A morte da Mulher Vespa, Susan Cabot, pelo seu filho Timothy Scott Roman

É muito provável que você não conheça Susan Cabot. Isso porque, apesar de ser uma atriz que tinha um contrato fixo com a Universal Studios, ela ficou renegada em sua maioria à filmes de categoria B e nunca atingiu o estrelato que sempre sonhou. Ela é mais famosa por seu papel como a Mulher Vespa em Mulher Vespa (Wasp Woman, 1959) e por Guerra dos Satélites (War of the Satellites, 1958) e por ter sido assassinada pelo seu próprio filho, Timothy Scott Roman.  

Mas calma, estamos nos precipitando: antes de sonhar com a fama, Susan Cabot era apenas uma garotinha chamada Harriet Pearl Shapiro, nascida em 9 de julho de 1927 em Boston, nos Estados Unidos. O seu pai, segundo o livro Hollywood's Hard-Luck Ladies: 23 Actresses Who Suffered Early Deaths ... Por Laura Wagner, abandonou Harriet e sua mãe Muriel quando ela ainda era uma bebê. A mãe logo após seu nascimento foi internada em um hospício por problemas mentais.

Pior ainda: nenhum parente de sua mãe queria ficar com Harriet e ela foi colocada em lares adotivos. Em um deles, segundo pesquisa no Family Search, ela convivia com uma família de sobrenome Siskind em Boston, aos 12 anos de idade.

Muito possivelmente, de acordo com seu psiquiatra Carl Faber, a futura atriz sofreu abusos físicos e sexuais nos inúmeros lares adotivos nos quais ela foi realocada - mais de 14 no total. Mesmo assim, quando criança Harriet encontrou apoio em sua escola em Manhattan, onde ela se interessou por artes dramáticas e até se inscreveu no grupo de teatro. Foi ali que ela sabia que queria pertencer ao mundo das artes.  

Susan Cabot, uma estrela maravilhosa que nunca alcançou a fama total
Uma ótima artista - Harriet desenhava como ninguém - ela investia em ilustrar livros de criança durante o dia e cantar no Manhattan Village Barn à noite enquanto decidia que carreira seguiria. Em 1944, com apenas 18 anos de idade, Susan se casou com um amigo de infância chamado Marten Eden Sacker, em Washington, DC. Logo depois ela mudou seu nome para Susan Cabot, pois em entrevista justificou: "Cabot é um dos melhores nomes de Boston". 

Enquanto dividia seu tempo entre os dois trabalhos, a futura atriz também fazia bicos em comerciais de televisão e desenhando jóias para a loja Gimel's. Mas sua primeira chance, segundo o site Cinema Clássico, aconteceu em meados de 1940, foi contratada como uma extra no filme O Beijo da Morte (Kiss of Death, 1947) para a 20th Century Fox, no qual ela aparecia de relance na cena da boate com seus longos cabelos pretos.

Contudo, demorou mais 2 anos para que ela fosse vista pelo produtor Max Arnow na boate em que trabalhava e assim ganhar o papel em seu primeiro grande filme. Ali ela desistiu de seu outro sonho: se tornar cantora de ópera, pois apesar de ganhar uma bolsa de canto na renomada La Scala na Itália, ela não tinha nem o dinheiro para a passagem.

Seu primeiro filme foi Samoa (On The Isle of Samoa, 1950). E foi assim que começou um longo período em que Susan era escalada sempre nos mesmos papeis: o de uma nativa ou mulher exótica. E logo ela já estava farta de ser estereotipada.
Ou eu estou em selvas ou em caravanas de ciganos. Eu não sei por que. Eu tenho exatamente a mesma cor que Elizabeth Taylor e eles a colocam em um sarongue? Não.  - entrevista para o jornal San Bernardino Sun, 1951. 
Susan Cabot em seus primeiros papeis no cinema: sempre como nativa ou índia.
Logo a Universal Studios tomou interesse pela jovem atriz, principalmente por sua ótima performance em Coração Selvagem (Tomahawk, 1951) e assinaram um contrato exclusivo com ela em outubro de 1950. Durante seu contrato ela atuou ao lado de Tony Curtis, Jeff Chandler e Audie Murphy.

Ela entrou com o processo de divórcio de seu marido, Sacker, de quem se separou legalmente em 1953. Um ano depois, em 1954,  ela encerrava seu contrato com a Universal Studios, farta de sempre interpretar os mesmos personagens. Voltou para Nova York e estrelou na peça A Stone for Danny Fisher (1954-1955), ao lado de Sidney Pollack com quem ela namorou e era "muito apaixonada", investindo em aulas de interpretação.

Em 1956, o diretor Roger Corman - com quem ela namorou por um tempo - a levou de volta para Hollywood, fazendo com que ela estrelasse em filmes mais experimentais e alguns dos mais desafiadores de sua carreira. Ao lado de Corman, ela estrelou em Sorority Girl (1957), The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent (1957), Carnival Rock (1957), Guerra dos Satélites (War of Satellites, 1958) e por fim, o filme pelo qual ela é mais conhecida: Mulher Vespa (Wasp Woman, 1959).

Susan Cabot em cena da Mulher Vespa (Wasp Woman, 1959) aos 32 anos de idade 
Em entrevista ao jornalista Tom Weaver, para o livro Return of the B Science Fiction and Horror Heroes, ela afirma que esse período de sua carreira foi o mais recompensador:
Ele me deu muita liberdade e também uma chance de interpretar papeis que a Universal nunca teria me dado. Papeis diferentes e esquisitos, como a garota louca em Sorority Girl. Eu tive chance de fazer coisas que nunca tinha feito antes. 
Namoradeira, foi nessa época que Susan Cabot, em abril de 1959 começou a se envolver com o príncipe Hussein da Jordânia - mais tarde rei. Os jornais começaram a tratar do romance como o assunto do momento e eles sempre saiam juntos para desfrutarem bares e jantares. Em janeiro de 2018, via The Telegraph, novos documentos da CIA revelarem que em sua ida aos EUA o príncipe fez questão de companhias femininas e um agente entrou em contato com um dos funcionários de Hollywood para encontrá-las.

De acordo com os documentos, eles foram diretos e afirmaram à Susan: "Queremos que você durma com ele". Ela se recusou, mas depois que o conheceu em uma festa ela o considerou "super charmoso" e ambos passaram várias noites juntos.

Os dois terminaram o romance quando o príncipe, na época com 23 anos, descobriu que Susan era judia. Os dois, contudo, continuaram a se ver e escrever cartas românticas, desenvolvendo uma grande amizade. A atriz até recebeu dele um carro e todos os amigos dela sabiam que ele, às vezes, a ajudava financeiramente, bem antes do nascimento de seu filho Timothy.

Susan, ao lado de Sal Mineo, na première de O Diário de Anne Frank (1959)
De acordo com o site Glamour Girls of The Silver Screen, até o nascimento de seu filho Timothy em 1964, Susan namorou com uma variedade de homens, por isso era difícil para a imprensa afirmar com precisão quem era o pai de seu filho: Susan se envolveu com James Hanson, os príncipes Kaze e Mir Kashani do Irã, e até com Marlon Brando. Susan passou esse período de sua vida entre Washigton e Inglaterra.

Ademais, Susan se recusava a dizer quem era o pai de Timothy Scott Roman, nascido em 17 de janeiro de 1964 em Washington, DC, afirmando para amigos que o pai dele era um "agente da CIA ou FBI" e até um "aristocrata inglês". Suspeita-se que o verdadeiro pai de Timothy era o ator Christopher Jones - o que foi afirmado por Michael Roman, último marido de Susan, em entrevista a Laura Wagner.

Em matéria para a revista Premiere, conta-se que Timothy nasceu prematuro - uma cesárea de emergência durante uma cirurgia de intestino de Susan - e sofrendo de icterícia. Ele ficou na encubadora por mais de quatro meses. Apesar de um amplo vocabulário e astúcia para sua pouca idade, logo Timothy começou a sofrer com ataques de epilepsia. Preocupada, Susan o levou em inúmeros médicos que o diagnosticaram com hipoglicemia aguda.

Em 1970 descobriram outro problema: Timothy sofria de nanismo, ou seja, teria a estatura bem menor do que a de uma pessoa normal.

Foto de Timothy quando ele ainda era um bebê
Assim que descobriu o diagnóstico, o doutor de Timothy, Salomon Kaplan escreveu uma carta para a National Health Agency, pedindo que Tim fosse incluído em um estudo experimental que aplicava hormônios retirados das glândulas hipófise de cadáveres, que funcionariam como hormônios de crescimento.

Com esse experimento, Timothy chegou aos 1,63 cm de altura, quase 10 centímetros mais alto que Susan, mas os efeitos colaterais eram inúmeros. Posteriormente, descobriu-se que algumas amostras do hormônio dos cadáveres estavam contaminadas e transmitiam uma rara doença chamada Doença de Creutzfeldt-Jakob, de origem neurodegenerativa com rápida progressão, mas que poderia demorar anos para se manifestar, que causava desordem cerebral e poderia levar à morte.

Para completar esse cenário, Timothy ainda tomava vários medicamentos: uma combinação de esteroides, synthroid (para o hipotireoidismo), cortisona e testosterona que eram regulados por sua mãe, que aparentemente, recusava-se a seguir o protocolo médico, dosando os remédios de acordo com a necessidade do filho.

Susan Cabot e Michael Roman - um pequeno Timothy atrás 
Nesse ínterim, em 1968, Susan se casou com Michael Roman, um ator 15 anos mais novo, após conhecê-lo a apenas 10 dias em um curso de teatro. Ele logo adotou Timothy, mas o casamento se deteriorou em 1981 - especialmente pelo comportamento obsessivo de Susan, que se agravou quando a mãe Muriel voltou a morar com ela na Califórnia, em sua mansão.

Em entrevista ao documentário televisivo Mysteries & Scandals, Michael Roman explicou sua decisão de terminar o relacionamento:
Eu tive que terminar porque eu caia aos prantos e chorava. Ela era uma ótima pessoa, mas ela era louca. 
Apesar de muitas pessoas pintarem Susan como uma mulher neurótica e louca, especialmente durante o julgamento de seu filho Timothy, outros amigos partiram em sua defesa. Sua amiga, Kathleen Hughes, da qual Susan foi até madrinha em seu casamento, afirmou no documentário: "Eu nunca vi sinais de que Susan fosse mentalmente instável. Ela era uma ótima pessoa, uma boa amiga, um pouco neurótica, mas todo mundo é." Mamie Von Doren, sua colega na Universal Studios, atestou, no entanto, que ela era "agressiva".

Ainda no documentário Mysteries & Scandals foi afirmado que Susan começou a se injetar com os hormônios que Timothy utilizava, buscando ficar cada vez mais jovem, assim como sua personagem em Mulher Vespa. Seu marido, Michael Roman, no entanto negou essa possibilidade. O que sabe-se de fato é que Susan tinha uma necessidade de parecer sempre mais bonita e jovial e estava cada vez mais obcecada com isso.

Mãe e filho em tempos mais felizes - no começo de 1970
Com a partida de Michael de sua vida - e da de Timothy - o comportamento obsessivo de Susan com o filho crescia cada vez mais. Segundo a matéria da revista Premiere, o tutor de Timmy no começo dos anos 80, James Weinstock afirmou que Susan fazia terapia de "quatro a cinco vezes ao dia" e que a casa estava acumulada de caixas e que cheirava "como a residência de uma velha".

A Mulher Vespa também não deixava seu filho fazer nada sozinho. Naquele período, Timmy já tinha 16 anos de idade e estava cada vez mais interessado em artes marciais, com vários pôsteres de Bruce Lee em sua parede, além de pesos e outros equipamentos de treino. Ele queria sair e fazer coisas sozinho - já tinha até uma carteira de motorista, mas segundo James sua mãe se recusava e dizia:
Não, Timothy, você é diferente das outras pessoas. 
Em 1983, outro tutor foi contratado para Timothy, o psicólogo Michael Carter e ele confirmou que a casa de Susan em Encino estava "muito suja e desarrumada". Tom Weaver, jornalista que se tornou amigo de Susan em 1984, também pintou um retrato bizarro da casa de Susan na época, em entrevista ao livro The World's Most Bizarre Murders por James Marrison: 
Dentro a casa era uma bagunça e aparentemente sempre foi. Tinha lixo empilhado por todo o lugar, ao ponto em que para quatro pessoas sentarem em um lugar, tinha que remover caixas e caixas. O pó estava empilhado tão alto quanto o lixo na casa. 
Mãe e filho faziam tudo juntos - para o bem e para o mal 
Nesse ínterim, Timothy estava estudando artes na faculdade em Pierce College em Woodland Hills, Califórnia e atendendo à alguns cursos de bioquímica. O jovem de 20 anos era rápido em se gabar de seus status acadêmico, mas a verdade é que ele era um estudante com resultados bem aquém do esperado.

Foi neste estado de desespero e de sufoco maternal que em 10 de dezembro de 1986, às 23h30, Timothy ligou para a polícia, com uma história bizarra, afirmando que alguns ladrões invadiram a casa e roubaram U$70 mil, e que não sabia sobre o estado de sua mãe.

A polícia chegou ao local e entrou na casa, acompanhados "calmamente" por Timothy, porém demorou mais de seis horas para que eles adentrassem no quarto de Roman pois não conseguiam conter os três cachorros da raça Akita, que avançavam em todos furiosamente. O controle animal apareceu na cena e na segunda tentativa o detetive Joe Diglio e sua equipe finalmente vasculharam o quarto e falaram com o jovem.

A história de Timothy, agora, mudava de novo.

Timothy aos 20 anos ao lado de sua mãe, Susan Cabot 
Já na delegacia LAPD Valley Station, Roman contou a seguinte história: naquela noite havia ido dormir às 21h30 e se levantou da cama às 22h para comer alguma coisa. Na cozinha, encontrou um "latino de cabelos cacheados" e vestido com o traje de artes marciais. Timothy então, teria tentado lutar com ele e para provar, mostrou um pequeno machucado na cabeça e um outro pequeno corte no braço. O intruso, então, teria o atingido na cabeça e ele desmaiou, acordando 30 minutos depois e ligando para a polícia, via LA Times.

No entanto, durante a conversa com as autoridades, Timothy mostrou várias discrepâncias em seu primeiro relato, afirmando aliás que era muito próximo da mãe e eles até falavam sobre "sexo" livremente, e o fato de não haver nenhum sinal de arrombamento também pesou contra ele. O filho de Susan foi preso para a investigação do assassinato, sem direto à fiança, de acordo com a notícia do jornal The Muscatine Journal. 

Os investigadores pensaram: afinal, se nem a polícia conseguiu entrar no dormitório de Timothy, como um intruso conseguiria passar por três cachorros furiosos, pegar a barra, matar Susan e depois colocar de novo no quarto?

Ainda na casa, a equipe de investigação encontrou Susan Cabot, deitada de bruços na sua cama, com a parte de trás de seu crânio completamente "arrebentada" e com sangue e pedaços de cérebro espalhados perto da cama. O assassino cobriu seu rosto com uma tolha de linho. Ela havia sido atingida repetidamente e não havia sinal de luta. A arma do crime foi um peso de academia que antes da entrada dos policiais Timmy havia escondido em uma caixa de detergente - Bold 3- dentro do cesto de roupa suja de seu quarto.

O local onde tudo aconteceu: a casa original foi demolida e foi construída a que você vê acima 
Não demorou muito para que a defesa de Timothy em seu primeiro pré-julgamento, que aconteceu em junho de 1987, usasse como defesa o comportamento "errático, narcisista e louco" de Susan, afirmando que o jovem de 23 anos sofria de graves problemas mentais graças aos remédios que ele era obrigado a tomar e os hormônios injetados nele por 15 anos - na verdade foram apenas quatro meses - e que, por isso, não se lembrava de nada do ataque.

O advogado de acusação, E. Stone, logo fez questão de cortar essa noção de que Susan - a vítima - era na verdade a culpada, afirmando:
Como ele [Timothy] não se lembra de nada se a arma do crime passou do quarto dele para o dela, onde ela morreu à pancadas? Isso demanda um pouco de planejamento. - fala replicada no livro Killer Kids de Clifford Linedecker. 
Timothy se defendeu, afirmando posteriormente que o peso era da sua mãe e que já estava no quarto dela na hora do ataque.

Os jornais da época não demoraram para retratarem Susan como a excêntrica e louca Norma Desmond do clássico Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1951), especialmente quando o advogado de Timmy, Chester Leo Smith, mostrou fotos e vídeos da casa dos Cabots, completamente em ruínas - suja e acumulada de lixo.

Os "supostos" pai de Timothy - Christopher Jones, à direita, sempre afirmou que Tim era seu. 
Durante todo esse processo, Roman continuava preso sem direito à fiança. Em abril de 1989, um mês antes do julgamento, Smith tentou afirmar para a corte que Timothy era o filho do príncipe Hussein, já que foi verificado que Susan, apesar de bons negócios imobiliários e venda de carros antigos restaurados, ganhava por mês U$1.500 do Keeper of the King’s Purse, dando a entender que era uma "pensão alimentícia" para o filho.

Isso porque, se Timothy fosse filho de Hussein, ele não poderia ficar em uma prisão normal, via o jornal LA Times, por ser de origem árabe, pois Timothy seria "metade-judeu, metade árabe e um descendente direto do príncipe, algo que poderia ser perigoso" e poderiam tentar matá-lo.

A declaração não tinha nenhuma validade legal e ele não foi transferido. Posteriormente, seu padastro Roman afirmou que o príncipe ajudava a ex-esposa por apenas amizade e que o provável pai de Timothy era mesmo o ator Christopher Jones - vale lembrar que dos sete filhos dele, vários nasceram com inúmeros problemas graves de saúde, assim como Timothy.

Em maio de 1989, parecia que finalmente o julgamento começaria, mas o advogado Smith ficou doente e a juíza encarregada do caso, Darlene E. Schempp, reagendou a convicção para outubro de 1989.

Timothy ao lado de seu advogado durante seu primeiro julgamento                 Foto do livro Killer Kids 
Logo entraram dois novos homens da lei, Richard P. Lasting e Michael V. White, que tinham outra estratégia: ao invés de não culpado, declarariam que Timothy havia praticado homicídio involuntário, ou seja, sem intenção de matar. O jovem estava solto desde junho daquele ano após pagar uma fiança de U$ 25 mil - ele estava morando com sua avó, Elizabeth Roman em Los Angeles.

No seu julgamento, que aconteceu sem um júri, e em entrevistas posteriores, Timothy Roman manteve que apenas matou sua mãe por um ato de auto-defesa:
Ela estava deitada na cama, falando de vozes por perto ou algo assim, e eu tentei ligar para os paramédicos. Vagamente me lembro de tentar alcançar o telefone. E de repente ela me atacou, eu acho. Eu não tenho um período de tempo exato. Tudo que eu me lembro era de ver minha mãe na cama e de repente ela estava morta. - entrevista ao documentário Mysteries & Scandals
Ainda segundo seu testemunho, naquela fatídica noite sua mãe estava na cama há dois dias por causa de ataques de asma, e tentou lhe atacar com um peso de academia e um bisturi quando ele ligava para o 190. Para se defender Tim a atacou. O jovem que agora tinha 25 anos de idade, afirmou via LA Times que escondeu as provas do crime e inventou a história do ninja, com medo de que "ninguém acreditasse em sua história".

Timothy em seu segundo e último julgamento em 1989
Outros amigos e conhecidos de Susan Cabot ajudaram a pintar o quadro da mãe neurótica com problemas psicológicos, inclusive com afirmações do detetive Joe Diglio de que os dois "tinha uma longa rixa" e de vizinhos que atestavam que "ela nunca ia para lugar nenhum sem ele. Os dois eram muito dependentes um do outro." Ademais, afirmou-se que Susan era adepta ao ocultismo.

Uma análise de um pediatra, em 1975, afirmou que Timothy: "era uma criança imatura e perturbada que tinha dificuldade em manter as demandas de crescer." Outro psicólogo, em 1971, afirmou que as atitudes do filho eram reforçadas pela natureza "dramática e preocupada".

Logo a juíza Darlene Schemp chegou à um veredito: Timothy era culpado de homicídio involuntário, mas não de assassinato. A sentença foi dada rapidamente, uma hora depois dos argumentos finais e o advogado de acusação não fez objeção, pois considerou que, após ver todas as provas, Timothy não tinha agido de forma premeditada.

Os argumentos de que as ações irracionais, impulsivas e até agressivas de Susan foram as culpadas pelo seu assassinato foram amplamente aceitas. O psiquiatra de Cabot, Carl Faber, afirmou durante o julgamento que nem ele aguentava as sessões de 50 minutos com a ex-atriz e sentia-se mal por Roman ter que ficar perto dela. Mais: ele deixou claro que a única razão pela qual a atriz, cujo o estado mental estava se deteriorando vivia, era por causa de Tim:
Ela me disse: 'Carl, eu estou cansada. Eu quero ir e se não fosse por Tim, eu iria.' - testemunho replicado no livro Hollywood's Hard-Luck Ladies: 23 Actresses Who Suffered Early Deaths ... Por Laura Wagner.
Timothy aos cinco anos de idade - aparentava ter 3
Em 10 de outubro de 1989, Timothy recebeu seu veredito, três anos em condicional, sendo obrigado pela corte a ter acompanhamento psicológico. Timothy Scott Roman foi viver em Los Angeles, numa área mais afastada, com a mãe de seu padastro Elizabeth Roman - os dois se davam muito bem e Elizabeth estava presente a cada passo do caso de Timothy.

Michael Roman, em inúmeras entrevistas ao longo dos anos, confirmou que viver com Susan era "muito difícil" e sempre ficou ao lado do enteado. Em bate-papo com Laura Wagner, via Tom Weaver, Michael revelou que Timothy morreu em 22 de janeiro de 2003 em decorrência da Doença de Creutzfeldt-Jakob, que estava fazendo com que seu cérebro desaparecesse lentamente dentro de seu próprio crânio. 

Susan Cabot, no entanto, foi enterrada em um túmulo não-marcado no cemitério Culver City's Hillside Memorial Park. Ela apenas ganhou uma plaqueta marcando seu local de descanso em abril de 2012, quando muitos fãs se uniram para pagar a homenagem à falecida atriz.

Susan quando ainda era contratada da Universal Studios: sabia cantar, atuar e desenhar 
Porém como nada na vida é "preto no branco", nem todos pareciam ver Tim como o inocente "experimento científico" que os tribunais pintaram. Em entrevista ao livro The World's Most Bizarre Murders por James Marrison, o jornalista Tom Weaver atestou:
A graça de conhecê-la [Susan] apenas foi um pouco arruinada pelo seu filho estranho e um tanto agressivo. O garota era simpático...mas estranho.(...)Várias vezes ele fazia coisas para deixar sua mãe com raiva, como usar óculos escuros quando saia à noite e se recusando a assistir alguns de seus filmes, mesmo quando ela implorava. Coisas que pareciam que ele fazia para provocá-la. 
A verdade não parece tão simples: naquela fatídica noite de 10 de dezembro de 1986 não havia nenhum inocente. Ou havia?


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