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A morte sem solução de Bob Crane, herói de Guerra, Sombra e Água Fresca

Muitos não acreditam em superstições. Não acreditam que quebrar um espelho possa trazer má sorte ou que o número 13 seja um mau agouro. No caso do ator Bob Crane, que nasceu em 13 de julho de 1928, no entanto, parece que as circunstâncias que o rodeavam e  principalmente, as companhias que escolheu foram um fato determinante em sua morte horripilante, em  29 de junho de 1978, depois de ser espancado até a morte com um tripé. 

Mas, antes de tudo isso acontecer, Bob Crane era um homem complexo, que ao mesmo tempo que era um pai de família e amoroso, escondia uma obsessão e um vício que levou à sua morte. 

Robert Edward Crane nasceu no estado de Connecticut e desde criança, ele era conhecido por sua por seu humor e sua facilidade de fazer amigos. Terry Romaniello, um dos colegas de Bob na escola conta sobre uma de suas pegadinhas: "Eu sempre vou me lembrar de Bob, o palhaço que ele era, vindo em nossa aula de escrita e sentando lá como se pertencesse. Logo a professora percebeu porque éramos uma classe só de meninas." 

Bob Crane, estrela de Guerra, Sombra e Água Fresca                                        Divulgação
No começo, Bob queria uma carreira na música, mas como pretendia casar com sua namoradinha de colégio, Anne Terzian, ele escolheu um trabalho mais estável e foi para o rádio. Quando Anne ficou grávida do primeiro filho do casal, Robert, ele decidiu se mudar para mais perto dela e seu programa na rádio WBIS teve tanto sucesso que lhe ofereceram um horário só dele em uma rádio em Los Angeles. Terá sido esse o começo do fim? 

O show de Bob Crane na rádio KNX foi um sucesso e logo o futuro ator decidiu dar uma chance ao showbussiness, participando da pela Túnel do Amor em 1959. Depois inúmeros papeis se seguiram, mas seu timing cômico perfeito veio à tona em sua participação no Dick Van Dyke Show, em 1962. Imediatamente, ele conseguiu um papel cômico no Donna Reed Show, interpretando o vizinho Dave. Depois de duas temporadas, ele saiu e espero pelo papel perfeito. Assim o coronel Hogan de Guerra, Sombra e Água Fresca (Hogan's Heroes, 1965-1971) apareceu. E todos os excessos de Bob começaram a vir à tona com a fama absoluta. 

Bob Crane em sua participação no Donna Reed Show                                      Divulgação
Em 1970, depois de mais de 20 anos de casamento e três filhos, Anne pediu o divórcio de Crane, citando "crueldade mental" como a causa da separação. Bob Crane se sentia frustado com a sua série Guerra, Sombra e Água Fresca (Hogan's Heroes, 1965-1971), porque ele queria desesperadamente fazer a transição para os filmes, mas era sempre lembrado pelo personagem e não conhecia papeis substanciosos no cinema. Na série, no entanto, ele se apaixonou pela atriz que interpretava sua secretária Hilda, vivida por Sigrid Valdis, nome de palco de Patti Olson, e casou-se com ela logo depois do divórcio. 

Bob Crane, contudo já era viciado em sexo muito antes de se divorciar de sua primeira esposa e, com o tempo, o hábito foi piorando cada vez mais. Seu filho mais velho, Bob Jr, conta em seu livro Crane: Sex, Celebrity and My Father's Unsolved Murder, reconta ter visto, aos 16 anos de idade, uma mulher ter feito sexo oral em seu pai na sua frente: 
Esse talvez foi o jeito desajeitado do meu pai me contar sobre sexo naquela idade, mas o que me choca agora é que seu camarim repleto de equipamentos de filmagens era apenas uma de vários que ficou progressivamente pior. 
Mark Dawson, filho da co-estrela de Bob, Richard Dawson também se lembra, em entrevista ao site ABC, também se lembra quando Crane lhe contou que era viciado em sexo e mantinha milhares de fitas e fotos de mulheres: 
Ele estava empilhando algumas fitas e polaroids. Ele foi para o outro cômodo e me chamou perguntando se eu queria olhar aquilo. Aquilo sendo milhares fotos e vídeos pornográficos, todos estrelando Bob Crane. Nos primeiros 15 minutos foi interessante. Estranho. Devo dizer que foi estranho ver o Coronel Hogan ao natural. Nunca mais consegui vê-lo do mesmo jeito. 
A atriz Cynthia Lynn, a primeira a interpretar o papel da secretária Hilda, até revelou que deixou Bob Crane tirar fotos dela nua e que não via nada de errado nisso. Foi no meio dessa obsessão, quando ainda era casado com Crane, na metade dos anos 60, que o ator conheceu John Carpenter (sem relação com o diretor com mesmo nome), o principal suspeito de sua morte. 

John Carpenter no segundo julgamento da morte de Bob Crane, em 1994                                APS
Os dois se conheceram justamente pelo vício de sexo de Bob Crane. Na época, John Carpenter trabalhava na parte de eletrônicos da Sony e era responsável por ensinar pessoas à usarem as novas filmadoras de forma correta. Seus clientes incluiam Alfred Hitchcock e Richard Dawson, co-estrela de Crane na série Guerra, Sombra e Água Fresca (Hogan's Heroes, 1965-1971). Foi um dia visitando Dawson no set de filmagens que John e Bob se tornaram amigos. 

John Carpenter ajudou Bob Crane a operar a filmadora para que ele pudesse, além de tirar fotos, gravar seus encontros sexuais com outras mulheres.  Crane levava seu equipamento de filmagens para onde quer que fosse,  incluindo o tripé e a câmera, e filmava mulheres fazendo sexo com ele e/ou com Carpenter quer tivessem seu consentimento ou não. 

A segunda esposa de Bob Crane, Patricia Olson, foi perguntada em uma entrevista sobre a vida sexual paralela de seu marido, mas ela garantiu que sabia e que não era algo que a incomodava. A atriz revelou: "Ele e as mulheres se usavam, todo mundo conseguia o que queria disso e não era da conta de ninguém, só deles.  Eu sabia que ele não pararia, eu sabia que era uma obsessão, ele não conseguia evitar e não tinha nada para ter ciúmes." Será que Patti realmente não se importava com esse lado obscuro de seu marido? 


Bob Crane em 1949 com Anne e em 1970 com Patti Olson                                Montagem
Os boatos eram que John Carpenter era bissexual e que ele tinha uma queda por Bob Crane, apesar de não ter provas concretas sobre a preferência sexual de Carpenter e que ele teria ficado extremamente bravo quando Crane resolveu terminar a amizade deles, em 1978,  por querer mudar da vida pervertida que levava. Embora não existem evidências concretas de que a amizade dos dois terminou, o filho mais velho de Crane afirmou que seu pai, uma semana antes de sua morte, tinha implicado isso à ele:
Meu pai tinha poucos amigos mas, apesar disso, eu sentia que fazia parte do seu plano se livrar de John Carpenter. Meu pai me disse que Carpenter tinha deixado de ser um amigo divertido para ser um parasita. Ele estava vendo um novo horizonte e estava feliz com isso. 
 Assim, nos surpreende que, mesmo afirmando que mudaria de vida, Bob Crane foi encontrado 29 de junho de 1978, aos 49 anos de idade, em um quarto de hotel Sunburst, em Arizona, pela atriz e mais uma de suas conquistas sexuais, Victoria Berry, com quem ele estava atuando na peça Beginner's Luck. Na biografia Bob Crane: The Definitive Biography, ela afirma que não teve nenhum encontro sexual com o ator. De qualquer forma, foi a atriz que o encontrou na cama, às 14h no dia 29 de junho de 1978,  "com a cabeça toda amassada e sangue por toda a parte." Victoria afirma que esteve no apartamento, durante o processo, para regravar um diálogo de uma cena que eles gravaram. 

O jornal New York Times, na época de sua morte, conta mais detalhes sobre como o corpo foi achado: "Sr. Crane foi atingido, pelo menos duas vezes, por um objeto pesado e um cordão elétrico foi encontrado amarrado em seu pescoço, mas foi a pancada a responsável por sua morte." Por que o cordão? Seria um toque artístico do assassino?  Fotos do corpo de Bob Crane encontrado morto podem ser vistos pela internet, mas preferimos não anexá-las à esta matéria. Posteriormente, descobriu-se que o golpes foram feitos pelo tripé de sua câmera (ou assim a polícia acreditava já que a arma do crime nunca foi encontrada) e a polícia começou a suspeitar, imediatamente de John Carpenter. 


Polícia do lado de fora do hotel de Bob Crane em 29 de junho de 1978
De acordo com a matéria do jornal LA Times, de 1992, Carpenter chamou atenção da polícia do Arizona quando ele ligou para o hotel de Crane e ao ser atendido pelo xerife, não perguntou se alguma coisa estava errada. Boatos de que Crane e Carpenter brigaram dias antes da morte do ator também não ajudaram o caso de John. Mais estranho ainda foi o fato de Carpenter ligar logo depois para o filho mais velho de Crane e não avisar que seu pai estava morto e sim que "apenas queria conversar." 

Na época, polícias não conseguiram evidência suficiente para prender John Carpenter e isso só evidencia a falta de profissionalismo do departamento, como conta a matéria do Seattle Times. Para se ter uma ideia, os policiais no local do crime permitiram que Victoria Berry, quem encontrou o corpo, atendesse ao telefone sem antes procurarem por digitais. Eles não questionaram trabalhadores  que estavam pela área de manhã e permitiram que o empresário de Crane e seu filho entrassem no apartamento e retirassem seus pertences. 

Outro erro? Apesar de suspeitarem de John Carpenter, eles nunca revistaram seu quarto de hotel. Por falta de evidências concretas, portanto, eles não puderam julgar o suspeito pela morte de Bob Crane. Foi só depois de 14 anos que John foi julgado pela morte do amigo. 

Isso porque o promotor de Arizona, Rick Roley, encontrou uma foto que mostrava o que parecia ser um tecido cerebral alojado ao carro alugado por Carpenter. Eles testaram o que acharam no carro, mas a amostra estava contaminada e só conseguiram provar que era do mesmo tipo sanguíneo de Crane. Em 1994, John Carpenter passou por um julgamento de oito semanas, mas o júri decidiu que a prova "uma simples foto" e uma amostra insuficiente de DNA eram insuficientes para condenar o amigo do astro. 


Bob Crane e seu filho mais velho, Robert, e seu caçula Robert Scott                         Montagem
Em entrevista para o jornal Phoenix Times, em 1993, John Carpenter garantiu que não foi ele quem matou seu amigo, afirmando: "Eu nunca tive uma briga com Bob, ele era meu amigo. E ele era a galinha que botava os ovos de ouro, em termos de conhecer as mulheres." Os defensores de Carpenter chamaram atenção à cegueira dos policiais, afirmando que tinham uma testemunha que viu, no dia do crime, um homem sair do apartamento de Crane em um Cadillac branco. O palpite deles? Maridos e namorados ciumentos das mulheres com quem Bob saía podem ter sido os verdadeiros assassinos. Mas quem, entre as milhares de mulheres com quem ele saiu, poderia ter sido o assassino? 

Outra pessoa que teria motivos para matar Bob Crane seria sua esposa, Patricia Olson. Ela, que havia entrado com um pedido de divórcio em 1977, por causa da sua obsessão com as fitas pornográficas, que de acordo com a atriz, ele estava mostrando ao seu filme Scotty, na época com seis anos. Em abril de 1978, o advogado de Olson afirmou que o casal estava tentando se reconciliar, com Crane prometendo buscar ajuda.  

Seu filho mais velho, Bob Crane Jr., acredita que ou John Carpenter ou sua madrasta foram os responsáveis pela morte de seu pai. A polícia, no entanto, negou o envolvimento de Patricia, afirmando que ela não seria capaz de cometer o crime. O filho do ator, no entanto, pensa diferente: "Ele queria escapar de sua segunda esposa, que na verdade era um pesadelo. Ela era a única pessoa a ganhar algo financeiramente. Não era uma fortuna, mas era bem confortável. Ela ficou com tudo." Scotty, filho de Crane com Patricia lançou um site na internet, posteriormente, postando todos os vídeos e fotos sexuais de seu pai. 

Em 2016, o autor do livro Who Killed Bob Crane? resolveu reinvestigar o caso, pedindo permissão à polícia do Arizona para retestar o sangue encontrado no carro de John Carpenter. De acordo com a análise, o DNA pertence à duas pessoas: de um homem desconhecido e uma segunda muito deteriorada para se chegar à alguma conclusão.

Em 2002, um filme chamado Auto Focus, estrelado por Greg Kinnear e Willem Dafoe, uma cinebiografia da vida de Bob Crane foi lançado. Até hoje, não se sabe quem matou Bob Crane. Qual o seu palpite? 

Obs: Obrigada ao nosso leitor Ednardo Honório de Lima por pedir essa matéria específica!
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