O desaparecimento de Sean Flynn, filho de Errol Flynn e Lili Damita

Eu soube ali que eu gostava de...é difícil dizer que eu gostava da guerra. Mas eu gostava da excitação. Eu sentia que a minha força era a capacidade de funcionar sob o fogo, neste caso como fotógrafo. - Sean Flynn em entrevista para Zalin Grant
Errol Flynn e Lili Damita eram um dos casais mais tempestuosos de Hollywood. Eles se conheceram no final de 1934, à bordo do cruzeiro SS Paris rumo à Hollywood e a química foi instantânea. Lili era cinco anos mais velha, mais famosa que Flynn e já era cobiçada pelo australiano. Errol não demorou para se apresentar, Lili se encantou e eles casaram em junho de 1935. 

Entre idas e vindas - brigas explosivas com direto à violência física de ambas as partes - eles tiveram um filho chamado Sean Flynn em 31 de maio de 1941. Enquanto a carreira de Errol crescia, a de Lili entrava em declínio, especialmente por ela não conseguir se livrar de seu forte sotaque francês. Os dois se separaram em 1942 e Sean foi criado pela mãe, sozinha, que se mudou para Palm Beach, na 346 Sea Breeze Ave, Flórida. 

Errol Flynn fotografado no Camboja, como fotojornalista de guerra em 1970 
Com um pai ausente e uma mãe protetora, Sean cresceu em uma casa relativamente tranquila, mesmo sem receber a pensão alimentícia de U$1.500 - obrigação de Flynn. Lili queria moldá-lo para ser tudo que ela sonhava: se tornar um engenheiro como seu pai e avô. Sean Flynn, já adulto, porém, decidiu uma outra carreira que no fim custou sua vida. 

Sean era uma criança aventureira, que gostava de descobrir o mundo. Seu pai era ausente - típico de Flynn- e de acordo com uma matéria no site Palm Beach Post, o ator mandava cartas para Sean de seis em seis meses, prometendo vários brinquedos, motos e outros presentes, que nunca se materializavam. Flynn gastava seu dinheiro em bebidas, mulheres, excedendo muito seu alto salário na Warner Bros. 

De resto, Sean cresceu o quão normal um jovem de família rica e influente poderia - nadava, cavalgava, pescava, cantava -lançou um LP com duas músicas em 1961 - e aprendeu diversas línguas. De praxe, fazia algumas visitas a Errol durante as filmagens de suas películas e convivia em harmonia com suas meia-irmãs -Errol foi casado três vezes. Sean, muitas vezes descrito como um jovem adônis, sempre repudiou atuar, mas não conseguiu escapar: ele era bonito demais para ignorar.

Sean Flynn ao um ano de idade com Lili e ao lado do pai, Errol
Seu primeiro papel como ator foi ao lado de Errol em 1957 na série The Errol Flynn Theatre e em 1960, um ano após a morte de seu pai, o Diabo da Tasmânia, Sean, em seu primeiro ano na faculdade de Duke, recebeu uma oferta para estrelar um filme pela Sage Western Pictures. Com más notas na faculdade, a decisão de Sean foi a mais fácil possível.

Entre 1957 a 1968 Sean atuou em 10 filmes, inclusive o altamente divulgado O Filho de Capitão Blood (El hijo del capitán Blood, 1962) para surfar na popularidade de Capitão Blood, estrelado por Errol em 1935. Sean não tinha nenhum carisma para as telonas e era um tanto quanto limitado. A maioria dos filmes que o futuro fotógrafo fez foi na Europa, escapando de ser alistado na Guerra do Vietnã.

De acordo com o livro Inherited risk: Errol and Sean Flynn in Hollywood and Vietnam de Jeffrey Meyers, Sean apenas concordou em atuar por achar que devia honrar a memória de seu pai e que odiou toda a experiência:
Foi o momento mais miserável de toda a minha vida. 
Sean ao lado de seu bom amigo George Hamilton em seu primeiro filme Bastam Dois para Amar (Where the Boys Are, 1960)
Confiante, simpático, bonito e galante (além de todos os melhores adjetivos que você conseguir imaginar), Sean estava acostumado com a boa vida e com sua mãe, Lili, ajudando que ele se livrasse de encrencas. Isso porque se antes de entrar na faculdade, ela cedeu aos seus caprichos de ir para Havana e curtir bastante, depois que Sean desistiu de atuar, a primeira ex-esposa de Errol patrocinou sua viagem de caça para África.

Entre 1963 a 1965 Sean, segundo o livro de Jeffrey Meyers, seguiu caçando animais selvagens e trabalhando como guia de safári na Tâsmania. Flynn estava completando o curso para se tornar um caçador branco (ou seja, um caçador profissional de animais de grande porte) mas desistiu antes de completá-lo. Logo procurou outra aventura bem no olho do furacão: a de fotojornalista de guerra.

De acordo com seu amigo Michael Herr no seu livro Dispatches, Sean era conhecido como o cara "que tinha tudo resolvido".

Sean Flynn fotografado em Saingon, 1968 por Tim Paige
Em janeiro de 1966, com 24 anos de idade, Sean chegava ao Saigon,  Vietnã com a ajuda de seu amigo, o também fotojornalista Dana Stone. Naquele ano, Flynn havia comprado uma Leica na Espanha e estava certo que poderia ser um fotojornalista. Chegou em Singapura, na Ásia, onde também gravou seu último filme Cinq gars pour Singapour (idem, 1966), e ficou interessado na ação que acontecia no Vietnã. Segundo Dirck Halstead, fotojornalista encarregada da UPI (da Imprensa Internacional) do país, foi ele que conseguiu creditá-lo como um fotógrafo licenciado.

Trabalhando para a Paris Match- no mesmo local de batalha que ele tentou se esquivar por anos com a ajuda de sua mãe Lili - Sean se arriscava mais do que todos e não tinha medo dos perigos.
Sean não era como os outros fotojornalistas. Ao invés de fazer operações rápidas no campo, ele andava com as forças especiais e os patrulheiros nas selvas mais densas e as mais altas montanhas. Ele desaparecia por semanas à fio e quando voltava tinha apenas alguns rolos de filme com ele. Mas suas fotos não eram como a de ninguém. - Dirck Halstead na The Digital Journalist
Sean queria se tornar na vida real tudo que seu pai foi no cinema: destemido. Ele ficava nas zonas de guerra, no meio do fogo-cruzado, para pegar as melhores fotos e as melhores histórias. O filho de Errol se machucou mais de duas vezes durante sua jornada como fotojornalista segundo a matéria Whatever Happened to Sean Flynn do jornal The Cranberra Times: por pedaços de granada e por estilhaços de projéteis, contudo sempre voltava à ação.

Fotos de Sean Flynn como fotojornalista no Vietnã - ele se arriscava alto por suas fotos
Em uma matéria para a revista Asia Times, o amigo de Flynn, Tim Paige afirmou que em 1967 depois de um dia de combate incessável, os dois prometeram que se saíssem vivos de lá iriam embora do Vietnã para sempre. Isso não aconteceu: Sean e ele tirariam apenas um ano de folga para verem seus familiares, amigos e namoradas. A licença durou apenas 4 meses e logo eles estavam de volta, como Tim afirmou, pois eram "viciados pelo fogo".

Apesar de durão, Sean continuava a escrever cartas para sua mãe Lili, deixando-na a par de tudo que acontecia em sua vida: desde namoradas (as mulheres não conseguiam resistir à ele), uso de drogas, casos sexuais e até os perigos da guerra. Em 1970, agora contratado pela revista Time-Life, após também ser freelancer da Columbia, ele continuou a explorar lugares escondidos da Ásia e ao lado de seus amigos fotojornalistas voltou seu esforço para o Camboja.

Viciado na adrenalina de estar no meio do combate, Flynn já havia visitado o Camboja antes e resolveu que era hora de voltar. Isso porque começava a Guerra Civil no país, onde as tropas do Khmer Vermelho e os vietcongues, com uma agenda "comunista", lutavam contra o governo vigente no país.  Como fotojornalista, Sean sabia que aquele era o lugar para se estar:
Esse foi um dos momentos mais assustadores da minha vida. Mas você sabe, cara, nós temos que voltar. Eu acredito que se vestíssemos roupas simples, fossemos de motocicleta - nós poderíamos sair da rota principal e nos misturar com as pessoas dos vilarejos. Talvez conseguíssemos falar com alguns cambojianos que nos levassem para onde pudêssemos tirar fotos da verdadeira ação. - Inherited risk: Errol and Sean Flynn in Hollywood and Vietnam de Jeffrey Meyers
Sean Flynn fotografado por seu amigo, Tim Paige durante os conflitos de Vietnã
Sean estava em Saigon na época, onde vivia com seus amigos, e assim que soube que o conflito no Camboja só aumentava, partiu com seu amigo Dana Stone, contratado pela CBS News, para a capital do Camboja, Phnom Penh em março de 1970.

Essa decisão, segundo o livro de Jeffrey Meyers, foi veementemente contrária a de seu chefe na revista Time-Life, David Greenway, mas ele não podia impedi-lo pois Sean trabalhava de modo freelancer. Isso porque durante a Guerra do Vietnã, os jornalistas tinham a proteção do governo e soldados americanos. No Camboja, não existia nenhum tipo de autoridade ou intervenção americana: era cada um por si e muitos trabalhadores da imprensa eram sequestrados.

No dia 5 de abril de 1970, Sean e Dana viajaram de Phou Si para Phnom Penh em suas motocicletas e no dia seguinte foram em busca de seu destino. Souberam, após uma conferência realizada pelo governo, através de um comandante de Comboja que atacariam um bloqueio dos vietcongues (rebeldes que queriam a "libertação" do Vietnã) à alguns quilômetros dali.

Stephen Bell, um dos jornalistas presentes na conferência e que tirou a última foto de Sean e Dana com vida, afirmou via o site Independent:
Depois disso, todos nós seguimos para Phnom Penh, mas eles disseram que queriam ir em frente. Eles escutaram que tinha um bloqueio pelos vietcongues. Eles achavam que poderiam vê-los. Nós voltamos para Phnom Penh e ninguém nunca mais os viu novamente. Eles foram uns dos primeiros a desaparecerem. Ainda não tínhamos ideia do quanto era perigoso.
Sean Flynn e Dana Stone em suas últimas fotos - nunca mais foram encontrados 
Isso porque, outrora, a maioria dos fotojornalistas que eram capturados pelos vietcongues eram devolvidos. A partir de 1970, com a maior influência do Khmer Vermelho,  tudo mudou e Sean e seus amigos foram a prova viva disso. A caminho do bloqueio dos vietcongues, o filho de Errol ainda conseguiu avisar sobre o perigo iminente para alguns jornalistas franceses - salvando a vida deles.

Além de Dana e Sean, outros seis jornalistas e fotógrafos foram raptados na mesma área de Chi Phou em um bloqueio dos vietcongues. Depois do rapto de Sean ter virado notícia, Lili Damita não poupou esforços para encontrá-lo. Escreveu para seus amigos no Vietnã e foi consolada por elesque afirmaram que tinham certeza que logo seu filho seria devolvido, assim como aconteceu com vários outros profissionais raptados.

O feroz fotojornalista estava vivendo sob o jugo dos rebeldes, sendo deslocado entre vários vilarejos. Ficou tanto tempo com eles que tanto Sean quanto Dana, a partir dali, sabiam demais e não poderiam ser devolvidos. Em 1971, segundo a revista Time, ele e Dana foram entregues pelos vietcongues para o brutal grupo Khmer Vermelho e os rastros deles cessaram.

De acordo com o documentário de Tim Paige Danger on The Edge of The Town (1991), Sean e Dana teriam morrido após fazerem uma greve de fome para suas libertações. Os guerrilheiros teriam visto esse ato como uma afronta e decapitaram os dois em junho de 1971. Mas essa não é a única versão existente da história: o autor Jeffrey Meyers afirma que conseguiu documentos que comprovam que Sean havia contraído malária por volta de 1971 e que o médico teria recebido ordens para lhe dar injeções letais, causando assim sua morte. Outra teoria? A de que Sean foi mantido em um campo de abduzidos e morto com outros jornalistas.

Sean Flynn no meio do fogo cruzado no Vietnã em 1968, fotografado por Tim Paige 
Lili Damita utilizou toda sua influência e dinheiro tentando conseguir qualquer rastro de seu filho Sean: contratou mercenários, detetives e em 1984, dez anos antes de sua morte, declarou-o como oficialmente morto. Em entrevista à um amigo dos dois Perry Deane Young que escreveu o livro Two Of The Missing: A Reminiscence of Some Friends in the War sobre Sean e Dana em 1976, Lili confessou:
Isso tudo me fez ficar uma mulher velha. Partiu meu coração. Olhe para mim. Eu durmo com o telefone ao meu lado, mas eu não durmo. Eu me preocupo o tempo todo.
Quando Lili faleceu em 1994, deixando uma amostra de sangue guardada em um banco para que se Sean fosse achado, que ele pudesse ser identificado, a meia-irmã de Sean Flynn, Rory (do casamento de Errol com Nora Eddington) assumiu à frente das buscas por seu irmão mais velho. Ela o amava tanto que seu segundo filho, também ator, recebeu o nome de Sean Flynn.

No Youtube, em um apelo para encontrar seu irmão, Rory pede doações e afirma:
Ele era um Flynn. Nunca me ocorreu que ele não voltaria para casa. - você pode doar para a causa nesta página do Go Fund Me - Mike Luehring é representante da família Flynn. 
O caso de Sean Flynn reacendeu na mídia em 26 de março de 2010 quando os profissionais contratados por Rory, os australianos David MacMillan e Briton Keith Rotheram entregaram à embaixada do Comboja pedaços de um maxilar e fêmur que poderiam pertencer à Flynn, encontrados em uma possível vala comum na cidade de Kampong Cham, no Camboja.

Foto da escavação do local da suposta ossada de Sean Flynn pelo site Salem News - veja a matéria aqui
As ossadas foram enviadas para um laboratório no Havaí, perito em lidar com casos de desaparecidos de guerra. Infelizmente, de acordo com Tim Paige e oficiais da embaixada americana, a escavação não foi feita de forma correta: David e Briton usaram uma escavadeira e tiraram as provas do local, contaminando as evidências.

Em pronunciamento ao site Salem News, os dois escavadores escreveram uma carta aberta em 31 de março, afirmando que eles já trabalharam com Tim Paige para encontrar Flynn, acusando-o de mentir para assegurar direitos de escrever um outro livro sobre Sean - seu primeiro sobre a guerra foi Page After Page. Por fim, ele ainda afirma:
Nós não somos escavadores amadores. Nos voluntariamos para ajudar Rory e trabalhamos como agentes de campo e não recebemos pagamento pelo que fizemos e ainda estamos fazendo. 
O representante da embaixada americana no Camboja, John Johnson, em comunicado oficial via The Phnom Phen Post, em abril daquele mesmo ano, ratificou que os ossos "estavam danificados pelo modo de extração" e que testes preliminares comprovaram que a ossada pertencia à um homem asiático. David e Briton não se pronunciaram mais após essa notícia.

Sean Flynn no campo de batalha e ao lado Paul Turner com a câmera que ele afirma ser do fotojornalista 
O ano de 2014 chegou com outro possível desenvolvimento do caso de Sean Flynn: o fotógrafo Paul Turner, em entrevista ao tablóide britânico Daily Mail afirmou ter comprado a  câmera de Sean Flynn pelo Ebay com o custo de apenas £51. A Nikon tem as iniciais SF e segundo o comprador teria vindo da Indochina. O número de série comprovaria que a câmera teria sido fabricada entre 1967 a 1968.

Apesar da promessa de que essa câmera poderia revelar mais informações sobre a morte de Sean, não aconteceu mais nenhuma atualização sobre o caso. Em 2018 outra câmera de Sean entrou sob os holofotes, sua Leica M2 que foi cedida por Rory para o fotógrafo Bellamy Hunt. Naquele mesmo ano, um outro fotógrafo encontrou a mala de Sean à venda em uma feira nos Estados Unidos e enviou tudo para Tim Paige.

Todos esses objetos pertencentes à Sean foram enviados para a loja da marca Leica em Hanoi, no Vietnã e foram exibidas no palácio do governo da cidade de Ho Chi Minh.
Sean Flynn fotografado em Papua com sua Leica - ele não estava com ela no dia de seu desaparecimento
Apesar da desaceleração de provas sobre o paradeiro dos restos mortais de Sean, Rory e Mike Luehring, representante da família, continuam positivos sobre uma iminente descoberta. Segundo o próprio Mike, em um post em seu Facebook, em janeiro de 2020, a família tem "diversas informações sobre Sean que precisam de confirmação no Camboja".
Nós temos diversas localizações que precisam ser investigadas com o Radar de Penetração do solo e mais testemunhas que precisam ser entrevistadas. 
Não pense que Sean Flynn é o único: mais de 30 jornalistas e fotógrafos continuam desaparecidos após a Guerra do Vietnã. O fato de Flynn vir de uma família influente e de Hollywood, no entanto, faz com que sua situação tem mais influência na mídia.

Lili Damita, enquanto ainda estava viva, sabia que uma grande maneira de chamar atenção para a causa de seu filho era a publicidade e fez diversos kits de camisetas e pins escritos "O Que Aconteceu com Sean Flynn?". Ademais, Hollywood tentou produzir um filme sobre o filho e Errol que seria intitulado "Like Father, Like Son", traduzido como como Tal pai, Tal filho, que nunca aconteceu.

Flynn de paraquedas - foto por ele mesmo
Essa não foi a única vez, entretanto, que Hollywood tentou transformar a história de Sean em um filme: de acordo com a Men's Vogue em 2008, Heath Ledger foi chamado para interpretar Flynn em uma película baseada no livro Two of The Missing, mas a obra nunca aconteceu já que Heath faleceu naquele mesmo ano. O personagem do ator Dennis Hopper em Apocalypse Now (idem, 1979) foi baseado no filho de Errol Flynn.

Finalmente em 2010 foi lançado um filme sobre Sean Flynn e seu amigo, Dana Stone, intitulado Road to Freedom, que obteu críticas bem mornas. Entretanto, até hoje, nem sua família e nem amigos tem uma resposta concreta sobre o que aconteceu com Sean e nem com Dana Stone.

Será que algum dia seus restos mortais serão encontrados? Será que algum dia saberemos exatamente como Sean morreu e quando? Não temos essas respostas, mas esperamos que um dia elas sejam encontradas, assim como o filho de Errol e Lili e os outros jornalistas desaparecidos.
Você sabe que ele escutou as batidas da guerra/ Mas cada homem sabe pelo o que procura - Canção Sean Flynn escrita pela banda The Clash em 1982.



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