Os papeis dramáticos de Elvis Presley no cinema - Caixa de Sucessos

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07/08/2019

Os papeis dramáticos de Elvis Presley no cinema

Elvis Presley causou um impacto tão grande no mundo da música, tornando-se uma febre com a regravação de That's All Right de Arthur Cudrup, que seu sucesso apenas crescia e já era hora de torná-lo uma estrela de cinema. 

De todos os 31 filmes que Elvis participou, apenas 10 o mostravam em um papel dramático e isso tinha um porquê bem simples: o produtor Hal Wallis, com quem Elvis assinou contrato de exclusividade no cinema, queria o cantor por sua popularidade e não para se tornar um grande ator - mesmo que Elvis almejasse isso. 

Segundo o livro The Colonel: The Extraordinary Story of Colonel Tom Parker and Elvis Presley por Alanna Nash, embora a ambição do Rei do Rock fosse se tornar o "próximo James Dean", Wallis não tinha a mesma ideia: 
A ideia de trabalhar com Elvis e moldá-lo para papeis dramáticos é algo que nunca tentamos fazer. Nós não assinamos com Elvis como um segundo Jimmy Dean e sim como um primeiro Elvis Presley. 
Elvis em um de seus melhores filmes, Balada Sangrenta (King Creole, 1958)
Mesmo assim, os primeiros papeis do Rei do cinema como Ama-me Com Ternura (Love Me Tender, 1956), A Mulher que Amo (Loving You, 1957), O Prisioneiro do Rock (Jaillhouse Rock, 1958) e Balada Sangrenta (King Creole, 1958) juntavam o talento de Elvis para a música com personagens mais profundos e dramáticos, embora fossem papeis no qual Presley não tinha qualquer controle sobre o roteiro, seu nome ou duração. 

No começo de sua carreira nos cinemas, os papeis de Elvis refletiam em sua imagem ao público como rebelde e quebrando as regras. Depois que ele se alistou no Exército, com sua volta aos filmes em 1960, a maioria de seus papeis eram em musicais - aproveitando que se o filme não fizesse sucesso, as músicas seriam estrondosas. 

Apesar de ser o maior astro da música na época (e continua sendo um dos maiores até hoje), Elvis nunca pode opinar sobre os filmes que queria interpretar e por causa de um contrato ruim, feito pelo Coronel Parker com o produtor Hal Wallis, Elvis nunca conseguiu atingir a grandeza de seus ídolos James Dean e Marlon Brando nos cinemas, tanto que ao chegar ao fim de seu contrato ele deixou bem claro para o Coronel que se recusaria a participar de mais películas.

Mas os filmes abaixo e as performances de Elvis mostram que ele tinha potencial - e muito! 


AMA-ME COM TERNURA (LOVE ME TENDER, 1956)
Elvis em seu primeiro papel nos cinemas                                                               Divulgação/Gif
De contrato assinado com Hal Wallis, Elvis foi emprestado para o estúdio 20th Century Fox, que lhe designou para seu primeiro papel no cinema - no drama de faroeste The Reno Brothers (em tradução livre, Os Irmãos Reno) que começou a ser gravado em 22 de agosto e teve seu encerramento em 26 de setembro de 1956, dirigido por Robert D. Webb. 

Com o sucesso da canção Love me Tender de Elvis (inspirado na melodia Aura Lee), o filme teve seu título mudado para Ama-me Com Ternura (Love me Tender, 1956) para capitalizar no nome popular do cantor -originalmente a película não teria nenhuma canção. O filme conta a história dos irmãos Reno, Clint, interpretado por Presley, e Vance por Richard Eagan, e como eles tem que lidar com o casamento de Clint com Cathy (Debra Paget), que tinha sido noiva de Vance e, pior, ainda o ama! Paralelamente, Vance tentando se tornar um homem melhor, resolve devolver o dinheiro que roubou quando era um soldado confederado - e seus colegas não ficam nada felizes com isso. 

O cantor interpreta um homem ciumento e frustado em seu primeiro papel no cinema e, apesar de sua participação no filme não ser extensiva, é Clint Reno e sua raiva por não conseguir ter a mulher que ama, que move toda a trama do filme. Ama-me Com Ternura (Love Me Tender, 1956), aliás, é o único de todos os filmes de Elvis no qual seu personagem morre.

Elvis, na época com 21 anos, era completamente apaixonado por Debra, 23 anos. 
Ao todo, Elvis canta quatro músicas no filme: o título Love Me Tender, Poor Boy, We're Gonna Move e Let Me. Mas esse não é o foco de seu personagem e sim o ciúmes e a raiva que sente ao ver que seu irmão terá o amor da mulher que ama. Presley, aliás, teve uma queda por Debra Paget durante toda a filmagem de Ama-me Com Ternura e até depois, mas a atriz nunca deu bola para ele por objeção de sua mãe.  

Ama-me com Ternura (Love Me Tender, 1956) foi o primeiro filme de Presley nos cinemas e apesar de ter um papel coadjuvante, Clint Reno era o fio condutor de toda a trama, mostrando que Elvis tinha sim o potencial para ser mais do que apenas um rosto ou uma voz bonita. A cena de morte de seu personagem foi realizada com maestria e, em retrospectiva, foi um ótimo início para o cantor nos cinemas - sem o peso de carregar o filme, mas com a oportunidade de crescer com sua atuação.

Para se ter uma ideia do alcance da Elvismania, as fãs escreveram cartas de protesto, aos montes, para a 20th Century Fox, condenando a morte do personagem do ator do filme - que foi muito mal recebida. Assim, foi gravada um novo final, no qual Clint Reno sobrevive.

No geral, Ama-me Com Ternura (Love Me Tender, 1956), lançado em 15 de novembro de 1956, é um filme medíocre de faroeste, que apenas continua a ser discutido porque foi o primeiro de Elvis no cinema. Nada mais.
Já sobre a caracterização do jovem fazendeiro ciumento de Elvis Presley, é algo túrgido, suculento e exibicionista, assim como ele canta. Com seu rosto juvenil, lábios inchados e cabelo rebelde, ele pode ser convincente como um garoto com bastante ressentimento em seu sistema. [...] Ele certamente leva seu trabalho à sério, com muito mais zelo e segurança do que o resto dos atores do filme. - Crítica da New York Times, 16 de novembro de 1956.

A MULHER QUE EU AMO (LOVING YOU, 1957) 
Primeiro filme com a atriz Dolores Hart, que se tornaria uma freira 
Elvis ganhou críticas positivas sobre seu trabalho de atuação em Ama-me Com Ternura (Love Me Tender, 1956) e estava pronto para seu próximo personagem. Foi anunciado que ele atuaria com Jayne Mansfield em um filme intitulado O Maníaco do Amor (The Love Maniac, 1957), no qual mostrariam "as habilidades de canto de Elvis e a figura de Jayne". O filme, no entanto, nunca saiu da sala de criação. 

Assim Presley embarcou de cabeça no filme A Mulher Que Eu Amo (Loving You, 1957). Produzido pela Paramount, o filme foi gravado entre janeiro e abril de 1957 e chegou a ser conhecido como "The Elvis Presley Story" por ser claramente inspirado na ascensão e fama do músico. 

Dirigido por Hal Kanter, a película conta a história de Deke Rivers, vivido por Elvis, um entregador com um dom para a música, que é descoberto pela publicista Glenda Markle (Lizabeth Scott), e o cantor Dex Warner (Wendell Corey), que o transformam em um grande astro. Enquanto isso, ele se apaixona pela mocinha Susan Jessup (Dolores Hart em seu papel de estreia) enquanto a provocante Daisy Bricker (Jana Lund), representando as fangirls, continua à espreita. 

Jana Lund foi o primeiro beijo de Elvis no cinema 
Apesar de ser um papel dramático, Elvis não conseguia se desprender do que lhe fez tão famoso: a música. Ao total, ele canta sete canções: Got A Lot O' Livin' To Do, Let's Have a Party, Let Me Be Your Teddy Bear, Hot Dog, Lonesome Cowboy, Mean Woman Blues e Loving You. No cena de Let Me Be Your Teddy Bear, os pais de Presley, Gladys e Vernon podem ser vistos na plateia aplaudindo o filho deles.

Outra curiosidade de A Mulher Que Eu Amo (Loving You, 1957) é que Elvis resolveu tingir seu cabelo castanho claro para um preto bem escuro. Segundo o livro The Elvis Movies de James L. Neibaur, Elvis tomou essa decisão para ficar com uma aparência mais séria e copiar o maneirismo dramático de alguns de seus atores favoritos, Rudolph Valentino e Tony Curtis - a partir daí nunca mais abandonou o look. 

A Mulher Que Eu Amo (Loving You, 1957), o primeiro filme technicolor de Elvis, conta uma história complexa de um jovem promissor, que luta para se manter "pé no chão" no meio de tanto deslumbramento, ao mesmo tempo que se apaixona pela madura Glenda e a jovem Susan. Apesar de ainda nervoso com sua atuação, Elvis estava mais solto e com muito mais segurança - tornando essa película um dos melhores dramas musicais da carreira de Presley. 

Lizabeth Scott, uma famosa estrela dos anos 40/50 e Hal Kanter foram só elogios para a performance de Elvis, que estreava como protagonista em A Mulher Que Eu Amo (Loving You, 1957) e também pudera - Elvis queria ser um grande ator. 

A Mulher Que Eu Amo (Loving You, 1957) teve sua estreia no dia 9 de julho de 1957 e se tornou um dos maiores sucessos daquele ano, provando que muito além do talento musical, Elvis tinha tudo para ser um ator de peso. Infelizmente depois da morte de sua mãe, Elvis nunca mais conseguiu assistir ao filme. Achava doloroso demais. 
Não é um papel que exige muito de Elvis e ao redor de vários atores capazes, ele permanece simples, mas capaz. - Crítica de Variety sobre o filme, 3 de julho de 1957. 

PRISIONEIRO DO ROCK N' ROLL (JAILHOUSE ROCK, 1957) 
A canção-tema se tornou um dos maiores sucessos de Elvis
Um dos personagens mais egoístas e cruéis de Elvis, Vince Everett foi um divisor de águas na carreira cinematográfica de Presley, mostrando o quão promissora ela seria se o Coronel Parker e os estúdios não tivessem se deixado levar pela ganância. 

Em O Prisioneiro do Rock N' Roll (Jaillhouse Rock, 1957), baseado em um conto de Ned Young, Elvis interpreta Vince, um jovem rapaz que é preso após matar um homem em uma briga. Durante seu tempo na prisão, ele descobre ter talento para a música e após um show televisionado, Vince se torna uma sensação no lado de fora. Seu colega de cela, um ex-cantor country, no entanto, o prende em um contrato ruim e o personagem de Elvis toma a iniciativa de criar sua própria gravadora ao lado de Peggy (Judy Tyler) e se torna ainda maior do que pode imaginar.

O Prisioneiro do Rock N' Roll (Jaillhouse Rock, 1957) foi filmado entre 13 de maio a 14 de junho de 1957, dirigido por Richard Troppe para a MGM, e Elvis não poderia ser mais popular. O filme foi fundo na sua persona de transgressor, afinal naquela época pais e cidadãos de bem o denunciavam por indecência. Assim, Vince é uma versão exagerada de como a geração antiga via Elvis: perigoso, inconsequente e completamente charmoso.

Judy Tyler e Elvis se tornaram bons amigos - a atriz faleceu logo depois das filmagens. 
Apesar do filme ter sido filmado em preto-e-branco, para poupar os custos da MGM, O Prisioneiro do Rock N' Roll (Jaillhouse Rock, 1957) se tornou um dos maiores sucessos daquele ano, tornando Elvis a quarta maior estrela masculina do cinema. Infelizmente, esse foi outro filme que Presley nunca mais reassistiu.

Isso porque sua co-estrela Judy Tyler, com apenas 24 anos de idade, morreria em um acidente de carro ao lado de seu segundo marido, no dia 3 de julho de 1957, logo depois de completar o filme. Afirma-se que Elvis se debulhou em lágrimas quando soube da morte de sua co-estrela que tinha um futuro promissor e nunca conseguiria ver sua performance em seus dois únicos filmes. Elvis, portanto, não compareceu à estreia de O Prisioneiro do Rock N' Roll (Jaillhouse Rock, 1957) e mantinha-se longe de qualquer publicidade relacionada à ele.

No total, a película conta com sete músicas e apenas seis delas foram performadas por Elvis: Young and Beautiful, I Want to Be Free, Don't Leave Me Now, Treat Me Nice, Jaillhouse Rock e You're So Square (Baby I Don't Care).

O Prisioneiro do Rock N' Roll (Jaillhouse Rock, 1958) estreou em 8 de novembro de 1957 e foi um sucesso estrondoso. O filme é um musical bem simples, mas muito bem atuado e Elvis com sua persona rebelde é um dos pontos altos da fita. Se você quer conhecer ou apenas reviver o lado badboy e sem restrições dos anos 50, esse é o filme para você!

Elvis, neste filme ganhou em sua maioria, críticas mistas, com muitas revistas e jornais, chamando a atuação dele de "medíocre e boba", com muitas associações condenando a falta de decência de ter um prisioneiro sendo elevado à herói. Mas é apenas por ele que O Prisioneiro do Rock N' Roll (Jaillhouse Rock, 1957) continua a ser discutido.
Elvis não apenas se prova como um ator dramático, mas revela sua versatilidade dançando pela primeira vez em um filme. O filme também conta o jeito único de Elvis de dançar. - crítica de Gadsden Times, 1957. 

BALADA SANGRENTA (KING CREOLE, 1958) 
Atuou com Carolyn Jones, que mais tarde ficaria famosa como a Morticia Addams
O próximo filme seria uma realização para Elvis: Balada Sangrenta (King Creole, 1958), baseado no livro de Harold Robbins, A Stone for Danny Fisher, tinha começado a ser desenvolvido pela Paramount em 1955 para ser um veículo para James Dean, um dos ídolos de Presley. Nessa versão original, Dean interpretaria um boxeador que enfrenta grandes dificuldades na cidade grande. 

Quando o filme foi desengavetado e designado para Elvis, o seu personagem foi reescrito para se tornar um cantor, como afirma o livro The Elvis Movies. Para realizar ainda mais a vida do cantor, o diretor do filme não era ninguém mais do que o lendário cineasta Michael Curtiz, que dirigiu Casablanca (idem, 1942). Assim, temos uma das - se não a melhor - performance de Elvis no cinema. 

Balada Sangrenta (King Creole, 1958) conta a história de Danny Fisher, um jovem simples e sem muita educação que resolve trabalhar como cantor em um clube intitulado King Creole, o único lugar que não é controlado pelo inescrupuloso Maxie Fields (Walter Matthau). Trabalhando lá, ele se apaixona pela doce Nellie (Dolores Hart -que futuramente se tornaria freira) enquanto se envolve com Ronnie (Carolyn Jones - a eterna Morticia Addams) e tenta ajudá-la a escapar de Maxie. 

Um dos triângulos amorosos mais bonitos e talentosos do Rei
A gravação do filme estava prevista para começar em 13 de janeiro de 1958, mas em dezembro de 1957, Elvis recebeu uma carta do Exército dos EUA para se apresentar para alistamento em 20 de janeiro de 1958. O estúdio entrou em contato com os militares e conseguiu uma extensão de 60 dias para completar a filmagem de A Balada Sangrenta (King Creole, 1958) e Elvis teve a oportunidade de mostrar um de seus melhores trabalhos para o público antes de partir para a Guerra. 

Ao total, Elvis Presley performou catorze músicas em A Balada Sangrenta (King Creole, 1958) e apesar de um roteiro um tanto confuso, o filme mostra todo o potencial de atuação de Elvis, que por ser uma pessoa mais tímida e introspectiva, se deu muito bem com a direção incisiva e agressiva de Curtiz, que na época afirmou para quem quisesse ouvir que ele seria um incrível ator. 

Elvis Presley considera Balada Sangrenta (King Creole, 1958) o seu melhor filme e acredito que tenha muito a ver com a oportunidade de trabalhar com o renomado Michael Curtiz. No geral, Carolyn e Elvis se destacam enquanto Dolores fica no segundo plano em uma película que não é uma das melhores a apresentar o tema de jovem cantor perdido, mas é uma tentativa válida e muito dramática. 

O filme foi lançado em 2 de julho de 1958, quando Elvis já estava no Exército e se tornou um dos maiores sucessos de bilheteria do Rei nos cinemas. 
Elvis se mostra sendo um ator simpático e capaz em certas ocasiões. Ele canta de modo melódico, suave e muito bom. - Crítica da Variety, 1958. 

ESTRELA DE FOGO (FLAMING STAR, 1960) 
Sua co-estrela foi a Barbara Eden, eternizada por seu papel em Jeannie é um Gênio (1965-1970)
Depois de estrelar em sua primeira comédia musical, o Saudades de Um Pracinha (G.I. Blues, 1960) logo após ser liberado do Exército em março de 1960, Elvis voltou para um papel mais sério, que ainda se apoiava na fórmula: música e dança. 

Estrela de Fogo (Flaming Star, 1960) foi mais um sucesso pessoal para Elvis, já que o seu papel havia sido primeiramente oferecido à Marlon Brando. Baseado no livro Flaming Lance de Clair Huffaker, a 20th Century Fox também queria Frank Sinatra para atuar ao lado de Brando e quando isso não se realizou, virou um veículo para Elvis e o ator Steve Forrest. 

O filme Estrela de Fogo (Flaming Star, 1960), um típico faroeste, foi dirigido por Don Siegel e conta a história de Pacer Burton, vivido por Elvis, filho de um rancheiro branco do Texas, o Sam (John McIntire) com uma índia chamada Neddy (Dolores Del Rio) que se envolve em um conflito perigoso entre os colonizadores e os nativos. Seu pai e seu meio-irmão Clint (Steve Forrest) ficam do lado dos brancos, enquanto Pacer escolhe o lado dos indígenas, mesmo apaixonado pela jovem Roslyn Pierce (Barbara Eden - pré Jeanie é um Gênio). 

Imagina atuar ao lado da Dolores Del Rio? Que honra! 
A gravação do filme aconteceu entre 16 de agosto a 25 de setembro de 1960, uma das filmagens mais rápidas do astro, e para arrematar Estrela de Fogo (Flaming Star, 1960) tinha apenas duas músicas cantada por Elvis: Flaming Star e A Cane And A High Starched Collar. Os fãs na época não ficaram nada felizes com isso e esse deve ter sido um dos motivos que os próximos filmes de Elvis tinham música - e muita! 

Estrela de Fogo (Flaming Star, 1960), para mim, é um dos melhores papeis de Elvis e que mostra todo o potencial dramático que ele tinha. Sem as músicas para apoiar em sua performance, Presley se mostra vulnerável, ativo e mais seguro com a sua própria atuação. Para se ter uma ideia, o The Los Angeles Tribal Council (Conselho Indígena nos Estados Unidos) aprovou tanto a performance do músico que ele recebeu um lugar na Comunidade, com o chefe Wha-Nee-Ota elogiando sua "retrato construtivo de um homem com sangue indígena", conforme o livro Elvis Presley: Silver Screen Icon de Steve Templeton.

O filme foi lançado em 22 de dezembro de 1960 e fez um moderado sucesso, mas não foi o estrondo que esperavam conseguir com um filme com Elvis Presley. Assim, em seu próximo filme Coração Rebelde (Wild In The Country, 1961) apareciam muito mais canções, enquanto o Coronel Parker e os estúdios se focavam no que achavam que seria o ponto forte de Elvis: em mais comédias românticas. 

Estrela de Fogo (Flaming Star, 1960) permanece, no entanto, uma joia preciosa na filmografia de Elvis. 

O papel demanda muito de Elvis, mas ele não consegue transmitir a sensitividade facial e a projeção que é tão desesperadamente necessária nesse filme. - Crítica da Variety, 1960.

CORAÇÃO REBELDE (WILD IN THE COUNTRY, 1961) 
Elvis canta ao todo seis músicas no filme
Originalmente Coração Rebelde (Wild In The Country, 1961) não seria um musical, mas como uma das maiores críticas ao seu filme anterior Estrela de Fogo (Flaming Star, 1960) foi justamente a falta de canções para as fãs, a 20th Century Fox fez questão de incluir o lado musical do astro do Rock. 

Baseado no livro The Lost Country de J.R Salamanca, Coração Rebelde (Wild In The Country, 1961), Elvis interpreta um futuro escritor, diferente do livro no qual ele seria um artista, chamado Glenn que está em condicional por bater em seu irmão valentão. Ele passa por acompanhamento psicológico com Irene Sperry (Hope Lange) e os dois acabam se apaixonando. Mas eles tem que enfrentar rumores infundados, a diferença de idade e a presença de Noreen (Tuesday Weld) e Betty Lee (Millie Perkins) que também são apaixonadas por Glenn. 

Gravado entre 9 de novembro de 1960 a 8 de janeiro de 1961, Coração Rebelde (Wild In The Country, 1961) foi dirigido por Philip Dunne e para se ter uma ideia, o produtor Jerry Wald sempre quis o Elvis no papel. Uma verdadeira honra! 

Hope Lange e Tuesday Weld - duas grandes atrizes ao lado do Rei.
Voltando as origens do Rei, apesar de Coração Rebelde (Wild in The Country, 1961) ser um papel dramático, Elvis canta seis canções: incluindo a música-tema, I Slipped, I Stumbled, I Fell, Lonely Man, In My Way, Husk Dusk Way e Forget Me Never. 

Mesmo se apoiando nas canções e na persona rock de Elvis, o filme terminaria de modo bem diferente: com o personagem do Rei se suicidando. Os fãs e a audiência-teste, no entanto, não suportaram ver esse final para um dos maiores cantores do mundo e a pressão foi tanta que o final de Coração Rebelde (Wild in The Country, 1961) foi rapidamente mudado para a estreia oficial. 

Um filme melodramático demais, Coração Rebelde (Wild In The Country, 1961) poderia ter sido m*uito melhor, explorando um lado mais sério de Elvis, já que o lado musical do cantor nesse filme não faz sentido: afinal, seu personagem quer ser um escritor, oras! 

Coração Rebelde (Wild In The Country, 1961) foi lançado em 8 de junho de 1961 e os críticos concordaram, não era nem de longe, o melhor trabalho de Elvis Presley.

Elvis que parecia estar evoluindo como ator em seu último filme, está pior do que nunca neste filme. (...) Elvis retrocedeu. Assim como o produtor Jerry Wald, o diretor Philip Dunne e o roteirista Clifford Odets. - crítica New York Times, 1961.

TALHADO PARA CAMPEÃO (KID GALAHAD, 1962)
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O filme é uma refilmagem de Talhado Para Campeão de 1937, estrelado por Bette Davis e Edward G. Robinson
Após dois filmes de comédia e leves, Feitiço Havaiano (Blue Hawaii, 1961) e Em Cada Sonho Um Amor (Follow That Dream, 1962), Elvis estava pronto para um papel mais substancioso e o que melhor do que a refilmagem de um filme que foi originalmente estrelado pelos grandes Bette Davis, Edward G. Robinson e Humphrey Bogart?

Em Talhado Para Campeão (Kid Galahad, 1937), dirigido por Phil Karson e baseado na história de Francis Wallace, Elvis interpreta o jovem Walter Gulick, um soldado recém-saído do Exército que tenta ganhar a vida de qualquer maneira. Ele acaba no ramo do boxe e chama atenção do promotor Willy (Gig Young) que acaba envolvido em uma situação bem desagradável com a máfia. Enquanto Walter cresce nas competições e se apaixona por Rose (Joan Blackman), irmã de Willy, o seu promotor precisa decidir se fica fiel ao seu cliente ou entrega sua luta à pedido da máfia.

O filme foi gravado entre 23 de outubro a 20 de dezembro de 1961 e Elvis teve aulas de boxe pelo campeão Mushy Galahan, que elogiou a velocidade e destreza do cantor.

Elvis e Joan tinham uma ótima química - os dois atuaram em Feitiço Havaiano (Blue Hawaii, 1961) juntos!
Como Talhado Para Campeão (Kid Galahad, 1962) é um drama musical, temos ao todo seis músicas no filme e que ficam um pouco fora de lugar, afinal o personagem de Elvis é um lutador de boxe. Portanto, cantar na película não faz sentido, embora seja um agrado para suas fãs.

Apesar do filme ter uma história sólida, com a participação do lendário ator Charles Bronson, que futuramente teria uma carreira de muito sucesso, Talhado Para Campeão (Kid Galahad, 1962) começa a mostrar o declínio de uma carreira dramática para Elvis nos cinemas e o começo das comédias de fórmula pronta que os fãs amam, mas que não ajudaram em nada para que o cantor fosse levado à sério em Hollywood. 

Talhado Para Campeão (Kid Galahad, 1962) estreou nos cinemas em 1 de agosto de 1962 e sua trilha sonora fez um ótimo sucesso, provando que a mina de ouro estava em filmes românticos e musicais para Elvis - e para o Coronel Parker, claro! 
Nós temos que concordar que o sr. Presley não é um boxeador convincente, mas de algum modo esse filme consegue se tornar um moderado e bom entretenimento. -crítica New York Times, 1963.

CARROSSEL DE EMOÇÕES (ROUSTABOUT, 1964) 
A famosa Barbara Stanwyck participa do filme.
Assim que o Coronel Parker e os produtores perceberam como era muito mais fácil lucrar com filmes do Elvis se os mesmos fossem musicais e tivessem uma trilha sonora posta à venda, separadamente, o astro do Rock participou de inúmeras comédias gostosas de assistir, mas sem profundidade. O sonho de se tornar um ator sério, para Elvis, estava cada vez mais longe de acontecer. 

Mesmo assim, ele teve inúmeras oportunidades de trabalhar com grandes astros do cinema Hollywoodiano, como foi o caso em Carrossel de Emoções (Roustabout, 1964), atuando ao lado da grande Barbara Stanwyck. 

Em Carrossel de Emoções (Roustabout, 1964), Elvis interpreta Charlie Rogers, um jovem que sonha em ser famoso, mas para conseguir sobreviver acaba aceitando um emprego no parque de diversões. Logo ele se afeiçoa pela família que comanda o espetáculo, encabeçada por Maggie Morgan (Barbara Stanwyck) e se apaixona pela doce Cathy (Joan Freeman) enquanto tem que lidar com a chegada de outro gerente inescrupuloso de um parque rival. 
Elvis com Barbara Stanwyck e Joan Freeman 
Carrossel das Emoções (Roustabout, 1964), dirigido por John Rich, começou a ser gravado entre 9 de março a 24 de abril de 1964 pela Paramount Studios e classificado como um drama musical, Elvis interpretou 11 músicas ao longo do filme, incluindo a canção-tema Roustabout. 

O filme foi o último grande sucesso de bilheteria de Elvis nos cinemas e isso tem uma razão: Carrossel de Emoções (Roustabout, 1964) tem uma história definida, apesar das músicas. As canções de Elvis estão ali para compor a atmosfera e o personagem e não aparecem aleatoriamente, sem contribuir em nada para o roteiro. Quando a trilha sonora era boa em seus filmes, tudo poderia ser justificado, mas esse modelo já estava ficando ultrapassado e nem o grande Rei poderia trazê-lo de volta. 

Carrossel de Emoções (Rostabout, 1964) foi lançado em 10 de novembro de 1964 , sendo o filme mais "sério" lançado pelo Rei naquele ano, mostrando que apesar da sequência de comédias românticas, Elvis era um grande ator que poderia fazer papeis mais sérios e melhores. 

Elvis foi perfeitamente escalado e foi surpreendentemente crível em seu papel. - crítica New York Times

CHARRO! (IDEM, 1969) 
O papel de Elvis foi idealizado para Clint Eastwood, um dos reis dos filmes de faroeste
No período de cinco anos, até estrelar em Charro! (idem, 1969), Elvis apenas se concentrou em fazer comédias e musicais, então apesar da película não ser uma de suas melhores, com certeza foi um brisa fresca na filmografia do Rei depois de tantos papéis superficiais (mesmo que divertidos!). 

Nessa época, Elvis estava tentando reanimar sua carreira e para tal tinha acabado de gravar o Elvis TV Special de 1968. Procurando se distanciar dos filmes "água com açúcar", o Rei queria dar um upgrade em sua carreira e decidiu que Charro! (idem, 1969), no qual ele não teria que cantar nenhuma música seria o ideal. 

Em Charro! (idem, 1969), Presley interpreta o justiceiro Jess Wade, que é acusado injustamente de ter roubado um canhão das Forças Revolucionárias Mexicanas. Disposto a a se vingar pelo ocorrido, ele parte em busca do chefe de sua antiga gangue que o incriminou.

Elvis com sua co-estrela, Ina Balin
Dirigido, produzido e roteirizado pelo aficionado por faroeste, Charles Marquin Warren, Charro! (idem, 1969) originalmente teria cenas mais violentas e incluiria uma sequência de nudez da personagem de Ina, saindo da banheira, que foi incluída nos extras do DVD. Todas as partes com teor sexual e de violências foram descartadas do filme, por medo do estúdio National General Pictures, de que os fãs desprezassem o filme.

Gravado entre 22 de julho a 30 de agosto de 1968, Elvis ficou desapontado com todas as mudanças de roteiro e ficou surpreso quando o filme conseguiu recuperar seu orçamento, mesmo não tendo feito um sucesso estrondoso. Isso porque, como Charro! (idem, 1969) não tinha nenhuma canção no filme todo, Presley esperava que ele conseguisse dar a volta por cima em sua carreira dramática - mas isso não aconteceu.

Charro! (idem, 1969) é um filme genérico de faroeste e está longe de ser a volta dramática e positiva de Elvis para atuações mais sérias, mas é um filme com suas virtudes e tem uma história crível, embora seja mal editada. Elvis, como sempre, foi' a melhor parte dele.

O filme estreou em 12 de março de 1969 nos cinemas.

Presley navega por um papel tedioso que teria enlouquecido a maioria dos atores...mas quem tem mais culpa do que Elvis, que geralmente responde bem à uma direção firme, é o Charles Marquis Warren que é creditado (ou culpado?) pelo roteiro, direção e boa parte da produção. - crítica Variety, 1969. 

ELE E AS TRÊS NOVIÇAS (CHANGE OF HABIT, 1969)
O último papel de Elvis nos cinemas - e um de seus mais impactantes 
O último filme de Elvis nos cinemas, Ele e as Três Noviças (Change of Habit, 1969) começou como um veículo para Mary Tyler Moore, que estava ansiosa em fazer a transição de estrela de TV para estrela de cinema e ter seu nome como destaque. 

O estúdio Universal, aproveitando-se do acordo feito por Elvis com a sua subsidiária NBC, no qual o cantor se comprometeu a gravar o especial de TV, o The Elvis TV Special, e um futuro filme, a Universal convenceu Elvis de que Ele e as Três Noviças (Change of Habit, 1969) seria o filme ideal para ele. Segundo a autobiografia de Mary Tyler Moore, After All, o estúdio afirmou para Presley que: "essa escolha abriria o caminho de reconhecimento para sua atuação em dramas." 

Em Ele e as Três Noviças (Change of Habit, 1969), Elvis interpreta o dr. John Carpenter, que trabalha em uma clínica de saúde gratuita em Nova York. Um dia, ele recebe a visita de três mulheres que se oferecem para ajudá-lo na clínica e a unir a comunidade. O que John não sabe é que Michelle (Mary Tyler Moore), Irene (Barbara McNair) e Barbara (Jane Elliott) são freiras e ao receber a ajuda delas, acaba se apaixonando por Michelle. 

Mary já deu a entender que ela foi a única co-estrela com quem Elvis não dormiu 
Dirigido por William Graham, que elogiou a atuação e profissionalismo de Elvis no filme, Ele e as Três Noviças (Change of Habit, 1969) foi gravado entre 12 de março a 2 de maio de 1969 e lidou com assuntos sérios como a pobreza, o autismo, a falta de acesso à bons profissionais e a pressão das gangues. 

Elvis estava mais velho e mais sábio durante a gravação de Ele e as Três Noviças (Change of Habit, 1969) e embora sua atuação seja um tanto contida, o astro brilha em seu papel e o carrega com seriedade e dignidade. Mary também está muito boa no papel e os dois tem uma química incrível. Infelizmente, mais uma vez, o papel mais sério de Elvis não gerou grandes críticas ou recepção de público e ele decidiu desistir da atuação para se focar em sua carreira musical. 

Ao total, Elvis canta quatro músicas no filme e até toca piano em uma deles, mostrando o quanto é versátil. 

Ele e as Três Noviças (Change of Habit, 1969) foi um dos primeiros filme que assisti do Elvis e me fez perceber que ele era mais do que apenas sua persona de bon vivant nas comédias românticas. Se o Rei tivesse se dedicado e recebido os papeis certos, ele poderia ter sido um grande astro consolidado do cinema também. Mas, de qualquer forma, é bom ter todos os seus 31 filmes para aproveitar, mesmo que muitos deles sejam aquém do esperado. 

O filme estreou em 10 de novembro de 1969 nos Estados Unidos e foi uma saída decente e merecedora de Elvis nos cinemas. 



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