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Roy Orbison em O Violão Heroico (The Fastest Guitar Alive, 1967)

O ano de 1966 foi devastador para Roy Orbison. O cantor - para quem acredita em simbolismos - tem uma conexão trágica com o número 6. Em 6 de junho de 1966, a esposa dele, Claudette Frady - para quem escreveu 'Claudette' e 'Pretty Woman' - faleceu em um terrível acidente de moto em Bristol, Tennessee, nos EUA. Ela foi atingida por um caminhão ao passear com o marido, com quem dividia o amor por motocicletas. 

Antes naquele mesmo ano, sem saber da tragédia que assolaria sua vida pessoal, Roy decidiu dar um passo a mais em sua carreira. Assim como Elvis Presley - um bom amigo que lhe desabrochou o amor por motos e que recusou a oferta de estrelar a mesma obra há dez anos- ele foi chamado para estrelar o musical, 'O Violão Heróico (The Fastest Guitar Alive, 1967)'

De acordo com a biografia 'The Authorized Roy Orbison', Roy já tinha assinado para estrelar o filme em maio e começaria a gravação no final de 1966. Anestesiado logo após a morte da esposa, Roy quis ainda mais se focar no trabalho para ocupar a mente e cuidar dos três filhos, Roy Jr, Anthony e Wesley, este com apenas 21 meses de vida. 

Roy Orbison em 'O Violão Heroico'

Em outubro de 1965, Roy Orbison assinou um contrato com o estúdio de cinema MGM - um ano após já fazer parte da gravadora do grupo - e seu primeiro projeto era, justamente, 'O Violão Heroico'. De acordo com entrevista para Glenn A Baker, em 1980, o contrato era, originalmente, para sete filmes e ele até criou uma produtora, a Kelton, visando estrelar e desenvolver outros projetos: "Eu fiz o primeiro filme e era para ser bem sério. E o que acontece é que, antes de chegar em Hollywood, Cat Ballou tinha ganhado um Oscar, então eles quiseram imitar e fazer um filme de faroeste engraçado. 'Vai fazer um pouco de dinheiro', eles imaginaram. E imaginaram errado". 

Em 'O Violão Heroico (The Fastest Guitar Alive, 1967)', Roy interpreta Johnny, um espião sulista que viaja durante a Guerra Civil como um músico. Ele, acompanhado do parceiro Steve (Sammy Jackson), procura um punhado de ouro enquanto foge da União. Tentando escapar dos ianques, eles contam com diversas aventuras e a ajuda das dançarinas Flo (Maggie Pierce) e Sue (Joan Freeman). O músico Sam The Sham também fez uma pequena participação. Segundo o material de imprensa, Roy estava muito feliz de trabalhar com Joan, afirmando: "Eu deveria estar pagando o estúdio para estrelar cenas com ela". 

Se o filme não tivesse sido um verdadeiro fracasso, a carreira de Roy poderia ter dado uma guinada surpreendente. Conforme revela o livro Roy Orbison Invention Of An Alternative Rock Masculinity por Peter Lehman, o cantor aparecia, pela primeira vez, sem seus óculos escuros e com uma persona mais acessível. Ele teria, talvez, trilhado o caminho de Elvis se soubesse, de fato, atuar. 


Roy, é sem dúvida, uma das grandes vozes da indústria musical, porém fica claro, para qualquer leigo, que ele estava desconfortável com o filme e não sabia o que fazer. 'O Violão Heroico (The Fastest Guitar Alive, 1967)' começou a ser gravado em 8 de setembro de 1966 e Elvis, inclusive, mandou um telegrama desejando Roy boa sorte, mas isso se provou insuficiente. 

Telegrama de Elvis do livro 'Word by Word' de Jerry Osborne - "Querido Roy, parabéns pelo começo de seu filme com o nosso bom amigo, Sam Katzman. Seus camaradas, Elvis e o Coronel". 

Assim como Elvis em seus filmes, Roy Orbison criou e cantou toda as canções de 'O Violão Heroico', produzidas também por Bill Dees. Segundo a biografia 'Only The Lonely' de Alan Clayson, o cantor teve dificuldades em desenvolver as canções, mas quis tentar deixá-las todas coesas. A canção título, por exemplo, era "para descrever minha maneira de viver, mas eu tinha um problema de atingir essa expectativa". Roy, inclusive, diz que 'Rollin On' era para seu personagem contar, "para as garotas que eles iam embora com o ouro e a única maneira de sair era cantando uma música". 

A MGM, aproveitando-se de uma manobra antiga, lançou a trilha sonora em conjunto com o filme para obter o máximo de lucro possível - se o filme fosse mal, a trilha lucraria em seu lugar. 'O Violão Heróico' não tinha nenhuma música de grande destaque, mas três músicas eram muito boas e, curiosamente, não estavam no filme: Best Friends, Heading South e There Won't Be Many Coming Home. 


O trabalho de Roy com a trilha sonora ocorreu seis semanas antes de começar a praticar para o filme. De acordo com a revista Cash Box, em agosto de 1966, ele pré-gravou as canções em Nashville, Texas, por três dias com a ajuda dos produtores Jerry Katzman e Fred Karger. Ainda desolado pelo luto, o guitarrista Harold Bradley diz que nem lembra de Roy nas sessões, com os produtores e o agente dele, Wesley Rose, assumindo à frente. 

Nos bastidores, Roy demorava cerca de uma hora para se arrumar, especialmente com a maquiagem e o novo visual capilar. Em certo momento, os filhos mais velhos do casamento com a falecida Claudette, Roy Jr e Anthony, posaram com o pai nos bastidores da MGM, em Culver City, Califórnia, durante as gravações de 'O Violão Heroico'. Os dois falecerem em um terrível incêndio na mansão onde moravam, em Old Hickory Lake, Hendersonville, Tennesse, em 18 de setembro de 1968 - o caçula, Wesley, foi o único sobrevivente. 

Roy e os filhos, Roy Jr e Anthony

O guitarrista Terry Widlake relembrou, em entrevista, que Roy teria quebrado o pé em uma das cenas do filme e o fato de ter que usar gesso o enlouquecia: "Roy quebrou a perna no set. Em uma cena, ele tocava a guitarra com o pé. Quando ele levantou, uma tela caiu em cima dele e quebrou a perna. Eles tiveram que parar as gravações por conta disso, o que ele não suportava. Ele mal podia esperar para se livrar disso, então ele me disse para cortar com um daqueles canivetes que ele usava para montar modelos de aviões". O diretor, Michael Moore, nega que isso tenha acontecido e garante que o filme seguiu o cronograma sem atrasos. 

Dirigido por Michael D. Moore, com produção de Sam Katzman e roteiro de Robert E. Kent, o longa transcorreu sem grandes atribulações. 'O Violão Heroico (The Fastes Guitar Alive, 1967)' foi lançado em 19 de julho de 1967 e foi um fracasso de crítica e bilheteria, com uma visão estereotipada dos povos indígenas - apesar de todos pegarem mais leve com a atuação de Roy justamente pela morte de sua esposa, então com apenas 26 anos de idade. 

Em entrevista para o jornal Liverpool Echo, em 11 de março de 1967, Roy forneceu maiores detalhes sobre outros filmes que tinha em mente - antes da estreia de seu primeiro e último longa: "O outro filme é sobre um mágico e há seis garotas que cantam e dançam. A ideia veio de um incidente verdadeiro quando alguns simpatizantes planejavam explodir o Met de São Francisco, mas não o fizeram. Agora, estou pensando em fazer outro filme. Este será moderno e eu terei duas ou três linhas de história". Nenhum deles se concretizaria. 

Michael Moore, o diretor, com os atores no set de filmagens

Em entrevista para Diana Howe, Michael relembra que conheceu Orbison durante um jantar após ser escolhido como diretor por Sam Katzman. O cantor usou os óculos escuros à noite toda e quando Michael, finalmente, conseguiu fazer com que Roy os tirasse, descobriu que "seus olhos tinham uma aparência cansada e não focavam bem e eu sabia que deveria filmá-los de modo cuidadoso"
"Minhas memórias do filme são todas felizes. Foi divertido de fazer, com um elenco muito bom de trabalhar e uma ótima atmosfera. Todo mundo cooperava e como era o primeiro filme de Roy, todas as pessoas o ajudaram muito" - afirmou Michael, definindo Roy como "trabalhador, muito inteligente, com ótimos hábitos de trabalho, além de ser simpático e educado"

Mickey, que também morou em Malibu em seus anos finais - assim como Roy - não cansou de elogiá-lo em matéria replicada no site Pepperdine: "Eu o tinha em tão alta estima e também era muito fã de sua música. Nossa, eu acho que ainda tenho a guitarra feita para o filme...aquela com a arma"

Roy Orbison com a famosa guitarra/arma

O músico Rodney Justo, que trabalhou como cantor de backup para Roy, relembrou para o livro 'Rhapsody in Black', a estreia do longa no Reino Unido. Segundo ele, o filme "teria atingido status cult se fosse pior. Todos os caras na banda estavam: 'Sim, sim...isso está ótimo Roy', mas assim que estávamos longe ficávamos: 'Ah não'". Terry, no entanto, diz que Roy levou a situação numa boa e, uma vez por ano, fazia uma exibição de 'O Violão Heroico' com comentários de cada cena, sabendo como "era ruim"

Roy nunca mais estrelou em outro filme, mudando de ideia apenas para fazer uma aparição no 'Roadie (idem, 1980)'. Nesse ínterim, ele se casou novamente com Barbara em 25 de março de 1969 e com ela teve dois filhos, Roy Jr. e Alex Orbison. Em entrevista para o filho Roy, Michael voltou a enaltecer a grande voz, afirmando que o artista poderia ter feito mais longas se quisesse: 
Seu pai ultrapassou todas as dificuldades. Nós tínhamos indígenas, fuga com carruagens, ele tinha que atirar com a guitarra em cima do cavalo. E tantos números de canto e dança. Nós sabíamos, porém, que não teríamos problemas com a dança ou o canto. 
Roy Orbison em cena do filme 'O Violão Heroico'

'O Violão Heroico (The Fastes Guitar Alive, 1967)' nunca atingiu o status cult, porém foi homenageado por Quentin Tarantino no filme 'Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 1965). A canção 'There Won't Be Many Coming Home' foi usada nos créditos finais da obra, mostrando que a verdadeira força de Roy é como cantor e não ator - e com uma voz dessas, que definiu também a obra 'Veludo Azul (Blue Velvet, 1986)' de David Lynch, ele não precisa de mais nada! 


A inspirada trilha sonora de Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989)

Os anos 80 estão repletos de filmes adolescentes famosos como O Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985), Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueler's Day Off, 1986) e Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles, 1984), porém talvez um dos mais doces - e subestimados - dessa era seja a obra de Cameron Crowe, o Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989). 

Em Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989), conhecemos Lloyd Dobler, vivido por John Cusack, um rapaz que tem como paixão duas coisas: o kickboxing e Diane Court, papel de Ione Skye. No dia de sua formatura do colegial, ele finalmente tem a coragem de chamá-la para sair e dali os dois desenvolvem uma amizade que se transforma em amor verdadeiro. No entanto, diferente de muitos outros filmes adolescentes, eles tem que lidar com problemas do mundo real, como a investigação do pai de Diane, James (John Mahoney) pela Receita Federal. Joan Cusack, irmã de John, também participa do filme como a irmã de Lloyd. 

Diane e Lloyd no filme de sucesso de Cameron Crowe
Mesmo que você nunca tenha assistido a esse filme, com certeza deve ter visto em comerciais ou na internet, a parte em que o personagem de Lloyd está com uma caixa de som acima da cabeça, do lado de fora da casa de Diane, implorando que ela volte para ele ao som de In Your Eyes de Peter Gabriel.

É fato de que a trilha sonora de Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989) é um dos pontos altos da história de Lloyd e Diane e tudo graças a seleção de Anne Dudley e Richard Gibbs. Porém foram os produtores do filme que insistiram em músicas mais contemporâneas na trilha sonora. Conforme conta Cameron Crowe: 
Eles me disseram de última hora que se eu não tivesse uma música de sucesso na trilha sonora. Então estávamos correndo com dinheiro extra...tentando encontrar hits. - Cameron para o livro Celluloid Symphonies: Texts and Contexts in Film Music History
De acordo com as notas dentro do CD da trilha sonora de Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989), outras pessoas também fizeram parte da seleção de músicas do filme, em especial a esposa de Cameron na época: Nancy Wilson, da icônica banda Heart.
Crowe e Wilson pediram que John Battis e Martin Page escrevessem a balada All for Love para que Nancy cantasse no filme. All for Love foi a primeira música que Nancy cantou sem sua irmã [ela e Ann formavam a banda Heart] e está subindo nas baladas de sucesso. - retirado do site oficial de Cameron Crowe
A canção aparece nos créditos finais do filme Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989)

Ademais, o envolvimento de Nancy Wilson com a trilha sonora de Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989) foi tão grande que ela organizou as canções que foram colocadas no filme ao lado de Anne Dudley e Richard Gibbs. Cameron, um amante da música, também estava envolvido nessas etapas, ao lado de seus produtores Danny Bramson e Jerry Greenberg. 

Bandas como Living Color, Red Hot Chilli Peppers, Aerosmith, Freiheit, Mother Love Bone e Cheap Trick, foram colocadas na trilha sonora do filme representando o sentimento mais "underground" do personagem Lloyd, que assim como os artistas, não era convencional e se agarrava ao sentimento de rebeldia no que se referia ao seu futuro. 

A única vez que vemos um lado mais escancaradamente emocional de Dobler é na famosa cena com o boom box de fora da casa de Diane. Na cena, temos a icônica In Your Eyes, que quase não foi usada. Não dá para imaginar o filme sem esse hit, certo? Mas isso ficou muito perto de acontecer. 

De acordo com Cameron Crowe, em entrevista aos jornalistas Jonathan Romney e Adrian Wootton, a cena seria gravada com To Be a Lover do Billy Idol. Na época, John Cusack estava obcecado pela banda Fishbone e queria que seu personagem fizesse uma serenada com a Turn The Other Way e foi essa música usada durante a gravação da cena. Em um outro take tentaram usar o Within Your Reach do The Replacements, que acabou em outra parte do filme. O problema é que o resultado final não foi o esperado:
Mas quando exibimos o filme parecia que um fã louco do Fishbone estava fazendo uma serenata e destruiu o sentido do filme. Então eu tinha uma fita cassete com músicas feitas para o meu casamento e nesse ponto eu estava tão desesperado que eu estava escutando no meu carro - vamos tentar alguma coisa, qualquer coisa. Nada funcionava a não ser In Your Eyes que estava na fita cassete do meu casamento e era tão perfeito que contava a história do filme. Combinava perfeitamente com cada cena, era incrível. 

A canção In Your Eyes de Peter Gabriel pode ser ouvida em dois momentos do filme: na cena icônica e, ao fundo, quando Lloyd e Diane fazem amor pela primeira vez no carro do personagem. Em entrevista ao site EW, Cameron também revela que conseguir o direito de usar a música não foi fácil e que contou com uma ajudinha de Rosanna Arquette (que dizem ter sido a inspiração para In Your Eyes): 
Então eu acho que o que eu escutei depois foi que Rosanna Arquette disse apenas coisas boas sobre nós para Peter Gabriel, então ele pediu para ver o filme antes de tomar a decisão. Tinha um dia para ligar para ele no estúdio, ele estava na Alemanha, e eu acordei super cedo para falar com ele. Então ele falou comigo, naquela voz etérea, e disse: 'Eu agradeço pelo seu pedido. É uma canção muito pessoal para mim e espero que não se importe, mas tenho que recusar'. 
O diretor e roteirista de Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989) estava decepcionado, mas antes de desligar o telefone fez questão de perguntar ao Peter Gabriel por que ele não quis dar os direitos da música, indagando o que tinha de errado no filme.  Foi ali que Cameron descobriu que Peter tinha assistido ao filme errado:
Foi aí que ele disse: 'É que eu acho que usar essa música em uma cena de overdose não seria certo.' E eu pergunto quando ele tem uma overdose e ele responde: 'Você está fazendo uma história com John Belushi, certo?' E eu: 'Não, não, não. É uma história de colégio com um cara de casaco.'  Então eu pedi: 'Por favor, assista ao filme do colegial e me avise.' E ele me garantiu que faria. Depois soubemos que ele aprovou o uso. 
Fotos publicitárias de Ione Skye e John Cusack para Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989)
Mesmo assim, Cameron revelou se sentir perturbado imaginando Peter Gabriel assistindo John Belushi ter uma overdose ao som de In Your Eyes - a cena é do filme Wired (idem, 1989) - e como ele ficou tão próximo de perder a canção para Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989). Custou de U$200 mil a U$300 mil para conseguir os direitos da canção.

Antes de chegaram à um acordo sobre a canção In Your Eyes, Cameron e o produtor James Brooks resolveram se prevenir e pediram para a banda The Smithereens gravarem uma música para a tão famosa cena. Eles ofereceram o hit A Girl Like You, mas o diretor não aprovou, considerando que "revelava muito sobre o enredo" de Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989). O cineasta afirma ter ficado arrasado por não poder ter usado a canção.

Em entrevista a MTV: 120 Minutes, o vocalista da banda, Pat Dinizio, que trabalhou novamente com Cameron no filme Vida de Solteiro (Singles, 1992),  afirmou:
A letra é minha reação aos melhores diálogos e cenas do filme. Ele me enviou o roteiro e me pediu para escrever uma canção-tema para Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989).
Ainda segundo Pat, em entrevista ao Clifford Method, James Brooks queria que eles mudassem a letra da canção e eles se recusaram:
Depois de uma pequena discussão com James nos decidimos pegar a canção de volta e  guardar para nós. 
Apesar não serem incluídos na trilha sonora, outras bandas fazem parte de forma subliminar do filme como The Clash, que é a estampa da camiseta de Lloyd, e na primeira vez que os dois apaixonados voltam de carro, escutando 3 horas de rock até levar o amigo da festa de volta em segurança. A presença de Corey, interpretada por Lili Taylor, que quer ser uma cantora e interpreta suas canções durante algumas partes do filme, com a icônica Joe Lies e That'll Never Be Me, também mostra como a música no geral é tão importante - e essencial - na vida dos jovens. 

John Cusack, Cameron Crowe, John Mahoney e Ione Skye no set de Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989)
Em entrevista ao site KMUW, para comemorar em 2019 os 30 anos de lançamento de Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989), John Cusack revelou que deu a ideia de colocar a banda The Replacements na trilha sonora do filme foi dele.  
Cameron e eu estávamos pensando no filme e tocando música do tempo todo. Estávamos criando a trilha sonora conforme o filme progredia. Nós tínhamos órbitas de músicas que dividíamos e eu o introduzi à essa canção [Within Your Reach do The Replacements]
De acordo com o site The Hollywood Reporter, até as canções que os atores escutavam no set de filmagens acabaram no filme, mostrando como a colaboração entre o diretor e os artistas pode resultar em momentos cinematográficos tão memoráveis. 

Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989) é a prova viva disso. 

O Mágico de Oz (1939) e sua conexão com Pink Floyd

O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939) não nasceu um clássico: quando o filme de Judy Garland estreou nos cinemas norte-americanos, a recepção foi morna e apesar de ser indicado para seis Oscars, não conseguiu arrecadar o suficiente para nivelar o orçamento de produção. O filme apenas passou a atingir status de clássico quando a emissora de TV, CBS, o exibiu em 1956. A partir daí, atingiu mais de 45 milhões de telespectadores e em 1959 se tornou um evento anual - e o mais esperado pelos telespectadores. 

Diferente do caso do álbum The Dark Side of The Moon da banda Pink Floyd. Quando o disco foi lançado em 1 de março de 1973, tornou-se um dos maiores sucessos do ano e um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos. Para se ter uma ideia, ainda nenhum lançamento desbancou o recorde do álbum de maior número de semanas na Billboard: 917. Mas o que um filme de 1939 produzido pela MGM e baseado em um livro infantil de L. Frank Baum tem a ver com um álbum de rock psicodélico? 

A teoria da suposta sincronização do álbum The Dark Side of The Moon com o filme O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939) começou em abril de 1995, segundo o livro The Wizard of Oz FAQ: All That's Left to Know About Life According to Oz Por David J. Hogan, quando alguns usuários do fórum Usenet criaram um tópico sobre a possível conexão do álbum de Pink Floyd e o filme de Judy Garland. O jornalista Charlie Savage, que na época trabalhava como estagiário no jornal Fort Wayne Journal Gazette, viu a discussão e escreveu a primeira matéria sobre essa teoria. O resto virou história e mito!

Pinterest/Montagem
O autor do artigo intitulado The Dark Side of The Rainbow (O Lado Obscuro do Arco-Íris) que se tornou o nome oficial da teoria de sincronização, Charlie Savage, afirma que nem ele mesmo compreende quem teve a ideia de juntar o álbum com o filme, mas admite que as coincidências são incríveis:
Espere para ver inúmeras coincidências firmes que irão fazer com que você se pergunte se tudo foi planejado. E espere para ver ainda mais coincidências que pareceriam forçação de barra se outras partes do filme não se juntassem tão bem com o álbum. - matéria The Dark Side of the Rainbow, 1995. 
Na teoria original que também ganhou o nome de The Dark Side of Oz, aconselha-se ao espectador que sincronize o álbum com o filme a partir do primeiro rugido do leão da MGM (embora outros afirmem que seja possível depois do segundo e até terceiro rugido). Já outros reconhecem que a sincronização de Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939) com o álbum de Pink Floyd fica ainda melhor quando começa a tocar assim que o filme começa. De qualquer forma que você faça, o fato é que as coincidências de sincronização são inegáveis.

Ainda na matéria original de Charlie Savage ele enumera os pontos principais dessa sincronização (no caso dele a partir do primeiro rugido do leão da MGM, mas hoje em dia o mais popular é depois do terceiro rugido):
  1. Durante a canção Breathe, a segunda música do álbum, Dorothy caminha como se estivesse em uma corda bamba durante a letra "and balanced on the biggest wave" (e se equilibrou na maior onda). 
  2. A letra "no one told you when to run" (ninguém te disse quando correr) acontece durante a quarta canção Time, assim que Dorothy corre para resgatar Toto. 
  3. A letra "Home again, home again" de Breathe é reprisada quando a vidente aconselha Dorothy a voltar para casa. 
  4. A letra "Don't give me that goody good bullshit" (Não me dê essa merda de que fazer o bem é bom) de Money é sincronizada com a cena de Glinda voando em uma bolha. 
  5. A letra "Black...and blue" de Us and Them aparece quando a Bruxa Má do Oeste está em cena e logo em seguida é seguido por "and who knos which is which"(e quem sabe quem é quem), com Glenda e a Bruxa se enfrentando. 
  6. A canção Brain Damage que começa bem na parte do número If I Only Had a Brain contém as letras "The lunatic is on the grass" (o lunático está na grama) e "Got keep the loonies on the path" (tem que manter os doidos no caminho certo) logo quando o Espantalho anda como um lunático e no caminho dos tijolos amarelos. 
  7. O instrumental de The Great Gig in the Sky se complementa perfeitamente à cena do tornado.
  8. As últimas notas do álbum são batidas de coração que se sincronizam perfeitamente com a cena de Dorothy ouvindo o coração vazio do Homem de Lata. 
Outras coincidências são a sincronização da música On The Run assim que Dorothy cai da cerca do celeiro, o som de despertador da música Time  que "acordam" Dorothy de seus devaneios e quando a personagem vê o reino de Oz pela primeira vez, a música Money se inicia - ela faz parte do lado B do vinil e essa cena é a primeira colorida do filme.

    O filme foi disponibilizado na íntegra no Youtube e sincronizado com o álbum de Pink Floyd
    Pode ser apenas uma eventualidade, correto? Mas em 1997 o famoso jornal The New York Daily News fez uma matéria sobre a possível sincronização do filme e do álbum, usando como fonte um DJ de rádio nos Estados Unidos que espalhou a teoria através de seu programa. Assim, outros veículos de comunicação como Entertainment Weekly e USA Today replicavam o The Dark Side of The Rainbow e o mito logo se tornou uma febre! 
    A banda Pink Floyd, formada por David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright, negou inúmeras vezes qualquer verdade nessa teoria de sincronização. Em entrevista ao site MTV em 1997, assim que a The Dark Side of The Rainbow ficou famosa, o baterista Nick Mason afirmou de forma sarcástica: 
    Não faz sentido nenhum, não tem nada a ver com O Mágico de Oz. Foi tudo baseado no filme Noviça Rebelde. 
    Alan Parsons, engenheiro de som que trabalhou com Pink Floyd para o álbum The Dark Side of The Moon, também refutou essa ideia completamente na mesma entrevista: 
    Não tinha nenhum jeito viável dessa sincronização acontecer.  Nós não podíamos usar fitas cassetes no estúdio de gravação. Acho que em 1972 ainda não existiam VHS, certo? 
    Em outras entrevistas, Alan até zombou da teoria, afirmando que eles assistiram Mary Poppins durante as sessões de The Dark Side of The Moon que ocorreram entre junho de 1972 a janeiro de 1973. 

    Rick Wright, David Gilmour, Nick Mason e Roger Waters em 1973.
    Roger Waters compôs a maioria das músicas do álbum The Dark Side of The Moon e criou o conceito geral das canções. Assim quando o vocalista David Gilmour foi indagado pela revista Q Magazine em 1999 sobre a suposta sincronização com O Mágico de Oz, ele afirmou: "Se tem alguma conexão, o Roger nunca me disse.  Para mim não tinha relação nenhuma quando eu tentei." Em entrevistas posteriores, no entanto, Gilmour negou intensamente qualquer relação:
    Claro que não. Isso é uma das coisas mais doidas que surgiram e que continua a ser espalhado na internet. 
    O próprio Roger Waters em entrevista a revista belga Humo Magazine em 2005 tentou botar um ponto final nas especulações, alegando:
    Isso é muito ridículo. Essa teoria é para pessoas que tem muito tempo livre nas mãos. Em todo o filme tem algumas cenas que poderia usar The Dark Side of The Moon como trilha sonora. É um álbum cósmico, perfeito para filmes. 
    Apesar dos melhores esforços da banda, a teoria The Dark Side of The Rainbow continua mais forte do que nunca entre os fãs. Tanto que em meados de 1990, um fã chamado Mike Johnston tinha um site dedicado apenas à essa teoria intitulado Synchronicity Arkive. De acordo com o jornal Daily Press, ele até afirmou que Rick Wright, tecladista da banda, havia deixado escapar que a sincronização do álbum com O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939) era verdadeira:
    A razão pela qual essa conexão nunca foi anunciada foi por causa dos direitos autorais. Pink Floyd usaria cenas do filme durante seus shows e quando isso vazou para a companhia do filme, eles ameaçaram tomar medidas legais. 
    Muito provavelmente esse é apenas um boato, afinal se esse fosse o caso a banda poderia mencionar aos fãs a verdade - sem nenhum risco de serem processados por direitos autorais. Entretanto os admiradores de Pink Floyd não pararam com essa teoria e encontraram outros tipos de sincronização com obras da banda. Por exemplo: a conexão entre o álbum Meddle de 1971 e o filme Fantasia (idem, 1940) da Disney, a sincronização de Echoes com o final psicodélico de 2001: Uma Odisseia No Espaço ( 2001, A Space Odyssey, 1968) e por fim o álbum The Wall de 1979 com Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 1951). 

    Recentemente, fãs da saga Star Wars começaram a jurar que o álbum The Dark Side of The Moon também se sincroniza com o filme Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens, 2015) de um modo incrível e enumeraram todas as coincidências

    Outros filmes que podem ser sincronizados com álbuns de Pink Floyd 
    Mas como uma banda e seus álbuns podem sincronizar com tantos filmes diferentes? A professora de psicologia Pamela Heaton, em entrevista ao site Little White Lies, afirma que a resposta está na natureza experimental das músicas do Pink Floyd:
    Se você escuta uma peça de Beethoven é muito bem estruturada, então é muito óbvio que vai ser mais difícil de se sincronizar com um filme. Em comparação, The Dark Side of The Moon é psicodélico e experimental e tem amostras de pessoas falando ao acaso. Nem O Mágico de Oz e nem o álbum do Pink Floyd tem uma estrutura coesa e os dois tem uma qualidade etérea, então é fácil para o cérebro encontrar similaridades nisso. 
    Outro profissional entrevistado pelo site, Daniel Levitin, no entanto, acredita que a resposta está no cérebro humano e na sua insistência de transformar e agrupar qualquer tipo de dado por mais aleatório que seja em algo coeso - esse fenômeno tem o nome de apofenia. 

    Para acrescentar à crença de que The Dark Side of The Moon foi baseado em O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939), a gravadora Sony lançou o disco ao vivo do Pink Floyd em junho de 1995 intitulado Pulse que fez questão de provocar os fãs ferrenhos dessa teoria. Na canção The Great Gig in The Sky eles mudam a letra para "I never said I was afraid of Dorothy" em referência à película. Ademais, a capa do álbum como exibe o site Cadê meu Whiskey, tem inúmeras mensagens subliminares: a imagem de uma menina de sapatos vermelhos, como Dorothy, no globo ocular além da silhueta de um homem de lata e uma bicicleta idêntica a da Bruxa Má do Oeste. 

    Capa do álbum Pulse de Pink Floyd em 1995
    Fica claro que se a banda não concordava com a teoria, ela ao menos deu o combustível necessário para que os crentes continuassem a falar sobre The Dark Side of The Rainbow aproveitando o buzz de O Mágico de Oz e assim aumentando as vendas do álbum Pulse. 

    Passaram-se quase 25 anos desde que a teoria The Dark Side of The Rainbow ganhou força e as similaridades entre O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939) e o álbum The Dark Side of The Moon continuam a fascinar os fãs de rock e até os cinéfilos.

    Afinal, fica o questionamento: você acredita em The Dark Side of The Rainbow? 


    A trilha sonora impactante de Prince em Purple Rain (1984)

    Antes de Purple Rain (idem, 1984) ser lançado nos cinemas e ser consagrado com o Oscar, de melhor trilha sonora, Prince, já era um nome de peso no mundo da música.

    Sua carreira começou cedo, recém-saído da adolescência, e no início dos anos 80, Prince já tinha uma aparência que o distinguia dos demais: roupas coloridas e espalhafatosas e lindos saltos-altos. Com hits como Little Red Corvette e 1999, o cantor estava prestes a se tornar uma lenda, com a gravação do álbum e do filme Purple Rain. 

    Purple Rain conta a história de The Kid, vivido por Prince, um jovem músico muito talentoso que tem sérios problemas em casa. Seu pai e sua mãe brigam à todo o momento, com agressões físicas e verbais, e ele imita o mesmo comportamento com as pessoas à sua volta. Seu coração bate mais forte quando conhece Apollonia (Patricia Kotero), uma aspirante à cantora, mas sua atenção é disputada por Morris, cantor de um grupo concorrente. Será que no final The Kid escolheria o amor ou a tragédia? 

    Prince em cena do filme Purple Rain (1984)                                       Divulgação/Gif
    O ano era 1983 e Prince sabia que queria fazer parte de um filme, ou melhor, ser a estrela dele. Filho de um pai músico e uma mãe cantora(que ele dizia ser branca ou italiana para que ele não ficasse rotulado como 'apenas' um artista negro), a sua infância foi conturbada - seus pais se separaram aos 10 anos de idade e a partir daí ele ficava passando de uma casa para outra, sem saber exatamente onde se encaixava. Mas uma coisa eles o ajudaram a perceber: que seu caminho era a música. 

    De acordo com o livro Let's Go Cazy: Prince and the Making of Purple Rain de Alan Light, foram os pais do músico que lhe deram um empurrãozinho. Ele contou: "Eu apenas via o meu pai e via que quando ele tocava, minha mãe ficava feliz." Assim, o filme Purple Rain é tornou uma autobiografia cinematográfica de Prince, mas as chances não estavam ao seu favor na época. Poucos músicos conseguiram fazer a transição da música para o cinema com maestria - a única exceção até então eram os The Beatles! 

    Mas isso não impediu Prince de escrever incessantemente, como conta o empresário de turnê de Prince, Alan Leeds, no livro: 'Eu apenas sabia que ele tinha um caderno e escrevia sem parar e que ele queria fazer um filme, mas eu ficava tipo: 'Eu também quero.' Não levei aquilo à sério." Mas Prince levou! 

    Prince na estreia do filme Purple Rain em 1984                                        Divulgação/Youtube
    A gravadora de Prince, a Warner Bros, ficou surpresa com a ideia dele, mas todos que os conheciam achava que a ideia fazia um tremendo sentido, afinal ele era obstinado e não aceitava qualquer negativa como resposta. O que fez sua gravadora aceitar sua decisão, no entanto, foi o ultimato do músico: ou eles concordavam com o filme ou ele deixaria a gravadora, que perderia milhões e a chance de reassinar o contrato com ele. Prince tinha com ele o trunfo do álbum 1999, que foi um dos maiores hits de 1982. 

    Assim, quando ele resolveu mudar a banda que o acompanhava, ninguém também tinha nada a dizer. O relacionamento do músico com seu antigo guitarrista Dez (que foi para a banda The Mordenaires, que aparece no filme) estava aos frangalhos e então Prince criou a banda The Revolution com Wendy Melvoin, Lisa Coleman - as duas eram namoradas- e Bobby Z, mantendo os outros antigos membros da equipe na banda. A banda The Revolution é uma parte integral do filme Purple Rain. A hora estava chegando para que o filme fosse feito. 

    Bob Cavallo, o empresário principal de Prince, estava responsável por fazer o projeto de Prince se tornar realidade. O músico e os outros empresários concordaram em disponibilizar 500 mil dólares para financiar a película. Ele encontrou um roteirista chamado William Blinn, que havia ganhado um Emmy pela minissérie Raízes e que também foi vítima do comportamento excêntrico de Prince. Um exemplo? Os dois foram ao cinema juntos e Prince saiu depois de 20 minutos, sem mais nem menos. 

    De acordo com Blinn, em entrevista para a revista Rolling Stone em 1984, ele começou a criar um roteiro para as ideias de Prince, que eram centradas especialmente em seu pai, na qual a personagem Kid, vivido pelo cantor, tinha seus dois pais mortos, em um homicídio-suicídio e tinha que decidir se viveria ao lado de seu amor e da música ou se autodestruiria. O filme se chamaria Dreams. 

    Os pais de Prince, John e Mattie                                                          Reprodução
    Mas o roteiro de Blinn era 'cerebral' demais para a audiência que o veria e Cavallo estava tendo inúmeras dificuldades em conseguir algum diretor que quisesse dirigir o filme. Até que alguém recomendou que ele fosse assistir à exibição do filme Reckless, um filme no estilo rebelde sem causa de James Dean, estrelado por Aidan Quinn e Darryl Hannah. Quem estava lá era o editor do filme, Albert Magnoli. Os dois conversaram e Magnoli garantiu que o diretor de Reckless, James Foley estaria interessado no roteiro. Ele o achou uma porcaria e Magnoli teve sua grande chance: pegou os personagens criados por Blinn e criou uma cena inicial que ganhou à todos, inclusive Prince. 

    A cena inicial era inspirada na cena de batismo do filme O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972), na qual o filme corta e volta entre várias outras situações que, ao final, dão sentido à película. 
    Prince estava cantando uma música, o elevador sobe, a garota está chegando do aeroporto caminhando. Todos os personagens são introduzidos e você continua cortando a cena para o palco. Prince está botando sua maquiagem, ele anda de bicicleta até o local do show, a cena do bar, a garota consegue entrar no bar e  aí você vê todo mundo. 
    Magnoli pediu que Prince gravasse no total doze músicas para o filme e que em agosto de 1983, já teria muito do material pronto para que eles pudessem começar. O chefe da gravadora Warner Bros, adiantou 2 milhões de dólares de royalties da música de Prince para que o músico realizasse seu sonho. Purple Rain estava cada vez mais perto de se tornar realidade.



    A cena inicial do filme Purple Rain que convenceu Prince

    E não foi só a cena acima que Prince usou como inspiração para o seu filme Purple Rain. Ele também serviu de inspiração ao escalar a protagonista e sua "namorada" na película (namorada está entre parênteses porque Prince não tinha ninguém fixo). Apesar de Prince ter inúmeras namoradas, a mais constante era a Vanity, nome artístico de Denise Matthews, por quem Prince tinha grande afeto e desejava torná-la uma estrela. Prince tinha envisionado a participação de Vanity e da banda Vanity 6 (integrada por Susan Moonsie - a namorada principal de Prince antes de Denise, Vanity e Brenda Bennett) em Purple Rain e estava tudo praticamente certo, até que ela foi convidada para interpretar Maria Madalena no filme A Última Tentação de Cristo de Martin Scorsese. 

    Ela preferiu o papel, que por problemas apenas foi lançado cinco anos depois sem ela, dizendo também que deveria ser paga bem mais do que seus colegas em Purple Rain pelas coisas absurdas que teria que fazer. Em entrevista de acordo com o livro Prince and the Purple Rain Era Studio Sessions: 1983 and 1984 de Duane Tudhal, ela contou: "Prince me descobriu, ele descobriu todos nós. Ele é uma pessoa brilhante, mas eu já estava planejando minha carreira solo." 

    Assim, Vanity estava fora e a atriz Patricia Kotero foi contratada. Ainda no tema de O Poderoso Chefão, Prince a apelidou de Apollonia, nome da primeira esposa de Michael Corleone, e o grupo Vanity 6 do filme se tornou Apollonia 6. Mesmo assim, ainda conseguimos ver a influência de Vanity e do grupo que Prince criou para ela no filme.  O videoclipe Nasty Gal de Vanity é idêntico à sequência Sex Shooter de Purple Rain e não sem motivo: Patricia foi escolhida para substituir Vanity na banda Vanity 6 criada por Prince para Denise na vida real. Assim, Prince estava tirando Vanity da sua vida artística de vez! 





    No total, o filme Purple Rain tem quinze músicas e apenas duas não foram compostas por Prince. Todas foram, no entanto, performadas por ele. Let's Go Crazy, por exemplo, tinha apenas 3 minutos de duração, mas o diretor do filme tinha montado a cena inicial de Purple Rain com sete minutos. Prince então alongou a música no meio, adicionando um outro som, e assim cumprindo o pedido pelo diretor.  O músico, aliás, queria que a introdução da canção soasse como um órgão antigo, como de uma banda de garagem. Tudo bem orgânico. 

    Jungle Love foi uma das duas canções que não foram criadas por Prince, coisa que ele não gostava. Ele buscava controle da banda, e apesar de querer novidades, não queria abrir mão de suas ideias. A versão de estúdio da música, como conta o livro de Duane Tudahl, não foi usada no filme, mas sim sua versão ao vivo. Take me With U, na cena no qual Prince e Apollonia estão andando de moto juntos e se conhecendo melhor, era na verdade uma canção para o álbum que seria lançada pelo atual Apollonia 6. Prince, no entanto, achou que a música ficaria melhor no álbum Purple Rain e no filme. 

    Uma parte interessante do filme Purple Rain, no entanto, é que ao se analisar as músicas, que saiam do estilo funky tradicional, com exceção de Darling Nikki, do primeiro álbum do músico, para um estilo mais mainstream e rock n' roll, é que podemos entender melhor sua relação com as mulheres de sua vida então. Se na época ele estava brigado com Vanity e queria que todos acreditassem que namorava Patricia Kotero, apesar de ela ser casada, ele teria escrito canções lindas para duas de suas namoradas. 

    Prince e suas garotas: Vanity, Apollonia, Susannah e Susan Moonsie.                   Divulgação
    The Beautiful Ones, por exemplo, acreditava-se, inicialmente que teria sido escrito para uma de suas amantes da época, Susannah Melvoin, irmã-gêmea de sua guitarrista, Wendy. Os dois passavam muito tempo juntos e Melvoin tinha certeza que a música foi escrita para ela: 'Ele estava gravando para o filme e se apaixonando por mim. Eu estava no estúdio com ele o tempo todo.' No entanto, em uma entrevista em 2015 para a Ebony Magazine, Prince revelou que a música era na verdade era para Vanity, pelo menos em uma parte: "Se você olhar para a canção, é óbvio. 'Você quer ele ou quer à mim?' foi escrita para aquela cena em Purple Rain especificamente. Quando Morris estava sentado com Apollonia e tinha essa troca. E aliás, a frase: 'Os lindos você sempre parece perder', Vanity tinha acabado de sair do filme." 

    Já When Doves Cry, um dos maiores hits da carreira de Prince teria sido baseado em seu relacionamento conturbado com Susan Moonsie, uma das integrantes da banda Vanity 6 e Apollonia 6. Apesar de não haver confirmação por Prince, o livro de Tudahl, dá a entender especialmente pela fala da engenheira de som, Susan Rogers: 'Eu suspeitei por muito tempo e recebi dicas de outras pessoas de que When Doves Cry é sobre Susan Moonsie, porque isso foi no final de Purple Rain, quando ele ainda a queria por perto. Mas ela desesperadamente queria ir embora e fazer sua própria vida." 

    When Doves Cry foi a última canção a ser gravada para o álbum e o filme Purple Rain. A sua inovação? A canção não tinha o acompanhamento de nenhum baixo, algo inédito, e fez a faixa ficar ainda mais radical colocando três faixas de tambor baixo um em cima do outro. Um dos maiores hits da sua carreira estava pronto e foi posto no último minuto para suprir espaço de material! 



    Já as faixas Baby I'm a Star e I Would Die 4 U foram combinadas no filme, com Prince fazendo uma mixagem mestre. Ele, aliás, era especialista nisso, tanto que foi o músico que mixou a canção Stand Back de Stevie Nicks, que ela escreveu com Little Reed Corvette na cabeça. Ele a convidou, posteriormente, para escrever a letra da canção Purple Rain, mas ela disse que era tão grandioso que ela ficou assustada. Prince ficou, então, com essa tarefa! 

    Purple Rain é a música-tema do filme homônimo e um dos maiores trabalhos de Prince. Considerado por Magnoli a canção-chave que faltava no filme, foi assim que Prince fez com que Purple Rain fosse a canção e o nome da película. 




    Lisa Coleman, em entrevista ao jornal The Guardian em 2017, revelou que a canção, no início, tinha uma vibe bem country. Isso mudou quando Wendy, a guitarrista do grupo, acrescentou notas mais longas na canção, fazendo com que o modo com que Prince cantava fosse menos performático e mais meloso. Essa, aliás, é uma das canções de karaokê mais cantadas no mundo todo! 

    Purple Rain estreou em 27 de julho de 1984 e os críticos foram brutalmente honestos: apenas a música de Purple Rain importa, o roteiro e as personagens são esquecíveis. Sendo assim, no ano seguinte, em 1985, Prince ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora ao lado de suas colaboradoras da banda The Revolution, Wendy e Lisa. Muito merecido! 


    Perguntado, em 2014, sobre o filme Purple Rain e a chegada dos 30 anos de seu lançamento, Prince contou: "Eu não tinha percebido. Tudo parece diferente para mim, porque eu estava lá. Eu escrevi as canções, não preciso saber o que aconteceu." Ele, afinal, as viveu. 


    Contudo, uma continuação aconteceu em 1990 com o filme Grafitti Bridge que foi roterizado, dirigido e produzido por Prince, mas sem o mesmo sucesso. Afinal canções como Purple Rain e When Doves Cry são difíceis de serem superadas, até mesmo pelo seu próprio criador. 


    Jayne Mansfield para o filme Sabes o que Quero (1956)

    A vida de Jayne Mansfield é uma doce contradição de Hollywood: apesar de ter possuído, supostamente, um QI de 163, ter sido fluente em cinco línguas (inglês, francês, alemão, italiano e espanhol), além de grande conhecedora de filosofia e saber tocar o violino; em sua carreira no cinema ela ficou renegada à papeis que somente mostravam seu corpo e reforçavam o estereótipo de 'loira burra', assim como acontecia com Marilyn Monroe. Sobre isso, Jayne desabafou: "Na Universidade do Texas, descobriram que eu tinha um QI de 163. Todo mundo ria quando eu mencionava. Não falei mais. Em Hollywood, eu percebi que arruinaria minha imagem feminina e sexy. Quem quer uma loira com cérebro?" 

    Ela se casou cedo, com 17 anos, com um militar, mas surpreendentemente, ele a apoiou em sua decisão de se tornar uma estrela e assim que foi dispensado do serviço, eles se mudaram para Los Angeles. Paul, no entanto, aguentou o estilo Hollywood apenas por alguns meses, divorciando-se, enfim, de Jayne. Foi em 1956, depois de uma temporada bem-sucedida na Broadway que Mansfield conseguiu sua grande chance com o filme Sabes o Que Quero (The Girl Can't Help It, 1956), que a fez ganhar seu tão merecido Globo de Ouro por ser a mais promissora novata de Hollywood. 

    Jayne Mansfield em cena do filme Sabes o Que Quero (1956)                           Divulgação/Gif
    Sabes o Que Quero (1956) conta a história do gangster Marty 'Fats' Murdock, vivido por Edmond O'Brien que está determinado em transformar sua maravilhosa, mas boba namorada Jerri Jordan, interpretada por Jayne Mansfield, em uma estrela do mundo da música. Para isso ele intima Tom Miller, vivido por Tom Ewell, para produzir a futura estrela. Mas Jerri, com seu nome verdadeiro sendo Georgiana, não se importa com nada disso e preferiria ser uma mãe e esposa devotada.

    A primeira escolha para o papel de Jerri Jordan tinha sido a atriz Sheree North, mas com o contrato de Jayne firmado com o estúdio Twentieth Century Fox, ela foi escalada para o papel. O filme Sabes o Que Quero (1956) foi filmado, aliás, de tal maneira que, se Jayne e seu corpo não fossem um chamariz suficiente, a música rock n' roll, que estava em alta na época, seria mais do que suficiente. Canções como The Girl Can't Help It, a música tema do filme, cantada pelo rei do rock Little Richard - que inclusive participou do filme, Cry me A River por Julie London e Twenty Flight Rock por Eddie Cochran. 

    Jayne, que na época era vista como uma resposta dos estúdios para a persona de Marilyn Monroe, copiou inúmeros maneirismos da estrela para seu primeiro papel de protagonista. Ao invés de seu sotaque texano forte ela duplicou o som e até a respiração diferenciada que Marilyn também usava. Outro ponto de semelhança entre as duas era que a caminhada sexy de Jayne no filme Sabes o Que Quero relembra e muito a caminhada icônica de Monroe em Torrente de Paixão (Niagara, 1853). Mas será que era isso que Jayne queria: imitar Marilyn Monroe? Ou era mais provável ser uma demanda do seu estúdio, já que também escalaram Tom Ewell que estrelou em O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955) para contracenar com Mansfield? A segunda opção parece ser muito mais plausível. 


    O filme, aliás, também tem o envolvimento indireto de grandes estrelas da música: Elvis Presley e os The Beatles. De acordo com a biografia Here They Are Jayne Mansfield de Raymond Strait, Buddy Adler, o produtor-chefe do estúdio de Jayne achou que seria uma combinação incrível ter Elvis com sua pelvis famosa sendo referenciado junto ao corpo lindo de Mansfield. A mistura, em sua opinião, seria explosiva! Jayne também ficou animada em conhecer Elvis e esperava que a proposta desse certo. Buddy falou com o empresário de Elvis, o Coronel Tom Parker, que cobrou 50 mil dólares para que o músico cantasse duas músicas no filme. Buddy ficou receoso, pois não sabia se o investimento valeria a pena. Parker, então, fez outra proposta, dessa vez com uma moeda - se desse cara o estúdio ganharia Elvis de graça e mais uma canção, se desse coroa, Parker cobraria o dobro pelas duas canções, ou seja, 100 mil dólares. Buddy desistiu do trato na hora.

    Agora foi uma das canções que estavam realmente no filme que ajudaram Paul McCartney a entrar para os The Beatles, que naquela época ainda eram os The Quarrymen. O filme Sabes o Que Quero e sua trilha sonora fizeram um sucesso incrível em Liverpool, nos Estados Unidos, incluindo Twenty Flight Rock do Eddie Cochran, que Paul aprendeu a tocar e que impressionou John, que acabou o colocando na banda que mais tarde se tornaria o grupo musical mais influente de todos os tempos. Isso que é poder, Jayne Mansfield!





    Sabes o Que Quero (The Girl Can't Help It, 1956), chamaria-se Do Re Mi, mas a ideia foi descartada e o seu lançamento aconteceu em dezembro de 1956. Naquela época, aliás, Jayne Mansfield já estava namorando o pugilista Mickey Hargitay e como seu guarda-roupa para o filme era luxuoso, no total, foi gasto 35 mil dólares nele, Jayne amou tanto seu vestido de noiva do filme que o usou em seu casamento com Mickey, em 14 de janeiro de 1958.

    Jayne em Sabes o Que Quero (1956) e no casamento com Mickey dois anos depois         Divulgação/Montagem
    Com Mickey, Jayne teve três de seus cinco filhos, incluindo a ganhadora do Emmy e estrela da série Law & Order: SVU, Mariska Hargitay. Jayne divorciou-se três vezes e sua vida teve um trágico fim quando ela morreu, aos 34 anos de idade, em um acidente de carro na alto estrada, ao lado de seu empresário e companheiro Sam Brody, seu motorista Ronnie Harrison e seus cinco filhos. Os adultos morreram instantaneamente, mas as crianças sobreviveram com apenas alguns arranhões. Apesar dos rumores, Jayne não foi decapitada no acidente, apenas sofreu um trauma pesado na cabeça, que provavelmente, ocasionou uma morte quase instantânea.

    Apesar de sua triunfante estreia como protagonista no filme Sabes o Que Quero e se tornar ganhadora do Globo de Ouro daquele ano, ao lado de estrelas como Natalie Wood e Caroll Baker, a carreira de Jayne nunca atingiu todo seu potencial e antes de morrer estava enfrentando inúmeras dificuldades na carreira, participando de filmes estrangeiros de qualidade B e até tirando suas roupas e fazendo cenas extra sensuais em filmes para continuar no cinema: que era sua verdadeira paixão.


    Sobre o seu filme Sabes o Que Quero (1956), provavelmente o maior sucesso de sua carreira, Jayne Mansfield foi clara, como conta o livro Jayne Mansfield: A Bio-bibliography de Jocelyn Faris: "Aquele 'it' no título se refere, com certeza, ao apelo sexual. O que mais poderia ser? Eu interpreto uma garota que tem o corpo mais lindo do mundo, mas que não faz ideia de seu apelo sexual. A única coisa que ela quer ser é uma esposa e uma mãe. Mas o sexo interfere o tempo todo. Você poderia dizer que essa personagem é muito como eu. Por isso é que esse papel é perfeito para mim - eu compreendo essa personagem."


    A dupla Simon & Garfunkel para A Primeira Noite de Um Homem (1967)

    Existem filmes que ficam marcados em nossa mente por causa de uma música específica. Seja O Perfume de Uma Mulher, a refilmagem americana do clássico italiano ou Cinema Paradiso, com sua montagem de beijos, o certo é que se uma película é realmente boa, a música o eleva para o nível de excelência: o que aconteceu com A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate), 1967. 

    O filme, baseado no livro homônimo de Charles Webb, escrito antes do autor falecer, conha a história de um recém-formado advogado Ben Braddock (Dustin Hoffman), que sem perspectivas na vida, acaba envolvido com uma sedutora mulher mais velha, a misteriosa Sra. Robinson (Anne Bancroft) enquanto se apaixona por sua filha, Elaine (Katharine Ross). 

    Divulgação/Gif
    Mas além da famosa música Mrs. Robinson, cantada pela dupla de folk Simon & Garfunkel, o cantor mais envolvido na trilha sonora de A Primeira Noite de Um Homem entre a dupla foi Paul Simon, sim aquele músico que foi casado com a Carrie Fisher nos anos 80. Ou seja Paul Simon, o Simon da dupla, escreveu as canções e as cantou ao lado de seu parceiro e amigo Art Garfunkel. 

    Os dois se conheceram no tempo de escola quando Art estava cantando em um show de talentos. Paul achou um ótimo jeito de atrair garotas e acabou se unindo à Art para formar uma dupla. Em 1957, eles já tinham assinado com sua primeira gravadora e quase dez anos depois chegou a chance de participar da trilha sonora do filme A Primeira Noite de Um Homem (1967). 

    O diretor da película, Mike Nichols era um grande fã da dupla de músicos, principalmente por causa do álbum deles Parsley Sage Rosemary and Thyme, lançado em 1966 e achava que a personagem central do seu filme, Ben, escutaria esse álbum sem parar. Assim, ele teve a ideia de convidar os dois músicos para escreverem a trilha sonora de A Primeira Noite de Um Homem. Ele enviou o roteiro, mas Paul não ficou nada animado com o filme. Sobre isso Paul disse, como conta o livro Simon & Garfunkel: Together Alone de Spencer Leigh: "Eu não gostei de nada sobre o filme em primeiro lugar. Eu fiquei apenas impressionado com o Mike Nichols que nos pediu para fazer. Não tinhamos muito a perder e nem muito a ganhar. Não era um grande trabalho. Dustin Hoffman era desconhecido."

    Simon e Garfunkel em 1966                                                Divulgação
    Assim, enquanto o filme era gravado, o diretor passou para a dupla algumas das cenas para que eles trabalhassem em músicas para A Primeira Noite de Um Homem. Enquanto isso, o produtor musical do filme, Dave Grusin, adicionou músicas de álbuns antigos de Simon & Garfunkel, além de outros músicos como Don Covay e Ma Rainey, para ocupar espaço no filme até que a trilha sonora inteiramente composta pela dupla estivesse pronta. Isso não aconteceu: Mrs. Robinson foi a única música composta para o filme. 

    Mas por pouco quase não se chamou Mrs. Roosevelt, que Paul havia escrito em homenagem à Eleanor Roosevelt. Em entrevista com o escritor Tom Brokaw, Simon revelou como a única música que eles escreveram, exclusivamente para o filme, aconteceu. Paul e Art estavam trabalhando em uma música nova e segundo Simon foi Art quem contou para o diretor do filme que ele estava escrevendo uma canção com os dizeres Mrs. Roosevelt. Assim, como conta Paul:" Mike disse 'Não, é Mrs. Robinson', então eu mudei o nome e quando a gravação do filme estava quase acabando eu ainda não tinha terminado toda a letra." 

    Essa foi a única das canções propostas ao filme, que a dupla escreveu exclusivamente, que Mike gostou e incluiu na trilha sonora de A Primeira Noite de Um Homem, mesmo que não estivesse pronta. Simon e Art a terminaram quando Clive Davis, o empresário dos rapazes, insistiu que eles lançassem um álbum só com as músicas do filme. Eles concordaram reluntantemente, mas a maioria das canções foram escritas pelo produtor musical David Grusin e interpretadas por Mike Deasy. Por isso mesmo que a trilha sonora lançada do A Primeira Noite de um Homem (1967) não faz sentido como um álbum e sim como um bônus do filme. 



    A trilha sonora de A Primeira Noite de Um Homem (1967) inovou, sendo um dos primeiros filmes a usar músicas que não foram, necessariamente, escritas para a película. A dupla Simon & Garfunkel se dissolveu em 1970, três anos depois do sucesso do filme, que os tornou superastros. Depois de A Primeira Noite de Um Homem, Art se tornou amigo íntimo de Mike Nichols, que acreditou em sua capacidade de se tornar um ator, e atuou em dois de seus filmes, Ardil 22 (1970) e `Ânsia de Amar (1971). 

    Um brinde à eterna -canção e personagem- Sra. Robinson!
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