceis. Uma mulher com cérebro faz muito mais inimigos, eu acho. Mas não acredito que ser homem ou mulher faça diferença na hora do trabalho, desde que você faça seu trabalho direito e tenha cérebro!
E ela não deixou de alfinetar a visão machista e sexista dos homens não, afirmando que os homens tinham que mudar, já que eles preferiam as mulheres sem opiniões, que eram muito mais fáceis de lidar.
A verdadeira mulher deveria ser parte homem e o verdadeiro homem parte mulher. E se você trombar com isso no outro sexo, você terá muita sorte e encontrará algo maravilhoso, eu acho. 

Para conferir a entrevista de Bette Davis, uma mulher sempre à frente de seu tempo, confira o vídeo, na íntegra, em inglês, abaixo! 




BETTE SEMPRE INTERPRETOU MULHERES FORTES NAS TELAS

Bette interpretando a malvada Mildred Rogers em Escravos do Desejo (Of Human Bondage, 1934)        Divulgação
Com o seu desejo de papeis melhores e substanciosos, Bette Davis começou um burburinho que, anos mais tarde, revolucionou a indústria e o chamado sistema de estrelas de Hollywood. 

Mas enquanto isso não acontecia, Bette continuava a colecionar papeis que nenhuma outra atriz no seu tempo se atreveria a interpretar. Como a rainha Elizabeth I em Meu Reino por um Amor (The Private Lives of Elizabeth and Essex, 1939), Bette raspou parte de seu cabelo na parte da frente, usando a horrorosa peruca laranja mesmo - não ruiva - para se transformar na rainha. Olivia de Havilland e Errol Flynn faziam, mais uma vez, um par romântico neste filme.

Como Margo Channing em A Malvada (All About Eve, 1950), a atriz mostrou que não se deixaria ficar receosa com uma nova estrela no pedaço, afinal sempre seria a incrível Bette Davis, ops, Margo Channing! Com Jezebel (idem, 1938), um dos papeis mais marcantes de sua carreira, a atriz demonstrou sua audácia junto com a sutileza da personagem, uma beldade sulista que não pararia por nada neste mundo para conseguir o que queria. 

Quantos outros papeis icônicos teve Davis, interpretando gêmeas, atrizes amarguradas, mães desesperadas, atuando em filmes de terror, em comédia e até em dramas? Bette Davis foi uma mulher à frente de seu tempo, sendo a primeira mulher a ser honrada com um Life Achievement Award em 1977 e por ter demonstrado tamanho tenacidade em um mundo de homens, não existe ninguém melhor que a atriz para resumir sua vida e de tantas outras atrizes no cinema que lutaram por seus direitos do que sua tão famosa frase:
Quando um homem dá sua opinião, ele é um homem. Quando uma mulher dá sua opinião, ela é uma vadia. 
Bette Davis, é, por fim, uma lenda! 
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