O relacionamento de Elvis e Priscilla Presley e o livro Elvis e Eu - Caixa de Sucessos

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30/12/2018

O relacionamento de Elvis e Priscilla Presley e o livro Elvis e Eu

Priscilla Beaulieu Presley decidiu lançar o livro autobiográfico Elvis e Eu (Elvis and Me) em 1985, oito anos após a morte da lenda conhecida como Elvis Presley, para relatar seu relacionamento de mais de 12 anos com o cantor de rock.

O livro, que foi escrito por Priscilla com a ajuda da escritora Sandra Harmon, logo se tornou um dos grandes bestsellers daquele ano e cimentou, de vez, a fascinação dos fãs sobre a vida pessoal de Elvis, especialmente seu namoro tóxico com a jovem Priscilla, que começou quando ela tinha apenas 14 anos de idade e Elvis, 24 anos. Para os fãs, a história do casal já é conhecida: quando o cantor estava na Alemanha servindo na II Guerra Mundial, um amigo de Presley convidou Priscilla para uma das festas do músico. Elvis ficou encantado com ela e fez questão de conhecê-la cada vez mais, transformando-na, pouco a pouco, em sua "mulher ideal". 

O livro Elvis e Eu (Elvis and Me) tenta mostrar um pouco da dinâmica entre o músico e Priscilla, incluindo os altos e baixos do relacionamento, mas nunca se aprofunda de verdade nos assuntos que os fãs querem saber. No fim, é uma versão higienizada da história do casal, quase como se Priscilla tivesse medo de contar toda a verdade.

Elvis e Priscilla em seu dia de casamento, em 1 de maio de 1967
A história do livro Elvis e Eu (Elvis and Me) começa com Priscilla relembrando o dia da morte de Elvis, em 16 de agosto de 1977, e como ela se sentiu impotente e sem direção ao saber dessa notícia, pois havia sido o cantor que a havia transformado na pessoa que se tornou:
Ele havia me ensinado tudo: como me vestir, como andar, como aplicar maquiagem e usar o meu cabelo, como me comportar e como retribuir o amor - da sua maneira. Ao longo dos anos ele se tornou meu pai, marido e quase Deus. Agora, ele se foi e eu me senti mais sozinha e com medo do que nunca. - Elvis e Eu, pág 15. 
A partir daí, no esquema de narrativa na 1ª pessoa, Priscilla tenta se tornar mais próxima do leitor ao contar mais sobre sua vida antes de conhecer Elvis, porém falha em seu objetivo. Isso porque ela apenas "risca" a superfície de todos os assuntos que a obra trata. Neste ponto sabemos que a jovem, aos 12 anos de idade, descobre que quem ela achava que era seu pai, na verdade é seu padastro. Sabemos que ela era considerada uma jovem linda e, que além de tudo, era inteligente e requintada. Mas essa é apenas a imagem que ela passa e nunca, durante todo o livro, conseguimos entender a fundo, quem Priscilla é.

Outro ponto narrativa que gera alta especulação foi o começo de seu namoro com Elvis. Em 1959 na Alemanha; que foi onde eles se conheceram, Priscilla tinha 14 anos e Elvis, 24. Durante toda a extensão da obra, Priscilla deixa claro que seus pais eram totalmente contras ao seu relacionamento com Elvis e que ela teve que implorar para ficar ao seu lado. Mas se seus pais, Anna e James, não aprovavam o namoro, por que deixaram uma jovem de 16 anos de idade morar sozinha com Elvis nos Estados Unidos?

Priscilla e seus pais
Elvis retornou aos Estados Unidos depois da II Guerra Mundial em 3 de março de 1960 e a própria Priscilla deixa claro em seu livro que as ligações e as cartas eram escassas entre eles. Se os seus pais não queriam que a jovem, então com 14 anos, namorasse o cantor eles tinham todos os meios e possibilidades para tal. Assim, apesar de grandes falácias na biografia escrita sobre Priscilla Presley, intitulada Child Bride: The Untold Story of Priscilla Beaulieu Presley por Suzanne Finstad, uma teoria se sobressai como verdadeira: o fato de os pais de Beaulieu, especialmente sua mãe, terem-na impulsionado a namorar Elvis, já que eles sempre esperavam que a jovem atingisse a grandeza, em boa parte por ser tão bela, independente dos meios para tal.

O fato é que, mesmo um fã do Elvis, não pode negar que o relacionamento entre Priscilla e o cantor era abusivo: o consagrado Rei do Rock a transformou em uma boneca real, sua mulher fantasia, e a jovem aceitou alegremente este papel, muito provavelmente pela seguinte combinação: pressão dos pais, o sonho de namorar um grande astro, aspirações de grandeza e a ingenuidade de uma jovem garota que se achava a mais bela de todas.

Muitos fãs se perguntam por que Elvis sempre voltava para Priscilla, apesar de Ann-Margret sua co-estrela em Amor a Toda Velocidade (Viva Las Vegas , 1964) ser um par tão mais acertado para ele. A resposta está no próprio relacionamento dos dois e no livro Elvis e Eu (Elvis and Me): Priscilla já estava moldada, desde os 14 anos, a fazer tudo que Elvis desejava e ele não conseguiria encontrar isso em nenhuma outra mulher. O fato de o namoro dele e Priscilla ter sido tão divulgado, até mesmo na Alemanha, também serviu como um impulso a mais: com a jovem, Presley teria segurança.
A parte mais fundamental de nosso relacionamento era que Elvis era o meu mentor, alguém que estudava cada um dos meus gestos, escutava criticamente cada uma de minhas palavras e era generoso com algumas de minhas falhas. Quando eu fazia algo que não era de seu agrado, eu era corrigida. Era extremamente difícil relaxar sob tanto escrutínio. Quase nada o escapava. - Elvis e Eu, pág 136. 
Elvis tinha em casa uma mulher perfeita e de seu agrado: com os longos cabelos pretos, maquiagem forte, sempre vestida com as roupas que ele aprovava e que não colocaria sua carreira acima dele, afinal Priscilla não tinha uma. Era apenas uma jovem que desde os 16 anos de idade morava ao seu lado em Graceland, casa do cantor em Memphis, e exibia sua incrível beleza.

E não é só Priscilla que conta esse lado de Elvis. Billy Smith, funcionário do cantor e parte do grupo Memphis Máfia (que englobava todos aqueles amigos, colegas e funcionários que trabalhavam com Elvis) contou em entrevista para o livro Elvis and The Memphis Mafia de Alanna Nash: "Quando Elvis disse que queria as moças jovens para que ele pudesse moldá-las e educá-las, ele não contava que Priscilla seria tão boa em flertar quanto ele."

Priscilla e Elvis quando o cantor partia da Alemanha em 1960
Apesar das circunstâncias bizarras do relacionamento deles, Priscilla nunca tem uma palavra ruim sobre Elvis no livro: ela escreve sobre suas mudanças de comportamento, seu vício em pílulas e seu temperamento forte, mas sempre segue com algum elogio ou enaltece sua natureza generosa, que presenteava pessoas até com carros. Tanto que ao contar que ficou dois dias "apagada" com uma das pílulas que o cantor lhe deu em sua primeira viagem para Memphis, ela minimiza com a seguinte exclamação:
-Dois dias? São dois dias que não pude aproveitar minha viagem! - Elvis e Eu, pág 99
Até quando Priscilla escreve, com a ajuda de Sandra Harmon, sobre sua vida sexual com Elvis, ela deixa claro que não ocorria nada mais sério, perdendo a virgindade só depois de seu casamento em 1965, quando tinha 21 anos de idade e que os dois apenas gravam as fantasias sexuais do astro. Exemplificando, enfim, o ideal sulista de Presley: a mulher tinha que ficar em casa, cuidar do seu marido e ser o mais virginal e pura possível. Isso só prova que Priscilla, com Elvis e Eu, não pretendia revelar tudo sobre sua vida com Elvis em seu livro e deixa isso claro a cada página, inclusive ao escrever sobre sua lua de mel.

Sobre a ocasião, ela se limita a escrever: "A intensidade da emoção que eu estava sentindo era eletrizante. O desejo e a luxúria que foram se empilhando durante os anos explodiram em um frenesi de paixão." Assim, o leitor não se sente próximo de Priscilla e Elvis e a leitura se torna distante: ela nem dá detalhes sobre as traições de Elvis e nem as dela. Não dá detalhes sobre o vício do marido e nem sobre sua convivência com a avó do Rei ou seu relacionamento com a filha do casal, Lisa Marie, ela apenas narra os fatos.

Para os fãs ferrenhos de Elvis, o livro não consegue desfazer a impressão que muitos tem sobre Priscilla: de que ela é uma mulher mimada, manipuladora e fútil, isso porque o leitor nunca conhece ninguém na "história" a fundo, são apenas fatos contados de maneira superficial. Mas cuidado: Priscilla pode muito bem ser todas essas coisas, contudo isso não exclui o fato de que ela foi moldada e manipulada por Elvis também, com o objetivo de se tornar sua mulher perfeita. Ninguém é a vítima perfeita. O Rei aprendeu, da pior maneira, que não existe perfeição e foi uma lição merecida - Elvis teria se beneficiado e crescido muito se tivesse vivido uma relação de igual para igual, assim como a própria Priscilla.

Priscilla, Lisa Marie e Elvis em 1970
Tanto que, quando Priscilla soube que estava grávida, seu primeiro pensamento segundo o livro Elvis e Eu foi que ela ficaria menos atraente para o seu marido:
Eu queria ser linda para ele. Ao invés disso, minha estreia como a noiva de Elvis seria arruinada por uma grande barriga, rosto e pés inchados. - Elvis e Eu, pág 249. 
A partir daí, Priscilla descreve como diminuiu o número de refeições e fez questão de perder peso no primeiro mês de gravidez para não ficar "gorda". Exibindo, enfim, a visão individualista e superficial da própria musa de Elvis, que foi ensinada de que as mulheres devem ser lindas e apenas isso importa. No livro, ela também admite que não deu a atenção necessária à sua filha, Lisa Marie, e que teve que correr atrás do prejuízo e dedicar mais do seu tempo para ela, deixando assim Elvis de lado.

Por fim, Priscilla narra seu divórcio de Elvis, sua descoberta de que havia um mundo além de seu marido e como ela ainda o amava, apesar de tudo. Infelizmente, a ex-esposa de Elvis e sua co-autora Sandra Harmon apenas provocam e nunca chegam aos finalmentes do relacionamento de Priscilla e Elvis.

Elvis e Eu (Elvis and Me, 1985) se tornou um sucesso de vendas graças ao fascínio com a vida do astro do rock. Isso porque em suas páginas, os fãs de Elvis não conseguem compreender, a fundo, a intimidade do músico e de sua esposa. Apenas aproveitam algumas das histórias dele ao lado de Priscilla.

Susan Walters e Dale Midkiff interpretaram Priscilla e Elvis no filme Elvis e Eu, de 1988
A verdade é que o livro é desconcertante: vemos um Elvis diferente do idealizado, um que moldou uma menina de 14 anos de idade para se tornar a esposa perfeita e que era manipulativo e inseguro. Priscilla, em minha visão, viu uma chance de ficar com Elvis e foi sem pensar, impulsionada por sua própria prepotência juvenil e a ambição de seus pais.

O livro Elvis e Eu não torna Priscilla necessariamente uma menina boa e sem defeitos e nem torna Elvis em um monstro: ela sabe dosar as qualidades e os defeitos de cada um e mostrar como, aos poucos, conseguiu assegurar cada vez mais sua própria voz em um mundo só de Presley. Mas o fato é que o livro só insinua as atribulações e as felicidades do casal, nunca permitindo que o leitor conheça a vida de Priscilla e Elvis a fundo. O leitor não consegue forjar uma conexão com Priscilla porque ela não dá abertura suficiente para isso, fazendo com que a obra parece mais uma homenagem ao ex-marido do que uma biografia.

Uma ação inteligente de Priscilla, que na época já era muito criticada por tentar capitalizar em cima de Elvis, através de publicidades, papeis no cinema e televisão e por chefiar Graceland, que após a morte de Presley se tornou um grande santuário para seus fãs, com grande fluxo de dinheiro. Ela tenta ganhar simpatia, mas sem falar mal do ex-marido no processo, o que se tornou um grande trunfo para ela e sua reputação.

O livro ganhou uma versão para a TV em 1988, intitulado Elvis e Eu (Elvis and Me) que não foi um grande sucesso, mas se mantém em voga graças ao fascínio ao redor da relação entre o casal.

Elvis e Eu, escrito por Priscilla Presley e Sandra Harmon, exibe uma visão superficial do astro do rock e de seu casamento e relacionamento abusivo (sim!) com Priscilla. É uma ótima leitura inicial para quem quer saber mais sobre a vida do astro, mas não conta toda a relação complexa que ele tinha com sua ex-esposa. Para isso você terá que comprar outro livro!
INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO ELVIS E EU

Livro: Elvis e Eu
Autora: Priscilla Beaulieu Presley e Sandra Harmon
Páginas: 350 

Onde comprar? 
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Mercado Livre: (clique aqui)

5 comentários:

  1. Eu acho muito envejoso e ridículo esse comentário sobre Pricila.
    Ela planejou tudo com a família!
    Simplesmente ridículo.
    E Ann Margaret, sabia que Elvis tinha noiva, e ficou com ele assim mesmo.
    Mas Pricila que é a errada.
    Mundo machista.

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    1. Olá, concordo plenamente!
      Não acho que a Priscila é a errada - ela tinha o sonho de muitas que era ficar com o seu ídolo favorito - só que no caso dela se tornou realidade. Ela tinha apenas 14 anos de idade, era uma criança e o modo como a vilificam é muito machista e sexista.

      As pessoas se esquecem de que ela era apenas uma criança - e que ela ficou "trancafiada" até se tornar a esposa de Elvis. Amo as músicas dele, mas não posso negar que esse relacionamento abusivo que aconteceu com ela.

      Penso que a mãe e o pai dela queriam muito que ela ficasse com o Elvis sim e impulsionaram o relacionamento. Já ela ter deliberadamente planejado tudo, não concordo mesmo.

      Obrigada por ter passado por aqui!
      Volte sempre,
      Att!

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  2. Também concordo que ela não fez nada planejado, pois era só uma criança na época 14 anos as meninas eram mais ingênuas, inocentes.. Mas apesar de abusivo, acredito que ele amava ela de verdade, apesar das traições dele, ele amava muito e o divórcio acabou com a vida dele aos poucos. Muito triste isso ..

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    1. Sim, também creio que do modo dele, o Elvis a amava. Eu sou muito fã do cantor, mas achava que estava faltando uma análise mais profunda sobre o relacionamento dos dois e do livro de Priscilla - ela é muitas vezes pintada como a malvada e queria desmitificar isso.

      Obrigada por deixar a sua opinião :)

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  3. Amo Pricila como amo Elvis , eles fazem parte de uma história linda e triste ao mesmo tempo.

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