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Roger Moore e as gravações de 007 no Brasil


A data era 3 de janeiro de 1979. Roger Moore, o atual 007, estava previsto para desembarcar no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, ao lado da esposa, a italiana Luisa Mattioli, e o diretor Lewis Gilbert. A ocasião? Gravar cenas de um inédito filme do mais amado espião do mundo: 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, 1979). 

Mas a chegada dele ao Brasil já começou difícil, quase como uma premonição do que viria a seguir: o ator e seus companheiros de viagem foram impedidos de decolar no Aeroporto Charles De Gaulle, em Paris - naquele mesmo dia - por conta de excesso de gelo na pista. De acordo com o Jornal do Brasil, com o atraso da chegada, Moore já estava conhecido como "o espião que não veio do frio". 

A viagem foi adiada e eles só chegaram ao Rio em 7 de janeiro de 1979. O motivo do atraso logo foi revelado pelo Roger assim que desembarcou: cálculo renal. 

Roger Moore no Brasil                            O Globo/ Reprodução   

Assim que chegou, Roger Moore já começou a gravar para o filme diretamente do Aeroporto. A primeira cena: 007 desembarcando do Concorde e caminhando para o seu Rolls Royce, cedido por Alfredo Saad. Segundo o Jornal do Brasil, para essa cena, o ator estava de terno branco, lenço bege, mala e foi imediatamente maquiado para não perder a iluminação natural para a cena. 

Além disso, na pista havia um pequeno estúdio montado com as cadeiras de diretor, as máquinas, a garota do script, os engenheiros de som e figurantes. Por conta de Roger não ter expelido a pedra nos rins, foi colocado um serviço de socorro urgente no Aeroporto, mas que o ator não precisou. A cena foi repetida diversas vezes enquanto Roger conversava com os figurantes e o diretor, de forma leve e simpática. A esposa dele, Luisa, assim que desembarcou foi direto para o Hotel Copacabana Palace. 

Roger começou a gravar assim que pisou no Rio 

Assim que terminou de gravar as cenas, Roger foi direto para o hotel ficar com a esposa. Jerry Jerroue, responsável pela publicidade do filme, explicou um pouco mais sobre as gravações que ocorreram no Brasil: 

Teremos, no total, 12 dias de trabalho no Brasil. Temos várias sequências já prontas como as do Carnaval, quando filmamos os desfiles das escolas de samba. A sequência do Pão de Açúcar, a briga verdadeira, não será rodada aqui. É provável alguns enxertos com filmagens em estúdio na Europa. O total de pessoas foram 250, se bem que alguns brasileiros foram contratados. 

Roger Moore no praia do Leme e no Aeroporto do Rio                   Manchete

A seleção dos figurantes brasileiros foi feito pela agência Marza, com exceção da Adele Fátima que foi escolhida pelo produtor Albert Broccoli - durante um desfile de samba no Rio. De acordo com Marza, não foi fácil escolher os figurantes pois precisavam de "pessoas com a pele branca, tipo europeu" e por isso algumas pessoas escolhidas para a cena do Concorde foram Ana Gasper, esposa do diretor da então Light, e o cantor Almir Saint Clair. 

 Entre as gravações, Roger e sua esposa participaram de cocktails da alta sociedade brasileira, conforme o colunista Sérgio Cavalcanti, da Up Date do jornal O Fluminense, contava em sua coluna. Eles se reuniram com Bruno de Lacerda, da empresa Pelajo e outros atores e personalidades da high society. Nos dias 9, 10 e 11, as escolas de samba Mangueira e Beija-Flor gravaram as cenas de Carnaval em ruas próximas à praça Mauá. 

Roger e Lois no Pão de Açúcar 

No dia 13 de janeiro, Roger gravava ao lado de Lois Chilles, que interpretou sua namorada no longa, no Pão de Açúcar. A cena era simples: ele luta dentro do bondinho com seu inimigo e, depois, bula para deixar que o bondinho exploda com Mandíbulas dentro. Os dublês dos atores, Martin Grace e Dorothy Ford, foi quem fizeram esse trabalho. 

Desde segunda-feira (7), quando Roger chegou ao Brasil, o Pão de Açúcar ficou fechado para acesso ao público até as 14h. De acordo com o Jornal Brasil, no Morro da Urca havia um verdadeiro arsenal de filmagens com uma equipe de 90 pessoas. Apesar de bastante cansado, Roger foi extremamente simpático enquanto Lois foi descrita como um tanto mais arredia. As próximas cenas a serem gravadas seriam a do Carnaval e da Foz do Iguaçu. 

No dia 15 de janeiro, no entanto, Roger decidiu receber toda a equipe do filme para um cocktail no Hotel Copacabana Palace. Ele se reuniu com astros brasileiros, como Glória Menezes e Tarcísio Meira, o então prefeito do Rio de Janeiro, Marcos Tamoyo, e até com Adele Fátima - antes dos rumores de ciúmes da esposa com a brasileira. 

À esquerda, Adele com Roger e Luisa; à direita Roger com Gloria e Tarcísio

As gravações continuaram a todo o vapor na praia do Leme, Largo do Boticário e em outros lugares do Rio de Janeiro. E é aqui que chegamos na polêmica e breve participação de Adele Fátima como Bond Girl - ela teria sido a primeira Bond Girl brasileira, se sua participação não tivesse sido cortada. 

De acordo com rumores da época, os dois teriam uma cena de sexo fulmegante, mas com os boatos de que os dois estariam se envolvendo, Luisa - esposa de Roger - exigiu que a cena fosse cortada. A versão oficial, no entanto, foi que as cenas envolvendo Adele não tinham uma atuação convincente. Ela, no entanto, chegou a aparecer no trailer do filme. 

Adele e Roger Moore teriam uma cena infame de sexo no longa 

Em entrevista para Conversa com Bial, em 2020, Adele contou mais sobre a experiência:

Falam que eu peguei. Ele gostou muito de mim, fizemos a capa, o cartaz e o filme. A imprensa não gostou da história de ser eu, de preconceito, infelizmente. Começaram falando que eu tinha um romance com Roger Moore e pós-filme iríamos assumir. Ele era um grande gentlemen, ele conversou e simpatizou comigo, mas foi só isso. Deixei de viajar o mundo como Bond Girl brasileira. A esposa acreditou. Quando ele estava presidente da UNICEF, ele veio no Copacabana Palace, eles me convidaram e ela me pediu desculpa. Disse que era uma pena que o Brasil não soube me valorizar e que, se eu quisesse, me levaria a Inglaterra, mas eu já estava casada. 

Os boatos contam que Luisa teria pedido que todas as cenas com Adele fossem excluídas e ela foi substituída pela atriz Emily Bolton, que interpreta Manuela. 

Adele e Roger Moore juntos em festa no Rio

Em 22 de janeiro, Roger e a esposa foram convidados para o Hippopotamus, no Rio, para uma festa dada por Luis Carta e Ricardo Amaral e assim passaram entre eventos a gravações do filme. Uma das cenas de amor de Bond, inclusive, foi gravada no quarto dos milionários Yara e Roberto Andrade. 

Após as gravações no Rio de Janeiro, Roger e a equipe foram para Foz do Iguaçu, no Paraná, em 28 de janeiro de 1979. A esposa do ator, por sua vez, resolveu voltar para a Europa deixando Roger sozinha no Paraná. As gravações ocorreram às margens das Cataratas de Iguaçu. 

Roger Moore em Foz do Iguaçu                               Correio de Notícias 

O único brasileiro que atuou, de fato, no filme 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, 1979) foi Carlos Kurt como um segurança no aeroporto do Galeão. Roger foi embora do Brasil assim que as gravações se encerraram, no final de janeiro daquele ano. 

A sua partida não foi tão comentada pelos jornais, porém de acordo com O Globo, antes do ator partir para Foz do Iguaçu, houve uma recepção no Hotel Intercontinental, em São Conrado, no Rio de Janeiro. Ao que tudo indica, do Paraná, Roger e a equipe foram diretamente para a Europa. 

007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, 1979) estreou em 5 de setembro de 1979 e, apesar das fortes críticas, foi um dos mais rentáveis filmes de James Bond. E essa não foi a única vez que Roger voltaria ao Brasil. Roger Moore voltou ao Brasil em 1991, como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e visitou Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Brasília. 

Mas essa visita merece uma matéria solo, que logo será feita!





O perturbador Caso dos irmãos Naves (1967)

*aviso: gatilho de tortura e violência

Joaquim e Sebastião Naves foram condenados por terem, supostamente, assassinado o primo Benedito Pereira Caetano, que desapareceu de Araguari, Minas Gerais, em 27 de novembro de 1937. Após diversas torturas, falsos-testemunhos e coação polícial, em especial pelas mãos do delegado militar Francisco Vieira dos Santos, os irmãos Naves ainda enfrentaram o escrutínio da mídia, de amigos e familiares. 

Em 1952, em uma reviravolta digna de filme, Benedito é encontrado vivo em Nova Ponte, Minas Gerais, e, enfim, é reconhecida a inocência dos irmãos. Sebastião, após o falecimento de Joaquim, recebeu uma indenização de 12 milhões de cruzeiros do sistema judiciário. Segundo o jornal O Cruzeiro, ao avistar o falso 'assassinado', o único Naves sobrevivente teve apenas uma pergunta: "Homem até que enfim você apareceu. Por que você fez isso?". 

Juca de Oliveira como Sebastião e Raul Cortez como Joaquim no filme          Divulgação

Trinta anos após uma das maiores injustiças do judiciário brasileiro, o diretor Luiz Sérgio Person lançou 'O Caso dos Irmãos Naves (1967)'. O filme exibe fielmente o período de ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, quando os irmãos Sebastião e Joaquim, interpretados por Juca de Oliveira e Raul Cortez, foram injustamente torturados e condenados por um crime que não cometerem. 

Em entrevista ao jornal Filme & Cultura, Luiz Sérgio Person explicou sua motivação ao abordar o crime: "É uma abstração de todo o conteúdo subjetivo; anseio e frustrações pessoas deixam de existir. Ao contrário de São Paulo/S.A não há personagens condutores. Há uma inversão de estrutura completa. Há mesmo uma obsessão de inversão, de reviravolta estrutural". 

Sebastião e Joaquim Naves - presos injustamente 

Versão da Polícia 

Os jornais da época foram rápidos em apontar a culpa dos irmãos Naves, mesmo sem corpo ou prova do crime. Joaquim e Sebastião eram sócios de Benedito na compra e venda de cereais e, ao descobrirem o seu sumiço, comunicaram-o à polícia. O tenente Francisco Vieira dos Santos, vivido por Anselmo Duarte no filme, não acreditou na inocência deles, ainda mais após saber da quantia de 90 cruzeiros que sumiu. Ele os acusou de terem matado Benedito e ficado com o dinheiro. 

Segundo reportagem do jornal Lavoura e Commercio, de Minas Gerais, em 1939, que retrata a versão errônea e oficial da polícia, os irmãos teriam feito uma emboscada para 'roubar' o primo, que vendeu uma safra de arroz que não lhe pertencia. Na madrugada do dia 28 de novembro de 1937, eles foram até a festa de inauguração da Ponte do Veloso; com barraquinhas, músicas, comes e bebes; e teriam convencido Benedito a fazer um passeio até Uberlândia. 

Sob o pretexto de se refrescarem, os cúmplices teriam parado o caminhão de trabalho na ponte 'Pau Furado', no rio das Velhas. Joaquim então, teria levado a corda e os dois enforcaram Benedito que, após a morte, foi revistado e teve seu dinheiro roubado. O cadáver foi jogado no rio e nunca mais foi encontrado. 

À esquerda, o oficial Francisco; à direita, Benedito, o 'falso assassinado'

Torturas e sentença

Para a polícia chegar à essa versão falsa dos eventos, os irmãos Rosa Naves foram brutalmente torturados. Inclusive a mãe deles, Ana Rosa Naves. Em reportagem para o jornal A Noite, os fatos narrados são ainda mais monstruosos do que os exibidos no filme 'O Caso dos Irmãos Naves (1967)'. 

O tenente Francisco prendeu, mesmo sem provas, os irmãos Naves em 24 de janeiro de 1938 que, primeiro, sofreram terríveis espancamentos. Como Sebastião e Joaquim não confessavam, ele mandou prender a mãe deles e, durante cinco dias, os três ficaram sem comer e nem beber. Na sequência, foram amarrados em uma cruz e, logo, depois, pendurados de cabeça para baixo, nus, no forro da delegacia. 

Ana Naves passou mal e ficou presa na cela enquanto os filhos foram levados e enterrados vivos em um local próximo, com apenas a cabeça para fora. Depois, os oficiais prenderam cordas em partes sensíveis dos corpos deles e os obrigaram a tomar urina misturada com fumo e sal amargo, além de ingerirem vidro quebrado com água. 

Ana Naves mostra como foi maltratada pelos policiais                    A Noite

O oficial Francisco seguiu com as torturas, arracando os dentes dos irmãos e passando mel neles para serem picados por abelhas, maribondos e formigas. Ana, antes de ser libertada, sofreu ainda ao ter uma coroa de arame farpado amarrado na cabeça. Por intermédio de um pau, o tenente apertava a coroa para forçar uma confissão: a senhora tinha 70 anos de idade na época e também foi obrigada a ficar nua do lado de uma fogueira. 

Salvina, esposa de Sebastião foi presa e torturada, além de ser ameaçada de estupro, impossibilitada de cuidar do filho de apenas 9 meses do casal, que faleceu. Não satisfeitos, os policiais obrigaram Sebastião e Joaquim procurar pelo 'corpo' de Benedito na água, permanecendo lá até quase se afogarem. 

Ana Naves, assim que foi liberada, procurou de novo o advogado João Alamy Filho, na obra vivido por John Herbert, que não havia se convencido da inocência dos irmãos outrora. Com a narrativa da barbárie, ele decidiu defendê-los e conseguiu um habeas corpus que não foi cumprido. Os soldados Heitor, Damásio, 'Turquinho', Ladisláu e 'Mão de Fogo', cúmplices das atrocidades, tinha a mesma narrativa: os Naves estão livres. Eles, no entanto, estavam amarrados no porão da delegacia sofrendo dores inimagináveis. 

Anselmo Duarte e Raul Cortez em cena do filme 

Julgamento e desfecho

Joaquim Naves foi o primeiro a confessar o crime, após pensar que o irmão Sebastião havia sido assassinado durante mais uma sessão de tortura. Em 3 de fevereiro de 1938, após mais de um mês de martírio, o 'Bastião' apenas concordou com a versão da polícia. 

No dia 14 de fevereiro daquele ano, o caso foi ouvido por um juiz no local e os irmãos se declararam culpados. Ana, apesar de ter sido apontada como cúmplice por suas próprias noras e filhos, inclusive por amigos próximos que foram ameaçados, continuou a afirmar que era inocente e que foi vítima de tortura. Em abril de 1938, torturaram Sebastião mais uma vez para tentar encontrar o dinheiro, mas sem êxito.  

O primeiro julgamento ocorreu em 27 de junho de 1938 e os jurados optaram pela inocência dos irmãos em decisão de 6x1. A promotoria apelou no dia seguinte e os Naves continuaram na prisão. A decisão favorável veio mais uma vez em março de 1939 - desta vez Joaquim e Sebastião confirmaram sua inocência. 

Sebastião sempre lutou por sua inocência 

Os promotores, no entanto, conseguiram a anulação do júri popular e, em 4 de julho de 1939 os Naves foram condenados pela Câmara Criminal do Tribunal de Apelos de Minas Gerais a 25 anos e seis meses de prisão. Depois de um ano na prisão de Araguari, eles foram transferidos para a Penitênciária Agrícola de Ribeirão das Neves, onde a pena foi reduzida para 16 anos. 

Tribunal onde os irmãos foram julgados; cadeia onde ficaram por oito anos 

Em 12 de agosto de 1946, Joaquim e Sebastião foram soltos sob condicional por bom comportamento. Os dois retornaram para Araguari, onde as esposas os aguardavam, mas Joaquim sofreu o pior com as torturas: em 28 de agosto de 1948 ele faleceu por problemas estomacais após ingerir substâncias tóxicas. Ele deixou a esposa, Maria Rosa e a filha, Iolanda. 

Francisco Vieira dos Santos, o terrível algoz dos irmãos, também faleceu em 25 de maio de 1949, mas Sebastião continuou a lutar por Justiça. Em julho de 1952, Fernando Naves, primo dos irmãos, avistou Benedito, agora com o nome José Goiano, em Nova Ponte e armou uma diligência para encontrá-lo. Ele foi preso prontamente pelo Cabo Antonio Marques - Benedito foi encontrado dormindo na casa da irmã. 

Ana e Sebastião viveram para ver a Justiça sendo feita 

Benedito tentou se defender e, em depoimento, afirmou que teve os 90 contos de réis roubados e, por isso, fugiu da cidade e passou um tempo na Bolívia. Essa versão, no entanto, foi desmentida por seu próprio pai, e o fazendeiro Edilson Alves da Cunha revelou que ele sabia do caso dos irmãos Naves, mas preferiu não se meter. O primo tentou se matar quando estava preso, mas sem sucesso. Ele foi solto alguns meses depois. 

Após a descoberta da inocência dos irmãos, o advogado Alamy entrou com um processo de indenização contra o Estado de Minas Gerais. Em 14 de outubro de 1953, o Tribunal de Justiça anulou a condenação, mas foi apenas em 8 de janeiro de 1960 que o Supremo Tribunal Federal concedeu 12 milhões de cruzeiro à Sebastião e sua família. 

Sebastião faleceu em 10 de maio de 1963, mais de dez anos após provar sua inocência, deixando as filhos Ivaldo, Geralita, Gecilda, Geralda e a neta Neide. Sua mãe, Ana, faleceu aos 97 anos de idade, dois meses depois. Em entrevista para o A Noite, ela diz que não sentia raiva de Benedito e nem do delegado: "As atrocidades que sofri entrego a Deus e não desejo de modo algum comentar. Quero esquecê-las". 

Em 1958, no programa 'Está é Sua Vida' da TV Itacolomi, ele recebeu um caminhão de presente

Nos anos 50, Sebastião e a mãe Ana se tornaram celebridades instantâneas, recebendo presentes, visitas do presidente Juscelino Kubitschek e até aparecendo na televisão. Em 1958, durante o programa 'Esta é sua Vida', da TV Itacolomi, o irmão Naves sobrevivente ganhou um caminhão de presente para garantir a subsistência de sua família. 

Em 1960, João Alamy Filho lançou o livro 'O Caso dos Irmãos Naves' e o filho mais velho de Sebastião, Ivaldo Naves, jurou se formar em direito para honrar a memória do pai - tornando-se um dos advogados mais respeitados de Minas Gerais. Benedito perdeu toda a família, a esposa e seus dois filhos, em um acidente de avião e, então, desapareceu de Araguari e começou a vagar como um sem-teto. 

Sebastião e Benedito se reencontram; Sebastião no túmulo do irmão Joaquim 

O filme 'O Caso dos Irmãos Naves (1967)', escrito por Person e Jean Claude Bernardet narra todo o fato com uma precisão cirúrgica e escancara a incompetência do poder judiciário, no auge da ditadura do Estado Novo - Getúlio Vargas, inclusive, negou à soltura dos irmãos em 1943. Coincidentemente, a obra foi produzida em 1966, no começo da Ditadura do Brasil, durante a vigência do governo de Castelo Branco - e é um prenúncio das torturas que estavam por vir. 

Em depoimento para a revista Aplauso, da TV Cultura, Jean explica: "O filme seria absolutamente fiel aos fatos dos anos 30, mas se tornava uma metáfora política de nosso presente. Denunciaríamos a tortura e a arbitrariedade. Durante toda a elaboração do filme, nunca se perdeu de vista essa perspectiva, a tal ponto que passamos a qualificar os Naves de 'filme Castelo Branco'". 

'O Caso dos Irmãos Naves (1967)' apresenta a tortura sofrida pelos irmãos de forma honesta e nunca gratuita. A narrativa, embora seja engessada, exibe os fatos de forma cronológica, apenas 'escapando' da censura por, justamente, ter sido lançado antes da instauração do AI-5, em dezembro de 1968. 

A família Naves nos anos 50 após toda a tragédia 

A tragédia foi retratada na TV Tupi em 1969 na série 'Os Grandes Erros Judiciários', com Flora Geni interpretando a esposa de Sebastião. O caso também foi exibido na 'Linha Direta' da TV Globo em 2003 e na série de reportagens da Cultura 'Os Olhos Que Condenam no Brasil'. 

'O Caso dos Irmãos Naves (1967)' continua, mais atual do que nunca, quase 90 anos depois. O que será que nós, como sociedade, podemos fazer para mudar essa história?





Real ou Fictício? Analisando o filme Selena (idem, 1997)

Selena Quintanilla nos deixou há 25 anos. No entanto, suas músicas, seu talento e personalidade continuam mais vivas do que nunca. 

Filha mais nova do casal mexicano Abraham e Marcella, a cantora faleceu aos 23 anos de idade, assassinada pela diretora de seu fã-clube, Yolanda Saldívar. Naquela época, em 1995, Selena estava no auge de sua carreira, casada com Chris Pérez e pretendia expandir seus talentos para além da música.

Sua morte foi um baque para os fãs do mundo todo. Seu álbum póstumo Dreaming of You, lançado naquele mesmo ano, chegou no topo da Billboard 200. Selena foi a primeira artista latina a alcançar esse feito. Assim, apenas dois anos depois, a intérprete de Como La Flor, ganhou sua própria cinebiografia intitulada Selena (idem, 1997) estrelada pela estrela em ascensão Jennifer Lopez. 

Selena no palco em Monterrey, 1994.

Milhares de fãs, especialmente os do público mexicano, lamentavam a morte de Selena e a comoção foi tanta que logo a mídia tentava lucrar com o trágico espetáculo. Seis biografias sobre a cantora estavam sendo escritas, além de outros filmes roteirizados. 

Ainda de luto, o pai de Selena, Abraham Quintanilla decidiu que ele precisava colocar todos os rumores horríveis sobre sua filha para o escanteio. De acordo com o jornal Santa Cruz Sentinel, em 30 de agosto de 1995, Abraham anunciou que ele seria um dos produtores-executivos de um filme sobre a filha ao lado de Q Productions e Esparza-Katz Productions. Gregory Nava se tornou o diretor do projeto. 

Uma audição com milhares de atrizes foi aberta em Los Angeles e nomes como Salma Hayek e a novata Jennifer Lopez foram considerados. Outras jovens também como Danielle Camastro, Leticia Miller e Lizzette Padilla já afirmaram que quase conseguiram o papel, mas a própria Salma nega essas informações. 

Em entrevista para o jornal El Universal em 2017, Salma afirmou que apenas ela e Jennifer estavam sendo consideradas, realmente, para o papel:
O produtor, que é um covarde, negou, mas a verdade é que me ofereceram o papel antes mesmo de começarem as audições. Selena havia morrido menos de duas semanas e eu disse: 'Isso é estranho, eu não sei como ganhar sucesso pela morte de uma pessoa.' Quando me ofereceram de novo, eu disse: 'Mas vocês não estão fazendo uma audição? Disseram que sim, mas que no final seria eu ou a Jennifer Lopez. Eu disse não. Não permitira que outras atrizes fossem iludidas. 
No final, Jennifer Lopez que já havia trabalhado com Nava no filme Minha Família (Mi Familia, 1995), era a favorita para ganhar o papel e assim foi feito. As gravações de Selena começaram em setembro de 1996 e o filme foi lançado em 21 de março de 1997. 

Selena e Jennifer Lopez: o papel a alçou para a fama

Mas será que o filme Selena (idem, 1997) demonstrou a verdadeira história da cantora que conquistou o coração de milhões? Apesar de toda a família Quintanilla etsar envolvida no longa, de uma maneira ou outra, a verdade é que muito do que vemos na cinebiografia foi fabricado. 

Selena nasceu Selena Quintanilla, a filha mais nova de Abraham e Marcella, em 16 de abril de 1971, em Lake Jackson, no Texas, EUA. Desde pequena, assim como se demonstra em sua cinebiografia, a jovem sempre amou cantar. 

A cena inicial de Selena (idem, 1997) é da performance legendária da artista em 26 de março de 1995 no Astrodome, em Houston, Texas. O show estava lotado e a entrada da cantora foi exatamente como demonstrado: ela estava em uma carruagem branca, acenando para os fãs antes de subir ao palco. Logo depois de uma de suas últimas performances, o telespectador relembra, em flashbacks, a vida e a morte de Selena. 
  • Real ou Fictício? Abraham era cantor e com sua banda Los Dinos foi expulso de uma boate por não saber cantar em espanhol: Real 
Após a abertura do filme com Selena cantando em inglês no Astrodome, voltamos para 1961 quando Abraham Quintanilla, pai da cantora, tentava se tornar um sucesso com a banda Los Dinos, formada por ele e os amigos Seff e Bobby. 

No Texas, vemos quando o grupo é descartado por um dono de boate que apenas aceita brancos em seu estabelecimento. Bravo, Abraham rasga o cheque que lhe foi dado pelo homem. De acordo com a biografia Selena: Como La Flor de Joe Nick Patoski, o incidente de fato aconteceu e foi em North Beach, São Francisco, Califórnia. 

Logo depois, o telespectador se vê em um show da banda Los Dinos em Sinton, no Texas, uma área rural. O público, em sua maioria mexicanos, fica possesso ao descobrir que os rapazes não sabem cantar em espanhol. São expulsos e as pessoas vão atrás, lhe perseguindo. O grupo tem que ser escoltado pela polícia local. Isso realmente aconteceu. 

Apesar disso, a banda de Abraham continuou e conseguiu um sucesso moderado. O pai de Selena finalmente desistiu de Los Dinos em 1969, já casado com Marcella e pai de dois filhos: Abraham Jr e Suzette para ficar mais com a família e sustentá-los devidamente. Selena nasceria apenas em 1971. 


  • Real ou Fictício? Selena começou a cantar por influência do pai: Real
No filme Selena (idem, 1997) em uma cena em questão, a jovem garota é atraída pela música que seu pai tocava durante uma reunião com amigos. Algo clica em Abraham e ele logo começa a desenvolver o talento da pequena, que tinha apenas 10 anos em 1981. 

Na vida real, não foi bem assim: apesar de desistir da música para criar os filhos, Abraham nunca desistiu de seu sonho de viver da arte. Tanto que a família Quintanilla era incentivada a tocar o máximo que podia: o patriarca os ensinava a tocar desde cedo e Selena, por querer atenção da família, começou a desenvolver seu talento vocal por rivalidade entre os irmãos.

Em entrevista para Joseph Harnes em 1992, via o livro de Joe Nick Patoski, ela admitiu:
Eu acho que fiquei um pouco enciumada, então eu peguei um livro musical que meu pai tinha com canções antigas e cantar na sua frente, esperando que ele me notasse.  Depois, meu pai começou a me ensinar. Então ele notou que eu aprendia fácil e meu ritmo era bom. 
Selena cantando ao lado dos irmãos, Suzette e Abraham em 1981

Para Abe, aquela era sua segunda chance e ele afirmou que o talento de Selena era a "continuação de seus sonhos". Diferente do que é mostrado no longa, Abraham já tinha instrumentos de música em casa e treinava os filhos desde pequenos para tocarem. Abraham II era bom no baixo e Suzette, mesmo não gostando, era fantástica na bateria. 

Assim, cultivando o talento dos filhos, e seguindo sua religião de Testemunha de Jeová, o pai era bem restrito e rígido e ensinou Selena a cantar em espanhol perfeitamente, mesmo que ela não soubesse a língua. O treino logo se tornou um trabalho de verdade. Em 1981 com a inauguração do restaurante da família Papa Gayo's nasceu a banda Selena y Los Dinos. 

Eventualmente, o restaurante não deu certo: Quintanilla não sabia como administrar um restaurante. Eles entraram com um pedido de falência e perderam a casa em Lake Jackson, no Texas, onde moravam. A partir daí moravam de favor e apenas sobreviviam com a caridade dos familiares. Abraham, no entanto, continuava a impulsionar Selena para a música, certo de que essa era sua única saída. 
  • Real ou Fictício? Abraham fica furioso ao ver a filha com um bustiê em um show de 1989: Real 
Uma das cenas mais memoráveis do filme Selena (idem, 1997) é quando Selena está dando um show num rodeio mexicano em El Paso, no Texas em 1989. 

No palco, ela está com um conjunto jeans e logo depois de 'Baila Esta Cumbia' ela retira a jaqueta e exibe um bustiê com pedras brilhantes, dançando até o fim da apresentação. No filme, Abraham (Edward James Olson) fica louco ao ver que a filha está "indecente" e fica ainda mais bravo com o fato que a esposa Marcella (Constance Marie) a ajudou a fazer o bustiê. 

Em entrevista ao site Entretainment Tonight em 2017, ele confirmou a veracidade da cena e a ajuda de Marcella no plano do bustiê:
Mas é claro, eu sou um típico pai mexicano. Mas é a mesma coisa quando vi minhas meninas usando maquiagem pela primeira vez. Eu disse: 'Tire essa coisa agora' e uma semana depois mudei de ideia. 


  • Real ou fictício? A cena "Tudo por Selena" do filme: Real 
Uma das cenas mais divertidas do filme é quando o ônibus de turnê de Selena y Los Dinos acaba atravancando na estrada e a banda faz de tudo para colocá-lo de volta no rumo. 

Em especial, um homem vê a banda em apuros e decidi parar para ajudá-los e acompanhado de outro estranho usa seu Chevrolet Impala 1969 para tentar puxar o ônibus. Quando a parte rebaixada do carro é arrancada, o "cholo" brinca: "Esse para-choque foi arrancado pelo ônibus de Selena".  Eles não desistem e finalmente conseguem colocar o ônibus na estrada, não antes de soltar a icônica frase: "Tudo por Selena". 

De acordo com Abraham Quintanilla, em entrevista ao site ET, essa cena realmente aconteceu:
Foi isso mesmo que aconteceu. O motorista continuou insistindo que poderia tirar o ônibus da vala e eu finalmente disse: 'Sabe? Se você quer tentar, vá em frente'. Eu acho que foi o quarto tonto que tentou e acabou com seu parachoque. Eles pegaram, colocaram no banco de trás de seu carro e ele disse que iria pendurar na sua garagem com um sinal escrito "Selena's". Exatamente como no filme. 
Vale lembrar que apesar de não ser um nome reconhecido nos EUA, Selena já era bem popular no Texas e entre a audiência mexicana e seus descendentes. 


  • Real ou Fictício?  A retratação do relacionamento de Selena com Chris Pérez e como seu pai não gostava dele: Real
No filme Selena (idem, 1997) vemos que a primeira vez que a cantora conhece seu futuro marido, Chris Pérez, é quando ele recebe uma makeover de sua irmã Suzette no ônibus da turnê, que o deixa menos "rock n' roll". 

Claro que esse momento foi pura ficção, mas foi verdade que Abraham estava receoso em deixar Chris entrar na banda, especialmente por não ser especialista em música tejano e sim em rock n' roll. O guitarrista ficou amigo de Abraham Jr, através da cantora Shelly Lares, e conseguiu uma vaga em Los Dinos quando o antigo guitarrista Roger Garcia saiu da banda. 

Antes, ele já havia visto e escutado Selena, mas em recordações no seu Facebook, via o site Too Fab ele confirma que a viu pela primeira vez em 1990 no "estacionamento do restaurante do Denny's.  Ela era quente, mas eu estava mais focado em ser o novo guitarrista da banda". 


Chris também revela que o romântico momento em que os dois tem um encontro para comer pizza no Pizza Hut do Rio Grande Valley foi bem diferente na vida real: foi ali que eles disseram seu primeiro "eu te amo" enquanto que no filme estavam apenas se conhecendo. 

Mas como nem tudo era mil maravilhas, Chris tinha um lado bad boy e provou isso em 1991 quando ele e alguns roadies da banda destruíram um quarto de hotel na estrada. Selena e Chris não tiveram um momento franco e vulnerável como Selena (idem, 1997) demonstra. A cantora ficou "furiosa", como o guitarrista relembra e ela terminou o namoro com ele, depois reatando. Chris pagou pelos danos do quarto de hotel, que ele também ajudou a destruir. 

Chris e Selena continuaram o romance escondidos, afinal Abraham não era fã do jovem e considerava que ele poderia manchar a imagem que ele construiu para a filha. Quando ele descobriu que os dois estavam juntos através de Suzette - todos na banda já sabiam, o grande beijo do filme no ônibus da turnê aconteceu de verdade - ele demitiu Chris da banda. 


Selena ficou arrasada e os dois continuaram a se ver o máximo que podiam, mesmo que escondidos. Finalmente, a cantora apareceu em sua porta em 2 de abril de 1992 e o convenceu a se casar com ela, assim como no filme.
Essa cena onde eu estava no Hotel bem atrás do Harpor Bridge em Corpus Christi foi o dia que ela veio me ver. Ela deveria pegar o ônibus para ir ao El Paso. Eu estava dormindo, bateram na minha porta e era ela. Aquela cena do filme no qual ela entra e nós discutimos e ela me convence que o único jeito de ficarmos juntos era casando - aquilo foi bem emocionante. Eles acertaram em cheio. - Chris Pérez entrevista ao Houston Chronicle. 

Abraham, no entanto, não foi tão receptivo com a decisão de Selena de se casar aos 20 anos de idade como no filme. Ao descobrir, ele foi aos poucos recebendo o guitarrista como parte de sua família, mas pedia que Selena não falasse de seu casamento para a imprensa. 

De acordo com o próprio Chris Pérez, em seu livro Para Selena, com Amor, os embates entre ele e Abraham continuaram:

Abraham e eu continuamos a ter essas lutas por poder. A maior parte da tensão era o resultado de incidentes onde eu apoiava Selena quando os dois discordavam. Felizmente se antes Abraham tentou de todas as maneiras nos manter separados, depois de casados ele se manteve em seus princípios da velha guarda e nos respeitou.

Mesmo assim, o marido de Selena afirmou que o pai da cantora chegou a lhe chamar de "o câncer da família". Chris e a cantora, apesar da resistência de Abraham, continuaram muito felizes e casados até sua precoce morte em 1995. 

  • Real ou Fictício? Palco desmoronando no México e sucesso de Selena pelo mundo afora: Real 

Selena começou a fazer sucesso em 1989 com o seu Los Dinos, mas foi nos anos 90 que ela disparou como uma superestrela. 

Assim como Selena (idem, 1997) mostra, a cantora fazia sucesso por sua personalidade alegre, cativante e bastante extrovertida. Ela assinou com a produtora EMI em 1989, lançando seu EP Selena, e logo após se tornar a garota-propaganda da Coca-Cola sua fama subiu à níveis inimagináveis. 

Como la Flor se tornou um de seus grandes sucessos e com o lançamento dos álbuns Amor Prohibido (1994) e Selena Live! no mesmo ano, pelo qual ela ganhou o Grammy de Melhor Álbum Mexicano, ela estava pronta para lançar um álbum também em inglês. Infelizmente, Dreaming of You (1995) foi lançado postumamente em 18 de julho, meses após a morte de Selena. 

Em Selena (idem, 1997) não vemos toda a potência do sucesso e amor dos fãs por Selena, mas chegamos perto durante a cena na qual o palco em que ela e Los Dinos estão quase desmorona no México. 


Segundo Chris, em seu Facebook, o momento foi ainda mais assustador na vida real:

O momento foi ainda mais assustador na vida real. Nós não sabíamos se conseguiríamos sair de lá. Eu e Selena. Nós já estávamos casados nesse momento, mas o filme não mostrou isso. 
  • Real ou Fictício? Yolanda Saldívar, presidente de seu fã-clube, manipulou Selena e sua família e a matou após descobrir que ela desviava dinheiro? Real 
Como o filme claramente mostra, Selena estava no auge de sua fama quando conheceu Yolanda Saldívar, presidente de seu fã-clube. 

O encontro ocorreu em 1991 quando Yolanda se aproximou se Suzette afirmando que queria criar um fã-clube para a cantora. O trabalho era imenso e tanto Selena quanto sua família ficaram contentes com a ajuda e a prestatividade de Saldívar. 

Quanto mais famosa a cantora ficava, menos tempo ela tinha disponível para seus outros trabalhos e delegou para a ex-enfermeira o controle de suas duas boutiques de moda chamada Selena Etc. em Corpus Christi e San Antonio, no Texas em 1994. 


Todos à volta de Selena não gostavam de Yolanda. Uma prima da cantora, Débora Ramirez, relembrou como a ex-enfermeira era controladora e não administrava corretamente as boutiques de Selena, no livro Como La Flor

Ao passar do tempo, nem Selena se sentia confortável com a presença de Saldívar, mas como ela era responsável por grande parte de seus negócios e fã-clubes decidiu apenas lidar com a situação. Isto é, até que Selena começou a desconfiar que Yolanda desviava dinheiro de sua companhia. 

Foi Martín Gomez, o designer das roupas na boutique de Selena, que alertou Abraham que apesar das vendas e do carisma de Selena, o negócio não estava deslanchando. Em dezembro de 1994, seu pai teve uma conversa franca com a jovem, que ainda recusava ver a verdade. 

Em 9 de março de 1995, como reconta a biografia de Patoski, Abraham, Suzette e Selena tiveram uma reunião com Yolanda para indagá-la sobre as inconsistências nas finanças. Ela não sabia o que responder. Yolanda, enfim, teve seu nome retirado das boutiques e fã clubes. 

Selena fazendo a promoção de sua boutique Selena Etc.

O problema é que apesar de tentarem tirar Yolanda, a verdade é que Selena precisava dela. Saldívar tinha controle sobre a boutique, a expansão da linha para o México e continuava a lidar com a produção do perfume da cantora. Selena apenas percebeu a gravidade da situação quando recebeu uma ligação do banco, no qual lhe avisaram que a ex-enfermeira estava fazendo grandes saques das contas que ela tinha autorização em mexer. 

Selena telefonou para Yolanda e a confrontou sobre o assunto. Em 30 de março de 1995 ela se encontrou com a presidente de seu fã-clube, ao lado do marido Chris, e após uma conversa cordial recebeu os extratos bancários que pediu. Pouco depois, percebeu que alguns estavam faltando.

Yolanda afirmou que havia sido estuprada em Monterrey e estava se escondendo. Por isso, ela não poderia sair do motel onde estava e pediu que Selena fosse vê-la. No dia seguinte, dia 31 de março, as duas se encontraram no hotel e Selena prontamente levou Saldívar ao Hospital por sua alegação de estupro. Os médicos, é claro, constataram que ela estava mentindo.

Furiosa, de volta ao motel, Selena brigou com sua ex-amiga, sentindo-se traída. O que ela não esperava é que semanas antes, Yolanda havia comprado uma arma e a usaria agora. A cantora tentou correr mais foi atingida em uma importante artéria do pescoço. Ela desmaiou na entrada do Hotel, não antes de contar que Saldívar havia atirado nela. 

Selena Quintanilla faleceu em 31 de março de 1995 às 13h. Yolanda foi presa e condenada a prisão perpétua. Ela terá a possibilidade de liberdade condicional em 2025. 

  • O legado de Selena
O filme fez a decisão de não mostrar a terrível morte de Selena e acabou apenas com a confissão de Yolanda, interpretada por Lupe Ontiveros, com um tributo exibindo os fãs da cantora, suas apresentações e o amor de sua família. 

O legado de Selena continuou após sua morte. Seu álbum póstumo Dreaming of You atingiu o topo das paradas nos EUA e Abraham tomou a certeira decisão de lançar Selena (idem, 1997) para contar a história de sua filha em seus termos. 

Selena (idem, 1997) foi completamente baseado em fatos reais e exibiu a verdadeira faceta da cantora, embora de um ponto de vista cinematográfico, tenha pecado em não mostrar os conflitos e dramas de Selena, focando-se mais em sua história com Chris do que em sua carreira. 

Chris Pérez casou novamente em 1998 com Vanessa Villanueva e com ela teve dois filhos: Cassie e Noah. Eles se separaram em 2008 e o guitarrista lançou em 2012 o livro Para Selena, com Amor relembrando de sua história com a cantora. 


Infelizmente, a boa relação que Chris mantinha com a família Quintanilla se deteriorou com a morte de Selena. Logo após seu falecimento, o guitarrista assinou um termo dando para Abraham e sua família o direito exclusivo do nome de Selena, sua voz, fotografias, sua história e entre outros pormenores. 

Assim, quando ele tentou criar uma minissérie baseado em seu livro Com Amor, Para Selena, com a produtora Blue Mariachi, foi processado pelo ex-sogro em 2016. O guitarrista tentou contestar o processo, mas perdeu também na apelação em 2018. Os dois entraram em um acordo amigável em 2019.  

Em contrapartida, Abraham assinou um contrato com a Netflix para lançar uma série sobre a vida de sua filha, que ainda não tem data de estreia. A atriz Christian Serrato foi escalada para viver a cantora. 

Chris Pérez, em um post descontraído em seu Instagram em 2020, admitiu que não tem nenhum conhecimento sobre o desenvolvimento da série. Quando Selena ganhou uma estrela na Calçada da Fama em 2017, Chris participou da cerimônia, mas deixou claro que teve que "ralar" para conseguir um lugar e fazer parte da homenagem. 


A própria Selena ficaria triste de saber desses desentendimentos entre sua família e Chris, já que ela prezava muito pela harmonia familiar. 

Selena deixou este planeta muito nova, mas com um legado infinito. Milhares de artistas se inspiram nela até hoje e a cantora foi a primeira mulher a fazer sucesso tocando música Tejano. Selena (idem, 1997) é uma das cinebiografias de maior sucesso do cinema e lançou de vez a carreira de Jennifer Lopez no cinema e na música. 

Selena continua a ecoar no imaginário popular, seja com suas músicas, linha de maquiagem, livros infantis e até grife de roupas. Ela trabalhou duro até o fim e com certeza, se estivesse viva, estaria nos encantando ainda com seu talento.
Tudo que eu preciso é tentar e fazer o melhor que posso. - Selena Quintanilla


A história de estrela Anna Magnani e seu filho Luca

Anna Magnani é sinônimo de talento! A grande estrela ganhou um Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação em A Rosa Tatuada (The Rose Tattoo, 1955) - a primeira italiana a ganhá-lo - e foi indicada novamente, dois anos depois, por A Fúria da Carne (Wild is The Wind, 1958). Como se não bastasse, ela também foi a protagonista de grandes clássicos como Belíssima (Belissima, 1952), Roma Cidade Aberta (Roma, cittá aperta, 1945) e Mamma Roma (idem, 1962). 

A atriz, apesar de sua vida atribulada, também foi uma mãe fiel para seu filho Luca Magnani, fruto de seu relacionamento com Massimo Serato -original Segato. Luca, infelizmente, contraiu pólio aos 3 anos de idade e Anna fez de tudo para que ele fosse bem cuidado e tivesse uma vida dentro da normalidade. 

Tanto que, sobre sua mãe, em entrevista ao jornal La Stampa, Luca descreveu:
Nem eu e nem a minha mãe sentimos falta de uma figura paterna em nossas vidas. Mesmo que fosse difícil, ela criou a si mesma: ela não tinha um diretor ou produtor para protegê-la, ela não tinha saída. Ela não tinha como preparar minha comida ou me colocar na cama todas as noites. 
Luca e sua mãe: Anna Magnani
A história dessa mãe e filho começa quando Anna conhece Massimo Serato, naquela época ainda com o nome Massimo Segato, em meados de 1940. Foi naquele período que Anna começaria a atuar no teatro Quatro Fontane di Roma - ela já era uma atriz respeitada, mas não famosa - e mal imaginava que se apaixonaria pelo jovem ator, que atuou com ela posteriormente em produções de Carmen e Cantachiaro nesse teatro. 

Anna e o jovem galã se conheceram, de acordo com a biografia Anna Magnani: La biografia de Matilde Hochkofler, em uma das festas de Ottorino Visconti, primo de Luchino Visconti. Então, Anna ainda era casada com Goffredo Alessandrini, que tinha acabado de ter uma filha, fora do casamento, com Regina Bianchi. Assim, Anna se via livre para ter um caso com quem quisesse e ficou encantada por Massimo: nove anos mais novo e lindo de morrer (ou de viver, depende de sua perspectiva). 

Segundo o livro Anna Magnani Vita, amori e carriera di un'attrice che guarda dritto negli occhi de Italo Moscati, o encontro de Anna e Massimo na festa aconteceu bem no jeito Anna de ser: 
Ela estava irritada com a festa e resolveu telefonar para sair com Goffredo ou achar algum amigo para passear por Roma à noite. Mas o telefone estava ocupado por uma pessoa muito falante e que não se importava que Anna precisava usar o telefone. A espera foi se tornando insuportável e Anna se aproximou e deu uma enorme batida ao lado do homem. Foi ai que ela conheceu o jovem Massimo Serato. 
Massimo Serato (então Giuseppe Segato) em 1940, ano de seu encontro com Anna 
Apesar das objeções da mãe de Massimo, que considerava o filho muito novo para namorar a estrela, os dois começaram um caso quente - repleto de idas e vindas. Apaixonada, Anna até conseguiu que quando o jovem foi chamado para participar da Segunda Guerra Mundial, em 1942, que ele fosse para Turin, ou seja, não participando dos contingentes centrais da guerra. Ademais, Massimo teria licenças para continuar a trabalhar no filme Giacomo l'idealista (idem, 1943), com Anna salvando seu amado dos maiores terrores da batalha. 

Os dois até tentaram, em uma época, morarem juntos, mas Massimo se sentia sufocado pelas brigas com a atriz e foi morar com sua mãe em um local mais afastado da cidade. Conta-se que Anna sentia que Massimo era como um "gato", desaparecendo ocasionalmente de sua vida e depois pedindo para ser enchido de carícias e abraços. Inegavelmente, Massimo, por sua parte, se sentia atraído pela sensualidade certeira de Magnani. Segundo o livro La Magnani de Patrizia Carrano e ‎Federico Fellini, os dois viviam entre "anos de brigas, discussões, mas também felicidade". 

Em fevereiro de 1942, Anna Magnani finalmente realizou o seu maior desejo, o de saber que iria se tornar mãe, dando à luz em 25 de outubro de 1942 (alguns afirmam 23 e outros 29) um menino chamado Luca. Com a notícia da gravidez, ela declinou o papel principal no clássico Obsessão (Ossessione, 1943) que foi estrelado por Clara Calamai. Vale lembrar que a atriz italiana nunca havia conhecido seu pai e sua mãe a abandonou - ela foi criada em Roma pelos avós. A biografia de Italo Moscati afirma que, apesar de Massimo ter ficado maravilhado em se tornar pai, ele não se sentia preparado.

Sobre o nascimento do filho, em 1942, Anna reconta via Anna Magnani Por Matilde Hochkofler
Quando nasceu o meu filho foi um grande dia. No hospital eu estava com medo, medo por tudo que sofreria por um filho que ainda não tinha conhecido. Eu suava, suava. Agarrando-me desesperadamente a cama de operação eu sentia o suor escorrer e gritava como um gavião. Minha garganta queimava. Como você me fez sofrer meu filho, mas depois tudo voltou ao normal. Eu estava bem. 
Anna com seu lindo filho Luca em 1943

Apesar da felicidade, Anna nem podia dar seu sobrenome ao filho, já que ainda estava legalmente casada com Goffredo Alessandrini. Massimo apenas poderia dar o sobrenome ao filho se registrasse no cartório o nascimento como: "Filho de Massimo Serato e desconhecida", pelo fato de Anna ainda ser legalmente casada. Em contrapartida, ela não havia dado permissão que seu marido desse seu sobrenome às duas filhas que teve fora do casamento com Regina Bianchi, mas, por sorte, Anna conseguiu que Alessandrini desse seu sobrenome ao bambino. Luca, apenas na fase adulta, passou a usar o sobrenome Magnani.

Anna e Massimo continuaram juntos após o nascimento de Luca, mas as brigas explosivas do casal continuavam aumentando e se tornando épicas. Sobre as discussões do casal, Jole Tuzzi, que trabalhou com Mario Soldati no filme estrelado por Massimo, Quartieri alti (idem, 1943), afirmou ao livro de Italo: 
Ele [Massimo] aparecia apaixonado, mas estava muito perdido. Eles não conseguiam parar de brigar. Ela chegava ao set de filmagens calma e depois de dois minutos tinham brigas e escândalos. Anna não se limitava: se queria fazer, fazia. Quando ela não vinha, os dois se telefonavam. Todo mundo sabia que eles estavam muito apaixonados. 
Apesar do que se fala a respeito do relacionamento entre Anna e Massimo, os dois não se separaram logo após o nascimento do filho Luca. De acordo com ambas as biografias de Anna, ela e Serato continuaram a sair e colaboraram no teatro nas seguintes peças: Cantachiaro (1944), Carmen (1944), Soffia So (janeiro de 1945) e pela última vez em Cantachiaro nº 2 em maio de 1945. 

Anna Magnani em cena de Roma, Cidade Aberta (Roma, città aperta, 1945)
Os dois, portanto, ainda estava juntos em janeiro de 1945, quando Anna começava a gravar um de seus maiores clássicos e seu primeiro grande sucesso no cinema: Roma, Cidade Aberta (Roma, città aperta, 1945). Tanto que de acordo com Sergio Amidei, roteirista do longa-metragem, a famosa cena da personagem de Anna, no qual ela corre atrás dos alemães e é morta, foi inspirada em uma briga com Massimo: 
Nós tínhamos encontrada uma pessoa que permitiu que gravássemos à noite em Trastevere, atrás das barragens da polícia. Anna estava brigando com Massimo Serato, eu não queria me envolver, então fiquei de fora e vi Serato sair correndo da casa, entrar em um carro e pedir para a Toddini levá-lo para cidade. O carro começou a partir e de lá aparece Magnani, correndo com suas pernas tortas, brava e gritando: 'Seu filho da puta! Bastardo! Canalha!' Foi assim que a cena clímax do filme nasceu. - trecho de La Cittá del Cinema via Passion and Defiance: Italian Film from 1942 to the Present por Mira Liehm
Se essa cena entre Massimo e Anna realmente aconteceu, não temos como afirmar. Porém o que se sabe é que o relacionamento deles já estava se deteriorando quando ambos descobriram que seu filho Luca, aos dois anos de idade, havia contraído poliomelite (uma doença viral que pode levar a criança à paralisia completa). A vacina apenas foi liberada em 1955 e durante o período da Segunda Guerra Mundial, houve uma severa epidemia na Itália que foi apenas erradicada no começo dos anos 50. 

Foi com a doença de Luca - descoberta durante as gravações de Roma, Cidade Aberta (Roma, città perta, 1945) - que Serato resolveu largar de vez a família, especialmente quando os cuidados com Luca se provaram bem mais do que ele estava disposto a dar.

A indiferença dele diante à família, de acordo com Italo Moscati, apenas aumentava e o descontentamento entre eles fez com que Massimo deixasse seu filho e Anna para trás. De forma covarde, Massimo nunca mais fez parte da vida de Luca. Foi aliás, no final das gravações de Roma, Cidade Aberta (Roma, città aperta, 1945) - que durou de janeiro a maio de 1945 - que Anna se encantou por Roberto Rossellini - diretor do longa-metragem- com quem ela ficou até 1949, quando o diretor então conheceu e se apaixonou por Ingrid Bergman. 

Anna Magnani e seu filho posam para a revista Life em 1950
Nesse ínterim, a carreira de Anna nos cinemas finalmente florescia - e o fluxo de dinheiro aumentava - e ela fazia questão de pedir uma grande quantia de dinheiro em seu cachê, para que ela pudesse dar os melhores cuidados para seu filho Luca. Infelizmente, Luca nunca conseguiu reaver o movimento das pernas e passou o resto da vida andando de muletas. Hoje ele tem 77 anos de idade. 

De acordo com a entrevista de Luca ao site La Stampa, ele foi enviado para viver na Suíça em um internato, recebendo os melhores cuidados para sua saúde. Ele apenas retornava para a Itália nos feriados e nas férias de verão. Aos 16 anos de idade, ele voltou ao país para morar com a mãe, contudo em um arranjo diferenciado: ele vivia em um apartamento ao lado dela, no mesmo andar. 

Sobre isso, ele explica: 
Foi o jeito certo. Nós tínhamos duas vidas diferentes. Eu ia para escola, acordava cedo.  Ela trabalhava até as duas da manhã e acordava bem tarde. Nós nos víamos à noite quando voltava da escola. Nós jantávamos juntos. 
Luca Magnani também conta que tinha um problema em manter as notas escolares altas e tinha uma tática para diminuir o impacto da ira de sua mãe: mostrar seu boletim de manhã, assim quando ele retornava à noite ela não estava tão nervosa. Mesmo assim, ele afirma: "quando ela ficava brava, ela ficava brava."

Quando Anna ganhou o Oscar de Melhor Atriz pela A Rosa Tatuada (The Rose Tattoo, 1955), de acordo com o livro Anna Magnani, quattro storie americane de Cristina Vaccarella, ‎Luigi Vaccarella, ela deixou claro que o mais importante para ela era o seu bambino e que aquele prêmio era para ele: "Tudo que fiz foi pelo meu filho Luca". 

Anna e seu filho galã em um evento de 1961
Apesar de ser um arranjo incomum, a medida de moradia funcionava para Luca e Anna. Os dois sempre se divertiam e saíam juntos, como um par de mãe e filho bem unidos. Ele não seguiu a mesma carreira que sua mamma - apesar de ter a beleza de galã do pai - e se formou na faculdade em Arquitetura. Em 1974, aos 32 anos de idade, casou-se com a atriz Gigliola Faenza, com quem teve sua única filha Olivia Magnani, nascida em 1974- esta seguiu os passos da avó e tornou-se uma atriz. 

Luca e Gigliola se divorciaram em 1986, e a atriz até fez uma festa super exclusiva para comemorar o divórcio! Anna Magnani faleceu em 16 de setembro de 1973 e não pode conhecer sua neta. Já Massimo Serato, faleceu apenas em 1989, e apesar de alguns casos com atrizes famosas, e alguns casamentos curtos, não teve mais nenhum filho e pelo que pesquisei, nunca quis ter contato com o Luca.

Luca Magnani, foto recente, em sua casa - atrás uma foto de Anna Magnani                          Da Gospia
Em entrevista ao jornalista Louis Valentin, publicada em outubro de 1973, um mês depois de sua morte, Anna fez como se fosse uma biografia de sua vida e dedicou lindas palavras ao seu filho: 
Hoje Luca é um homem. Talvez ele tenha os mesmos sentimentos que tinha sobre a minha mãe. Mas eu não queria deixá-lo Luca, eu não queria abandoná-lo. Um dia você entenderá que nossa separação era necessária. Hoje tenho medo de seu silêncio, de sua solicitude e de seu caráter difícil. Me diga que é apenas uma fase temporária, assim como eu tinha quando queria 'conquistar' a minha mãe. Vai passar. Eu só peço para viver o máximo de tempo que posso ao lado de meu filho. - replicado no site Archivio Anna Magnani.
Anna, no entanto, não precisava se preocupar. Seu filho Luca, já afirmou com todas as palavras: "ela era o homem da casa, no final das contas era ela que tinha que pagar as contas em dia", mostrando o quanto a admirava por sua força e obstinação.

Apesar de terem vidas diferentes, o carinho e amor entre Luca e Anna Magnani são lindos de se ver e de recontar para o público. Uma verdadeira história de amor! 




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