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A verdadeira (?) história por trás do filme Eu, Tonya (2017)

* aviso: spoilers sobre o filme Eu, Tonya (I, Tonya, 2017)

Tonya Harding foi a primeira patinadora de gelo americana a fazer a manobra conhecida como axel triplo - que consiste em três giros no ar e pousar com um pé só - na competição U.S. Figure Skating Championships em 1991, quando tinha 20 anos de idade. 

Mas não é por esse grande feito que a competidora é lembrada, e sim por uma conspiração envolvendo seu então marido Jeff Gillooly e seu "guarda-costas" e amigo de Jeff, Shawn Eckhardt, na qual a queridinha da patinação Nancy Kerrigan sofreu um ataque no joelho logo antes das Olimpíadas de 1994. Tonya nega até hoje seu envolvimento no plano, mas perdeu suas credencias e nunca mais pode participar de competições de patinação do gelo, em qualquer capacidade. 

Tonya Harding então entrou na obscuridade, tentando ganhar dinheiro com inúmeros trabalhos, sendo até brevemente uma boxeadora. Sua história e a mudança da narrativa de bandida para, de certa maneira, vítima dos acontecimentos, aconteceu com o filme Eu, Tonya (I Tonya, 2017) que será lançado nos cinemas brasileiros em 15 de fevereiro de 2018. O filme, estrelado por Margot Robbie e Allison Janey está concorrendo a quatro Oscars, incluindo Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Mas será que Eu, Tonya está mostrando apenas uma verdade? 

Tonya Harding em 1986                                                          Divulgação/Gif
Em um estilo documentário, com inúmeros flashbacks que acompanham a vida de Tonya desde a infância até as Olimpíadas de 1994, o filme abre com a seguinte frase: "Baseado nas entrevistas sem ironias, incrivelmente contraditórias e totalmente verdadeiras com Tonya Harding e Jeff Gillooly." 

Tonya Maxene Harding nasceu em 12 de novembro de 1970 em Portland, Oregon, nos Estados Unidos. Filha de Lavona Golden, em seu quinto casamento, e Albert Harding, a família da futura patinadora era extremamente pobre, com sua mãe trabalhando como garçonete e seu pai em uma companhia de borracha, mudando-se de acordo com seu emprego, num total de oito vezes durante a infância de Tonya. A pequena descobriu seu amor por patinação do gelo aos três anos de idade, como ela conta em entrevista à revista Sports Illustrated em 1992:
Seus pais estavam no shopping, no Portland's Lloyd Center, no qual tinha um pequeno ringue de patinação do gelo e quando Tonya viu outras crianças patinando, ela queria se juntar à eles: 'Meu pai disse que tudo bem, mas minha mãe não. Então eu chorei e ela finalmente concordou. A primeira coisa que fiz foi fazer uma pilha de gelo e comer. Minha mãe disse que eu tinha que patinar que nem os outros ou ir embora. Então eu patinei.' 
Assim, com apenas três anos de idade Tonya começou a tomar lições de patinação de gelo em grupos e quando a professora disse à Lavona de que a pequena Tonya precisava de uma treinadora para desenvolver seus talentos, elas foram atrás de Diane Rawlinson, uma antiga patinadora de gelo que havia se tornado treinadora. Assim como no filme Eu, Tonya, a treinadora, primeiramente, se recusou a treinar Tonya por ela ser muito nova. Lavona então incentivou sua filha a patinar em volta de Diane até que ela aceitasse treinar Tonya. E funcionou assim que Diane viu o talento da garota! 


Tonya Harding em sua primeira vez no ringue              Divulgação
Diane foi uma parte muito importante da infância de Tonya, comprando patins novos para ela, dando lições para ela, muitas vezes sem receber por isso, apesar de Lavona usar todas as gorjetas que recebia para pagar pelas aulas de Tonya, que custavam uns U$25,00, ou seja, uns R$70,00 por lição. Seu pai ficava responsável pelas contas de casa, mas a vida não era nada fácil, como conta Albert Harding em 1976, quando Tonya tinha cinco anos: 
"Agora, a patinação dela está nos custando U$225,00 por mês e isso não inclui competição. Nós cobramos e pagamos como podemos. Mas à menos que consigamos ajuda, nós não podemos colocá-la em nenhum competição esse ano. Está ficando cada vez mais difícil pagar por aulas e isso tudo pode acabar se não conseguirmos ajuda. 
Isto, o filme Eu, Tonya retrata muito bem, a pobreza da família Harding. Mas não era só isso: Tonya e sua mãe coletavam garrafas e plásticos na rua e aceitavam doações de pessoas que acreditavam no talento de Harding para conseguirem pagar pelas aulas. As fotos do anuário escolar também eram usados como fotos de competição. Quando Harding ficou famosa o suficiente e ganhou seu próprio fã-clube, eles a ajudavam em suas despesas, já que Tonya nunca conseguiu cuidar de suas finanças. 

Tonya, aliás, sempre foi muito mais próxima de seu pai do que de sua mãe, como o filme Eu, Tonya retrata. Foi Albert quem a ensinou a atirar, a caçar, a arrumar um carro e até pescar. Os dois passavam muito tempo juntos e diferentemente do filme, Lavona e Albert se divorciaram apenas em 1987, quando Tonya já era adolescente e não uma criança, como é representado em Eu, Tonya. Aconteceu inclusive de Lavona abandonar Tonya quando ela se casou novamente. Sobre isso, ela revela: "Minha mãe não queria ter nada a ver comigo. Ela me disse que a única razão pela qual ela e meu pai ficaram juntos por tanto tempo foi por minha causa. Isso não fez com que eu me sentisse bem." 

Os abusos de Lavona contra Tonya, por exemplo, mostrados no filme desde a infância, infelizmente aconteceram. Várias pessoas, incluindo a própria Tonya Harding em entrevista para a Oprah em 2002, confirmaram o abuso: "Provavelmente começou quando eu tinha seis, sete anos. Ela era muito agressiva, bebendo o dia todo, me batendo com uma escova de cabelos, me batendo na frente dos outros até que a minha treinadora colocou um basta e a partir daí ela ficava no canto do ringue, sozinha." 


Margot Robbie no pôster do filme Eu, Tonya (I, Tonya, 2016)                                Divulgação
Uma de suas amigas patinadoras, Antje Spethmann, confirmou também o abuso de Harding pela mãe na matéria do New York Times de 1994, na qual ela viu Tonya ser antigida com uma escova de cabelos por Lavona. Esse acontecimento também foi verificado por outra amiga de Tonya, a cineasta Sandra Lucknow no documentário da ESPN, The Price of Gold. Antje se lembrou de ver Lavona empurrar a filha das escadas e ser impedida de ir ao banheiro, muitas vezes tendo que urinar no próprio ringue de patinação. Lavona, em inúmeras entrevistas, no entanto, continua afirmando que apenas bateu na filha uma única vez e que ocasionalmente lhe dava uns "tapinhas" para ensinar o certo do errado. 

Tonya era a mais nova de quatro filhos de Lavona, que incluía o creepy Chris (o estranho Chris), como a patinadora o chamava, que quando Tonya tinha quinze anos de idade, tentou abusá-la sexualmente, antes de seu primeiro encontro sozinha com Jeff Gillooly. Chris tinha 26 anos de idade. Mas os acontecimentos não terminaram tão simplesmente como no filme Eu, Tonya, no qual ela o espancou com uma chapinha. 

Na verdade, a patinadora de gelo teve que ameaçar Chris, seu meio-irmão, com uma chapinha para que ele não a beijasse. Ele se negou e então Tonya o queimou com o objeto e fugiu. Ele foi atrás dela, quebrou a porta de seu quarto e Tonya o bateu com um bastão de hoquéi e mesmo depois de Tonya ligar para a polícia, Chris continuou a persegui-la. Seu meio-irmão foi preso e morreu logo depois de sair da prisão. 

Sobre esse terrível acontecimento, Tonya revelou à revista Sports Illustrated em 1992 que seus pais não queriam acreditar nela: "Meu pai não queria acreditar e minha mãe me bateu e me mandou ficar no meu quarto. Até hoje ela não acredita em mim." Na mesma matéria, Lavona conta seu ponto de vista: "Ele tinha um problema com bebidas. Não seria impossível ele tentar beijá-la. Tonya tem uma imaginação muito vívida. Ela tem uma tendência de exagerar as verdades." 


Não foi exatamente assim que o ataque de Chris contra Tonya aconteceu                           Divulgação
E se Tonya recebia abuso de sua mãe, de seu pai - que fingia não ver o abuso que ela sofria de sua mãe e posteriormente de seus dois primeiros maridos- e de seus parentes, ela logo conheceria o homem que mancharia sua vida e carreira para sempre: Jeff Gillooly. Ela tinha quinze anos de idade, ele tinha dezessete, mas a atração foi mútua quando os dois se conheceram na pista de patinação do shopping. No livro The Tonya Tapes de Lynda Prouse, a patinadora conta que: "Jeff não parava de me encarar. Minha amiga patinava comigo e eu lembro que ele a chamou para perguntar o meu nome. E eu disse para ela dizer para ele. Bem coisa de uma garota de quinze anos de idade." 

Mas diferente do filme, no qual é a mãe de Tonya que os acompanha para o encontro, Tonya revelou no livro de Lynda Prouse que foi seu pai que foi com eles, ficando alguns assentos atrás quando os dois saíram pela primeira vez no cinema. Apenas depois de algumas semanas de namoro era que Tonya pode sair com Jeff sozinha, mas tinha que voltar para casa às 19h. Isso foi em 1986. 

Já no começo de 1987, seu pai e sua mãe se separaram e ela morou com seu pai por alguns meses. Depois, ela voltou a morar com sua mãe Lavona e seu novo padastro, James Golden até que ela tinha 18 anos de idade, quando ela se mudou para viver com Jeff. Até então, ela apenas via seu namorado algumas vezes por semana, por poucas horas, e contou que ele se tornou violento depois da convivência:
Ele ficava bravo e me batia, me empurrava ou me chutava. E eu ficava quieta porque eu achava que merecia por não ter limpado a casa bem o suficiente ou por não ter limpado a casa. 
O incidente com a arma de fogo, que aconteceu durante uma briga entre o casal que aparece no filme Eu, Tonya, quando Harding o persegue com uma arma logo de manhã parece mesmo ter acontecido, com este artigo do New York Times em 1993, afirmando que houve um disparo na casa de Harding e Tonya e a polícia foi chamada. Mas não dá para saber se aconteceu exatamente como o filme descreve. Os dois se casaram em 18 de março de 1990, apesar dos pais de Tonya serem contras à união, e se separam em 1993, apenas para reatarem posteriormente. 

Muitos abusos retratados do filme são relatados pela própria Tonya Harding, como a vez que sua mãe a machucou com uma faca, o fato de Jeff ter prendido sua mão na porta do carro durante uma briga e de ter atirado nela, permanecem sem testemunhas. E aqui vai a pergunta para todos que assistem a Eu, Tonya (I, Tonya, 2017): você, espectador, acredita na patinadora de gelo? 


Tonya e Jeff em novembro de 1991                                                         Reprodução
Tratando-se de sua patinação, Tonya Harding sempre foi conhecida por ser uma atleta, algo que na patinação do gelo não é uma vantagem. Isso porque as mulheres que fazem patinação do gelo devem ser femininas, magras e graciosas, sempre representando suas performances com graça e leveza. Tonya, por teimosa, ia contra essa imposição, rebelando-se e usando penteados com bastante frizz, roupas de apresentação espalhafatosas e escolhendo músicas que iam desde o rock até o tema do filme Jurassic Park para se apresentar em competições. 

Sobre isso, ela contou em uma entrevista com o LA Times em 1991:
Tinha pessoas que vinham até mim e minha mãe nos perguntando porque eu estava usando uma roupa de competição daquela. Nós dizíamos: 'Se tivéssemos dinheiro para fazer uma roupa que estivesse no mesmo nível das outras competidoras, nós faríamos.' Eu gostava dos meus vestidos, eu nunca me senti envergonhada, mas todos achavam que eu era uma relaxada. 
Tonya não queria participar do jogo da fama e da polidez, rebelando-se com qualquer tentativa de se parecer mais graciosa, como o documentário Sharp Edges, quando ela era adolescente, mostra. Doddy Teachman, sua treinadora de 1988 até 1992, também contou que Tonya não queria se encaixar: "A coisa da Tonya é que ela não queria jogar o jogo com o cabelo, as roupas e o visual. Eu nunca dizia para ela fazer nada, eu sugeria. Eu a dizia que era como um emprego e trate como um emprego." 

Nancy Kerrigan, por outro lado, vinha de uma família mais humilde, mas ela tinha a beleza e a graça que Harding tanto lutava para não deixá-la consumi-la. Para elas os patrocínios eram mais fáceis e os juízes gostavam mais dela, além de uma vida familiar bem menos conturbada. Apesar de sua mãe, Brenda, ter ficado cega de um olho ao contrair um vírus e assim não ver bem com nenhum dos dois olhos, Nancy tinha três irmãos mais velhos que sempre a acompanhavam em jogos e seu pai, que estava com ela, além de ser sempre taxada como a 'filha perfeita'. Sua mãe, Brenda, em entrevista, não poupou elogios, dizendo: 
Eu não quero dizer que ela é a filha perfeita, isso soa ridículo. Mas ela é uma pessoa tão carinhosa que ama sua família.
Bem diferente da vida de Tonya Harding, com uma mãe em seu quinto casamento, dois meio-irmãos e uma meia-irmã sem consideração por ela, um pai negligente e um marido abusivo certo? Por isso que antes das Olimpíadas de 1994, Nancy conseguia ganhar dinheiro com patrocínios, enquanto Tonya ganhou mais ofertas depois de seu axel triplo (passando por uma transformação de visual, inclusive), mas teve que recorrer a empregos alternativos, como dirigir monstertrucks e ser garçonete, como o filme Eu, Tonya mostra. Tonya tentou até se auto-treinar, por um tempo, depois de ser treinada pela pupila de Diane, Doddy Teachman, mas voltou para sua antiga treinadora, por ela a entender melhor. E não são muitas pessoas que podem afirmar isso. 

Tonya e Nancy Kerrigan                                                                   Divulgação
Mas se a sorte de Tonya começou a mudar com o axel triplo, seu casamento com Jeff se tornava cada vez mais instável e ela entrou com um pedido de divórcio, não uma, mais duas vezes! Em junho de 1991 ela entrou com um pedido de divórcio e com uma ordem de restrição que detalhava o abuso sofrido: "Ele machucou meu braço, puxou meu cabelo e me empurrou." Em outubro de 1991, no entanto, os dois voltaram e ficaram juntos até setembro de 1993, quando novamente ela entrou com um pedido de restrição e finalizou o divórcio.

Tonya até se envolveu com outro homem durante o ínterim da primeira separação, chamado Mike Pliska. Mas Tonya voltou para Jeff, que largou seu emprego e foi com ela em todas as suas competições dali em diante. Ele estava inclusive, presente quando Tonya foi ameaçada de morte antes de patinar no Campeonato Regional em Portland, Oregon, no dia 4 de novembro de 1993, no qual ela desistiu de competir, quando começou a andar com um "guarda-costas", chamado Shawn Eckhardt, amigo de Jeff. Foi aí, que ele teve a ideia para que o ataque de Nancy Kerrigan ocorresse. 




Depois da competição em 1991, as ofertas de patrocínio 'choveram' para Tonya, que conseguiu contratos publicitários com Texaco, U.S Postal Service e NutraSweet, que a pagavam uns R$7.000,00 por aparição em eventos. Seu antigo agente, Michael Rosenberg, que a largou assim que Tonya voltou com Jeff pela segunda vez, afirmou que Tonya foi perdendo patrocínio depois de se tornar controversa, ou seja, por situações que apareceram na mídia como bater em outro motorista durante uma briga de trânsito e por fumar, mesmo tendo asma. Tonya, fica óbvio, não sabia se comportar, mas por que nunca foi ensinada a ter bons modos. Com Nancy a história era diferente, ela tinha "classe." 

Nancy e Tonya nunca foram muito amigas, ou nem próximas disso. Apesar de se conhecerem e conversarem, nenhuma das duas tinha muito em comum. Elas eram rivais, dentro e fora das quadras. Para se ter uma ideia, em 1991, Tonya Harding ficou em 1º nas nacionais, enquanto Nancy ficou em 3º lugar. Nas Olimpíadas de 1992, Tonya terminou em 4º lugar enquanto Kerrigan ficou em 3º. 

Tonya afirma que apenas voltou com Jeff em 1993, porque juízes disseram que ela precisava parecer mais estável na competição e ter um marido era uma delas. Apesar de ela ter entrado com um pedido de restrição de ordem duas vezes, ao ter alguém ao seu lado, como Jeff, era sinal de que ela era confiável e estava deixando seu passado conturbado para trás. Então os dois voltaram e depois da ameaça de morte de Tonya, o ataque de Nancy estava sendo planejado.


Diane Rawlinson e Tonya, na vida real e no filme                            Divulgação/Montagem
Sobre o ataque de Nancy Kerrigan, no qual Tonya claramente se beneficiaria, porque Kerrigan estava um pouco à frente de Tonya e poderia pegar seu lugar nas Olimpíadas de 1994, Jeff Gillooly e Tonya não concordam em nada. Jeff diz que Tonya sabia do ataque contra Nancy, inclusive ajudando a planejá-lo. Tonya diz que nunca soube de nada, apenas antes das Olimpíadas, quando seu marido confessou e que somente não fez nada para entregá-lo as autoridades. Apenas disso era culpada. Mas será? 

Como o filme Eu, Tonya (I, Tonya, 2017) mostra, foi encontrado durante as investigações do ataque contra Nancy Kerrigan, um papel com a letra de Tonya com os locais de treinamento de Kerrigan. A letra era de Tonya, como a polícia atestou, mas ela mente no documentário The Price of Gold, dizendo que nunca foi comprovado ser sua letra. No papel, estava escrito o ringue de patinação na qual Kerrigan treinava, a Tony Kent Arena, além do endereço. Em matéria do New York Times, em 19 de janeiro de 1994, conta-se que foram descobertas quatro ligações da residência de Tonya e Jeff para a arena. 

A gerente da arena, que não quis se identificar, disse que receberam telefonemas de uma mulher perguntando sobre o treino de Kerrigan, coisa que Tonya afirma que foi feito como uma aposta com Jeff, como é mostrado no filme Eu, Tonya (I, Tonya, 2016), no qual ela ligou para sua amiga, Vera Marano, para desejar um feliz natal atrasado e disse que para conseguir acabar com uma aposta, ela precisava saber onde Nancy praticava. Tonya diz que não sabia que isso seria usado no ataque contra Nancy. 

Shawn Eckhardt, seu "guarda-costas" e amigo de Jeff, afirma que Tonya sabia de tudo,  dizendo que era uma "boa ideia", mas que não sabia se Shawn conseguiria fazer. Jeff ofereceu 10 mil dólares para Shawn e ele contratou Derrick Smith que se autodenominava: "um resolvedor de problema dos outros" e Shane Stant. Segundo o jornal Detroit Free Press em 1994, todos se reuniram na casa da mãe de Shawn em 28 dezembro de 1993 para amarrar os detalhes dos planos. Jeff diz que foi Harding que ligou para a arena, perguntando sobre os horários de Kerrigan, já Tonya afirma que Gillooly ligou e pediu que ela dissesse que foi ela.


Shaw à esquerda e Derrick e Shane à esquerda                                    Divulgação/Montagem
Shane Stant, no entanto, foi quem pegou o pé de cabra e apareceu no ringue de patinação de Nancy Kerrigan no dia 6 de janeiro de 1994 e a atacou. Derrick esperava no lado de fora, pronta para a fuga, mas não contava que Shane pirasse e que ao ver a porta trancada da arena, de bater contra o vidro para escapar. O mais ridículo do plano e é algo que o filme Eu, Tonya mostra é que todos os envolvidos no plano usaram seus próprios cartões para pagar por tudo, fazer as transferências bancárias e, pior ainda, usaram seus próprios nomes ao se hospedarem em hotéis. Nenhum deles tinha ideia alguma de como cometer um crime e isso ficou claro! 

Shawn e Jeff mantinham a história de que Tonya sabia de tudo, enquanto a patinadora do gelo negava e tentava manter seu lugar nas Olimpíadas de 1994. Apesar de ter atingindo Nancy, nem nisso Shane fez um trabalho certo: o golpe não feriu Nancy no osso e ela sofreu apenas um golpe artificial, conseguindo portanto, competir. As duas, inclusive, tiveram que praticar na mesma arena, mas com Tonya sofrendo ainda mais o escrutínio da mídia. No dia da competição, Tonya teve um problema com seus patins, tendo que trocar a lâmina no começo da apresentação. Apesar do choque, a patinadora terminou sua rotina e ficou em oitavo lugar. Nancy, no entanto, ficou em segundo lugar nas Olimpíadas, atrás da russa Oksana Baiul, que demonstrou uma técnica incrível. (Muitos afirmam que Nancy deveria ter ganhado o ouro, no entanto). 

Durante o julgamento pelo ataque de Nancy, Tonya continuou afirmando não saber de nada, mas se denominou culpada de saber sobre o ataque posteriormente e ter tentando acobertar pelo seu marido. Tonya sofreu a seguinte punição: pagar 160 mil dólares, três anos de liberdade condicional, 500 horas de serviço comunitário e ser banida de participar de qualquer competição de patinação do gelo por toda sua vida. Jeff foi sentenciado a pagar 100 mil dólares (que ele nunca pagou) e dois anos de prisão (saindo antes por bom comportamento), mas Shawn, Shane e Derrick passaram 18 meses na prisão. Jeff, aliás, foi preso, posteriormente, duas vezes por abuso doméstico e mudou seu nome para Jeff Stone. 

Tonya e Nancy até se encontraram na frente da televisão, em um programa chamado Breaking The Ice, no qual Harding pede desculpas para Nancy. O encontro não poderia ser mais embaraçoso. 

Depois de ser banida, Tonya passou por uma variedade de empregos como boxeadora - nessa época ela conheceu seu segundo marido Michael Smith, no qual também a batia, mas que ela logo se separou - como vendedora, como paisagista e até como locutora do programa de televisão The World's Dumbest. Atualmente, casada com Joseph Price e com um filho, Tonya viveu em um circo da mídia e diz apenas querer que a verdade de sua história seja dita. 


Tonya e Margot Robbie no lançamento de Eu, Tonya (2017)                     Divulgação/Instagram
Recentemente, ela confessou que ouviu Jeff e Shawn planejarem um ataque contra Nancy, mas que não levou à sério, frisando que nunca participou de plano algum. Eu, Tonya (I, Tonya, 2017) mostra as versões de todos envolvidos na história, puxando para uma tragicomédia que é real e absurda, assim como a maior parte da vida de Tonya Harding. 

Mas será que essa é a verdade do caso Tonya Harding? Ou cada um tem sua própria verdade? É assistir Eu, Tonya (2017) para tirar suas próprias conclusões.  





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Sobre Gabriella Baliego
Vem revirar a caixa do cinema com a gente! Filmes, músicas, arte, livros, séries - tudo que tem a ver com o universo clássico da sétima arte.

2 comentários:

  1. Adorei o artigo sobre o filme. Muito detalhado . Parabéns .

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    Respostas
    1. Olá, Vanessa, muito obrigada :)
      A história da Tonya Harding é realmente bem polêmica e entender mais da vida da patinadora, é apreciar ainda mais o filme!
      Volte sempre ;)

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