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As Mulherzinhas (Little Women) de Louisa May Alcott e suas versões para o cinema

O livro Mulherzinhas ou Adoráveis Mulheres (Little Women) de Louisa May Alcott foi lançado em 1868 (e completará 150 anos do lançamento em 30 de setembro de 2018)  e o sucesso foi estrondoso. A história das irmãs March, com a impetuosa Jo, da vaidosa Meg, da bondosa Beth e da egocêntrica Amy foi baseada, livremente na vida da autora e de suas três irmãs e os fãs do livro ficaram ansiosos para saberem o que aconteceria com suas personagens favoritas. 

Louisa May Alcott, que escreveu o livro a pedido de seu editor, e não acreditava que uma história sobre garotas faria tanto sucesso, ficou extremamente surpresa e teve que escrever não uma, mas três continuações para a história das irmãs: o Esposas Exemplares (The Good Wifes) - no qual elas finalmente encontram seus pares, Little Men, mostrando a vida de seus filhos quando crianças e, por fim, Jo's Boys, mostrando a vida dos filhos de Jo e de suas irmãs, já adultos. 

O livro Mulherzinhas (Little Women) que deu origem à uma quadrilogia não oficial e à inúmeras adaptações para o cinema e para a televisão. No entanto, são quatro versões para o cinema que são lembradas atualmente, que tem atuações de peso de atrizes como Katharine Hepburn, Elizabeth Taylor e Winona Ryder. 

Katharine Hepburn foi a primeira atriz a interpretar Jo March no cinema falado                 Divulgação/Gif
No ano de 2018, duas adaptações da obra de Louisa May Alcott serão realizadas: uma minissérie de três partes no canal britânico PBS, e um filme dirigido pela cineasta Claire Niederpruem, a segunda mulher a dirigir uma adaptação de Mulherzinhas (Little Women) desde 1994. 

A história de As Mulherzinhas (Little Women) começa em 1860, quando o pai das quatro garotas está fora, lutando na Guerra Civil Americana. O leitor segue então a vida das irmãs, ao lado de sua mãe caridosa, enquanto elas lutam para sobreviver no mundo, aprendendo sobre amizades, inclusive a do rico jovem Laurie, paixões e encontrando, enfim, seus lugares no mundo. 

Confira, a seguir, as três melhores versões para o cinema do livro As Mulherzinhas de Louisa May Alcott! 

AS QUATRO IRMÃS (LITTLE WOMEN, 1933)

Da esquerda para direita: Joan Bennet, Jean Parker, Katharine Hepburn e Frances Dee     Divulgação/Publicidade
Katharine Hepburn era exatamente como a personagem Jo March. George Cukor, o diretor da versão As Quatro Irmãs (Little Women, 1933) também o disse, como conta a biografia I Know Where I'm Going: Katharine Hepburn, A Personal Biography Por Charlotte Chandler: "Ela é Jo. De todas as personagens que ela já interpretou, essa é aquela mais próxima de Kate. Kate e Jo são realmente a mesma pessoa. Não há dúvida de que ela colocou muito dela mesma em Jo. Tudo."  

A quarta película na filmografia de Hepburn, depois de seu sucesso incrível em Vítimas do Divórcio (A Bill of Divorcement, 1932), As Quatro Irmãs (Little Women, 1933) foi feito pelo estúdio RKO e contou ainda com Joan Bennet como Amy, Jean Parker como Beth e Frances Dee como Meg. A mãe das meninas é interpretada pela doce Spring Byington. O jovem Laurie, maior amigo e possivelmente algo a mais de Jo, é interpretado por Douglass Montgomery. E o professor Bhaer que ajuda Jo em Nova York e a enfeitiça é vivido por Paul Lukas, em uma atuação muito puxada para a comédia e um tanto fora de tom. 

Apesar de ser fiel ao material de Louisa May Alcott, As Quatro Irmãs (Little Women, 1933) peca pelo exagero, algo que a própria Katharine mencionou, mas não de forma pejorativa, segundo o livro Kate: The Woman Who Was Hepburn Por William J. Mann:
"[O filme] combinou bem com o meu jeito exagerado das coisas. Eu poderia dizer: 'Cristovão Colombus! Que riqueza!' e acreditar totalmente que diria aquilo. Eu tenho muito dessa personalidade antiga em mim." 
A atuação de Hepburnm com 26 anos de idade na época, é tão grande que ela ofusca as outras atrizes e toma, para si - ou pelo menos parece - toda a duração do filme. Jo é a protagonista, mas as outras irmãs ocupam, no livro, tantas páginas quanto ela e com essa atuação, Hepburn estava um tanto quanto forçada e assim o espectador não consegue se conectar com a personagem, de fato. O fato da atriz e Douglass Montgomery não terem química alguma também dificulta vender o triângulo amoroso entre Jo X Laurie X Amy.  

As Quatro Irmãs (Little Women, 1933) foi um sucesso quando foi lançado e é uma adaptação fiel, repleta de boas atuações e com um roteiro muito conciso. Mas mesmo com todos os críticos afirmando que Hepburn conseguiu capturar a essência de Jo March, afinal a atriz era ela na vida real, o produto final não é tão bom quanto poderia ser. 

QUATRO DESTINOS (LITTLE WOMEN, 1949)

Da esquerda para direita: Margaret O'Brien, Janet Leigh, June Allyson e Elizabeth Taylor          Divulgação
De todas as adaptações para o cinema e também televisão, Quatro Destinos (Little Women, 1949) foi a que mais sofreu mudanças em relação ao livro de Louisa May Alcott, mas, surpreendentemente deu muito certo! 

Tudo começou quando o produtor e diretor Melvin LeRoy, que sempre quis fazer uma adaptação de Mulherzinhas para o cinema, conseguiu convencer o chefe do estúdio Louis B. Mayer a comprar os direitos do filme de David Selznick (produtor responsável pela versão de 1933). 

Mayer concordou e LeRoy escalou as atrizes que mais queria para os papeis das irmãs: June Allyson, então com 32 anos de idade, para o papel de Jo March. Janet Leigh como Meg, Elizabeth Taylor e Margaret O'Brien como Amy e Beth, respectivamente. A mãe delas é vivida pela grande Mary Astor. O professor Bhaer é vivido por Rossano Brazi, outro acerto pelo charme de sua atuação. Laurie é interpretado pelo ator Peter Lawford, que como conta Margaret na biografia Margaret O’Brien: A Career Chronicle and Biography por Allan R. Ellenberger, mostrou porque era um ótimo Laurie:
Eu me senti de fora porque todas elas tinham uma queda por ele. Peter se divertiu muito fazendo o filme. 
A primeira mudança começou com a idade das irmãs: no livro Amy é a mais nova, mas na versão de 1949, isso foi mudado para que Elizabeth Taylor, cinco anos mais velha que Margaret O'Brien, pudesse interpretar a personagem. A outra é que, apesar de June Allyson não ter nada a ver com a Jo March descrita nos livros, ela funciona no filme exatamente por mesclar o espirito da personagem sem ser extremamente afetada. Todas as quatro atrizes (com destaque especial de Margaret O'Brien que brilha em cena), aliás, formaram uma verdadeira amizade no set de filmagens e as atuações são extremamente poderosas, sendo um esforço em grupo e não um show de uma mulher só como a versão de 1933.

Quatro Destinos (Little Women, 1949) funciona muito bem como uma adaptação fiel do livro de Louisa May Alcott, porque as quatro atrizes estão em sintonia, como se fossem realmente irmãs. Um filme, e uma adaptação, que merece ser muito mais apreciado. 


ADORÁVEIS MULHERES (LITTLE WOMEN, 1994) 

Da esquerda para a direita: Kirsten Dunst, Winona Ryder, Claire Danes e Trini Alvarado             Divulgação
Talvez Adoráveis Mulheres (Little Women, 1994) seja a versão mais conhecida do clássico livro de Louisa May Alcott e não é à toa: a quantidade de esmero que existe nesta versão deve ser apreciada. 

A ideia de fazer uma terceira versão de Mulherzinhas (Little Women) para o cinema, depois de mais de quatro décadas, veio da executiva do estúdio Columbia, Amy Pascal e sua amiga, a roteirista Robin Swicord. As duas adoravam a novela e queriam trazer uma nova versão para o cinema. Como produtora, elas convidaram Denise Di Novi, amiga de Winona Ryder. A atriz, em troca, concordou na hora em participar da nova versão porque sempre amou o livro de Louisa May Alcott. 

Winona também foi responsável, como conta a biografia Winona Ryder: The Biography por Nigel Goodall por fazer o filme acontecer e por escolher quem dirigiria a adaptação. Ela escolheu a cineasta Gillian Armstrong, a primeira a dirigir uma versão do livro no cinema e tudo estava encaminhado. Ryder interpretaria Jo March, Claire Danes (em seu primeiro papel no cinema graças à Winona que a viu na série My So Called Life) interpretaria a doce Beth, Trini Alvarado seria a Meg e Kirsten Dunst interpretaria Amy pequena. A versão mais velha de Amy seria interpretada por Samantha Mathis. A mãe das meninas foi interpretada por Susan Sarandon. 

O papel de Laurie ficou para o encantador Christian Bale, que até hoje fascina os recantos das mentes de quem assiste esta versão. O professor Bhaer, em uma atuação mais contida ficou para o ator Gabriel Byrne. Esta versão de Mulherzinhas (Little Women) é extremamente fiel ao livro e acertou ao escalar duas atrizes, uma mais nova e outra mais velha, para interpretar Amy. Isso porque, apesar de no cinema, parecer que tudo acontece de forma rápida, Louisa May Alcott acompanhou a vida das irmãs March por quase dez anos. 

Adoráveis Mulheres (Little Women, 1994) obteve grande sucesso na bilheteria e apresentou à uma nova geração o companheirismo e o amor das irmãs March. Uma adaptação tão visualmente bela quanto fiel ao seu material, Adoráveis Mulheres (Little Women, 1994) se eleva pela química entre Winona e Christian Bale e faz o espectador romântico odiar, ainda mais, o final. 


O livro Mulherzinhas de Louisa May Alcott já recebeu inúmeras adaptações para as telonas e as telinhas. Qual é a sua favorita?  


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