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12 grandes atrizes de Hollywood que foram dubladas em filmes

A dublagem das vozes de canto de atrizes em Hollywood era uma prática super comum na época de ouro do cinema. Muitas vezes porque os diretores dos filmes acreditavam que as atrizes não tinham a voz certa para o papel, mesmo que fossem cantoras profissionais, vide Dorothy Dandridge em Carmen Jones (1954).  


Natalie Wood foi dublada em Amor, Sublime Amor (1961)                              Divulgação/Gif
Em Hollywood existiam atrizes/cantoras especializadas em dublar as grandes atrizes de Hollywood: Marni Nixon foi uma das mais famosas, dublando Deborah Kerr em O Rei e Eu (The King and I, 1956) e Natalie Wood em Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1962). Outras foram Anita Ellis, que dublou Rita Hayworth em Gilda (1946) e Carole Richards que já dublou a voz de Vera-Ellen em Sua Excelência, a Embaixatriz (Call me Madam, 1953). 

Muitas delas nunca tiveram seu momento de glória, ficando renegadas a papéis coadjuvantes em filmes ou nunca aparecendo nas telonas. Em entrevista para o jornal New York Times em 2007, Marni Nixon revelou que isso não era problema para os produtores de Hollywood: "Os estúdios queriam rostos de estrelas reconhecíveis. E o fato de que muitas estrelas não podiam cantar era uma mínima inconveniência para os grandes produtores." 

Por isso, confira a seguir, 12 grandes atrizes que foram dubladas em filmes, mesmo com algumas tendo vozes maravilhosas: 

BARBARA STANWYCK EM BOLA DE FOGO (1941)
Divulgação
Barbara Stanwyck é uma atriz mais conhecida por seus papeis de mulheres duronas e decididas e por isso, não teve grandes participações em musicais. Mesmo assim, ela cantou em sete filmes, nos quais apenas em três foi dublada. Em Bola de Fogo (Ball of Fire, 1941), a atriz interpreta uma cantora de bar que namora um gângster, papel de um novato Dana Andrews, e precisa se esconder. É assim que ela encontra um professor, interpretado por Gary Cooper, e tem a oportunidade de sair do mapa. 

A atriz tem uma cena cantada no filme, a canção Drum Boogie, e ela é dublada pela cantora Martha Tilton. O filme, originalmente, seria estrelado por Ginger Rogers, que não quis o papel, ansiosa por escapar das sombras de sua parceria com Fred Astaire e buscando papeis mais sérios depois de ganhar o Oscar de Melhor Atriz por Kitty Foyle (1940). Barbara Stanwyck foi a última atriz, segundo o livro Goldwyn: A Biography de A. Scott Berg, a ser oferecida o papel, mas ela fez um grande trabalho, sendo indicada ao Oscar por sua performance. 

Mesmo assim, ficou decidido que a atriz não tinha uma voz forte o suficiente para ser crível em um papel em que fosse cantora de bar. Assim foi dublada. No entanto, Barbara tinha uma voz suave e agradável, tanto que sua voz verdadeira pode ser usada e ouvida em filmes como Um Romance no Mississipi (Banjo on my Knee, 1936), A Morte Dirige o Espetáculo (Lady of Burlesque, 1943) - escrito pela rainha do striptease Gypsy Lee Rose - e Lembra-se Daquela Noite (Remember The Night, 1940). 

VOZ REAL DE BARBARA STANWYCK            VOZ DUBLADA POR MARTHA TILTON

         


RITA HAYWORTH EM GILDA (1946)
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Considerada uma das mulheres mais sensuais do cinema, Rita Hayworth teve seu começo como uma tímida dançarina, que desabrochou e se tornou conhecida como a deusa do amor de Hollywood. O papel que a consagrou para sempre como uma femme fatale de primeira categoria foi o filme Gilda (idem, 1946) no qual foi dirigida por Charles Vidor e contracenava com seu melhor amigo - e ocasionalmente amante - Glenn Ford. 

Foi neste filme, aliás, que Rita Hayworth foi dublada pela cantora Anita Ellis. A atriz teve sua voz de canto dublada em todos os filmes que participou, coisa que a deixava muito irritada. Em entrevista ao jornalista John Kobal, ela revelou: "Eu queria estudar canto, mas o Harry Cohn (chefe do estúdio Columbia) dizia que era desnecessário e o estúdio não pagava." Isso não impediu Rita, no entanto, de perseguir seu sonho, contratando a treinadora de voz, Kay Thompson para lhe dar aulas exclusivas durante as filmagens de Gilda (1946).  

De acordo com a biografia Kay Thompson: From Funny Face to Eloise de Sam Irvin, Rita Hayworth fez várias tomadas para o filme com sua própria voz, incluindo uma rendição de Amado Mio que teve 84 tomadas de cena. Assim que Cohn avistou Rita com Kay, o resultado não foi nada bonito, como contou o escritor e amigo de Kay, Hilary Knight: "Kay me disse que ela havia ido ao estúdio musical da Columbia e quando Harry a viu, ele gritou com ela dizendo: 'Você não vai se envolver com isso. Rita será dublada!' "

Mesmo assim, as lições de Thompson não foram em vão: na cena clímax do filme Gilda (1946), na qual Rita Hayworth está com um violão na mão e faz a performance acústica de Put the Blame on Mame, essa é a voz real da atriz, como revela o site AFI Catalog of Feature Films e a biografia The films of Rita Hayworth: the legend and career of a love goddess de Gene Ringgold de 1974. E que voz maravilhosa ela tinha! 

    VOZ REAL DE RITA HAYWORTH                  VOZ DUBLADA POR ANITA ELLIS

        



AVA GARDNER EM BARCO DE ILUSÕES (1951)
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Ava Gardner tinha uma bela voz: sensual e afinada, assim como a própria atriz. Mas isso não impediu que ela fosse dublada por Annette Warren para o filme Barco das Ilusões (ShowBoat, 1951). O papel de Julie LaVerne, que foi de Gardner, já estava cercado de controvérsias antes mesmo da atriz começar a cantar. Baseado em uma peça da Brodaway, Julie LaVerne é, originalmente, uma mulher negra de pele um pouco mais clara, que tenta se passar por uma mulher caucasiana, pois é esposa de um homem branco chamado Steve, o que na época era considerado um casamento ilegal.


Lena Horne, que fez um rendição incrível da música-tema de Julie La Verne, Can't Help Loving Dat Man, para o filme Quando as Nuvens Passam (Until The Clouds Roll By, 1946) estava animada para conseguir o papel, mas acabou passada para trás exatamente pelo fato de ser negra. Assim, em uma lista que continha Judy Garland, Dorothy Dandridge e Dinah Sore, Ava Gardner foi a escolhida para ser Julie. Ava e Lena, aliás, eram super amigas na vida real e Horne inclusive gravou por cima das canções de Ava, que a copiou nota por nota, já que a MGM queria lançar o álbum do filme com a voz de Lena. O estúdio, no entanto, percebeu que isso era ilegal e fizeram que Ava regravasse por cima da gravação de Horne para lançarem o álbum do filme. 

Em entrevista para o jornalista Rex Reed, segundo o livro Ava Gardner: A Life in Movies de Kendra Bean e Anthony Urowaski, a co-estrela de Ava, Katrhyn Grayson ficou chocada com a bela voz de Gardner: "Como ela cantava bem! Foi tão estúpido dublar suas canções no filme e eu disse ao George Sidney (o diretor) isso. Sulistas nunca pronunciam os 'r's e quando ela cantava: 'Listen sistuh, I love my mistuh man' era muito tocante." 

Ava também ficou nervosa por ter sido dublada por Annette Warren, revelando no livro Ava Gardner: The Secret Conversations de Peter Evans, que: "Eu recebi 140 mil dólares em Barco das Ilusões, mesmo que os canalhas finalmente tenham me dublado nos números musicais. Foi menos do que eles receberam por me emprestarem para outro estúdio, mas eu não estava reclamando." Ava, no final, conseguiu seu momento de glória: sua voz de canto original pode ser escutada na trilha sonora oficial do filme. 

       VOZ REAL DE AVA GARDNER                VOZ DUBLADA POR ANNETTE WARREN

         


JANET LEIGH EM QUE DELÍCIA, O AMOR (1953)

Janet Leigh será para sempre lembrada, pelo grande público, pela cena do chuveiro do filme Psicose (Psyco, 1960), mas a carreira da atriz não se limitou à isso. Uma grande estrela da MGM, ela foi o nome principal do estúdio em filmes como Scaramouche (1952) e Príncipe Valente (Prince Valiant, 1954). 
Por isso, quando ela se arriscou a fazer um musical com ninguém menos do que Donald O'Connor, emprestada para o estúdio Universal, seu co-estrela  e tanto a Universal quanto a MGM lhe deram todas as ferramentas possíveis para tornar o filme mais bem-sucedido possível, inclusive permitindo que Janet não fosse dublada. O nome do filme? Que Delícia, o Amor (Walking My Baby Back Home, 1953). 

Sobre a experiência do filme, Janet Leigh contou, via Janet Leigh: A Biography de Michelangelo Capua que: "Tudo no filme foi feito para que eu sentisse que eu fosse capaz de dançar com Donnie, que é como o chamamos. Essa foi minha terceira tentativa de dançar em um filme e lá estava eu fazendo danças difíceis com um dos melhores dançarinos do planeta. Felizmente Donnie percebeu que era muito difícil para mim aprender os passos, ele sugeriu Louis Dan Con para me ensinar a dança e Betty, sua assistente para me ajudar nos passos." 

O livro, aliás, também revela que Leigh foi apenas dublada por Paula Kelly do grupo The Modernaires, nas notas altas. No resto do filme, é a própria voz de Janet. Isso não aconteceu, por exemplo, nos outros filmes de Janet como Eu Te Verei no Inferno, Querida (An American Dream, 1966) e Pepe (1960).

 


VERONICA LAKE EM ALMA TORTURADA (1942) 
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Veronica Lake foi uma das atrizes mais icônicas do cinema: quem pode esquecer sua franja, que era tão famosa, que ocasionou acidentes em fábricas e a atriz teve que fazer um vídeo pedindo que as mulheres prendessem os cabelos antes de trabalharem nas máquinas? Em filmes como Casei-me Com uma Feiticeira (I Married a Witch, 1942) e Contrastes Humanos (Sullivan's Travels, 1941), ela encantava audiências por todo o mundo.

Por isso muitos achavam difícil de acreditar que quando ela cantava em filmes, aquela bela voz não era de Veronica. A cantora Martha Mears ficou responsável de dublar a atriz em todos os seus filmes: Coquetel de Estrelas (Star Spangled Rhythm, 1942), Revoada de Águias (I Wanted Wings, 1941), Esperteza Romântica (Isn't It Romantic?, 1948) e também no sucesso Alma Torturada (This Guns For Hire, 1942). 

Quando a atriz gravava o filme Coquetel de Estrelas (1942), ao lado de Dorothy Lamour e Paulette Goddard, trouxeram Martha Mears para dublá-la. Mas ela interpretava, ao vivo e com sua voz, o número para o filme, enquanto Bob Hope e Bing Crosb observavam. Quando o número acabou, segundo contou Veronica pela biografia Peekaboo: The Story of Veronica Lake de Jeff Lenburg, isto aconteceu: "Bob e Bing nos observaram fazer a canção e eu me lembro quando voltava para o camarim que Hope me parou e disse: 'Salvando seu dinheiro?' e eu perguntei por que. Ele disse: 'Com uma voz como essa você vai precisar.' E ele estava certo, eu nunca consegui cantar."

  VOZ REAL DE VERONICA LAKE                     VOZ DUBLADA POR MARTHA MEARS

               
DEBBIE REYNOLDS EM CANTANDO NA CHUVA (1952)
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Com apenas 19 anos de idade, Debbie Reynolds já estava no caminho do estrelato ao ter participado do filme Cantando na Chuva (Singing in The Rain, 1952) ao lado de Gene Kelly e Donald O'Connor. O problema é que, sua própria inexperiência, ocasionou que a atriz fosse dublada, ironicamente, em seu primeiro grande filme. 

O roteiro de Cantando na Chuva é este: Kathy Selden, vivida por Debbie, é contratada por Don Lockwood, interpretado por Gene Kelly, para dublar a voz de sua parceira nos filmes, Lina Lamont, vivida perfeitamente por Jean Hagen. No fim, os dois se apaixonam e Lina é desmascarada e Kathy consegue seu lugar de destaque, coisa que não acontecia na vida real com as dubladoras das estrelas.

Apesar de uma bela voz de canto, que a filha Carrie Fisher também puxou, afinal, era filha de Eddie Fisher, Debbie Reynolds foi dublada por Betty Noyes porque os produtores acharam que ela não tinha uma voz rica o suficiente para carregar as canções. De acordo com o livro Singin' in the rain: the making of an American masterpiece de Earl J. Hess e Pratibha A. Dabholkar, Debbie foi dublada em duas canções: a Would You? e You're My Lucky Star. Eles também afirmam que no final do filme, aquela é a voz verdadeira de Debbie e realmente, comparando as duas vozes, são bem diferentes. 

Ironicamente Betty Noyes dubla Debbie Reynolds quando a sua personagem estaria dublando a voz de Lina Lamont. E olha que fica mais confuso: quando Kathy precisa dublar a voz falada de Lina Lamont, é a própria voz de Jean Hagen, já que os produtores consideraram que a voz de Debbie não era forte o suficiente.

  VOZ REAL DE DEBBIE REYNOLDS                    VOZ DUBLADA POR BETTY NOYES
         

AUDREY HEPBURN EM MINHA BELA DAMA (1964) 
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Audrey Hepburn era e, ainda é, uma das estrelas mais famosas do cinema. Com seu jeito sofisticado, seus grandes olhos e sua voz suave, era de se pensar que Audrey tivesse uma linda voz de canto, mas não foi esse o caso. Audrey foi escolhida ao invés de Julie Andrews, que interpretou Eliza Doolittle no teatro, para estrelar o filme nos cinemas, já que seu nome era bem mais conhecido.

Vale lembrar que Audrey usou sua própria voz para cantar em filmes como Cinderela em Paris (Funny Face, 1957) e também em Bonequinha de Luxo (Breakfast ai Tiffany's, 1961), mas sua voz foi considerada inadequada para os desafios das canções de Minha Bela Dama (1964), na qual era necessária uma voz de soprano, que Marni Nixon possuia, já que Hepburn tinha uma voz de meio-soprano.  

Apesar de ficar arrasada com a notícia de que seria dublada, Audrey continou a trabalhar na sua voz no set e se recusou que isso afetasse sua performance. André Previn, músico de orquestra que trabalho em inúmeros musicais, inclusive Minha Bela Dama (1964), revelou que o esforço de Audrey foi maravilhoso: "Audrey tinha uma voz maravilhosa para cantar em uma sala. Se ela levantasse e ficasse ao lado do piano e cantasse, todos os seus amigos diriam que ela tinha uma voz charmosa. Mas esse filme era muito importante e tinham seis alto-falantes espalhados pelo set. Eu achava que se você tinha pegado Audrey para fazer o filme e ela não cantava tão bem - não era um crime. Mas os produtores Lerner e Loewe não concordavam. Esse filme era sua declaração." 

Ninguém queria contar para Audrey que ela seria dublada, como revela o livro Audrey Hepburn de Barry Paris, fingindo que Nixon apenas completaria as partes das notas altas, embora as duas gravassem uma ao lado da outra. Finalmente ficou impossível esconder esse fato e George Cukor, o diretor, contou à Audrey a verdade, como revela Previn: "Ela estava muito triste porque ela sentiu que tinha pegado o lugar de Julie Andrews e se ela não pudesse cantar, refletiria muito mal nela. Mas ela nunca disse uma palavra. Ela tinha lágrimas nos olhos, mas nunca deixava-nos saber como ela se sentia sobre isso." 

Quando soube, Audrey saiu do set completamente chateada, mas retornou no dia seguinte, desculpando-se de seu comportamento horrível.

       VOZ REAL DE AUDREY HEPBURN                VOZ DUBLADA POR MARNI NIXON

     


NATALIE WOOD EM AMOR, SUBLIME AMOR (1961)
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Marni Nixon era uma das dubladoras mais famosas de Hollywood e foi chamada para o set de Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961) para dublar a voz fraca de Natalie Wood. Tudo começou quando Wood gravava Clamor de Sexo ( Splendor in The Grass, 1961) e nas semanas finais de gravação ela assinou para interpretar Maria no musical, intrigada por finalmente poder cantar em um filme. 
De acordo com a biografia Natasha: The Biography of Natalie Wood de Suzanne Finstad, o produtor do filme Walter Schoenfeld lembra-se que o agente de Natalie havia dito que ela achava que conseguiria cantar e queria a chance de provar. Até o diretor Robert Wise lembrava-se de como Wood estava empenhada e ela tratou de começar a treinar sua voz para o canto, animada por sua chance. Marni Nixon que a dublou no filme, revelou: "Ela queria cantar mais do que queria respirar."  

Infelizmente, seu desejo não se tornou realidade. Em entrevista à um podcast em 2001, Marni Nixon revelou exatamente o que aconteceu com Natalie e sua vontade de cantar: "Ela não sabia o quanto de sua voz poderia ser usada e eles não diziam para ela, que gradualmente, a sua voz não seria usada porque eles tinham medo de chateá-la. Quando nos gravávamos as canções, eles disseram que ela faria as canções completas com combinações minhas para as notas altas, e aí eles me gravavam fazendo toda a canção e disse que as combinaria eletronicamente mais tarde, o que era impossível na época. Eu acho que criaram um monstro nela, porque ela escutava suas tomadas e eles diziam que ela era maravilhosa e aí eles viravam para mim e piscavam." 

Natalie Wood descobriu que seria dublada e ficou completamente chateada com tudo isso, acreditando que seria sua voz na maioria das canções. Rita Moreno, que interpretou Anita, inclusive revelou que não era fã de Natalie, mas entende que seu distanciamento do elenco foi porque ela se sentia insegura no papel. Em Gypsy - Em Busca do Sonho (Gypsy, 1962) ela conseguiu usar sua própria voz, mas sempre permaneceu completamente insegura ao cantar em filmes.

      VOZ REAL DE NATALIE WOOD                     VOZ DUBLADA POR MARNI NIXON

      

DOROTHY DANDRIGE EM CARMEN JONES (1954) 
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Dorothy Dandridge fez a história do cinema ao ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz por sua performance no filme Carmen Jones (idem, 1954). Uma cantora habilidosa, que se apresentava em clubes por todo os EUA, foi uma surpresa quando ela acabou dublada por Marilyn Horne. 

De acordo com a autobiografia da dubladora, o Marilyn Horne: The Song Continues, ela trabalhou de perto com Dorothy Dandridge para dublar sua voz: "Eu trabalhei de perto com Dorothy, escutando atentamente sua voz cantada e sua voz de fala para combinar com o timbre de sua voz para que quando eu gravasse as canções, eu tivesse um pouco de Dorothy na minha garganta. Ela cantou em uma nota confortável para ela e eu imitei sua voz com as notas adequadas para as canções. Depois, ela gravou o filme com minha voz saindo pelos alto-falantes. A tendência em dublagem é mexer demais a boca, mas Dorothy não fez isso - ela estava sensacional. 

E Dorothy não ficou nada chateada de ser dublada no filme. Segundo a biografia Dorothy Dandridge: An Intimate Biography escrita por Earl Mills, seu antigo agente, ficou combinado desde cedo que nem ela e nem Harry Belafonte tinham a voz adequada para cantar a ópera e ela concordou plenamente. Ela afirmou, no entanto, que se tivessem mais meses de filmagem, ela, com certeza, conseguiria fazer com que sua voz fosse perfeita para o papel, mas que, infelizmente, não tinham muito tempo. 

Mesmo assim, ela trabalhou, como conta Mills, com um treinador de voz chamada Florence Rusell, que a ajudava com os maneirismos e explicava toda a arte que é cantar ópera. No entanto, em 1959, ao gravar Porgy & Bess, que também foi baseado em uma ópera, Dorothy foi dublada novamente. 

VOZ REAL DE DOROTHY DANDRIDGE      VOZ DUBLADA POR MARILYN HORNE

            

GINGER ROGERS EM VINTE MILHÕES DE NAMORADAS (1934)
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Ginger Rogers era conhecida por seus passos de dança perfeitos ao lado de Fred Astaire, formando um dos casais mais amados do cinema, mas o canto não era uma das qualidades da atriz. De acordo com a revista Ebony, a cantora Etta Moten Barnett dublou a voz de Ginger não uma, mas duas vezes: "Ela dublou Ginger Rogers novamente no filme 20 Milhões de Namoradas (1934)" e também em Namoradeira Profissional (Professional Sweetheat, 1933). 

A voz de Ginger Rogers nunca foi forte o suficiente para acompanhar uma canção nas telonas, mas a atriz acabou lançando, em 1978, um LP com algumas canções, intitulando o álbum Miss Ginger Rogers. A cantora que a dublou, Etta Moten Barnett morreu com 102 anos de idade, mas apesar do avanço que fez - por ser uma mulher negra que dublava canções e teve a música que cantou, a The Carioca, indicada para um Oscar de Melhor Canção - ela não considerava que havia mudado o jogo.

Sua filha, Sue Ish, contou que: "Ela ganhou crédito por abrir a porta para as pessoas negras em Hollywood, mas minha mãe dizia: 'Eu não mudei, eu só estava no lugar certo na hora certo porque tínhamos diretores e produtores em Hollywood que queriam mudar tudo isso. Ela nem sabia que estava fazendo história."

Ginger Rogers, com certeza, deve ter ficado agradecida por sua dublagem! 

   VOZ REAL DE GINGER ROGERS                      VOZ DUBLADA POR ETTA BARNETT

                

KIM NOVAK EM MEUS DOIS CARINHOS (1957)
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No estúdio Columbia Pictures, Kim Novak estava sendo arrumada para se tornar a próxima grande estrela do estúdio, substituindo Rita Hayworth, que nos anos 40, estrelaria o filme Meus Dois Carinhos (Pal Joey, 1957), ao lado de Gene Kelly com quem contracenou em Modelos (Cover Girl, 1944). 

A película demorou para ser desenvolvida e no final dos anos 50, Rita já estava farta do estúdio e ansiosa por terminar este que seria o último filme de sua carreira na Columbia. Assim Harry Cohn, esperto, colocou sua estrela em ascensão ao lado de sua antiga maior estrela, como se Rita passasse a tocha para Kim. 

No entanto, nem Rita e nem Novak cantaram suas canções no filme, diferente de Frank Sinatra, que tornou o filme Meus dois Carinhos (1957), realmente memorável. Enquanto Rayworth foi dublada por Jo Ann Greer, Kim foi dublada por Trudy Ewen na rendição da canção My Funny Valentine. 

A atriz não conseguia cantar nada bem, como ficou comprovado no filme No Mau Caminho (5 Against The House, 1955), na qual sua cantoria foi um tanto quanto estranha e desafinada. Mesmo assim, a voz de Kim até tinha suas virtudes.


         VOZ REAL DE KIM NOVAK                            VOZ DUBLADA POR TRUDY EWEN

      


JOAN CRAWFORD EM SE EU SOUBESSE AMAR (1953)
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Joan Crawford era conhecida por sua obstinação em tudo o que fazia e aos 47 anos de idade quando gravou Se Eu Soubesse Amar (The Torch Song, 1953), ela ainda dava uma arrasada em todas as atrizes mais novinhas. Infelizmente, o filme, que já não era lá muita coisa, principalmente se tratando de um musical, teve a aparição do horrível blackface, no qual atores brancos se pintavam e "imitavam" os negros. Joan Crawford tem um número musical assim no filme, interpretando uma sedutora mulher negra. Naquela época, nos anos 50, como ninguém pensou que isso era uma péssima ideia? 

Enfim, de acordo com a matéria do site TCM, Joan Carwford estava animada por finalmente poder fazer um número musical, afirmando aos repórteres que: 'Você pode não saber disso, mas, muitos anos atrás, eu gravei algumas canções. Eles nunca foram lançados porque meu chefe, L.B Mayer  achou que seria uma ameaça para Janette MacDonald. Bem, Janette está fora agora e Mayer também e a plateia vai finalmente conseguir me escutar cantar e não me importo em dizer que estou muito feliz com isso." 

Infelizmente, não foi isso que aconteceu: para diminuírem os custos da produção, o filme reusou canções anteriores, principalmente o Two-Faced Women (na qual Joan faz blackface), que foi cortada do filme A Roda da Fortuna (The Band Wagon, 1953), estrelado por Cyd Charisse e Fred Astaire. Como Cyd foi dublada nas canções por India Adams, a mesma dubladora foi contratada para dublar a voz de Joan Crawford. 

Crawford, no entanto, gravou suas canções no filme e sua voz de canto pode ser escutada, com clareza, na sequência Tenderly, enquanto canta por cima de sua própria voz, dublada por Adams, no vídeo. Segundo India, em entrevista ao jornal LA Times, no entanto, Crawford estava decidida em cantar ela mesma até o fim, esperando mudar os produtores de ideia: "Eu até tenho uma cópia da canção que gravei para ela no filme, que ela também gravou. Ela continuava cantando várias e várias vezes e perguntava: 'Está melhor agora?'" 

      VOZ REAL DE JOAN CRAWFORD                   VOZ DUBLADA POR INDIA ADAMS
       




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