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A passagem turbulenta de Ava Gardner no Brasil (1954)

Foi com o filme A Condessa Descalça (The Barefoot Contessa, 1954) que Ava Lavínia Gardner cimentou seu lugar no mundo do cinema com a alcunha de 'o animal mais belo do mundo.' Com seus olhos expressivos e um rosto considerado incrivelmente belo, os fãs brasileiros não se cansavam de Gardner, enfrentando cinemas lotados apenas para ver a tão maravilhosa estrela. E quando Ava chegou ao Brasil, no dia 7 de setembro, para promover A Condessa Descalça (1954), a quantidade de fãs era tanta que Ava até ficou assustada! 

Ava chegando ao Rio de Janeiro e sua horda de fãs                     Divulgação/Última Hora e Scena Muda
De acordo com a revista Carioca do Rio de Janeiro, da data de 18 de setembro de 1954, a confusão aconteceu logo no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, com a chegada da atriz, que ficou intimidade pela agrupamento: "Logo ao descer do avião fui cercada por uma multidão de fãs exaltados que não souberam conter o seu entusiasmo, dando largas ao seu instinto de curiosidade em relação ao meu corpo. Assim, mãos e braços forçavam-me e entrelaçavam-me por todos os lados. Fui forçada a fugir daquele turbilhão de gente, que estava no recinto. " Se Ava parece estar na defensiva com esta frase, isso é bem verdade: ela foi rotulada pela imprensa como mal educada e bardeneira em sua estadia no Brasil! 

Ava Gardner chegou ao Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, no dia 7 de setembro de 1954, às 23h30. Mesmo com o horário tardio da chegada, milhares de fãs estavam esperando a grande estrela, que parava no Brasil depois de estadias em Montevidéu, no Uruguai e em Buenos Aires, na Argentina. A confusão, no entanto, só estava começando para a bela atriz - além dos gracejos indevidos dos fotógrafos quando ela desceu do avião; Ava viajava na cabine do piloto e foi a última a desembarcar do voo- no aeroporto do Galeão, ela ainda sofreu com o assédio da "mão-boba" de vários homens e fãs que queriam tocar no corpo dela. Ava, é claro, ficou indignada! 

Ava já no caminho ao hotel Glória, no qual ela ficou apenas por pouco tempo       Divulgação/ ScenaMuda
A alfândega brasileira também não deu sossego para a atriz e revistaram minuciosamente suas malas. Ava, ficou muito nervosa com a situação -ainda por não ter pedido um visto diplomático- e acabado seus deveres com no aeroporto, refugiou-se no Hotel Glória, no quarto 900, o mais chique, onde ficaria hospedada por toda sua visita à capital. Dizem que a estrela -que entrou descalça e com roupas desalinhadas- chegou fazendo bagunça no hotel, quebrando móveis, bebendo uísque e se mudando para o Hotel Copacabana, no luxuoso anexo 4, logo depois porque todos os seus colegas de Hollywood que foram ao Brasil falaram muito bem do hotel. Ficaria no Copacabana e estava decidido. 

Na coletiva de imprensa com os jornalistas brasileiros, Ava revelou que não era verdade que havia feito uma bagunça no hotel Glória, admitindo apenas, segundo noticia o jornal Última Hora, que ela havia "quebrado só um copinho", fato que foi confirmado por David Hanna, o empresário da atriz. Fotos do quarto destruído apareceram na imprensa, mas Gardner continuou com sua versão da história, afirmando que as fotos foram montadas. Diferente da estadia do superastro, Tyrone Power, Ava se apresentaria no clube carioca, Boite, mas isso logo foi negado pelo próprio publicitário da United Artists, Gilberto Souto, que conseguiu fazer com que Gardner viesse ao Brasil. 

Ava Gardner maravilhosa durante a coletiva de imprensa no Hotel Copacabana Palace       Divulgação/Carioca
A empregada de Gardner, Mearene Jordan, também causou uma baita de uma impressão nos jornalistas: apresentada pelos jornais como uma sofisticada negra, admiraram-se a qualidade e a nobreza de suas roupas. Ava, aliás, não entendeu por que tanto bafafá sobre essa situação. Mas o escândalo continuou: principalmente com a 'saia justa' do cocktail/entrevista que aconteceria no Hotel Glória, mas teve que ser mudado às pressas para o Copacabana. Lá, alias, Ava foi servida pelo maitrê José Caribé da Rocha, com o melhor da comida e da bebida, dividindo seu espumante com alguns dos músicos do hotel, já na madrugada do dia 8 de setembro, algumas horas depois de sua chegada.  

No dia seguinte, ou melhor, mais tarde no mesmo dia, Ava Gardner foi toda sorrisos à imprensa, usando um lindo vestido midi que ressaltava toda sua beleza natural.  A estrela tentou esclarecer o mal entendido de ter se referido aos brasileiros como 'selvagens' ao se queixar da multidão descontrolada: "Muita gente, nova luta para chegar ao elevador e finalmente aos aposentos. Creio que logo depois que cheguei ao hotel disse alguma coisa a um rapaz que depois descobri ser repórter. Não sabia que minhas palavras seriam registradas daquela maneira pela imprensa. Torceram a verdade." 

Ava ainda na coletiva de imprensa brasileira                            Divulgação/Carioca
A imprensa brasileira estava realmente desgostosa com David Hanna, o empresário da atriz, chamando sua influência sobre Ava de nefasta e enfatizando como ele ficava bêbado constantemente. Os jornais diziam que sem ele, Ava ficava bem mais simpática e essa empatia a deixava ainda mais bela. Ramalho Neto, jornalista da revista Scena Muda, deu uma declaração exclusiva sobre a diva: "Naquele momento interessava (e muito) a ele e seu agente, que é um americano não muito cordial, desfazer a má impressão causada e tão comentada pelos jornais." 

Mesmo assim, a estadia de Ava Gardner no Brasil foi bem curta no Rio de Janeiro e no dia 9 de setembro, ela já estava embarcando no avião rumo à Caracas, na Venezuela, onde ela ficaria apenas três dias, retornando aos Estados Unidos para começar a trabalhar no filme A Encruzilhada dos Destinos (Bhowani Junction, 1956). Ava foi levada para o aeroporto do hotel por Harry Stone, representante no Brasil da Embaixada Americana, no qual embarcou no avião da Pan-American, em um voo noturno. A estadia de Ava Gardner no Brasil estava planejada até o dia 11 de setembro, mas dizem que a repercussão da estrela no Brasil foi tanta nos Estados Unidos, que foi decidido que seria melhor ela sair do país de vez. 
Ava embarcando para Caracas, na Venezuela e posando com jornal do dia antes de partir                   Última Hora
A revista Carioca de 1954 também noticiou que Ava, que estava em processo se separação de Frank Sinatra, teria tido um breve romance com o cantor do Capacabana Palace, Carlos Augusto, dando-lhe uma caneta-tinteiro como presente - mesmo que a noite não tenha sido lá muito produtiva. José Lewgoy, aliás, foi o único ator a conversar com Ava em sua estadia, como noticiou a imprensa. 

A estadia, aliás, não foi bem aproveitada por Ava Gardner, que de volta aos Estados Unidos, disse que nunca mais voltaria para o Brasil, além de ter ficado chocada com o tratamento dos fãs e da imprensa. Ava cumpriu sua palavra e, infelizmente, nunca mais pôs os pés no país. 

Um close-up do rosto maravilhoso, mas turbulento de Ava                                    A Noite

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  1. Respostas
    1. Realmente Ava era uma diva em todos os sentidos e "causou" bastante no Brasil, mas pelo que eu pesquiso nenhuma estrela internacional passa pelo nosso país sem alguma confusão viu! haha

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  2. N e a toa q e o animal mais belo do mundo!

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  3. Com certeza! A vinda dela foi uma das mais turbulentas entre os astros da antiga Hollywood! Ela causou muuuito!

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  4. ...caraco!
    Não sabia que houve tal estardalhaço.
    Soube que esteve no país (e até uma honra quando famosidades vêm para cá).
    Ouvi falar que antes de falecer teria PROBLEMAS PSIQUICOS. E qual celebridade não tem?
    E que um cantor famoso com quem foi casada (outro que tinha suas mazelas) até tentou autocídio por causa desta. Vá entender essa gente.

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  5. A secretária de Ava Gardner, Mearene Jordan, sofreu racismo aqui gente, foi racismo. Ava defendia ela com unhas e dentes e nessa época nos EUA a segregação racial dominava (tipo isso de onde não couber ela não me cabe, era assim a relação das duas) e parece que ela sentiu isso aqui também e deve ter saído realmente muito chateada daqui.Nunca mais voltou.

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