Joan Crawford e suas visitas impactantes ao Brasil

Uma das maiores lendas de Hollywood, Joan Crawford desfrutou de inúmeros altos e baixos em sua carreira e vida pessoal: nasceu pobre, alcançou a fama, casou-se quatro vezes, foi considerada 'veneno de bilheteria' e renasceu inúmeras vezes, tendo um de seus maiores sucessos nos cinemas aos 54 anos de idade com O Que Aconteceu à Baby Jane (Whatever Happened to Baby Jane, 1962). 

Tamanha tenacidade foi o que permitiu que Joan continuasse trabalhando e tivesse seu lugar intacto como uma lenda da sétima arte. E foi como uma lenda que a atriz, parceira frequente de Clark Gable, foi recebida em suas diversas vindas ao Brasil. 

A primeira vez que Joan botou os pés em solo brasileiro foi em 11 de julho de 1960, ao lado de suas filhas adotivas Cathy e Cindy, viajando pelo transatlântico SS Brasil da Moore McCormack Lines. À bordo do mesmo cruzeiro, que havia partido de Nova York, estava a ex-atriz Leonora Amar, então esposa do ex-presidente do México, de acordo com o jornal O Jornal. 

Joan Crawford conversando com fãs em seu segundo dia no Rio de Janeiro                      A Manchete
A viagem de cruzeiro, com destino à Buenos Aires, foi noticiado pelo Jornal do Brasil, como um prêmio dado às filhas gêmeas pelas ótimas notas escolares - elas se formaram com louvor da oitava série - e um modo de "suavizar a dor" que a atriz ainda sentia pela morte do marido, Alfred Steele - que faleceu em 1959, de quem ela herdou um cargo na direção da fábrica Pepsi-Cola. 

Joan Crawford e suas duas filhas adotivas desembarcaram no píer de Mauá, na baia de Guanabara, no Rio de Janeiro, às 12h30 e logo estavam na companhia de Harry Stone, o embaixador do cinema americano no Brasil. Assim que ela desembarcou, antes de tomar um cafezinho na Touring Club, Joan fez o maior sucesso entre seus fãs e como sempre fez questão de atender o máximo de pessoas que era possível, ganhando a imprensa brasileira com seu carisma, charme e educação. 

Em entrevista informal com os jornalistas, antes de desembarcar no Rio de Janeiro com as filhas no salão Machado de Assis do S.S Brasil, Joan deu um show de simpatia e respondeu todas as perguntas com muita calma e simpatia.

Indagada, por exemplo, sobre as maiores emoções de sua vida, Joan afirmou:
Quando adotei meus filhos, dos quais Cathy e Cindy são gêmeas e quando me casei. E uma mulher que tem cinco lembranças dessa profundidade pode se considerar uma mulher rica de emoções. - em entrevista ao Correio da Manhã.
Joan na coletiva de imprensa dentro do navio S.S Brasil
Ainda em conversa com a imprensa ela afirmou que seu hobby era "cuidar dos filhos" e que era ela mesma que desenhava os modelos de seus vestidos:
Eu mesma desenho os meus modelos. Compro o tecido e os mando costurar em Nova York. E nem sempre sigo a moda: muito mais minha própria imaginação. Não gosto de coisas berrantes, muito destacadas, sexies, enfim. Não que eu seja pudica ou algo assim. Apenas sou pelo clássico. - Correio da Manhã
Durante a entrevista com os jornalistas, conta-se que Joan prestou bastante atenção às perguntas feitas, inclusive as em português, e atestou que conseguia entender várias palavras, de forma muito animada: "Creio que vem de tantos anos de convivência internacional". Indagada sobre quem era o seu parceiro favorito nas telonas, Joan não pestanejou: Clark Gable.
Sem dúvidas o Rei, Clark Gable, foi de quem eu gostei mais. Fiz com ele nove películas. Tem que se gostar de uma pessoa para chegar à esse número, não acham? 
Sobre o cinema, deixou claro: "Ainda não cansei do cinema. Trabalhei em inúmeros filmes e pretendo, até o próximo Natal, fazer mais três." 

Joan Crawford ao lado das filhas durante a coletiva de imprensa                             Jornal do Brasil
O assunto também partiu para outra mídia do momento: a televisão. Joan deixou claro que a TV tinha que ser recebida como a "nova baby da família" e que "devora artistas e escritores com a intensidade de sua programação, gastando produção de hora em hora". Crawford foi honesta, deixando claro que ela morria de medo, pelo menos naquela época, de aparecer nesse tipo de programação:
Eu de qualquer forma não nasci para a TV, tentei uma vez em Londres, durante uma hora e nunca me senti tão apavorada durante toda a minha vida. Suei frio, quebrei as unhas, enfiei-as nas palmas da minha mãe para poder me controlar. 
No mesmo bate-papo, transcrito com eloquência pelo Correio da Manhã, a atriz avisou aos repórteres que suas filhas não pretendiam seguir a mesma carreira que ela- claro que Joan não estava falando de Christina - e deu dicas valiosas para que as outras mulheres mantivessem a forma física: "nunca comer batata, pão, sobremesa" e não comer entre as refeições, prezando por "saladas, carne e ovos em quantidade". Atestou, também, que um de seus filmes favoritos que havia feito, além de Almas em Suplício (Mildred Pierce, 1946), era Sob o Signo do Sexo (The Best of Everything, 1959).

Joan Crawford ainda declinou dar suas opiniões sobre política, utilizando o velho ditado: "fala de política e perderás seus amigos. Fico de fora, pois." Por fim, prometeu trazer a Pepsi para o Brasil e deixou claro que voltaria ao Brasil em 22 de julho daquele mesmo ano, fazendo um pedido para que Harry Stone lhe desse alguns filmes brasileiros para assistir durante o cruzeiro, pois assim ela poderia opinar com propriedade sobre os filmes brasileiros.

Joan em seu embarque em Nova York e em sua chegada ao Brasil tomando um cafezinho



















Logo após terminar a coletiva e tomar seu cafezinho, Joan começou seu passeio pela Cidade Maravilhosa, ao lado de suas gêmeas, fazendo compras de jóias e roupas. O Diário da Noite afirma que Joan, durante suas compras, "falou com meio mundo, posou centenas de vezes para os fotógrafos e não se preocupou com os preços".

Em ótima companhia durante sua breve estadia de 24 horas no Brasil, Joan almoçou naquela mesma tarde na pérgula do hotel Copacabana em companhia das sras. Marise Graça Couto, Candinha Silveira , Marilu Moreira e Lúcia Stone. Depois, continuou a fazer ainda mais compras ao lado de suas pequenas passando pela badalada Rua do Ouvidor e pela Avenida Presidente Vargas. Louca por tecidos, ela perambulou pela Av. Rio Branco e entrou na loja Santa Branca para comprar as chamadas "fazendas" de estampado Bangu. 
Joan Crawford e suas filhas durante as compras do Rio de Janeiro - avassalador!
À noite, Joan Crawford colocou um de seus vestidos da moda e partiu para um jantar em sua homenagem no badalado Au Bon Gourmet. Tudo foi organizado por Harry Stone, que como se sabe era muito próximo das estrelas de Hollywood.

De acordo com o jornal Diário Carioca, Joan dançou bastante com Jorginho Guinlé - que segundo matéria do jornal Washington Post a proibiu de se hospedar brevemente no Hotel Copacabana Palace, do qual era dono, pois ela queria acomodar lá seus dois cachorros com ela - e arrasou na pista de dança. Harry Stone fez questão de que na mesa da atriz tivesse a tão famosa Pepsi-Cola e garantiu aos jornais que Joan ficou impressionada com o serviço de primeira qualidade do Au Bon Gourmet:
A Crawford ficou muito bem impressionada com sua gentileza, sua casa e a agradável convivência da reunião.  
Joan Crawford no Au Bon Gourmet                                              Diário da Noite
Mais tarde naquela noite, ela e suas filhas se recolheram para seus aposentos no navio e no dia seguinte, dia 12 de julho, estavam à todo o vapor pelo Rio de Janeiro.

No dia em questão, Joan saiu do navio às 12h trajando um conjunto estampado desenhado por ela mesma e à convite de Candida Silveira foi almoçar com ela e outras mulheres da alta sociedade no restaurante Bife de Ouro. A diva de Hollywood chegou às 13h no restaurante em Copacabana, ao lado de suas queridas filhas, onde foi prontamente servida com um coquetel. Uma hora depois, finalmente, o almoço completo.

De Candida Silveira, neste mesmo almoço, Joan recebeu uma coleção completa de estampados da fábrica dos Irmãos Guilherme de Silveira.

Joan Crawford no almoço, na rua e ao lado das senhoras da sociedade                                Manchete
Às 15h, prontamente, Joan e seus filhas voltaram ao navio S.S Brasil onde partiriam às 18h para Buenos Aires, não antes sem dar uma atracada no porto de Santos, onde concederam, de forma polida, uma entrevista coletiva aos jornalistas paulistanos, no dia 13 de julho às 12h30, após uma espera de mais de cinco horas.

A única novidade, em relação as entrevistas no Rio de Janeiro, é que Joan confessou, via Diário da Noite, que quase gravou um filme no Brasil interpretando Joan Lowell, ex-atriz de Hollywood que veio ao Brasil há 25 anos e em companhia de um comandante, morou nas selvas de São Patrício em Goiás. O filme, no entanto, nunca foi feito - uma pena já que Joan contracenaria com Ruth de Souza e o filme seria intitulado Terra Prometida (Promised Land), para lançamento em 1953. A película nunca se concretizou - para saber mais veja a matéria do La Dolce Vita.

Foi-se embora para Buenos Aires poucas horas depois.
Na entrevista em São Paulo, no dia 13 de julho, afirmou que não gostava de "teatro e nem da TV"
Crawford cumpriu sua promessa com os brasileiros e no dia 21 de julho de 1960 retornou ao Brasil, mais especificamente em São Paulo, para se encontrar com o governador Carvalho Pinto no Palácio dos Campos Elísios.

Em sua chegada no porto de Santos, ainda à bordo do S.S Brasil, Joan estava acompanhada de Mário Saladini, chefe de Turismo, e foi almoçar na casa do sr. Llerena, diretor da Moore McComarck. Após o almoço, segundo o Tribuna da Imprensa, a atriz passou pelo centro da cidade comprando tangerinas, ameixas e laranjas - e o comerciante ficou tão feliz que dispensou pagamento. Passou também em uma confeitaria, comprando queijos e ganhando de presente um pão-bisnaga.

Logo ela estava no Palácio dos Campos Elísios, no qual se encontrou com o governador em uma reunião de portas fechadas e deu poucas falas aos jornalistas, afirmando ter amado o Brasil e que "não falaria de sua vida pessoal". Às 17h30 voltou para Santos e no dia seguinte, dia 22 de julho, atracava mais uma vez no Rio de Janeiro para uma visita breve de poucas horas.

Joan com o governador de São Paulo em 21 de julho                                   Correio da Manhã
Joan chegou ao Rio de Janeiro às 10h do dia 22 de julho de 1960 e já tinha um destino certo: às 12h se reuniria com o governador Sette Câmara no Palácio Guanabara. Antes ela prestigiou Copacabana e reclamou do trânsito da região: "muito complicado". Ficou por quase uma hora no Palácio, onde atendeu também a imprensa, e Ibrahim Sued, famoso jornalista, relembrou em sua autobiografia um momento constrangedor dessa coletiva:
Durante a recente visita de Joan Crawford — estrela de filmes como Folhas Mortas e Johnny Guitar — ao Governador Sette Câmara, no Palácio Guanabara, ocorreu um fato sem dúvida constrangedor. Interrompendo a entrevista, surgiu um senhor com um desenho de Joan nos seus áureos tempos e pediu à veterana atriz que o autografasse. Joan, curiosa, perguntou ao seu fã de cabelos grisalhos: 'Quando foi que você desenhou este meu retrato?' Seu ardoso fã, sem pensar nos muitos anos que já tinham percorrido, respondeu: 'Quando eu era um guri, tinha 14 anos'. Fez-se um silêncio geral e incômodo, misto de nostalgia e melancolia. - retirado do livro 20 anos de Caviar 
Passado esse momento pra lá de constrangedor, Joan resolveu passear pelos jardins do palácio por aproximadamente 15 minutos, segundo o Diário da Noite, e depois saltou para o carro de Mário Saldini, partindo para a Floresta da Tijuca. Nesse ínterim, parou duas vezes: para colher uma flor e depois para lavar a mão numa fonte.

Joan lendo sobre si na revista Brasileira e na praia de Copacabana: deu 500 dólares ao artista do palácio de areia
Joan foi almoçar no restaurante Esquilo, local badalado no Rio de Janeiro, onde foi apresentada ao ex-deputado Paulo Nogueira, representantes do Estados e as senhoras da sociedade: Lucy Bloch, Rosaly Dines e Marilena Alves, batendo altos papos com Rosaly.
O Rio é uma obra de Deus - Joan Crawford para o Diário da Noite. 
Enquanto suas filhas eram homenageadas pelo Country Club, ela se divertia no restaurante, afirmando até que não veio ao Brasil no Carnaval porque "não gostava de se despir em público". Foi para seus aposentos no S.S Brasil às 16h, oferecendo um coquetel para os presentes no restaurante - Joan consumia muito champagne e vodka russa - e às 18h daquele mesmo dia disse adeus ao Rio de Janeiro, partindo rumo à Nova York.

Prometeu que voltaria em 1961 ou 1962 e cumpriu a promessa: fez uma breve passagem em 1961, no dia 10 de dezembro, quando o seu avião que partira de Buenos Aires, onde ela inaugurava a mais nova filial da fábrica Pepsi Cola, fez uma escala no Rio de Janeiro pelo Aeroporto do Galeão.

Joan em 1961
Joan ficou no Rio por poucas horas e garantiu que voltaria em breve, para uma estadia mais longa. Mais uma vez a atriz provou ser uma mulher de palavra: retornou em 1967.

1967

Joan Crawford em sua chegada no aeroporto do Galeão em 28 de novembro de 1967 
Temos que agradecer à santa Pepsi por trazer a diva do cinema para o Brasil tantas vezes! Joan retornou ao Brasil abalando com um vestidinho preto e um colar deslumbrante. À bordo do avião Pan American, a atriz desembarcou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, no dia 27 de novembro de 1967. Ela veio ao país para inaugurar a mais nova fábrica da Pepsi-Cola no Brasil, em Inhaúma, acompanhada de outros seis gerentes da marca.

De acordo com Jornal do Brasil, em sua chegada, Joan enfrentou uma grande falta de cortesia e um calor abafado, tanto que estava suando quase toda sua maquiagem e se recusou a tirar o chapéu pois seu "cabelo estava horrível". No entanto, ela foi recebida com um buquê de flores pelo sr. Robert M. Geddes, diretor da Pepsi do Brasil, e pelos seus fãs que a aplaudiram.

A atriz esperou 10 minutos até que levassem um guarda-chuva para que ela pudesse transitar pelo aeroporto - estava muito cansada. Dali foi levada para uma sala de descanso e reclamou que não havia nenhum ar-condicionado. Conta-se que ficou super feliz ao ver um ventilador na sala, mas o mesmo estava desligado. Joan, então, ordenou que fosse ligado e teve seu pedido atendido, tendo assim um pouco de alívio.

Foi ali mesmo que ela deu uma breve entrevista, esperando seu copo de água que nunca chegava, e afirmou:
Vocês me desculpem mas eu estou viajando há 26 horas. Se for possível, gostaria que os amigos cinegrafistas tirassem essas câmeras de cima de mim. Com esse calor todo não vou aguentar muito tempo. 
Joan irritada com a demora do aeroporto do Galeão
Ainda em bate-papo com a imprensa, Joan contou que marcou uma coletiva formal no dia 1 de dezembro no Copacabana Palace, onde ela ficaria hospedada, e que por enquanto ainda estava muito fatigada para conversar com todos. Afirmou, também, que fez inúmeras escalas e parou até em Brasília.
Como mulher de negócios já viajei 130 milhas. Por isso minha saúde tem que ser de ferro. Oitenta filmes, um Oscar, quatro filhos adotivos, e uma filosofia de vida espartana  são algumas de minhas características. E ainda trabalho na TV. Sou personagem do Bob Hope Show e ainda encontro tempo para participar intensamente das reuniões do mundo industrial. 
O jornal noticiou que Joan trouxe com ela um total de 36 malas, com vestidos e chapéus para todas as ocasiões. Logo após a pequena coletiva, Joan partiu direto para o Copacabana Palace, onde ficou na suíte A do 6º andar. Repousou o dia todo do dia 27, inclusive comendo suas refeições nos seus aposentos. Ademais, segundo O Jornal, muitas pessoas foram ao hotel para tentar ver a atriz, mas ela não recebeu nenhuma visita. A mesma rotina aconteceu no dia seguinte, dia 28, devido ao tempo ruim e Joan apenas saiu à noite, para jantar com amigos na Barra da Tijuca.

No dia 29, a mesma rotina, recebendo somente a visita de Danny Kaye, um velho amigo que fingiu ser jornalista para espezinhar a empresária. No dia 30 de novembro de 1967, Joan finalmente saiu da rotina do Copacabana Palace, e dos cardápios de peixe e batatas, para almoçar às 13h, com o chanceler Magalhães Pinto no Itamarati.

Joan no almoço no Itamarati ao lado de Magalhães e Mauri Valente, embaixador
O almoço de 36 talheres, no qual foi servido ovos á moscovita e pavê Vogue, foi um verdadeiro deleite para a magnata dos refrigerantes. Joan, vestindo um conjunto rosa-choque, abusou da água com gelo e depois tomou um pouco de vinho, apenas.

Terminado o almoço, Joan se dirigiu a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, local onde recebeu o título de 'Cidadã Carioca', por ter "aberto novas frentes de trabalho no Estado com a instalação em sua fábrica de refrigerante". Para recebê-la, segundo o Jornal do Brasil, os deputados Ivete Vargas, Gama Lima, Caio Mendonça, Rossini Lopes, Mac Dowell da Costa, Roberto Gonçalves e Raul Estrada.

Ao ser iniciada a solenidade da entrega do diploma, os garçons levaram água mineral, mas Crawford exigiu Pepsi-Cola para o momento e tomou o refrigerante pelo gargalo, ao som de palmas dos presentes. Após esse espetáculo, foi a vez do deputado Caio Mendonça falar, já que foi ideia dele de transformar Joan em uma cidadã carioca, e foi só elogios para a atriz que estava "contribuindo para o fortalecimento da nossa economia".

Emocionada com o carinho, beijando até Amaral Peixoto, Joan brincou:
Finalmente estou formada e já tenho diploma. 
Joan recebendo alegremente seu diploma de Cidadã Carioca
O deputado do MDB, Frederico Trota falou em nome dos trabalhadores para que Joan "promovesse a compreensão de classes em sua indústria". A atriz apaziguou o comentário, afirmando: "Pode ficar tranquilo, pois a Pepsi-Cola trabalha em todo o mundo com os sindicatos e o sr. verá como é fácil se entender conosco." 
O meu interesse apaixonante pelo Rio é crescente e constante. Desta vez venho a convite de Itamaca a entregar a este grande povo uma das mais modernas fábricas de refrigerantes, como é a Pepsi-Cola, associada ao poderoso grupo venezuelano de Diego Cisneros. Este empreendimento representa verdadeira dinamização do trabalho, da indústria paralela, das capitais que se interligam para engrandecer a cidade, a população e o Estado de Guanabara. 
Encerrada a cerimônia, a magnata da Pepsi-Cola estava descendo a escadaria da Assembleia quando se deparou com a exposição do pintor Ricardo Navarro Poves, recentemente falecido. Joan não sabia do fato e quando lhe comunicaram sobre a morte do artista "ficou comovida" e teve a surpresa de se encontrar com a mãe de Ricardo, uma senhora de 80 anos de idade, a quem ela abraçou e trocou algumas palavras de afeto. Joan havia sido pintada por Ricardo, alguns anos antes, na Riviera Francesa. 

No dia seguinte, 1 de dezembro às 11h, Joan cumpriu o combinado e fez presença na coletiva de imprensa no Copacabana Palace. 

Como uma ótima marketeira - tomando Pepsi na coletiva de imprensa 
Com um vestido rosa de poás, Joan sabia fazer propaganda como ninguém e estava sempre com uma Pepsi na mão. A maioria dos assuntos que ela respondia eram sobre o refrigerante, afinal como a maior acionista da empresa, ela tinha mesmo que cuidar de seu produto. Entre falas mais particulares, contou que "amava ficar sozinha" e que se sentia "chateada" quando encontrava alguém que não sentia o mesmo. Deu aos jornalistas os seguintes números: 84 filmes e 4 maridos e avisou:
Cuidado para não confundirem esses números, rapazes, senão os cariocas vão fazer mau juízo de mim. - Joan para O Diário de Notícias
Tratou logo de falar sobre o cinema, afirmando que preferia o mistério do cinema antigo do que os novos: 
Antigamente, antes da guerra, as artistas eram tratadas como deusas porque os próprios donos da indústria se encarregavam de fazer os mitos. Naquele tempo, a vida dos artistas era particularíssima e havia um certo cerco sob os aspectos da vida de uma atriz. Agora, todo mundo sabe de tudo e há os que vencem e criam grande fama porque trazem à público os escândalos. 
 Indagada, no final da entrevista, sobre os hippies, Joan deu uma resposta típica dela:
O mundo pode perfeitamente passar sem eles. 
Joan na coletiva ao lado de Fernando Miebili de Carvalho, dos refrigerantes Itamaca
À noite, Joan ofereceu um coquetel para vários convidados no Iate Clube, no Rio de Janeiro, com um show exclusivo dado pela grande Elis Regina - ela estava prestes à se casar com Ronaldo Boscóli no dia 7 de dezembro. 

Conta-se pelo Diário de Notícias que Joan ficou maravilhada com a performance de Elis e foi até o palco abraçar e beijar a cantora. Fez o mesmo com o futuro marido da estrela. Elis ficou encantada com a simpatia de Joan e afirmou:
Esta mulher é formidável, uma simpatia, fabulosa mesmo... e vocês notaram como seu rosto lembra o da Maísa? 
Foi nesta viagem, aliás, que Joan Crawford conheceu Zuzu Angel, uma das estilistas mais requisitadas do Brasil. As duas formaram uma grande amizade segundo o Jornal do Brasil, quando Joan requisitou os modelitos da estilista para sua viagem ao Rio de Janeiro. Em entrevista para o jornal O Globo, a filha de Zuzu conta, na verdade, que a iniciativa veio da sua própria mãe: "Então, ela munida dessas credenciais, procurou-a, foi muito bem recebida. Joan Crawford foi ver a roupa da mamãe, gostou muito e encomendou um vestido lindo que a mamãe fez para ela em tempo recordíssimo."

Conta-se que o modelito que Joan usou no Iate Club foi desenhado por Zuzu Angel, que estava na suíte do Copacabana fazendo os ajustes no corpo da estrela. E mais: a atriz se atrasou mais de uma hora para chegar na festança, pois fez questão de esperar pela filha de Zuzu, Ana Cristina, já que ambas eram suas convidadas de honra no coquetel.

Joan no Iate Club                                             Correio da Manhã
A atriz e empresária se retirou da festa cedo, brincando que com a inauguração da nova filial da Pepsi Cola no dia seguinte, ela tinha: "que engarrafar muita Pepsi e depois pintar toda a fábrica". Finalmente, todo o trabalho da atriz, que era a única diretora mulher entre os 19 dirigentes, estava dando inúmeros frutos e a mais nova filial do refrigerante tornaria-se realidade. 

Joan Crawford inaugurando a fábrica da Pepsi Cola ao lado do governador Negrão de Lima
Segundo o jornal Diário de Notícias, que noticiou de forma extensa sobre a vinda de Crawford ao país, o governador Negrão de Lima chegou para a cerimônia, no dia 2 de dezembro, em seu helicóptero, às 11h, em Inhaúma - local da fábrica. Já a atriz e agora mulher de negócios, chegou às 11h30, vestindo um "vestido amarelo queimado e um chapéu de cowboy".

Joan cortou a fita simbólica da fábrica ao lado de Negrão ao som de Cidade Maravilhosa e logo a cerimônia de inauguração começou com a missa de do vigário-geral e bispo auxiliar, dom José de Castro Pinto. Na missa solene estavam presentes os 18 acionistas venezuelanos da empresa e outros cem convidados, incluindo os membros da diretoria da Pepsi-Cola, além de fãs. Após a missa, Negrão fez um discurso enaltecendo a inauguração da mais moderna fábrica de refrigerantes do Brasil e sobre Joan, atestou:
Às honras da grande estrela do mundo do cinema e grande estrela do mundo econômico. 
O sr. Robert Geddes, presidente da Pepsi-Cola no Brasil também informou na ocasião que agora o Brasil tinha 20 fábricas do refrigerante, de Manaus a Porto Alegre, e que esperavam uma demanda de mais de 27 mil garrafas por hora. O que tornava essa fábrica inaugurada por Joan tão especial? Os refrigerantes já seriam preparados com uma pré-mistura (de xarope e água superfiltrada) e um processo de imunização das garrafas que reduziriam o risco de contaminação para zero. 

Joan na cerimônia da Pepsi (as fotos à direita são do site Joan Crawford The Best)
À noite, naquele mesmo dia, Joan ofereceu um jantar no Country Club à todos os seus amigos empresários e o evento foi exclusivo. Não encontrei fotos do fatídico jantar, mas conta-se em uma coluna social que teve a presença do cantor Jair Rodrigues - cantor do hit Deixa isso pra lá. O badalado evento aconteceu às 20h com a presença do presidente da Pepsi no Brasil. 

Recarregando as energias em seu quarto no Hotel Copacabana, Joan estava firme e forte no dia 3 de dezembro, um domingo, no qual ela viu, à tarde, o desfile da escola de samba do Portela, O Rancho Tomara que Chova e o Bloco do Frevo dos Lenhadores que acontecia na Avenida Atlântica até a Rua Santa Clara. A atriz viu tudo da sacada do hotel, animada com a amostra do Carnaval Carioca. 

No dia 4, seu último dia no Rio de Janeiro, Joan patrocinou a festa Noite Alucinante no Carnaby Street, no Golden Room do Copacabana Palace, com direito à show da dupla Miele-Bôscoli (este último iria se casar com Elis Regina e organizou os três shows de Joan no país), desfile da Biba de Londres e música psicodélica de Luiz Carlos Vinhas, em benefício da Ação Comunitária do Brasil. 

Joan no Golden Room em sua última noite no Rio de Janeiro, entre o embaixador dos EUA, John Tuthill e sr. Cecil Poland
No Golden Room, Joan viu de perto um desfile com as novas modas psicodélicas e se reuniu com inúmeras estrelas brasileiras, cumprimentando até Elis Regina que havia cantado para ela alguns dias atrás.

Joan cumprimentando Elis e Ronaldo - foto retirada do facebook Elis Regina Pimentinha
Joan partiu para os Estados Unidos no dia 5 de dezembro de 1967 - levando vários modelitos de Zuzu Angel para usar no seu país. A atriz partiu pelo aeroporto do Galeão à 1h40 da madrugada e afirmou que levava apenas coisas boas do Rio de Janeiro:
Quando ouço a palavra Brasil penso imediatamente em música, beleza, sol e flores, pois recordo todos os instantes de meu programa no Rio vendo mulheres saudáveis, lindas, modernas e elegantes. - Via Jornal do Brasil
Mas se a Joan Crawford ficou longe do Brasil por um tempo, o país logo se encarregou de se aproximar dela mais uma vez: foi a atriz quem fez uma grande propaganda dos designs de Zuzu Angel nos EUA e logo a estilista foi convidada para mostrar seus modelitos em Nova York. E onde Angel ficou? No apartamento de Joan, com motoristas, chefes e até telefone à disposição. Zuzu foi só elogios para a lenda do cinema: 
Aceitei o convite e fiquei hospedada em sua casa. Aliás, ela foi muito gentil. Ofereceu-me um coquetel e me apresentou à uma série de pessoas interessantes. - julho de 1968, Zuzu para O Jornal
Joan Crawford e Zuzu Angel em Nova York, 1968                                            Manchete
1970

Você achava que Joan já teve o bastante do Brasil? Pois a atriz e empresária queria mais! Portanto ela fez questão de voltar ao nosso país em 1970! Ainda como diretora da Pepsi-Cola, ela retornou ao nosso país para fins recreativos - curtir uma amostra do Carnaval - e para inaugurar outra fábrica no país, desta vez em Santo Amaro, São Paulo.

Joan chegou em São Paulo no dia 19 de janeiro de 1970 pelo aeroporto de Viracopos, às 8h50, no mesmo voo de Alberto Sodi, com um vestido de seda preta e chapéu texano vermelho. Segundo Jornal do Brasil, ela tentava esconder os esparadrapos que tinha no rosto - assim não sendo fotografado seu desembarque - e vinha acompanhada da sua governanta, a Mamacita. Logo ela embarcou no carro de marca Galaxié, com ar-condicionado (finalmente!), que a conduziu para o chique Othon Palace Hotel, cuja suíte tinha sido totalmente remodelada para recebê-la. 

Com um total de 20 malas, Joan era esperada por mais de 60 pessoas, entre elas, o secretário de Turismo de São Paulo, Amadeu Pappa, e os diretores e gerentes da Pepsi-Cola no Brasil. A comitiva da atriz era composta por mais de 20 pessoas, que ocuparam o Othon Palace e o Hotel Jaguará, dando uma despesa à Pepsi de 10 mil cruzeiros por dia. Para se ter uma ideia, apenas a diária da suíte de Joan era de 700 mil cruzeiros. Naquele dia ficou no hotel o dia inteiro em reuniões, com a companhia apenas de Mamacita.

No dia 21 de janeiro, às 10h, Joan atendeu a imprensa brasileira em uma coletiva de imprensa no Othon Palace Hotel. 

Joan Crawford em entrevista coletiva para a imprensa - sempre com uma Pepsi na mão
De acordo com o jornal Diário da Noite, Joan começou a coletiva já pedindo por uma Pepsi-Cola e só sossegou quando a recebeu. No meio da entrevista fez questão de saudar seus parentes brasileiros que estavam ali presentes, sete entre primos e sobrinhos alojados em Jundiaí, afirmando: "são tantos que poderiam encher esta sala aqui". Deles, ela recebeu um buquê de flores. Naquele mesmo dia, jantou com sua prima-irmã Yvonne Le Sueur de Moraes, o marido José Carlos Le Sueur de Moraes e uma comitiva composta também pelo amigo dos Moraes, Renato Nalini.

Contudo estamos nos adiantando: ainda na coletiva pediu desculpas pelo desencontro com os jornalistas no aeroporto de Viracopos e afirmou que havia mandado um telegrama, avisando que estava cansada e queria um descanso. Falando sobre a nova onda de sexo e violências nas telonas, Crawford era veemente contra e deu sua opinião sobre o assunto: 
Não sou esnobe ou moralista, mas o sexo na relação de um homem e uma mulher é a coisa mais linda que existe. Agora na frente das câmeras é algo que me choca - Jornal do Brasil.
A atriz também deu a seguinte dicas para os homens em um relacionamento: "conversar sempre à luz de velas" e deixou claro que apesar de querer se casar de novo, estava trabalhando muito duro, sem tempo para o amor por enquanto. Joan exibiu seu lado solidário, oferecendo-se para abrir no Brasil uma campanha para crianças com deficiências mentais, destacando que era presidente do Serviço das Forças Armadas dos Estados Unidos e participava do projeto Hope, além de ajudar em causas de distrofia muscular e mental. 
Adotei cinco filhos, mas perdi um menino [o primeiro Christopher foi devolvido à pedido da mãe biológica]. Restam-me três garotas e um rapaz, duas das meninas são gêmeas. Minha filha mais velha, Christina, é uma excelente atriz de teatro e faz também novelas de televisão. Uma vez, eu fui substitui-la, perguntei ao diretor o que deveria fazer. 'Faça o papel de sua filha', ele disse. Christopher, o rapaz, acaba de cumprir seu serviço militar no Vietnã. -Diário da Noite, SP. 
Joan na coletiva de imprensa
Após ficar mais de 90 minutos conversando com os jornalistas, Joan foi para o Ibirapuera, às 16h, se encontrar com o prefeito Paulo Maluf para receber a chave da cidade de São Paulo em uma cerimônia solene. Ganhou, também, de presente, um livro com fotos dos pontos turísticos e feitos do Brasil, no qual constava uma foto de Pelé. Perguntaram-lhe se ela sabia quem ele era e como Joan não sabia, lhe explicaram. Apenas afirmou: "Fantástico!". 

No dia seguinte, 22, foi homenageada com um banquete dado pelo governador Abreu Sodré no Palácio dos Bandeirantes. Durante a visita, afirmou que via o Brasil como um dos países mais adiantados do mundo dali 20 anos e deixou claro: "o que não impede ao seu povo de ser bastante acolhedor".

Joan Crawford ao lado do governador Abreu Sodré                                  Diário da Noite
Já na sexta-feira, dia 23, inaugurou, finalmente sua fábrica da Pepsi-Cola em Santo Amaro, São Paulo. Localizada na Avenida Interlagos, a cerimônia ocorreu ao meio-dia, com a presença do governador Abreu Sodré, o prefeito Paulo Salim Maluf e o Cardeal Arcebispo D. Agnelo Rossi, que presidiou uma missa antes da abertura da mais nova filial. Desta vez, Joan não fez nenhum pronunciamento. 

Nesse ínterim de compromissos, Joan ainda foi entrevistada pela grande Hebe Camargo, que conduzia um programa de entrevistas na Rede Record. Posteriormente, Crawford afirmou que Hebe era uma "loira charmosa" e que havia achado a entrevista maravilhosa. Já a loira disparou: "Joan é a minha ídola". Infelizmente não há nenhuma foto disponível desse encontro. 

Entre essa rápida visita Joan ainda encontrou tempo de ver  a amiga Zuzu Angel, com quem ela havia encomendado 12 vestidos para levar aos EUA. Um ano depois, a estilista sofreria uma das maiores perdas de sua vida: o desaparecimento de seu filho Stuart - posteriormente foi descoberto que ele havia sido torturado e morto pela ditadura militar. Joan se compadeceu pela amiga e elas sempre mantiveram contato  por cartas ao longo dos anos. 

Crawford jogando confete do camarote do Baile de Carnaval                                       Manchete
À noite, no dia 23, às 23h Crawford apareceu com uma entourage de 12 pessoas no Baile do Teatro Municipal de São Paulo. Tanto a atriz quanto Alberto Sodi estavam no local, mas Crawford ficou menos de meia hora no local. Deu o que falar com um vestido rosa choque e verde - muitos jornais da época a chamavam de cafona.

A atriz havia exigido ar-condicionado em seu camarote, porém não foi possível atender seu pedido. Joan também se chocou com uma "loira exibicionista" na festa de Carnaval e ela apenas se divertiu jogando confete e dançando um pouco, sem se misturar com a multidão. 

Joan iria embora de São Paulo no dia 24, em um voo no horário da tarde, mas adiou sua partida ao saber que ganharia o troféu Cecil B. Demille, que lhe seria entregue no próximo dia 2 de fevereiro. A honra era grande já que a atriz seria a primeira mulher a receber o prêmio.

Joan Crawford em 1967 com Bibi Ferreira e em 1970 no Carnaval de SP.        Joan Crawford The Best
Na verdade, como conta o jornal O Pasquim - se é que podemos levar à sério -, Joan teria passado mal na véspera do embarque ao comer algumas fortes comidas típicas brasileiras. Assim, se tornou impossível que ela embarcasse, afinal não queria passar mal na frente de todos, e apenas foi para os Estados Unidos quando se recuperou da forte disenteria intestinal. 

Afirma-se que Joan gastou mais de 700 dólares por dia em sua última estadia no Brasil, dando gorjetas generosas, e as camareiras do hotel juravam de pé junto que Joan não usou nem um quarto das roupas em suas vinte malas! 

Joan recebendo seu tão sonhado prêmio 
No final de sua estadia no Brasil, jornais noticiaram que Joan havia confidenciado à um amigo que planejava voltar para o país novamente, desta vez para realmente curtir o clima de São Paulo e do Rio de Janeiro. Infelizmente isso nunca aconteceu. 

Mas em sua autobiografia My Way of Life, Joan fez questão de falar sobre o nosso país, especificamente sua última visita em São Paulo, daquele jeito Crawford de ser, atestando: 
Eu aprendo a dizer algo carinhoso em cada país. No Brasil, aprendi uma palavra que significa 'eu te abraço' [provavelmente 'carinho']. Aprender pelo menos uma frase na língua do país que te recebe é o jeito mais fácil de fazer amigos. Geralmente me oferecem algum presente como lembrança, mas tive que recusar a proposta de meus amigos no Brasil: queriam me dar um gato-selvagem para levar para casa. As boas-vindas em São Paulo foram um pouco demais: Tinham milhares de pessoas nas ruas pressionando o carro Impala (um dos mais largos do país) até que começou a balançar. Foi assustador -embora tivesse sido muito lisonjeador e excitante. 
As vindas de Joan Crawford ao Brasil, no entanto, foram um espetáculo - assim como a própria atriz. E nós, seus fãs, temos apenas que agradecer.


*Obs: gostaria de apontar, também, como fonte os sites Cinema Clássico, Lady Hollywood e a página de Joan Crawford BR no Facebook que me ajudaram muito a complementar a narrativa da vinda dessa estrela ao Brasil. Muito obrigada! 


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