A vinda io-iô de Lana Turner ao Brasil - Caixa de Sucessos

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27/05/2020

A vinda io-iô de Lana Turner ao Brasil

Em 1946, Lana Turner estava no auge de seu sucesso: como protagonista no clássico noir O Destino Bate à Sua Porta (The Postman Always Rings Twice, 1946) que seria lançado no meio daquele ano, ela tinha todos os olhos sob si. Em um relacionamento quente - e secreto - com Tyrone Power - que já veio ao Brasil duas vezes - Lana conciliava a vida profissional com a pessoal, sem perder um compasso sequer. 

O mesmo, no entanto, não pode ser dito de sua vinda ao Brasil. Antes de dar às caras por aqui, os jornais faziam um io-iô da loira platinada: uma hora ela vinha, na outra sua visita estava cancelada e todas essas notícias foram se arrastando por mais de um mês. 

Até os fãs mais fervorosos de Lana - imagino eu! - devem ter ficado desapontados e sem esperanças de que ela viesse mesmo ao nosso país. Mas em 1 de fevereiro de 1946, Turner chegou, abalou e para compensar esse "chove não molha" da imprensa, ficou mais de um mês nas terras brasileiras. 

Lana Turner na coletiva de imprensa no Brasil - cortesia da Revista da Semana 
A epopeia se iniciou em 16 de janeiro de 1946 quando os jornais brasileiros, através do press release do estúdio de Lana, a MGM, noticiaram que a garota do suéter tiraria férias de um mês em viagem pela América do Sul. A chegada prevista de Lana ao Rio de Janeiro era no dia 26 de janeiro e segundo o jornal A Noite, sua primeira parada do tour seria no México e depois ela se aventuraria em outros países do continente. Logo a nova data de Lana para chegar por aqui mudou para o dia 25, após o que seria uma breve estadia em Buenos Aires, Argentina. 

Dia 18 de janeiro de 1946 ela chegou a Balboa, no Panamá e zanzou pelo Chile. Só que no fatídico dia 25, cadê a Lana? Na data em questão, os jornais soltaram uma nota avisando que a atriz havia decido ficar mais tempo na Chile.

Foi apenas no dia 26 que ela havia chegado a Buenos Aires e deixou claro que não ficaria muito por lá, estava ali "para repousar." O novo dia previsto para chegar no Brasil seria na próxima segunda-feira, dia 28 de janeiro. 

Lana Turner assinando o registro do hotel Plaza, em Buenos Aires, onde ela ficou por uma semana antes do Rio                        O Jornal
E você acha que isso aconteceu? A resposta é não! Lana resolveu ficar mais um tempo em Buenos Aires na Argentina, porque segundo o jornal O Jornal ela sofreu uma viagem turbulenta de avião para chegar a Argentina, atravessando a Cordilheira dos Andes sob forte temporal, e precisava descansar um pouco. Garantiu que chegaria no Rio de Janeiro na sexta-feira, dia 1 de fevereiro de 1946 e que ficaria no Hotel Termas -Quitandinha, em Petrópolis: 
Onde pretendo permanecer por pelo menos duas semanas, desfrutando do ar gostoso das montanhas petropolitanas, do qual já ouvi falar nos Estados Unidos. (lembrando que na época ela namorava Tyrone e ele passou bastante tempo em Petrópolis em sua primeira visita ao Brasil). 
Rufem os tambores! Finalmente, como ela havia anunciado, no dia 1 de fevereiro de 1946, desembarcando no aeroporto Santos Dummont em avião da Panair, o Clipper - com uma breve intermissão em Porto Alegre onde a estrela se recusou a posar para fotos ocasionando vaias dos fãs - onde foi recebida por dois mil e quinhentos fãs. Infelizmente, segundo o jornal Correio da Manhã, Lana teve um crise de nervos e "visivelmente fatigada e emocionada da viagem, a artista foi presa em uma crise de nervos, chorando copiosamente." 

Assim, os representantes da MGM do Brasil logo buscaram um trajeto de fuga para a estrela de 24 anos de idade, escoltando-na de uma dependência da estação Panair para os fundos do Aeroporto - acompanhada da jornalista Sra. Sarah Hamilton - onde ela se esquivou de fotos e autógrafos e foi direto para Petrópolis. 
Lana desembarcando no aeroporto Santos Dummont em 1 de fevereiro de 1946                                             Revista Carioca 
Nervosa e febril, Lana foi direto para seu quarto de nº 200 no segundo andar do Hotel Termas -Quitandinha, de onde saiu apenas no sábado à noite, para comparecer à uma festa feita em homenagem às missões diplomáticas estrangeiras que vieram ao Brasil para comemorar a posse do presidente Eurico Gaspar Dutra. De acordo com a coluna social do jornal A Noite, Lana recebeu a visita do médico Dr. Nelson de Sá Earp três vezes em seu quarto que a diagnosticou com "depressão nervosa" e "fatiga da viagem." 

Durante a boite dançante no hotel, Lana apareceu um pouco cansada, mas logo entrou no clima se divertindo e segundo a coluna O Camizeiro de A Noite, a atriz "apreciou o a apresentação do comediante Palitos na imitação de um marinheiro Yankee, cantando uma melodia portenha." Após o quadro, começou o Carnaval Carioca e Lana foi arrastada pelo cordão guiada por Linda Batista e se esbaldou, ficando ali até a música acabar. Como toda boa artista não se negou a dar autógrafos e logo subiu para seus aposentos, através do elevador da cozinha. 

Antes disso, no entanto, um sortudo jornalista de O Jornal conseguiu arrancar algumas palavras de Lana, que fez questão de elogiar o Brasil:
Maravilhoso. Jamais pensei ser assim tão empolgada, de cor, de vida, de movimento, a maior festa  do povo brasileiro, embora já tenha ouvido maravilhas dela. É estonteante, realmente. 
Lana prometeu que ficaria no país durante o Carnaval, descartando sua partida no dia 8 de fevereiro. 

Lana ao lado da alteza Imperial D. Teresa, General Accame e Sarah Hamilton durante uma das boites no Hotel                                   Carioca
No dia seguinte, domingo, ela deixou ordens explícitas para não ser incomodada. Entretanto, alguns jornalistas do jornal A Noite conseguiram falar com Lana brevemente - segundo eles, seu filme favorito daquele ano foi O Vale da Decisão (The Valley of Decision, 1945) - antes de comer no grill do lago, acompanhada por Sarah Hamilton (crítica da revista Photoplay), Charles Van Obbergh, superindentente do hotel,  Zacarias Jaconelli, diretor do Urca e Oscar Ornstein, do departamento de publicidade.

Ela os atendeu com bondade, não dando muitas informações sobre sua vida, mas assinou vários autógrafos, inclusive em um álbum de recorte, fez um tour pelo hotel, e após ser abordada pelos fãs retirou-se novamente. 

Bilhete que a Sra. Hamilton deixou para o jornalista da revista Scena Muda sobre a indisponibilidade de Lana
Para quem lê nosso quadro No Brasil há tempos, nem preciso dizer que as esquivas de Lana com a imprensa não caíram nada bem. Afinal, ela estava gripada para atendê-los, mas não para comparecer às boites de Petropólis ou para passear pela região. Logo começaram a falar até da aparência da atriz, afirmando que Turner era bonita, mas não tanto quanto aparecia nas telonas.  

Alguns jornais, após muita persistência, conseguiram algumas falas aqui e acolá de Lana Turner. Em entrevista a revista Carioca, alguns dias antes da coletiva de imprensa, a atriz  não se acanhou de falar de seus filmes:
Não fiz nenhum filme bom.O que mais me agradou foi Éramos Três Mulheres (Keep Your Powder Dry, 1945). 
Afirmou, aliás, que Linda Batista era melhor do que Carmen Miranda e não poupou elogios: 
Muito melhor do que Carmen Miranda. Se ela fosse aos Estados Unidos, talvez nunca mais voltasse. Faria grande sucesso. Até já sei cantar alguma de suas músicas. Mal, mas canto "Pagode na China" e outros números. 
Lana apagando as velas de seu bolo em seu aniversário de 25 anos, durante a coletiva de imprensa
No dia 8 de fevereiro de 1946 - no aniversário de 25 anos de Lana - no Salão Dom Pedro do hotel Termas - Quitandinha, a atriz finalmente concordou em conversar com a imprensa brasileira em coletiva marcada para as 15h. O jornal A Manhã afirma que a atriz foi mil sorrisos, respondendo todas as perguntas e cortando o bolo de aniversário que lhe foi oferecido com muita desenvoltura. 

Cercada por jornalistas e artistas brasileiros, Turner deixou claro que pretendia curtir o Carnaval brasileiro, que não sabia dançar samba e respondeu algumas perguntas mais gerais, deixando claro que não pretendia casar de novo - nós sabemos como isso termina, não? 

Lana comemorando seu aniversário de 25 anos com a imprensa brasileira e ao lado com jornalistas do A Noite

Indagada sobre seus atores favoritos, não pestanejou: "Cary Grant e Bette Davis." Atestou que sua co-estrela favorita era Clark Gable com quem atuou em Quero-Te como és (Honk Tonk, 1941) e quando os jornalistas a alfinetaram afirmando que Gable era forçado, ela defendeu o seu "companheirão": 
É simples, natural, encantador e dono de uma personalidade encantadora. - Lana em entrevista ao jornal A Noite
Comentou, aliás, sobre sua filha Cheryl Crane, de quem ela disse estar "morrendo de saudades", e prestou esclarecimento sobre seu controverso resfriado. Lana explicou que ficou doente em Buenos Aires, chegou ao aeroporto em Porto Alegre e estava se sentindo muito mal e pediu para não ser fotografada.  

Na parada em São Paulo, antes de chegar ao Rio, não desceu do avião pois estava com febre e "enrolada em cobertores" e por fim expressou tristeza pela reação do público com vaias, já que queria causar uma ótima impressão em todos. 

Indagada sobre os don juans brasileiros e se algum homem tentou lhe dar uma cantada, Lana avisou que os homens brasileiros eram muito tímidos e que por isso: 
Ainda não e sei como afastá-los.
Lana ao lado do sr. Waldermar Torres,  diretor de propaganda da Metro no Brasil, e a atriz Heloisa Helena                                     Revista da Semana
Por fim, antes de soprar as velas de seu bolo de aniversário, Lana elogiou a festa da Piraquê e o entusiasmo dos fãs e afirmou que receberia de braços abertos em Petrópolis a coletiva de marujos de Roosevelt que viriam ao país naquele dia. 

Em sua autobiografia Lana : the lady, the legend, the truth, a estrela confirma que teve um agenda social bem cheia no Rio de Janeiro:
No Rio a vida social era muito mais prazerosa. Eu tinha conhecidos por lá que me convidavam para festas luxuosas. 
Durante as festas de Carnaval, Lana se tornou boa amiga de Linda Batista, uma das maiores sambistas e cantoras do Brasil. Segundo o jornal A Manhã, a atriz foi só elogios, aprendendo a cantar No Buteco do José e Pagode na China, e voltou a afirmar que Linda faria um sucesso tremendo no Brasil e que se fosse aos Estados Unidos nunca mais voltaria. 

Ainda de acordo com o jornal A Manhã, a música de Carnaval preferida de Lana era No Buteco do José.

Lana se divertindo em uma das festas da Quitandinha ao lado de Linda Batista                 A Manhã
A eterna garota suéter se divertiu em bailes do Cassino Atlântico, no Rio de Janeiro, onde dançou o balanceio e segundo a coluna do Grill Room, ela afirmou era uma "dança agradável, elegante e muito alegre." Ficou hospedada diversas vezes no hotel Copacabana Palace, enquanto curtia a folia do Rio no apartamento 301, como conta a revista Fon Fon

No dia 12 de fevereiro, Lana sambou mais uma vez. Segundo o Diário da Noite, ela caiu na folia em uma festa promovida pelo Luiz dos Santos Jaciro no terraço do Instituto dos Resseguros. A atriz viajou para o Rio de Janeiro especialmente para essa festa e ao chegar a meia noite não cansou de dançar ao lado de ninguém mais, ninguém menos do que Paulo Portela e ficou ali até o sol raiar. 

Os bailes do Popeye, muito famosos na época, também fizeram uma festa de Carnaval em homenagem à Lana Turner, que ocorreu no dia 19 de fevereiro de 1946 na Avenida Nieymer, 750 na Gávea, Rio de Janeiro. 

Lana disfarçada com peruca morena para aproveitar o Carnaval Carioca
Muito provavelmente foi na festa do dia 12 que Lana teria pegado outro terrível resfriado que ela menciona em sua autobiografia. A atriz, contudo, parece confundir alguns fatos, já que a imprensa brasileira afirmava que ela estava doente já em sua chegada enquanto Lana diz que foi apenas após o Carnaval. Mesmo assim, ela relembra a atmosfera da festa no Rio de Janeiro com muita gratidão:
Uma noite alguém disse, vamos para a rua. Lá, éramos arrastados pela multidão. Agora é proibido, mas na época os homens colocavam um perfume em seus lenços que era evaporado pelo calor do corpo (lança-perfume). O ar ficava intoxicado pelo fumo doce. Isso e a música você parecia apenas flutuar. Com um vestido justo e flores no meu cabelo, eu dançava sem parar. - trecho de Lana : the lady, the legend, the truth
Não teve nenhum dia em que Lana passou no hotel Termas-Quitandinha que foi monótono: no dia 28 de fevereiro, Petrópolis sofreu um blecaute, devido ao desastre na Central Elétrica, e as "boites" excitantes aconteceram todas à luz de velas. O jornal A Manhã afirma que Lana achou tudo muito pitoresco e romântico:
Como é lindo tudo isso. Até agora eu só vi essa ressurreição do passado durante as filmagens. Nunca senti, porém, o fascínio dessa luz suave de mil velas em plena realidade. 
Lana levou a fotografia como recordação, segundo a revista Fon Fon 
Lana gostou tanto do balanço do samba que segundo o jornal A Manhã ela reservou quatro mesas para todos os bailes de Carnaval que aconteceriam no hotel Quitandinha no começo de março de 1946, especificamente nos dias  1, 2, 3 e 4 de março. Na matinée do Carnaval Infantil, Lana foi entrevistada pela revista Fon Fon e não largou uma menina vestida de pastorinha, que segundo ela, lhe lembrava de sua amada filha Cheryl, de quem se arrependeu de não ter trazido ao país. 

Ainda durante o bate-papo com a revista Fon Fon, Lana Turner foi só elogios a mulher brasileira, afirmando:
Graciosas, elegantes e que lindos olhos elas tem. Quantas delas poderiam brilhar em Hollywood. (...) Quando se dirigem aos seus esposos e filhos, nota-se pelos gestos e pelo olhar, mesmo que não entendam as palavras quanto significa o lar para elas. Fiquei muito impressionada com a mulher brasileira. 
O jornalista, então, a cutucou para que falasse de algum romance no Brasil, mas Lana continuou afirmando que as duas coisas que mais lhe impressionaram foram o samba e as paisagens lindas do Rio de Janeiro: 
Nos ouvidos o ritmo inesquecível da música do Brasil, nos olhos a maravilhosa visão de sua natureza. Quem pode esquecer a beleza verde de suas serras. 
Lana no meio da muvuca das festas de Carnaval do hotel em março de 1946                                                                             A Manhã
Após curtir o Carnaval adulto e infantil no Hotel Termas-Quitandinha, Lana voltou a se hospedar no Copacabana Palace que foi onde a revista Fon Fon lhe entregou uma cópia de sua fotografia com as crianças no dia 8 de março de 1946. 

Lana partiu do Rio de Janeiro para os Estados Unidos sem muita algazarra no dia 9 de março de 1946, a bordo do clipper da Pan American World Airways acompanhada da jornalista Sarah Hamilton. Quando chegou ao seu país, no dia 10 de março, Lana brincou que ela havia se impressionado com os banheiros brasileiros, especificamente o do Ministério da Fazenda:
Todo de ônix, do teto ao chão. Com o chão também de ônix, inclusive as paredes laterais, invocando as mil e uma noites.Os compartimentos internos, inclusive os aparelhos de ducha são coisas de maravilhar qualquer mortal - entrevista replicada no A Cigarra. 
Lana voltaria ao Brasil, em espírito, ao gravar o filme Meu Amor Brasileiro (Latin Lovers, 1953) quando ela interpretou Nora Taylor, uma herdeira que resolve viajar para o Brasil e acaba conhecendo o bonitão Roberto Santos, interpretado por Ricardo Montalban. A película, no entanto, foi toda gravada nos Estados Unidos, nos estúdios da MGM. 

Lana na tão aguardada coletiva de imprensa: fofa de bolinhas 

A primeira vinda de Lana Turner ao Brasil teve de tudo: resfriado, vaias, samba, Carnaval e até aniversário e depois de ter ficado mais de um mês no país, temos certeza que ela aproveitou e muito sua estadia. 
Estou de novos amores pela natureza brasileira. Não me farto de admirá-la. - Lana Turner para a a revista Scena Muda. 

1957
Lana Turner queria mais do Brasil! A loira veio junto com outros astros como Yul Brynner - que ganhou uma matéria aqui - que estavam no Uruguai para o Festival Cinematográfico Punta Del Este, no dia 9 de março de 1957 ao lado de Joanne Dru pelo avião particular de Olavo Fontoura. 

A loira e Yul, além dos atores Anita Ekberg, Ann Miller e Van Haflin, vieram ao Brasil para a première de Anastasia (idem, 1956) - filme estrelado por Brynner. Lana e Joanne desembarcaram no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, por volta das 19h, após um breve aguardo no aeroporto Santos Dummont por causa da pista ocupada.

Ao desembarcar no lado de Dru do avião "Scandia", Lana relembrou sua estadia anterior no Brasil em 1946:
Já estive no Brasil em 1946 por ocasião do Carnaval. Aliás, foi para mim a melhor recordação que guardei dos brasileiros. Adoro o Brasil e acho que os brasileiros são muito simpáticos. - em entrevista ao O Jornal
Lana e Joanne desembarcando no aeroporto                             O Jornal/Diário Carioca 

Lana ficou emocionada quando ficou brevemente presa no aeroporto do Santos Dummont pois foi recebida com muito carinho por um garoto, que lhe beijou a mão: 
Minha simpatia pelo Brasil aumentou consideravelmente há momentos pois fiquei emocionada com o abraço afetuoso e o beijo com que me saudou um menininho brasileiro. - em entrevista ao Diário Carioca.
Lana e sua amiga foram direto para o Hotel Copacabana Palace, onde ficou hospedada no apartamento nº 17. Na mesma noite foi oferecido um jantar para todas as estrelas de Hollywood por Jorge Guinle. 

Segundo o jornal O Diário da Noite, a loira perguntava incessantemente pelo sr. Luiz dos Santos Jacinto, que a imprensa afirmava ter sido seu grande romance no Brasil em 1946. O colunista Jacinto de Thormes contou que Lana perguntou sobre seu "Luizinho" desde sua chegada e enviou três telegramas para encontrá-lo. No jantar, não entendia porque seu antigo amado ainda não havia lhe encontrado. 

Terminou a noite, supostamente no badalado clube Sacha's, no Rio, ao lado de ninguém mais, ninguém menos do que Jorge Guinle. No dia seguinte, dia 10 de março, uma agenda bem cheia! 

Todos os astros foram convidados para um passeio de lancha na Ilha de Brocoió, na residência do sr. Frederico de Melo, mas Yul Brynner e o casal Litvak tinham outros compromissos em mente. Com uma roupa chique, Lana se divertiu muito com seu retorno ao Brasil, sempre com um copo de bebida na mão. 

Lana no iate para a Ilha ao lado de Joanne Dru             Revista Manchete 

À noite, partiu para um jantar no luxuoso Copacabana Palace e deu o que falar ao dançar coladinha com Jorge Guinle. 

De acordo com o Diário da Noite, Ann Miller causou sensação quando dançou ao lado de Bill O'Connor ao som da orquestra Tumbá Lele. O tema da festa era o Carnaval e Lana dançou sem parar ao som dar marchinhas que lhe causaram tanto impacto.

Ali começou a nascer o romance breve entre Jorge e a bela atriz. 

Lana e Jorginho juntinhos durante a festa no Copacabana                     Diário da Noite 

No dia seguinte, dia 11 de março, Lana e seus colegas artistas continuaram com um dia bem cheio. Antes de visitarem o prefeito Negrão de Lima às 16h no Palácio do Guanabara, os astros participaram de um piquenique em companhia de Jorge, Leopoldo Modesto Leal e Roberto Andrade na casa de Frederico de Melo em Jurujuba. Lá, Lana experimentou, ao lado de Anita Ekberg vários pratos brasileiros, entre eles o camarão com pimenta.

Lana com Eunice Modesto Leal,Del Armstrong, Joanne Dru e Maria Graça Couto  Última Hora

Ainda de acordo com O Jornal, todos foram para o Yatch Club depois da festinha de onde foram levados para o Rio de Janeiro. À noite, naquele mesmo dia, tinham um banquete em sua homenagem no Clube dos Banqueiros às 18h, concebido por Harry Stone.  

Lana chegou atrasada, mais de uma hora depois, ao lado de Joanne Dru, Van Heflin e o inseparável Jorginho. Afirma-se na Revista do Rádio que assim que chegou, a loira se tornou o centro das atenções de todos. O banquete se tornou uma espécie de coletiva de imprensa, no qual Lana deu a seguinte declaração em entrevista pelo Mundo Ilustrado:
Considero meus artistas favoritos Clark Gable e Bette Davis. Quanto a diretores, aprecio muito Mervyn LeRoy. 

Lana durante o banquete/coletiva de imprensa com Braga Filho,Joaquim Menezes e Clóvis de Castro

Os astros ganharam uma segunda recepção na casa de João Leopoldo e Eunice, depois do breve coquetel/coletiva de imprensa dos Banqueiros. Foi ali que Lana havia conseguido se reencontrar com seu querido "Luizinho" e os dois conversaram, beijaram-se e segundo a notícia do Diário da Noite estavam à todo vapor. Jorginho estava fora! 

De acordo com o jornal Última Hora, o pretendente não largava Lana:
Os dois estiveram sempre juntos, em diversas ocasiões, separados em um dos cantos do salão conversando baixinho. 
Até Jorge Guinle conversou com o novo casal, provando não ter ressentimentos. 

Lana com Jorge Guinle e seu amado Luizinho                               Última Hora 

Em 12 de março, o dia foi livre para todos os astros e eles apenas se reuniram à noite, em uma festança no Copacabana Palace.  

Lana muito provavelmente passou o dia com seu amado Luís e depois apareceu arrebatadora na festa do Copacabana, acompanhada por Jorge Guinle, no Golden Room. Dentro do local, ela se encontrou com seu affair.

Lana estava no auge de sua beleza                                                           O Globo

Mas como a imprensa brasileira não pode deixar de falar mal das mulheres, muitos jornais notaram que Lana, aos 36 anos, havia envelhecido desde sua vinda ao Brasil. E mais, alguns até a chamaram de idosa! Uma afronta, não acham? 

Mas no dia seguinte, dia 13 de março, Lana encontraria, ao lado de seus colegas artistas, o presidente Juscelino Kubitschek, às 12h, no Palácio do Catete. O presidente se atrasou por volta de 40 minutos do horário marcado, conforme cita O Diário da Noite


Afirma-se também que Lana teria ficado enciumada com o sucesso da Miss Universo de 1956, Hillevi Rombim:
Muita gente achou que Lana não gostou do sucesso que ela fez pois todo mundo se virou para falar com Hillevi. Lana retirou-se para uma janela dizendo que precisava de um pouco de ar. 
Ainda conta-se que Yul e Lana eram bons amigos, tanto que assim que ela chegou ao palácio ele "largou o microfone e partiu para o encontro da loira, cuja mão pegou com tanta efusão". 

Para Juscelino, segundo O Jornal, Lana confidenciou:
Em toda a parte do mundo os jornalistas são terríveis. Mas o do Brasil são os mais terríveis do mundo.
Lana Turner ao lado do presidente do Brasil                                                      O Cruzeiro 

No mesmo dia, toda a comitiva teve um almoço na sede do jornal O Globo e à noite se preparavam para comparecer à première de Anastasia (idem, 1956) filme estrelado por Yul Brynner e Ingrid Bergman que seria exibido no Cine Palácio às 22h30. 

Segundo o Jornal das Moças, os astros foram recebidos por Herbert Moses, que faz uma saudação aos astros de Hollywood. Antes da exibição, eles todos subiram no palco e Lana foi a estrela mais aplaudida. 


A atriz estava acompanhada de seu affair brasileiro Luiz Jacinto, com quem ela chegou de mãos dadas e ficou abraçada à noite toda. 

Tanto que na festa após a exibição do filme, no Country Club, os dois estavam inseparáveis. De acordo com o jornal Diário Carioca, indagada sobre o romance, Lana negou dizendo: "é só amizade". Já o empresário afirmou um "talvez" quando perguntado sobre um possível casamento. 

Conta-se que Lana estava muito bonita com um vestido de tule azul com aplicações e um azul ainda mais vivo na renda. 

Lana com Luis na première de Anastasia (1956)                             Cruzeiro/Jornal das Moças

Nos dias posteriores, Lana decidiu curtir mais do Rio de Janeiro, declinando uma ida à São Paulo sugerida por Harry Stone. 

Ao lado de seu novo affair, recém-separada de Lex Baxter, Turner passou pelos pontos turísticos do Rio como O Corcovado, o Pão de Açúcar e descansou em seu quarto do hotel, sempre acompanhada por Luizinho. Entre os dias 14 a 16 de março, apenas curtição! 

Ao lado de Joanne Dru, Lana também conheceu uma menininha chamada Eva Rodrigues dos Santos que foi para o Rio com a sra. Dora Wieldie para arrecadar dinheiro para as crianças vítimas da poliomelite. Joanne doou antes de sua partida no dia 16 de março um colar de pérolas que Lana revelou ao O Jornal que era para a filha da atriz. 

Lana ao lado da jovem menina

Lana foi embora do Brasil no dia 16 de março à bordo do avião Super G Constellation da Varig, ao lado de sua fiel amiga Joanne Dru e John Maschio, pegando um voo noturno. 

A atriz foi levada ao aeroporto por Luiz, que a encheu de beijos. Logo os jornais brasileiros pipocavam com a versão que os dois se casariam, mas o agente de Lana negou veementemente isso. 

Apesar disso, o jornal New York Journal American anunciou que Lana buscava o divórcio de Lex Baxter para se casar rapidamente com o brasileiro. Luis, depois da partida da atriz, afirmou ao O Jornal que era tudo mentira, ou seja, eles tiveram um caso, mas não era nada sério:
Eu e Lana somos apenas bons amigos. Nos conhecemos muito tempo quando ela estava no apogeu de sua carreira, mas é só isso. O fato de ter o meu nome dado a margem nos jornais não passa de simples especulação da sr.a Louella Parsons cuja única vocação é futricar a vida alheia para manter sempre em dia o que ela chama de jornalismo. 
Lana partindo do Brasil e dando um beijo no Luis 

Depois de sua chegada aos EUA, Lana conheceu o gângster Johnny Stompanato com quem teve um relacionamento abusivo e que terminou em tragédia - temos matéria aqui!

Então podemos afirmar com certeza uma coisa: a vida de Lana nunca foi monótona, especialmente em suas vindas ao Brasil. Mas parece que Luiz seria um melhor par para Turner do que Johnny, não? 


*Matéria por sugestão da leitora Cleo Iohana. Se tiver alguma sugestão, pode mandar pra gente também :) 
*Matéria atualziada em 11 de julho de 2020 para adicionar a vinda de 1957 de Lana ao Brasil. 

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