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A ilusão de Houdini (1953) com Tony Curtis e Janet Leigh


Tony Curtis e Janet Leigh são um dos casais mais amados de Hollywood. Uma grande estrela do estúdio MGM quando conheceu o novato Curtis, Leigh, em todos os cinco filmes que estrelaram, ela, no entanto, fez questão de ser creditada em segundo lugar, já que ela nunca pegaria o lugar de destaque pertencente ao seu marido.

O filme Houdini, de 1953, marcou a estreia da parceria dos dois, sendo que Leigh foi emprestada da MGM para o estúdio Paramount, apenas para fazer esse filme. A animação da atriz, que tinha ficado super feliz em contracenar com seu marido, foi o bastante para que o seu estúdio a deixasse participar em Houdini, mesmo que não quisessem uma de suas maiores estrelas em uma película de outro estúdio.
O primeiro filme no qual o casal Curtis-Leigh atuou juntos                       Divulgação/Gif 
O filme conta a história do mágico Harry Houdini, um dos maiores ilusionistas e escapologistas da história que teve uma trágica morte em 1926, ao ser atingido por um soco no apêndice por um estudante de artes na Universidade McGill em Montreal, nos Estados Unidos. Infelizmente, como ambos os estudantes e a família dele estavam vivos, o filme Houdini mostrou um final bem diferente do que aconteceu com o mágico, para evitar um processo. 

Em Houdini, conhecemos Harry Houdini (Tony Curtis), um mágico galanteador que conhece sua futura esposa, Bess, enquanto apresentava um truque de mágica para uma pequena audiência. Ela o ajuda no número e Houdini fica tão encantado que os dois se casam e logo ela se torna sua assistente nos palcos. O filme, aliás, não é nada fiel a verdadeira história do mágico, mas entre Janet Leigh e suas roupas, feitas pela estilista Edith Head, e o brilhantismo do casal Tony e Janet, isso não importou nada! 
        Janet e Tony à esquerda e o verdadeiro casal Houdini à direita                             Divulgação/Montagem
Apesar das inconsistências na história de Houdini no filme, Tony Curtis trabalhou muito para que as ilusões que fazia fossem as melhores possíveis. De acordo com a biografia The Defiant One: A Biography of Tony Curtis de Aubrey Malone, o ator estava trabalhando, inclusive, com um mágico chamado George London que o ajudava nos truques mais elaborados e que o elogiou, dizendo que: "estava fazendo truques em onze dias que mágicos novos demorariam no mínimo, mais de um mês." O técnico consultor era Joe Dunninger, outro mágico, o único que tinha acesso e sabia a maioria dos segredos de Houdini, graças à esposa dele, Bess, que lhe deu permissão para saber sobre quase tudo relacionado ao mágico. 

Outra boa surpresa para a produção do filme, aliás, foi que o estúdio havia concordado que o filme fosse gravado em cores e não preto e branco. Isso valorizou e muito a qualidade e a arte do filme, que teve como responsáveis Hal Pereira e Al Nozaki. Mas não foram só os dois que tiveram muito trabalho: o filme também precisou de um diretor de fotografia e de efeitos especiais para que tudo ficasse no seu lugar devido. 

Sobre isso, Janet Leigh contou na biografia Janet Leigh: A Biography de Michelangelo Capua: "Quando Tony me levitava não tivemos pausas e não tivemos cortes em outras cenas também - elas eram feitas de forma legítima. Quando chegamos às cenas de escape, as cordas e as correntes, essas cenas tiveram que ser arrumadas porque Tony não era Houdini e ele não tinha a habilidade do mágico de se contorcer ou manipular as fechaduras como ele." Outro empecilho foi a timidez de Tony, que havia ficado com vergonha de beijar sua esposa na frente das câmeras. Leigh não se incomodou e disse: "Deixe-me quebrar o gelo." e tascou-lhe um baita de um beijo. 


Divulgação!Montagem
A solução para a falta de habilidade mágica de Tony ficou ao encargo de Ernest Lazlo, o diretor de fotografia do filme Houdini, que filmava o ator sem parar, com nenhum close up no seu rosto, para que os cortes e as adaptações do filme fossem críveis para os telespectadores. Assim, o filme demorou mais oito semanas para ser produzido. Em entrevista para o jornal Detroit Free Press em 1952, Dunninger garantiu que Curtis não faria nenhum dos truques, mas não foi bem assim que aconteceu.

Segundo o livro de Aubrey Malone, em uma cena com o tanque de água, Tony Curtis era algemado e como ele tinha se livrado bem das algemas nos ensaios, todos estavam bem tranquilos. Ele, então começou a atuar como se estivesse se afogando e logo a equipe do filme quebrava o tanque com machados para salvar o jovem ator. Ele garantiu que estava apenas atuando, mas será que ele não poderia ter avisado que estava tudo bem com um simples gesto? Uma reação bem expansiva para apenas uma atuação!  

O filme Houdini, justamente por ser colorido, tem uma explosão de cores por todo o lado. As roupas são as mais chamativas possíveis, sendo que a primeira cena ocorre em um circo, um dos lugares mais coloridos do mundo. A arte da película é vibrante, sendo o vermelho, o verde e o azul as cores mais predominantes de Houdini. 


Até no camarim do filme, Houdini continua um filme com muita cor         Divulgação/Legenda
Apesar do foco da película ser no romance entre Bess e Houdini - uma jogada de marketing do produtor George Pal já que Curtis e Leigh eram casados na época - o filme foi um sucesso de bilheteria e rendeu mais cinco filmes protagonizados pelo casal. Os efeitos especiais, para a época, eram grandiosos e os cenários são uma festa à parte - repletos de vida e de suntuosidade, o que se mesclava muito bem com a personalidade que Curtis deu à Houdini: um homem charmoso e galanteador, com sua bela e querida esposa. 

Não condizia com a realidade do verdadeiro Houdini, mas para as telas de cinema, Tony ficou marcado como um incrível Houdini - uma ilusão agradável e graciosa que deu origem à um filme com duas verdadeiras estrelas de cinema. 



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