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O gingado de Natalie Wood no Brasil

No final dos anos 60, Natalie Wood estava decidida a formar uma família para chamar de sua, tendo aproveitado o sucesso em filmes como Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955), Clamor do Sexo (Splendor in The Grass, 1961) e Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961), no qual foi dublada em suas cenas de canto. Natalie estava finalmente pronta para sossegar, depois de um primeiro casamento turbulento com Robert Wagner, assim noivou com o empresário Richard Gregson, mesmo que mais tarde se decepcionasse quando ele a traísse. 

Mas, estamos nos apressando. O ano era 1968 e o Carnaval do Brasil, mais especificamente, prometia trazer inúmeras estrelas ao país como Marlon Brando, Kirk Douglas, Jane Fonda e é, claro, Natalie Wood. De todos eles, apenas Natalie apareceu no país, com nada menos do que oito malas e um noivo à tiracolo! Ela chegou ao Brasil no dia 21 de fevereiro de 1968 pelo aeroporto do Galeão, pelo voo 975 do superjato da Braniff Internacional, no Rio de Janeiro - sendo acompanhada por David Abdalla Rassi, designado para acompanhar a estrela no voo (que sortudo!) e impressionou à todos com sua simpatia e seu sorriso inocente, apesar de já ter 29 anos de idade.  

Divulgação¹Montagem
Diferente de muitas estrelas que quando viam ao Brasil ficavam hospedadas no Copacabana Palace, Natalie ficou no apartamento de Rui Camargo, no edifício Chopin, que fica ao lado do famoso hotel e no apartamento que pertencia ao ex-presidente João Goulart. Depois de sua chegada, foi embora para o bairro de Copacabana no carro de Jorginho Guinle.

Ao invés de Ava Gardner, por exemplo, que veio ao Brasil e fez uma coletiva de imprensa posterior, Natalie já foi abordada por fãs e jornalistas na saída do aeroporto mesmo e deu um show de simpatia e bom humor. Usando uma linda blusa de bolinha e uma minissaia, Natalie afirmou que adorava usar aqueles tipos de saia porque era super confortáveis e não queria que a moda fosse embora. Perguntada sobre o cinema brasileiro, a estrela foi honesta: "Apesar de ter ouvido falar bem dele e de seu movimento novo, nunca assisti à um filme brasileiro." Disse que queria usar uma fantasia russa para brincar no Carnaval carioca, dizendo que fumar de piteira era seu mais velho hábito. 

Mas se disse aberta à possibilidade de atuar em um filme brasileiro. Imagina só? Também falou sobre a Guerra do Vietnã, revelando que esperava que aquela "guerra cruel" acabasse de uma vez, além de comentar sobre a segregação racial nos Estados Unidos, afirmando que aquela situação era insustentável em pleno século XX. Natalie até prometeu que iria nadar enquanto estivesse no hotel, mas quando os fotógrafos, ávidos por tirar uma foto, apareceram no dia seguinte, encontraram apenas as hóspedes do hotel, sem nenhuma Natalie à vista. Ela, no entanto, estava no dia seguinte, à bordo do iate Atrevida, visitando a baia de Guanabara ao lado de Gregson. 

Divulgação/Jornal Tribuna
Natalie participou da festa mais cobiçada do Rio de Janeiro, o Copacabana Copa-Pala, no dia 24 de fevereiro. Ao lado de seu noivo Richard, que ele comentou ser para ela, o homem ideal em termos de beleza, ela aproveitou o carnaval ao lado da atriz Silvia Monti, que também foi ao Brasil para aproveitar o carnaval e James Fox. Dizem que a atriz bebeu um garrafa inteira de uísque, a seco, e lá pelas tantas foi carregada por Carlinhos Niemeyer, ao passo que o noivo de Wood, de acordo com o livro Carnaval: da Redentora à Praça do Apocalipse de Roberto Murcia Moura, dizia: "São uns selvagens deliciosos!" 

Divulgação/Diário de Notícia (RJ)
Natalie Wood, aliás, afirmou que amou o Carnaval, de acordo com o jornal Diário do Paraná: "Pareceu-me algo de colossal, magnífico. Creio que todos os estrangeiros que estiveram aqui voltarão porque é algo incomparável. É uma alegria que dificilmente poderá se esquecer." Mas não foi só de carnaval do Rio que Natalie aproveitou não! No dia 1 de março, ela ainda estava em terras brasileiras, e foi convidada para um jantar para lá de chique de Fernanda Colagrossi. Depois seguiu-se para a festa à fantasia de Maria Laura Avelar, ambas socialites da sociedade carioca. 

No entanto, uma vinda ao Brasil não poderia acontecer sem alguma confusão e Natalie foi criticada pelo próprio secretário do Turismo, o senhor Carlos de Laet, que afirmou que a atriz e a outra convidada Dorothy McGowan são "minhocas de luxo", que apenas aproveitavam as regalias e não cumpriam nem os compromissos oficiais e nem as regras de boa educação. De acordo com matéria do Diário de Notícias (RJ), ele afirmou, no dia 3 de março, gastar 5 milhões de reais por cada convidado internacional e disse que não iria convidar mais nenhum estrela para o Carnaval: "pois é jogar dinheiro pela janela e tanto é assim que já hoje, mandei cortar as contas delas todas." 

Natalie, é claro, não se deixou abalar por isso e continuou no Brasil, mesmo se já não fosse hóspede oficial, elogiando o belo país enquanto arrasava com o secretário do Turismo, mostrando que não precisava dela para continuar no Rio de Janeiro. Depois disso, ela se hospedou na casa de Patrick e Patricia Havier, em Sorimã, na Tijuca, e escreveu uma longa carta de agradecimento aos seus anfitriões, como conta o jornal Diário de Notícias, dizendo que amou o Rio e convidando o casal para uma estadia em sua casa. 

Cruzeiro/Divulgação
Natalie Wood foi embora do Brasil em meados de março de 1968, mas nunca retornou ao Rio de Janeiro e nem ao Brasil. Boatos diziam que ela estenderia sua viagem até Curitiba, mas não foi nada concreto. Apesar de uma estadia um pouco turbulenta, como sempre parece acontecer no Brasil, Natalie aproveitou sua estadia como nunca, que nem o próprio secretário de Turismo conseguiu impedir! 



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Sobre Gabriella Baliego
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