Header Ads

ad

Matérias Recentes!

A parceria de Maureen O' Hara e John Wayne no cinema

O cinema hollywoodiano criou pares que ninguém pode colocar defeito: Elizabeth Taylor e Richard Burton, Sophia Loren e Cary Grant e até a união eletrizante de Jerry Lewis e Dean Martin, embora não tivesse nenhum amor romântico entre eles. Esse foi o caso, também, com a parceria da irlandesa Maureen O'Hara e John Wayne, apesar dos rumores circulando de que eles seriam mais do que bons amigos na época. E pudera! A química entre os dois era inegável e deu tão certo que estrelaram em cinco filmes juntos, todos de grande sucesso.


O'Hara e Wayne  durante o tapete vermelho de seu último filme juntos, Jake Grandão          Divulgação/Gif
Mas a relação entre eles - e segundo eles!- sempre foi de irmão e irmã, desde quando se conheceram pela primeira vez, no dia de São Patrício, em 1940 na casa do renomado diretor John Ford. Maureen conheceu o cineasta gravando Corcunda de NotreDame (1939) e um ano depois estrelava em seu filme Como Era Verde Meu Vale, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1941. Já com John Wayne, a parceria com o diretor começou em 1939 com No Tempo das Diligências e durou mais de duas décadas. Assim, John e Maureen se uniram, mas somente estrelaram em um filme juntos 10 anos depois. Foi aí, ao fazerem Rio Bravo (1950) que a amizade deles começou a florescer. 

Por isso, A Listinha mostra todas as parcerias do Duque de Hollywood e sua Duquesa, que fizeram história no cinema e formaram uma linda amizade fora dele. 



Rio Grande (Rio Bravo) -1950 

Este filme, o primeiro na filmografia de Maureen e John juntos, foi apenas um meio necessário para o fim que eles tanto queriam: estrelar em Depois do Vendaval (The Quiet Man), de 1953. De acordo com a autobiografia de Maureen 'Tis Herself, John Ford estava procurando incessantemente por algum estúdio que topasse financiar a história de The Quiet Man, baseado no livro de contos de Maurice Walsh intitulado The Quiet Man and Other Stories.

Divulgação
Ninguém queria bancar esse projeto e, assim, segundo Maureen, o diretor Ford recorreu ao estúdio Republic Pictures, gerenciado por Herbert J. Yates, que topou financiar o "filme que não faria nenhum dinheiro", desde que Ford fizesse uma película de faroeste antes, com a mesma equipe, para recuperar o dinheiro que ele perderia com Depois do Vendaval (The Quiet Man). Portanto, em meados de junho de 1950, todos se uniram para trabalhar em Rio Grande, traduzido como Rio Bravo no Brasil. Infelizmente, a tradução fica um pouco confusa, já que em 1959, Wayne estrelou em um outro filme chamado Rio Bravo, que se intitulou como Onde Começa o Pecado no nosso país. Que confusão! 

Apesar desse fato, Rio Bravo (1950), se tornou um dos grandes sucessos na carreira de Maureen e de Wayne também. O filme conta a história do oficial da cavalaria americana, Kirby Yorke, vivido por John Wayne, que treina novos recrutas para lutar contra os índios apaches na região do Rio Grande, perto do Novo México. A situação complica quando seu filho resolve se alistar em sua cavalaria e ainda mais quando sua esposa Kathleen descobre: ela é contra a profissão que a separou de seu marido, e agora, de seu filho, com apenas 16 anos de idade. 

Um faroeste clássico, com questões de honra e do amor, ele é considerado o último da Trilogia de Cavalaria de John Ford, que depois decidiu se focar em filmes mais dramáticos, como o seu tão amado Depois do Vendaval (1953)



The Quiet Man (Depois do Vendaval) -1952

Divulgação
Finalmente, depois de toda equipe de John Ford ter criado Rio Bravo (1950) para agradar a visão e os bolsos de Herbert J. Yates, eles estavam prontos para começar a produção do filme que eles queriam ter feito logo de primeira: Depois do Vendaval (1952). Baseado na obra de Maurice Walsh, a película conta a história de Sean Thorton, interpretado por John Wayne, um boxeador que retorna à sua cidade natal na Irlanda para buscar um pouco de paz. O que ele não esperava era se apaixonar por Mary Kate Danaher, vivida por O'Hara, uma irlandesa esquentada que quer que ele prove, a socos, o quanto a ama. 

Apesar do machismo presente na obra, especialmente na cena final do filme, é inegável que Depois do Vendaval é uma das obras-primas do cinema: sua fotografia, o roteiro e, inclusive, a cena do beijo entre os protagonistas, que merecia uma menção na parte de beijos proibidos de Cinema Paradiso (1988). 


John Ford havia trabalhado no roteiro do filme durante anos e de acordo com a biografia John Wayne, The Man Behind the Myth de Michael Munn, o diretor ficou tão nervoso com a possibilidade de que seu filme mais esperado não desse certo, que ele acabou desenvolvendo uma úlcera no estômago enquanto eles estavam em locação, na Irlanda. 


Mas nem tudo foi nervosismo não: a última cena de Depois do Vendaval, quando a personagem de Maureen sussurra algo na orelha de Wayne é motivo de mistério até hoje, e a frase foi tão chocante que a atriz quase se recusou a dizer para seu amigo Wayne. Os três - o diretor, a atriz e o ator - nunca contaram sobre o que se tratava e juraram levar o segredo para o túmulo; o que eles fizeram. 


The Wings of Eagles (Asas de Águia) - 1957


Divulgação
Demorou mais de cinco anos até que os dois se unissem novamente nas telonas, com John Ford mais uma vez na direção, interpretando marido e mulher no filme Asas de Águia, baseado na vida de Frank W. 'Spig' Wead, que ajudou os Estados Unidos a promoveram a aviação durante a Segunda Guerra Mundial e foi considerado, também, um dos aviadores mais importantes do mundo durante a Primeira Guerra Mundial. Claro que o fato de Wead ser um amigo próximo de Ford e ter escrito dois roteiros de Asas Heroicas (1932) e Fomos os Sacrificados (1945) para o diretor - Frank Wead escreveu roteiros desde 1929 até o ano de sua morte, 1947- também ajudou na decisão de fazer uma cinebiografia sobre ele. 

John Wayne interpreta o tão famoso Wead enquanto O' Hara fica ao seu lado como esposa, Minnie Wead. O interessante nisso tudo é que é nesta película que, pela primeira vez, vemos John Wayne sem seu topete, já que o aviador, a medida que envelhecia, ficava calvo, assim como o ator, que tentava esconder esse fato nas telonas. Mas quem rouba a cena no filme, um tanto morno, é o ator Ward Bond, que interpreta John Dodge, uma versão ficcional de John Ford, que é sensacional. 


Frank Wead teve uma vida extraordinária: foi um aviador de talento, quebrou inúmeros recordes, mas não escapou do destino ao cair e fraturar o pescoço quando foi acudir sua filha que chorava em abril de 1926, ficando assim paralisado por um tempo, já que gradualmente conseguiu retornar a andar com a ajuda de uma bengala. O acidente não foi o fim para Wead e ele resolveu se tornar roteirista e um muito bom! Não deixando de lado seu papel como aviador, é claro. 


De acordo com o livro John Ford: Hollywood's Old Master de Ronald L. Davis, tanto o diretor como o resto do elenco, incluindo Wayne odiaram o título do filme The Wings of Eagles e tentaram fazer com que o estúdio mudasse, sem qualquer êxito. O filme, no entanto, é uma fiel representação da vida de um amigo, Wead, feito por outro que sempre se importou com ele. 



McLintock! (Quando um Homem é Homem) -1963

Divulgação
A Rainha do Technicolor, Maureen O'Hara brilha em toda sua beleza gloriosa aos 43 anos de idade, neste faroeste de comédia intitulado Quando um Homem é Homem. (In)felizmente, a premissa do filme hoje em dia é extremamente ultrapassada e com certeza machista. Nele, conhecemos George McLintock, interpretado por Wayne, um homem rico e poderoso, que está ansioso para que sua filha Rebecca (Stephanie Powers) retorne para a casa. Quem ele não esperava que viesse junto era sua esposa distante, Katherine, vivida por O'Hara, que o culpa por tudo que aconteceu de errado na sua vida, mas sem poder divorciar-se dele. Assim, o velho patriarcado toma conta e o que vemos é um exemplo horrível do que os homens consideram apropriado de tratar uma mulher. 

Na época em que o filme foi gravado, em meados de 1962, nos Estados Unidos, os costumes eram outros. Para se ter uma ideia era extremamente difícil que uma mulher solteira pudesse ter um cartão de crédito. O banco poderia se recusar a fazê-lo, com justa causa. Já o filme, que se passava no século XIX, também não era nada amigável com suas mulheres: um homem, naquele tempo, poderia se divorciar de sua esposa se ela o estivesse traindo, mas o contrário era impossível. O marido ficaria, portanto, com a guarda de seus filhos e a esposa seria proibida de vê-los. 

Assim, a cena mais conhecida do filme, a da perseguição de O'Hara por Wayne mostra, exatamente, como os homens responsáveis pela película e, inclusive, o século em que viviam, pensavam de suas mulheres: que elas precisavam ser disciplinadas. Até o poster do filme mostra esse descaso: é uma foto do personagem de Wayne, segurando O'Hara de bunda para cima, preparando-se para bater nela e lhe dar um corretivo.

Maureen O'Hara, inclusive, revelou em sua autobiografia que a cena do filme da perseguição ocorreu de verdade, sem cortes, e Wayne gostou tanto de fazer a cena que ela ficou machucada por vários dias depois. Mas o filme é interessante de se assistir por tais motivos: analisar nossa evolução como sociedade e como isso vem mudando. E, aliás, se você quiser ver uma Yvonne de Carlo pré-Lily na série Os Monstros. 


Big Jake (Jake Grandão) - 1971 

Divulgação
O último filme da dupla O'Hara-Wayne no cinema e coincidentemente, o único da dupla a não ser dirigido por John Ford, que fez seu último filme em 1966, e aposentou-se. Wayne insistiu, aliás, em dirigir partes de Jake Grandão para ajudar o diretor e amigo George Sherman, que devido à idade, não se sentia bem para gravar no calor do México. Mesmo assim, o ator não quis que seu nome aparecesse como diretor: queria essa honra apenas ao seu bom amigo. 

Já com Maureen O' Hara, Wayne foi mais direto: ele disse que a queria no seu filme, mas a avisou que ela não teria muito o que fazer, o que era verdade - ela apenas aparece durante o começo de Jake Grandão e nada mais. Um final um pouco frio demais para uma parceria tão acalentadora, já que até o final pastelão de McLintock! seria melhor, pelo menos Maureen não seria renegada a um papel tão pobre, sem nada a fazer a não ser repetir algumas falas. 

Na película, ela interpreta Martha McCandles, a esposa de Jake, vivido por Wayne, que precisa recuperar seu neto, Little Jake (Ethan Wayne) das garras da gangue rival de John Fain (Richard Boone), já que ele foi raptado e esperam um bom dinheiro por ele: coisa que Jake Grandão não entregará até lutar. 

Apesar do papel pequeno, segundo a biografia Maureen O'Hara: The Biography de Aubrey Malone, a atriz não estava incomodada com o pouco que tinha de fazer. Era até um alívio, com a idade que estava: 50 anos e com um neto recém-nascido, de sua única filha Bronwyn FitzSimons. Jake Grandão foi o último filme de Wayne a ser um sucesso de bilheteria, antes de sua morte em 1979 provando que vinte anos depois de seu primeiro filmes juntos, Maureen O'Hara e John Wayne ainda eram sinônimos do sucesso. 

Um viva ao Duque e Duquesa de Hollywood! 




Author Image

Sobre Gabriella Baliego
Vem revirar a caixa do cinema com a gente! Filmes, músicas, arte, livros, séries - tudo que tem a ver com o universo clássico da sétima arte.

Nenhum comentário