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Edith Head para Natalie Wood - Os Prazeres de Penélope (1966)

*aviso: spoilers sobre o filme

Edith Head era uma figurinista poderosa: além de ganhar oito Oscars pelo seu trabalho, que incluía fazer figurinos para filmes como A Malvada (1950), Sabrina (1954) e, é claro, para a sensual comédia estrelada por Natalie Wood chamada Os Prazeses de Penélope, lançado em 1966, ela também foi uma mulher de fibra: começou a desenhar para ganhar um maior salário na escola que ensinava e acabou se tornando uma lenda. 

A figurinista, aliás, era uma figura à parte: além de ser a inspiração para a personagem Edna Mode, a estilista para os super-heróis no filme Os Incríveis (2004), ela também conseguiu cativar um grande número de estrelas de Hollywood como Audrey Hepburn, Kim Novak e Grace Kelly.


Edith Head era a epítome da classe              Divulgação 
Ela nasceu em 28 de outubro de 1987 e se formou no curso de Letras, atuando como professora por um curto período de tempo, mas sua carreira de estilista de sucesso começou apenas 26 anos depois, quando ela se tornou uma desenhista nos estúdios da Paramount e depois a estilista chefe em 1938, além de trabalhar em vários outros estúdios. Na época, o estúdio Paramount abrigava atores reconhecidíssimos e amados pelo público, como Marlene Dietrich, Dorothy Lamour e Clara Bow.

Já relação de Edith com Natalie Wood começou no primeiro papel mais sério da atriz: O Preço do Prazer (1963), que Wood já revelou, inúmeras vezes, que foi um de seus papeis favoritos no cinema. Aos 24 anos de idade, a atriz estava fazendo sua transição para papeis mais adultos e não poderia ter pedido por um roteiro melhor, mesmo que quisesse: na história ela interpreta Angie, que fica grávida de Rocky (Steve McQueen). Os dois se juntam e buscam um médico que faça o aborto, medida ilegal nos Estados Unidos, na época.

Paramount Pictures/Gif 
De acordo com o livro Edith Head: The Fifty Year Career of Hollywood Greatest Costume Designer, escrito por Jay Jorgensen, a estilista tinha ficado um pouco nervosa de trabalhar com Natalie, pois pensava que a jovem atriz pediria opinião para outros estilistas com quem trabalhou, mas esse não foi o caso. As duas se deram muito bem e Edith acabou criando figurinos para Natalie para mais de seis filmes, com ênfase nas fabulosas vestimentas que ela preparou para Os Prazeres de Penélope, em 1964.

O filme conta a história de Penélope, vivida por Natalie Wood, uma jovem esposa de um banqueiro que sofre com um distúrbio de cleptomania e acaba roubando mais de 60 mil dólares do banco de seu marido, James (Ian Bannen). Já na primeira aparição de Penélope, conseguimos perceber como a personagem é sofisticada:
Natalie estava passando por problemas pessoais ao gravar este filme               MGM Pictures/Gif 
Com uma peruca loira e um terninho amarelo canário formal, da Givenchy, ela ainda combina um par de luvas pretas. As cores vibrantes da roupa já servem como um alerta para a personalidade expansiva de Penélope, que acaba mudando a toda hora. E, em tese, é para isso que servem os figurinos: para definir as ações do nosso personagem e suas características.

Uma peça do guarda-roupa de Penélope que mostra bem isso são os laços de cabelo, que ela usa ao longo do filme, sempre com cores vivas como o azul, rosa e vermelho:


 MGM Pictures/Divulgação/Montagem 

Os laços de cabelo mostram o lado mais jovem de Penélope e sua relutância de se tornar o que é esperado de uma mulher de banqueiro: de ser séria e nunca dizer ou fazer a coisa errada. Tanto que, ao sair pelas ruas, a personagem sempre procurava usar vestidos e acessórios um tanto menos chamativos, combinando é claro, a sofisticação que o cargo de seu marido permitia, com casacos de pele, que na época de 1966, era uma prova de que você era rica e tinha um ótimo gosto (ainda bem que hoje em dia é o contrário). Vale lembrar também que seus casacos de pele eram um pouco mais discretos do aquele roupão com pele que ela usava em casa. 

MGM Pictures/Divulgação/Montagem
E tudo isso foi muito bem pensado por Edith Head. De acordo com o livro de Jay Jorgensen, já citado acima, a estilista dividiu o guarda-roupa da personagem de Natalie em dois grupos: o primeiro era de alta classe, com casacos de pele, terninhos discretos, vestidos de coquetel e outros mais sofisticados, expressando a riqueza da personagem. Os chapéus em cores neutras, que muitas vezes eram com abas mais largas, também mostravam sua elegância adquirida pelo casamento. 

                                                                                      MGM Pictures/Divulgação/Montagem
Já o segundo grupo, pensado por Edith, era o mais casual e continha cores mais vibrantes, como o amarelo, vermelho e laranja, com tecidos mais soltos e leves. Segundo o livro, aliás, Os Prazeres de Penélope contém o primeiro mini-vestido que Edith já criou para um filme!
O lado mais espírito livre de Penélope    MGM Pictures/Divulgação
As cores mais vibrantes, aliás, aparecem ou quando a personagem de Natalie está sozinha, ou em casa, ou seja, longe dos olhos acusadores da sociedade. No caso dos dois vestidos vermelho e laranja acima, vale ressaltar, ela os usava quando estava conhecendo o marido e ainda era livre das obrigações de ser uma esposa de alguém tão importante.

Mas nenhum outro acessório do guarda-roupa da personagem de Natalie, Penélope, foi tão cobiçado quanto seu vestido de noiva. Na altura dos joelhos, o simples vestido de alça branca da personagem ganhava uma sofisticação a mais com uma camada de renda com o padrão cruzado, que foi importado da França. Todas as noivas da época queriam replicá-lo e não é para menos, o vestido é uma maravilha!

                                                                                   MGM Pictures/Divulgação/Montagem
A transição da personagem Penélope é ainda mais clara através de suas roupas: no começo ela usava roupas vibrantes e chamativas. Ao se casar ela colocou essas disposições de lado e começou a se vestir de forma mais elegante, mas nunca deixou de lado o seu "eu" verdadeiro, mesmo que tentasse maneirar na frente do marido. 

Aliás, na época foi feito um videoclipe para divulgar o filme que conta com a narração de Edith Head, e mostra alguns dos figurinos de Penélope, incluindo alguns que acabaram não sendo utilizados no filme:




Além dos figurinos, Os Prazeres de Penélope (1966), é uma comédia extremamente engraçada, que além de lidar com o velho tema "liberdade X casamento", ainda mostra que não devemos mudar por ninguém e sermos felizes com quem amamos por quem eles são, por mais clichê que isso possa parecer.  E acredite, nem sempre esse é o caso. 


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